27 de nov de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 8

É PRECISO SABER VER

“16POR ISSO NÃO DESFALECEMOS; MAS, AINDA QUE O NOSSO HOMEM EXTERIOR SE CORROMPA, O INTERIOR, CONTUDO, SE RENOVA A CADA DIA. 17PORQUE A NOSSA LEVE E MOMENTÂNEA TRIBULAÇÃO PRODUZ PARA NÓS UM PESO ETERNO DE GLÓRIA MUI EXCELENTE; 18NÃO ATENTANDO NÓS NAS COISAS QUE SE VÊEM, MAS NAS QUE NÃO VÊEM; PORQUE AS QUE SE VÊEM SÃO TEMPORAIS, E AS QUE SE NÃO VÊEM SÃO ETERNAS”. CORÍNTIOS II 4:16-18

“ESCREVE AS COISAS QUE TENS VISTO, E AS QUE SÃO, E AS QUE DEPOIS DESTAS HÃO DE ACONTECER;” APOCALIPSE 1:19

É muito importante termos uma visão que não seja uma visão dimensionada apenas na ótica pessoal, mas aprendermos a ver para além da capacidade personalística.

Se, por um lado, nós vemos segundo a nossa ótica, por outro quem quer crescer de forma consciente tem que saber ver para além, pois o ver ganha na amplitude.

E além de ver para além saber detalhar essa visão no discernimento, que é a sublimação da capacidade de ver. Porque ver é sintonizar, denota interesse, é sair da ótica pessoal para poder observar. Em outras palavras, se cada um de nós está vendo o fundamental é que essa visão seja sempre, e cada vez mais, o reflexo da realidade. É preciso um trabalho informativo ampliado para que a nossa visão seja cada vez mais autêntica e segura. Então, vamos repetir, não basta só ver, é preciso saber ver. Porque ver o mundo está cheio. Para se ter uma ideia, nós estamos vendo a nossa salvação através de longo tempo, longo tempo mesmo, e se dependesse unicamente dessa visão nós todos já teríamos resolvido nosso problema evolucional, não é mesmo? Todos nós, sem exceção. E sabe porque não resolvemos? Porque não temos sabido ver.

A faculdade de ver não opera apenas na visualização e no levantamento de dados, a visão efetiva detecta e sabe para que e porque detectou. Não raras vezes chegamos a um estado de saturação em que percebemos que o que estamos enxergando não é o que estamos querendo ou não está nos atendendo plenamente, de onde concluímos que a visão tem também um sentido de definição do que realmente propomos na vida. Olhos também definem pontos com os quais nós trabalhamos no plano de observação com vistas à seleção daquilo que podemos implementar. Indicam facetas da nossa intimidade que costumam enxergar ângulos sob aspecto acentuadamente automático e condicionado da personalidade. Existem olhos de tudo quanto é jeito.

Temos valores incrustados na intimidade que nem mesmo nós admitimos que existem. Quem conhece um pouco da linguagem corporal sabe perfeitamente que um olhar ou uma postura transmitem coisas. Inclusive pode mostrar que uma criatura sob observação pode estar agindo com um determinado padrão do qual às vezes nem ela tem plena consciência que tem, mas que é automático dela. É por meio dos olhos que a pessoa se orienta e se guia, não só nos passos como no juízo que faz das coisas. Tanto que olhos bons propiciam passos acertados e juízos retos, do contrário tem-se passos dúbios e análises falhas.

Essa busca nossa, essa caminhada, se torna mais gratificante e gostosa na medida em que o conhecimento se abre para nós, apesar das lutas e dos sofrimentos, pois passamos a saber o porque da luta. E a gente vai em frente. Quando a gente não sabe o porque a gente vai às apalpadelas na escuridão da jornada.

Isto está acontecendo com todos nós. À medida que nos educamos, que vamos mantendo o controle, buscando o equilíbrio nas ações e aproveitando as oportunidades com olhos de ver e ouvidos de ouvir, tiramos a maior essencialidade possível no patamar evolutivo em que nos situamos. Temos que fazer esse trabalho de harmonização e manter a harmonia não significa ser aquele que concorda com tudo, mas aquele que sabe olhar com legitimidade. Aí, tudo se encaminha, tudo se abre com carinho na ótica que já podemos trabalhar.

Repare que nas curas efetuadas por Jesus, presentes no evangelho, especialmente naquelas que se referem aos cegos, existem a presença de peculiaridades.

Elas nos mostram, de forma clara, que o mestre não apenas retornava-lhes a visão, não apenas recuperava a visão para que vissem, mas havia algo mais no processo, elas implicavam também no como ver. O Cristo não apenas recompunha a visão de quem não enxergava, como também propiciava dar ao recebedor um quadro novo de uma capacidade de ver. Ele não visava apenas tirar a dor dos enfermos concedendo-lhes alívio momentâneo, mas acima de tudo buscava conscientizá-los a trabalhar as causas como forma de extirpar verdadeiramente as doenças. Objetivando algo a mais, procurava proporcionar a cada alma necessitada uma visão mais ampla da vida, e enriquecer cada espírito no caminho com eficientes recursos de renovação e transformação para o bem.

É por isso que é imprescindível ter paciência com as dificuldades e as provas, independente do quão duras elas sejam. Tudo o que detectamos pela visão é transitório.

Nós temos que ter o cuidado de realizar um trabalho carinhoso na nossa ótica, fazendo uma limpeza na nossas mentes para que possamos tirar de um fato, de uma situação, de uma realidade o que ela tem de melhor prá gente. Precisamos ter essa ótica, entender a lição. Aquele que sabe ver vê mais, vê com propriedade, porque muitos vêem, mas não enxergam. É necessário saber decifrar os códigos que a vida nos endereça, saber entender os porquês das coisas.

Porque tudo tem um porque, nada é aleatório. Possivelmente teremos pouco resultado em nossa busca de progresso se ficarmos apenas preocupados com os acontecimentos em sua feição exterior, com os aspectos puramente objetivos, pois atrás de cada acontecimento que surge na vida de alguém tem uma mensagem.

As sagradas escrituras citam, em algumas situações, como no apocalipse por exemplo, a expressão "olhos como chama de fogo", numa referência aos olhos de profundidade relativamente à vida. A expressão dois olhos, por sua vez, define inicialmente os componentes interativos do nosso dia a dia, que é a visão normal, e também a visão profunda do diencéfalo. A capacidade de entender lida com a visão do diencéfalo, que é a epífise, sede da mente que, por sua vez, mexe com nossa essencialidade. Nossos próprios sentidos são componentes sob a direção direta do campo mental, que é o centro coronário, onde está essa visão profunda do diencéfalo, e tudo isso trabalha de forma globalizada. O que mostra que a questão não se resume só em ver, é preciso saber ver.

Ver está a serviço da própria visão íntima e essa visão vai se sublimando na medida em que extrapola os cinco sentidos e entra caminho a dentro no nível do sexto sentido, que é o sentido intuitivo. Ver decorre dessa visão profunda e o olho de profundidade é o do campo mental, ao passo que entender é a abertura da visão profunda para além da visão comum. O olho capaz de ver, transcendentemente, é aquele que vê e vê mesmo, bem para além da visão objetiva e lógica.

Aparentemente ver é a mesma coisa que olhar. De início, superficialmente, é quase igual. Mas digo aparentemente, porque no fundo existe uma distinção. Basta notar que muitos vêem, todavia não enxergam. Quando falamos em ver nos referimos ao aspecto automático. O ver apresenta sentido de constância, ao passo que a atitude de olhar já denota uma proposta de interesse. É muito comum, para se ter uma ideia, alguém ver uma pessoa, mas não ver o seu semblante. Ou seja, ela é capaz de ver, mas não de captar, não perceber para além do trivial. Podemos resumir dizendo que o olhar é um ver acrescido de direção, de observação, de interesse. E o ver, para que ele possa ter aquela capacidade de efetividade, precisa estar acompanhado da característica de olhar.

23 de nov de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 7

VISÃO DISTORCIDA

“ESCREVE AS COISAS QUE TENS VISTO, E AS QUE SÃO, E AS QUE DEPOIS DESTAS HÃO DE ACONTECER;” APOCALIPSE 1:19

“DEPOIS DESTAS COISAS, OLHEI, E EIS QUE ESTAVA UMA PORTA ABERTA NO CÉU; E A PRIMEIRA VOZ QUE, COMO DE TROMBETA, OUVIRA FALAR COMIGO, DISSE: SOBE AQUI, E MOSTRAR-TE-EI AS COISAS QUE DEPOIS DESTAS DEVEM ACONTECER.” APOCALIPSE 4:1

“Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer”. (Apocalipse 1:19) O versículo em questão aponta para um encadeamento. O processo não se dá de qualquer jeito, de forma aleatória, há uma sequência, é possível notar que existe um encaminhamento de raciocínio.

Se o ver é a função básica do olho, e representa um campo perceptivo, o versículo define primeiro as coisas que a gente vê, a seguir as que efetivamente são e depois dessas as coisas que hão de acontecer, que hão de vir. Primeiro a criatura visualiza com o grau perceptivo dela, e muitas vezes o que ela vai ver é exatamente o que conseguiu retirar de dentro dos sons que ouviu.

O que mostra com tranquilidade que primeiramente a criatura visualiza algo com o seu próprio grau perceptivo. Interessante, não é? Note que um mesmo fato geralmente apresenta diferentes linhas de observação segundo a ótica implementada por cada qual no campo da aprendizagem. São patamares incontáveis. 

Em uma mesma situação, enquanto um olha sobre um ângulo outro olha sobre outro ângulo. De forma que comumente as facetas de um mesmo acontecimento assumem proporções diversas conforme a natureza dos olhos espirituais que as observam. Está acompanhando? O ponto de vista nada mais é do que simplesmente a vista de um ponto. Não é isso? Um ponto determinado serve de referência a muitas pessoas em ângulos diferentes, uma mesma figura desperta inúmeras condições na intimidade dos indivíduos que a observa.

Você já passou alguma vez por um teste psicológico em que são apresentadas figuras ao candidato e lhe é solicitado a interpretação das mesmas? É fácil notar que um mesmo elemento, que um mesmo painel apresentado, dentro de uma mesma linha de referência, propicia várias interpretações, porque cada um dá o dimensionamento compatível com o que se soma na própria intimidade.

Os olhos são instrumentos de identificação, transmitem linha de percepção, mostram a estrutura do observador, a faixa perceptiva dele, a área que ele percebe.

Sem dúvida alguma, cada qual vê segundo o grau evolucional que já atingiu. Cada espírito observa o caminho ou o caminheiro segundo a visão clara ou escura de que dispõe. A evolução é uma escada infinita e cada individualidade abrange a paisagem de acordo com o degrau em que se coloca. Nós temos facilidade em decodificar nosso plano de observação, aquilo que visualizamos, conforme a nossa conceituação. O juízo que fazemos de tudo quanto os nossos sentidos apreendem no exterior está invariavelmente de acordo com as nossas condições interiores. Vemos fora o reflexo do que temos dentro, na moldura dos nossos próprios reflexos e interesses. É comum nós olharmos consoante o que temos dentro da gente, nossa análise é feita conforme os padrões que nós temos.

E se temos facilidade em decodificar o nosso plano de observação dentro da nossa conceituação, na moldura dos nossos reflexos e interesses, é comum, às vezes, a gente ver uma coisa e a situação ser outra bem diferente. Daí, se conclui que o ato de ver pode não ser aquilo que efetivamente é. Deu para entender? Se bobear, a gente olha algo conforme o que temos dentro da gente. Quantas vezes, em cima de uma única frase ou de uma expressão, a gente tira conclusões outras? Assim, porque reclamar das coisas? A deficiência de visão, no seu sentido espiritual, é referência à nossa visão íntima, nossa ótica relativa ao mundo, onde vemos muita coisa fora da linha básica, fora do foco.

É comum nós analisarmos determinadas circunstâncias, fatos e pessoas e tirarmos conclusões distorcidas.  É muito comum a gente viver esse tipo de experiência.

É comum também alguém fazer um diagnóstico da nossa vida íntima que não é o real. Isso não acontece? Aliás, é muito triste quando as pessoas à nossa volta nos vêem e nos analisam com os seus padrões, de forma inacertada. Está certo que cada qual vai analisar com os seus próprios padrões, mas acontece de serem tiradas conclusões distorcidas e infelizes. Não podemos invalidar aquele que tirou certas conclusões e falou certas coisas. De maneira nenhuma. Não podemos invalidar pois ele está aprendendo, está caminhando e é preferível que a criatura erre, porque a vida cresce em função dos erros e acertos.

Também pode acontecer de uma criatura chegar perto de nós, por exemplo, manifestando tristeza, revolta, dúvida ou inconformação com um determinado fato. No plano conceitual dela ela está completamente certa da análise que fez. Está certa com o seu conceito, no fundo se sente sofrida e machucada. E pode acontecer da gente conversar com ela, esclarecer, mostrar determinados ângulos que ela às vezes nem imaginava, e ela dar um sorriso, e ainda dizer: "Nossa, puxa vida, eu agora estou compreendendo o porque de tudo isso estar acontecendo. Agora eu estou entendendo." Não pode acontecer? Ou seja, ela estava vendo a situação de forma totalmente inadequada, estava vendo de modo distorcido.

Cada pessoa tem uma ótica perceptiva, tem a sua forma analítica. E se eu noto que a minha manifestação perceptiva está sendo negativa é bom eu estudar, é bom eu reformular os meus padrões. Concorda? É preciso educar a visão. Cá prá nós, não tem como encontrarmos no mundo uma perfeição completa. E até dizemos mais: ou nós melhoramos a nossa ótica ou vamos continuar trabalhando o nosso plano de crescimento espiritual de forma periférica.

Se quisermos viver bem temos que educar a visão, e educar a visão não é ser bonzinho, ver apenas o lado positivo de tudo, levar pancada das pessoas e dizer amém. Não. É se manter vigilante, ver, analisar, tirar conclusões e cooperar. A gente só se revolta contra aquilo que não conhece, que não compreende.

Então, não basta apenas ver, é preciso saber ver. E ver representa percepção e aprofundamento das causas. Mais feliz nos sentimos quando entramos no terreno das causas. Não dá para negligenciar isso, atrás de cada acontecimento vigora uma mensagem e existe sempre uma causa preponderando ao efeito.

19 de nov de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 6

UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO

“ACONSELHO-TE QUE DE MIM COMPRES OURO PROVADO NO FOGO, PARA QUE TE ENRIQUEÇAS; E ROUPAS BRANCAS PARA QUE TE VISTAS, E NÃO APAREÇA A VERGONHA DA TUA NUDEZ; E QUE UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO, PARA QUE VEJAS.” APOCALIPSE 3: 18

Os nossos olhos constituem instrumentos de interação com os seres e as coisas. E para que possam propiciar uma visão nítida e satisfatória da vida precisam estar saneados, limpos, clarificados. 

Inúmeros indivíduos nos caminhos evolutivos necessitam ainda do mecanismo complicado do sofrimento para poderem aprender a ver. É que o pranto e o ranger de dentes significa lavar os olhos pelo líquido das lágrimas para ver melhor, porque lavá-los pelo pranto proporciona uma ótica mais abrangente da existência. Na marcha incessante do progresso nós observamos que as lágrimas vão além de apenas lavar os olhos e conseguem de fato sensibilizar o coração. Elas são capazes de propiciar àquele que sofre alguma coisa a mais, abrir-lhe a visão para novas oportunidades.

O apocalipse nos proporciona um grande esclarecimento acerca do assunto, quando diz: "E que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas." (Apocalipse 3:18)

Preste atenção, ele é claro e sintético: "para que vejas". Se sugere que a gente veja é porque no fundo nós ainda não estamos vendo. É preciso que a gente mantenha com muito carinho essa proposta de termos a visão nítida. É assim que a nova etapa da regeneração que nos aguarda no plano da evolução sugere.

Não deixarmos que a catarata se instaure em nossos olhos espirituais, ou que a conjuntivite se expresse. Aliás, estamos procurando tirar as cataratas da visão. E quando falamos dessas cataratas não podemos nos lembrar do apóstolo Paulo, que quando teve a sua ligação com Jesus no caminho de Damasco ficou cego? Na hora em que ele recebeu o passe magnético de Ananias saíram de seus olhos coisas semelhantes a escamas, o que denota que ele estava praticamente saindo daquela linha de retaguarda, de uma ótica difícil, estruturada ao nível da justiça para poder entrar numa ótica nova do amor.

Então, é algo para pensar, temos que operar, em um plano de assepsia, as novas bases. "Para que vejas" mostra outra coisa também, a importância de seguirmos operando. O tempo do verbo faz projeção ao futuro. Sugere trabalharmos no sentido de nos projetarmos para um futuro melhor. Define que o momento é o agora. Não tem outro momento propício para operarmos, o momento é agora.

Deu para acompanhar? O passado não é o problema mais. O passado já era, passou, ficou para trás. O problema não é o passado, a questão é seguirmos tendo forças para vencer a caminhada, trabalharmos as causas com vista ao futuro.

Para isso é necessário ungirmos nossos olhos com colírio. Quem está tentando evoluir fora da dor, sem sofrer, tem que usar colírio. É pela utilização do colírio, que é uma forma de se ingerir conhecimento, que conseguimos melhorar a visão. Afinal, o que vem a ser esse colírio? O colírio é um remédio que se aplica sobre a conjuntiva dos olhos para efeito curativo ou de alívio. 

Não é isso? No sentido intrínseco representa evoluir para além da dor. É o discernimento. Ele clareia a visão e nós passamos a ter um aprofundamento na nossa ótica. O colírio, lavando os olhos, clareia a vista e proporciona uma ótica bem mais clara. É o que nós estamos tentando fazer aqui neste estudo. O que estamos tentando fazer, senão abrir a nossa vista para enxergarmos com mais propriedade?

A aplicação do colírio tem inclusive uma expressão interessante: "unjas". Reparou? Ungir nos dá uma ideia muito mais de óleo do que de qualquer outro líquido. Não dá? Ungir significa lubrificar para que a nossa vista tenha um campo dinâmico de observação. Pingando o colírio, utilizando o discernimento, em gotas, ou seja, em pequenas porções, gradativamente desobstruímos a nossa visão e passamos a enxergar a própria abrangência da vida com mais facilidade.

Ungir os olhos com colírio é manter acesa a proposta de irrigar os olhos. Manter a visão nítida para se ter o discernimento e identificar o que fazer, pois o que buscamos é abrir a nossa vista para enxergarmos com mais propriedade.

Temos que prosseguir com a proposta de irrigar os olhos com colírio eficiente, para que haja de nossa parte uma percepção plena do que podemos fazer e do que devemos fazer.

Assim, quando é que começamos a notar que estamos tendo olhos que estão vendo com eficiência? Sabe quando? Quando começamos a enxergar os fatos, as situações, as coisas, as pessoas, o mundo, naquela face positiva em que se apresenta.

É quando nós detectamos os ângulos negativos presentes no campo ambiente onde estamos posicionados e, mesmo detectando esses aspectos negativos, conseguimos manter uma vibração operacional de cooperação, de ajuda e de entendimento.

Então, fica algo para a gente guardar: quem tem bons olhos não vê o bom nem o ruim, simplesmente compreende. Porque tem gente que fica procurando defeito de forma incisiva: "Nossa, aquela pessoa eu não vou com a cara dela. Não tem jeito. Eu até que me esforço, mas não dá. Não sei não, mas ainda vou descobrir o que ela tem." Daqui a pouco começa a procurar, procurar...: "Já sei o que é, ela fala demais." Isso acontece com muita frequência e o que podemos dizer para concluir este tópico, sem querer criticar ou julgar quem quer que seja, é que pessoa assim com certeza não está usando colírio. Para alcançar a visão clara é preciso conquista, aperfeiçoamento, trabalho e paciência.

15 de nov de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 5

VER É APLICAR

“EIS QUE VEM COM AS NUVENS, E TODO O OLHO O VERÁ, ATÉ OS MESMOS QUE O TRASPASSARAM; E TODAS AS TRIBOS DA TERRA SE LAMENTARÃO SOBRE ELE. SIM. AMÉM”. APOCALIPSE 1:7

“QUANDO, POIS, VIRDES QUE A ABOMINAÇÃO DA DESOLAÇÃO, DE QUE FALOU O PROFETA DANIEL, ESTÁ NO LUGAR SANTO; QUEM LÊ, ATENDA;” MATEUS 24:15

Quando nós falamos em olhos, dentro do contexto espiritual, que é o que efetivamente nos interessa no estudo do evangelho, é claro que não estamos nos referindo aos olhos físicos.

Não nos referimos à visão naquela acepção essencialmente física, como sendo a simples capacidade de observação tradicional ao nível dos sentidos, mas aos olhos em sua essencialidade, que trabalham para além desse contato objetivo e físico. Eles não trabalham apenas o mecanismo do nosso sistema perceptivo e sensitivo, como também operam para além desse contato objetivo.

Ver é conhecer ou perceber pela visão, é alcançar com a vista, é enxergar, avistar, saber, conhecer.

Diz a escritura sagrada que "todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram" (apocalipse 1:7) É ensinamento para não ser desconsiderado, mas levado em conta. Essa capacidade de ver não é para alguns apenas, pelo contrário, vai atingir a todos. Ninguém praticamente ficará de fora. O chamamento não individualiza quem quer que seja, é para todos. Não há discriminação de nenhuma natureza, essa capacidade de ver vai atingir inclusive os que machucaram Jesus, os que o feriram, que o traspassaram. Vai atingir também aqueles que foram poucos felizes nas suas ações, que agrediram, que tentaram resistir ao plano positivo da vida e rechaçar os componentes detonadores de uma nova era. Todos estes igualmente se encontram nessa ótica. Até os que estão ainda hoje endurecidos no amor, que permanecem envoltos nas vibrações negativas, na posição acentuadamente egoística ou monopolizadora dos seus pontos de vista, cedo ou tarde também verão.

É óbvio que o tempo tem que ser respeitado, no entanto, de uma forma ou de outra todos nós, mais dia ou menos dia, vamos entender. O mecanismo da evolução não tem pressa e sabe aguardar. Observe que muitas criaturas que vem trabalhando a nosso favor hoje, por exemplo, tiveram no passado os seus momentos de nebulosidade, tiveram que passar lá atrás até mesmo por um processo de cegueira. Muitos deles. Tiveram até mesmo que perder a visão em algum período, como foi o caso de Paulo, e estão hoje tentando nos fazer enxergar. A definir para nós que, às vezes, na caminhada, a individualidade tem que passar por experiências complexas para poder ensinar como é que se enxerga.

A visão, um dos últimos, senão o último sentido que nós efetivamente conquistamos, faz o papel de percepção e detonador de novas linhas de ação. Vamos tentar clarear. Repare o que se deu com o apóstolo João no início do apocalipse. Na linha do encaminhamento ele ouve e depois visualiza: "E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro." (Apocalipse 1:12)

Conseguiu perceber? Inicialmente o som chega, mas a atitude de virar-se, de querer ver, ou não, já não é com o som, é com a gente, é algo que advém de dentro da gente. Virar-se é manifestação de interesse. Inicialmente, por ocasião do arrebatamento, ele ouve, e na proposta de identificação, na busca de querer identificar-se com o que lhe despertou o interesse, ele se vira. E interessante é que nem sempre esse verbo virar denota que ele tem que virar-se fisicamente falando. É intrínseco, refere-se a movimentar as fibras íntimas para uma percepção. É muito bonito quando a gente vai percebendo essas nuances.

Virar demonstra que ele não estava preocupado em ouvir, queria mesmo era ver, porque para ouvir não precisa virar. Então, os olhos sugerem linhas de percepção.

A visão faz o papel de percepção e detonação de novos ângulos da nossa personalidade, no que diz respeito à instauração de novas faixas, de padrões novos. Inicialmente, a nossa visão pode instaurar dentro de nós profundas dúvidas, não pode? Afinal, a gente começa a identificar caracteres novos, até então desconhecidos para nós. Todavia, quando essa visão passa a ser direcionada com segurança e acentuada harmonia no campo do sentimento, ela pode oferecer-nos instrumentos adequados para o melhor equacionamento dos fatos. Pela visão, no sentido essencial, nós praticamente localizamos aqueles pontos capazes de nos fertilizar o entendimento no campo da aprendizagem. Olhos também nos auxiliam a visualizar os terrenos em que despontam o campo operacional para a gente, apontam como e onde devemos agir.

A faculdade de ver representa não apenas detectar. Ou melhor, quem sabe ver detecta. E mais, sabe para quê e porque vê. Daí, sabe o que concluímos? Que o primeiro fator que realmente nos importa quando passamos a ver é o da aplicabilidade. "Quem lê, atenda." (Mateus 24:15) Repare nesta passagem, a leitura apresenta uma dose maior de influxo magnético no contexto da aprendizagem e o ler, que se dá pela utilização da visão, apresenta caráter de aplicabilidade.

É algo que precisamos entender. Ver possibilita o direcionamento dos padrões recebidos, muitas vezes pela audição, claro, e pressupõe direcionamento de atitude, sugere aplicação. Em outras palavras, quem vê não fica parado. Age. Quem lê tem que fazer, tem que atender. Por isso, é imperioso apropriar cada componente selecionado e procurar dar o melhor. Conhecimento nobre exige atividade nobre.

A visão é um chamamento direto à aplicação. É da lei que não devemos ver senão o que podemos observar com proveito e cada um de nós deve ter a possibilidade de ver somente aquilo que proporcione proveito legítimo. Afinal, não fomos criados para ver unicamente dentro do plano de entretenimento. Isso não existe. Não se dá assim. Você quer ver mais do que tem visto? Lembre-se que para podermos enxergar além daquele ponto que nos é delimitado  temos que saber investir de forma acertada naquilo que fomos capazes de ver.

10 de nov de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 4

O QUE É O APOCALIPSE

“REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO, A QUAL DEUS LHE DEU, PARA MOSTRAR AOS SEUS SERVOS AS COISAS QUE BREVEMENTE DEVEM ACONTECER; E PELO SEU ANJO AS ENVIOU, E AS NOTIFICOU A JOÃO SEU SERVO;” APOCALIPSE 1:1

A expressão apocalipse significa revelação. Trata-se de revelação de Jesus Cristo: “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo.” (Apocalipse 1:1)

Quem revela é o próprio Cristo. Traz em sua redação aquelas revelações recebidas pelo evangelista João na ilha de Patmos, dentro de profunda expressão mediúnica. De forma que o evangelista, o revelador, é um instrumento no encadeamento das informações. Situado como o último livro do novo testamento, no final de todos os livros da bíblia, nos indica que tudo está na frente.

Isso é importante de entender. Mostra que a sementeira já havia sido feita antes por Jesus e seus primeiros apóstolos. Percebeu? Quem não aprender o caminho pelo amor irá precisar dos acontecimentos que ele sugere para acertar o passo. O apocalipse, relacionando-se com o velho testamento, é praticamente uma reciclagem com vistas a pisos novos, novas engrenagens da vida.

Ele vem sendo compreendido pela grande massa de criaturas humanas, especialmente por aquelas vinculadas às faixas religiosas, como sendo o repositório de fatos que trazem na sua expressão aquele estigma pesado e marcante de sofrimentos, calamidades e dores. Literalmente falando, contém revelações terrificantes acerca dos destinos da humanidade. Agora, vamos começar corrigindo essa ideia. O apocalipse não é apenas uma soma de sombras ameaçando as nossas cabeças. De forma alguma. Não é aquele assunto que está para chegar e eu vou consultar o calendário porque quando ele vier vai acabar com todo mundo. Decididamente, não! Não se trata somente de um registro de acontecimentos aos quais todos nós temos que nos curvar.

Vamos retificar esse conceito. Não vamos tê-lo como um conjunto ameaçador, série de nuvens pesadas a se derramarem sob as cabeças das criaturas humanas. Precisamos dilatar a compreensão e ampliar essa ideia anterior fechada de constrangimento apocalíptico de massacre e eliminação, em que o criador fica lá de cima nas esferas gerenciando o sofrimento e a mortandade aqui no planeta.

E por quê retificar o conceito? Simples. Para início de conversa, ainda que toda a soma de valores presentes na sua revelação acontecesse, que todos os acontecimentos negativos que ele preceitua desabassem sob as criaturas necessitadas de suas experiências, o espírito, dentro de sua imortalidade, continuaria a sequenciar sua evolução. Ficou claro? Em momento algum da existência o mecanismo evolutivo, o espírito, vai ter cerceadas as suas manifestações. E sabe por quê? Porque a morte não existe. Isso mesmo, morte, no sentido finalístico que a maioria conhece, de que morreu acabou, não existe. A morte, na acepção que nós conhecemos, é vida para o outro lado.

O apocalipse está presente no final de todos os livros da bíblia. Não é à toa, pode ter certeza disto. Não acontece desse jeito. Colocado no final ele vem trabalhando, sutilmente, figuradamente e em mensagem velada, pelas linhas intuitivas que a espiritualidade maior aproveita, como se quisesse dizer que tudo está na frente da bíblia. Mas a decisão, se vai ou não vai, se segue o roteiro dentro do programa ascensional, é de cada um, é de foro íntimo. O que é preciso ser entendido, e bem entendido, é que ele vem propondo, não vem ameaçando.

Em muitas de suas partes vamos notar que em momento nenhum ele trabalha com ameaças. Como revelação é propiciar acesso, ele vem para revelar uma nova personalidade, revelar um novo sentido de vida. E ele também está nos mostrando alguma coisa. Não é apenas um processo convocando a gente a mudar, também direciona aquele que já tem dentro de si a noção de mudança, traz, em todo o conteúdo do seu relato, as condições de mudança, projeta a criatura para um piso seguro. Corrige e também reeduca. Ele pode ser duro, às vezes, mas a individualidade sai de dentro dele melhor do que entrou, com parâmetros alterados, melhorados, novos conceitos, mais aberta e o melhor, mais feliz.

Apocalipse vem mostrando para nós, se analisado apenas o ângulo das causas, apenas sob o âmbito da sementeira, que o esquema todo está montado. Que as nuvens estão formadas. Visto de baixo para cima ele é como um fantasma assustador que vem nos fazer sofrer. Agora, vamos analisar com calma.

Para todos os efeitos ele é alguma coisa que cerceia, só que dentro desse cerceamento e da aplicação da lei existe uma alta dose de investimento. Está dando para acompanhar? Ele não vem só para cobrar. Vem, de forma simultânea, projetar a criatura para um piso diferente, afinal, não vamos esquecer, o amparo superior está em toda parte e nós vivemos debaixo do império da lei suprema do amor. De cima para baixo não existe uma reação negativa da leis que nos regem, elas não tem um sentido puramente negativo, mesmo que machuquem e façam a criatura sofrer. As próprias reações da lei não tem um sentido único de dizer basta ou mostrar ao universo a nossa pequenez. Logo, como a proposta da misericórdia divina não é liquidar, machucar ou punir, e, sim, fazer o ser avançar, de cima para baixo existe o investimento em uma oportunidade, no sentido de que dentro do processo de quitação e reajuste a gente aprenda a verdade sublime e seja realmente feliz. As orientações do apocalipse trazem toda uma estrutura de redenção do ser. Embora as destruições estejam dentro do seu contexto, ele é um processo dinâmico de crescimento e libertação e não apenas uma ameaça de destruição.

A gente tem que ter a consciência que o apocalipse, em certas circunstâncias, é chamada finalística, mas a verdade é que ele não quer ver ninguém derrubado, caído, fracassado, deprimido. Está certo que ele define o efeito de causas infelizes, no entanto, analisando os acontecimentos que ele propõe, é a oportunidade de uma caminhada nova com equilíbrio. Observado de lá para cá, do plano superior para o nosso, ele é uma instrumentalidade não muito gostosa, aliás, de gosto ruim, péssimo, constrangedor, altamente desconfortável, amargo, mas que tem um elevado cunho didático para nos levar ao equilíbrio.

Basta pensar com a clareza da razão. As reações da lei trazem um ensinamento valioso para que descubramos o processo e nos ajustemos, ao mesmo tempo, a um caminho novo. Trazem um componente para ser analisado na própria trajetória chamado recuperação e recomposição. É por isso que o apocalipse vem e pega mesmo se for preciso. Chega com força, se não tiver jeito, cobra e não tem conversa, todavia, é preciso ficar claro que ele só vai pegar se não tiver outra opção, porque antes dele oportunidades surgem.

Tem muita gente em todos os lados apavorada com o apocalipse. Quer saber de qualquer jeito o dia em que o mundo vai acabar. Fica apreensiva quando o assunto vem em pauta. Nós aqui estamos torcendo com os dedos cruzados para que ele não acabe agora e aguente um pouquinho mais. E tirando a brincadeira de lado vamos observar que não tem como fugir mais. O apocalipse está precipitando nos dias de hoje uma série de acontecimentos porque ele está na determinação não dos homens, mas na determinação superior dos que gerenciam a nossa evolução, de que a Terra está entrando a passos rápidos em um processo novo chamado regeneração. Está endereçado ao momento da transição de modo muito especial dentro do plano da coletividade humana.

O apocalipse, todo ele, está endereçado à nossa capacidade de afirmação pessoal.

Sugere a cada um a aceitação do trabalho que lhe é competente. É proposta de trabalho, chamado para fazermos aquilo que sabemos, mas que não fazemos ainda.

Ele propõe a área operacional, a identificação e aplicação de valores que já trazemos teoricamente conosco. Aí, alguém diz: "Espera aí, Marco Antônio, eu entendi, mas vai dizer isso para quem está sofrendo enormemente debaixo dos seus impactos. Vai explicar para quem está marcado com tantas lágrimas inquietantes." Olha, quem semeou tem que colher com calma o resultado do que lançou.

O grande segredo é não abrir o guarda-chuva porque a tempestade vai desabar, abrir porque a tempestade vem chegando. O desafio é saber se conseguimos vencer a nós mesmos para não ter que despencar chuva nenhuma.

Os fatos relacionados como sendo ameaças apocalípticas só vão surgir no caminho se nós nos descuidarmos, se não ficarmos atentos com o que a consciência grita dentro de nós. Não temos que estudar apocalipse para nos posicionarmos dentro dele, pelo contrário, temos é que buscar viver o evangelho para escaparmos do apocalipse. Numa final de campeonato, por exemplo, o time de futebol tem que tentar vencer no tempo normal para que não venha ter que passar pela prorrogação. Com muita tranquilidade e coração aberto vamos fazer algo positivo ao nosso alcance antes que o apocalipse bata à porta.

O que vamos falar agora praticamente não é nenhuma novidade. O apocalipse é manifestação clara e nítida, resposta que espiritualidade tem que usar ou deixar acontecer quando a consciência não deu conta do recado. É a chegada de chuva de dificuldades, dores e sofrimentos para os que rejeitaram a chance que está chegando para todos indistintamente. Vamos compreendê-lo como prevendo-nos acontecimentos menos felizes em razão das bases lançadas no tempo, e que estruturalmente acabam por formar nuvens pesadas que irão derramar hoje ou amanhã.

É  uma proposta em que os componentes nele referenciados serão levados a efeito nos terrenos dos testemunhos, dos sofrimentos e das lutas no âmbito exterior, praticamente definindo necessidades íntimas resultantes da indiferença e resistência de todo processo negativo diante das necessidades pessoais.

Apocalipse não é aquele que vai chegar, aquele que vai anteceder o fim dos tempos, mas o instrumento que toca os que estão precisando dele dentro dos aspectos difíceis. Simboliza a chegada de chuva de grandes dificuldades para todos que rejeitarem as oportunidades de progresso. Repare para você ver, nos dias de hoje nós estamos vivendo o clímax em que o apocalipse praticamente se expressa aos nossos olhos. Estou errado? O nosso mundo é um apocalipse vivido muitas vezes com o silêncio nos corações. E quer saber onde é que ele mais se expressa? Muitas de suas revelações acontecem nos dias atuais dentro dos ambientes domésticos, dentro das casas, à partir de intermediários que refletem a necessidade de alguém, especialmente mediante a instauração de problemas que estão para além dos previstos pelo contingente familiar.

Ele é, acima de tudo, um chamamento à reflexão, a uma consciência do mecanismo da própria existência, a um processo dinâmico de crescimento e libertação.

Longe de ser só ameaça de destruição, está endereçado à nossa capacidade de afirmação pessoal, a todos que visualizam a mudança, que já elegeram um padrão novo de vida, pois em certo momento nos despertamos para a vida. Está falando de maneira velada à intimidade, e não com a ostensividade que a gente acha que tem que ser.

É preciso entender que ele apresenta dois ângulos no qual funciona, ou melhor, dois destinatários. Grande parte das profecias do apocalipse estão direcionadas ao agrupamento que já tem um conhecimento maior ou menor dos fatos. Por quê? Porque não há apocalipse para quem está na jornada natural da vida, não há revelação para quem está debaixo dos seus efeitos. Logo, o primeiro grupo é o dos cooperadores do pensamento divino na área operacional. Exemplificando de forma simples, são os enfermeiros que vão auxiliar o segundo grupo, que é o que está recebendo os seus impactos no plano da vida. 

Este primeiro grupo é o lado onde a maioria de nós se encontra. Sem medo de errar o destinatário do conteúdo do apocalipse somos nós, pois é uma mensagem aos que já estão visitados pela informação quanto às realidades novas da vida.

Diz respeito àquelas individualidades que já foram visitadas pela informação, que tem um conhecimento teórico e que se encontram às voltas com a capacidade fixadora desses padrões ao nível prático. Espero que esteja dando para entender.

Ou nós estamos nesse primeiro grupo, dos auxiliadores, ou somos os grandes elementos do segundo grupo, que são os grandes elementos dessa história toda no envolvimento dele no plano cármico, no que reporta o campo do sofrimento e da dor. Em se tratando desse segundo grupo, o apocalipse representa o efeito das causas infelizes. Eles são os combalidos debaixo do sofrimento e da dor. Para eles, o apocalipse é aquele componente, dentro do contexto de erguimento e encaminhamento dos seres, que toca os que estão precisando dele no plano experimental dos acontecimentos menos felizes. Disso não há dúvida. E ele não se refere unicamente aos espíritos recalcitrantes no erro, como também alcança os que se acomodaram na caminhada.

6 de nov de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 3

AS TROMBETAS

“EU FUI ARREBATADO NO ESPÍRITO NO DIA DO SENHOR, E OUVI DETRÁS DE MIM UMA GRANDE VOZ, COMO DE TROMBETA.” APOCALIPSE 1:10

As trombetas produzem um som muito violento, muito forte. Pelos dados históricos, eram instrumentos criados, às vezes, pelos chifres de animais. Com o decorrer dos encaminhamentos na própria evolução passaram a ser construídas na base dos metais.

Agora, o que importa para nós é o zunido que elas produzem, capaz de fazer a criatura despertar-se ou identificar. E o fato desse chamado imperioso vir pela acústica, e não pela visão, demonstra a linha natural dos acontecimentos a ocorrerem de baixo para cima. Quer dizer, as trombetas representam aquele sonido, um som que toca praticamente o nosso campo íntimo ao nível da acústica. Por elas a voz, que anteriormente foi desconsiderada, passa a ser ouvida. Ela chega transmitida de maneira muito ampliada. Aquele batimento que era sutil deixa de ser para manifestar-se de maneira retumbante, imperiosa.

A violência levada a efeito no ato de despertamento se faz em razão do nível de resistência. Mas fazer o quê? Muitas criaturas dormem o sono pesado da indiferença e da insensibilidade, e por não acordarem fácil acabam por escolher, de forma indireta, o despertamento pelo estrondar das bombas, ao passo que outras já preferem o canto matinal dos pássaros livres festejando na natureza.

A visão apresenta nível de ângulos já determinados, só que é preciso ouvir muito para poder encarar. O som  exteriorizado pela trombeta tem uma expressão abrangente, mas a trombeta não chega por acaso, ela tem finalidade.

Isto é algo da maior importância para nós que objetivamos dar passos à frente na jornada. Existem recados sutis nas trombetas. Atrás desse som de grandes proporções, desse acontecimento que chega sem avisar de forma imperiosa, tem uma causa, existe algo que causou esse efeito. Não veio do nada, sem motivo, sem razão, e pronto. Tem uma causa. Para se ter ideia, as trombetas foram usadas em grande número, e em uníssono, para derrubar as muralhas de Jericó. Lembra disso? E no aspecto intrínseco, o que são essas muralhas, o que são essas barreiras, senão aqueles valores menos felizes que nós cultivamos e que cerceiam a nossa afirmação no campo do bem? Normalmente, as trombetas trazem um convite para nós. Um convite e uma convocação.

Elas prenunciam e também propõe. Os acontecimentos mais contundentes em nossa vida não podem ser ignorados porque, vamos repetir, existem recados sutis nessas trombetas. É por essa razão que a gente precisa aprender a se alegrar no sofrimento, porque nele Deus está presente com a luz sublime dos seus ensinos.

Embora possa até soar de forma meio esquisita, na tempestade a voz divina se manifesta de forma mais gloriosa, mais retumbante. Está dando para acompanhar? Pela audição nós conseguimos deduzir acerca daqueles ruídos, daqueles acontecimentos mais imperiosos que nos alcançam, de forma a podermos tomar posições necessárias quanto ao melhor encaminhamento dos fatos. Pela audição conseguimos prenunciar acontecimentos agradáveis ou desagradáveis, levantar dificuldades mais emergentes e até mesmo armar estratégias e técnicas eficazes para levarmos adiante a nossa posição diante da própria vida.

Vamos lá: se você anseia pela possibilidade de ver, precisa ouvir. Ouvir muito. O recado da maior validade que devemos levar conosco é que em nossa trajetória, na nossa caminhada terrena de aprendizado, em circunstância alguma devemos fechar circuito. Esse tipo de atitude só costuma trazer dissabores.

Enquanto insistirmos em lidar com as coisas de cabeça fechada, em cima de um elemento apenas, de uma ideia fixa, sem a abertura para outras possibilidades, é bem possível que a gente percorra longo tempo de modo frustrado, envolvido em desilusão. De forma que não vamos ficar esperando a trombeta soar em nossa cabeça para acordarmos para a necessidade de melhoria e aperfeiçoamento. Como sabemos, ela não chega de forma amena, doce. Pelo contrário, como se costuma dizer na linguagem popular, ela chega chegando.

Quando não pudermos ver para além ajustemos a capacidade de ouvir. É uma pena que somos teimosos e, de certa forma, inconsequentes. Tamponamos a nossa capacidade auditiva e não queremos nem saber, preferimos ir com a cabeça na parede. Quanta teimosia. Quem não consegue ver tem que se limitar a ouvir.

Perdemos a faculdade de ver exatamente para aprendermos a ouvir, pois já falamos que a acústica é maior que a visão. Ela revela coisas que nem sempre os olhos são capazes de perceber. Afinal, já mencionamos antes, a audição alcança a todos.

3 de nov de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 2

EIS QUE ESTOU À PORTA, E BATO

“EIS QUE ESTOU À PORTA, E BATO; SE ALGUÉM OUVIR A MINHA VOZ, E ABRIR A PORTA, ENTRAREI EM SUA CASA, E COM ELE CEAREI, E ELE COMIGO.” APOCALIPSE 3:20

O planeta Terra é uma bola que gira de forma contínua e incansável. E enquanto grande percentual de seus habitantes permanece sintonizado com os ruídos do mundo, o cordeiro divino ainda nos diz: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” (Apocalipse 3:20)

O desafio se faz presente e outro tipo de percepção também espera nosso interesse.

Para isso, é necessário prudência e saber identificar o chamado para além da vida comum. A expressão ("eis que estou à porta, e bato") e o cuidado devem permanecer conosco e caminhar conosco durante todos os dias. Em termos espirituais, quando falamos em voz nos referimos ao conjunto de informações que nos visitam, então, sempre vamos ter como voz toda aquela soma informativa que nos tem visitado e que vai precisar inicialmente da nossa capacidade auditiva, de uma proposta de sensibilização da nossa parte como ouvintes, como elementos despertos e interessados em perceber o padrão novo que chega.

E afinal, quem é que bate? É o Cristo, e batendo em nossa porta. O mensageiro divino não se cansa de chamar. Ainda hoje, ele continua batendo. E a nossa casa íntima deve estar numa barulheira danada, porque a gente nem ouve o batido e muito menos abre a porta. Aí, alguém pode pensar: "Espera aí, se é Jesus ele nem precisa bater, ele tem livre acesso, ele pode entrar a hora que quiser. Sem contar que ele com certeza deve até ter a chave."

É, mas não podemos esquecer para início de conversa que a porta batida é a porta do nosso coração, porta essa que só é aberta do lado de dentro. Esse bater é aquele ato de chamar a atenção, de despertar, e cada um de nós irá recolher esse chamado segundo o grau próprio de sensibilização acústica, vai interpretar esse batido de forma diferenciada. Um versículo do evangelho estudado, por exemplo, constitui uma batida na porta. A mensagem superior que chega é a voz que ganha sonoridade, intensidade, suavidade e as mais diversificadas expressões no campo da sensibilização. E outra coisa que não podemos ignorar, nós podemos até não ouvir, mas que Ele está batendo, está!

Ninguém chama ninguém à toa e esse batido tem uma ressonância extraordinária para nós, só é preciso aguçar o ouvido espiritual e escutá-lo. Claro, porque o ouvir está ligado à atenção dada, e atenção que leva a gente a ficar antenado, sintonizado. E leva também à questão de disponibilidade. Disponibilidade porque sem ela nós não abrimos a porta. Então, para resumir, o plano maior manda de lá e bate. Ao menor, por mais simples e por mais acanhada seja a percepção individual, compete a posição de abrir a porta e atender.

Além dele respeitar o nosso livre arbítrio, esse bater é sutil. Ele não pode ter aquela estridência de uma campainha, de uma sirene de indústria ou de um sinal como o que existia nos colégios antigamente. Você se lembra? Aquele sinal sonoro bem ampliado utilizado nos colégios e que, ao final das aulas gerava certa correria dos alunos nos corredores? Não. De forma alguma. Essa batida é suave, é calma, porque não pode violentar. Do plano de cima para o nosso vem de forma suave. Se você vai acordar uma criancinha dormindo você não vai chegar perto dela e gritar. É por essa razão que "quem tem ouvidos, ouça".

Agora, se desconsideramos o chamado e teimamos em não ouvir, aí a batida ganha proporções maiores. Se insistimos por muito tempo em não atender, a batida na porta é substituída pelas trombetas, e cá para nós, trombeta não tem quem não a ouve. Você já ouviu aquela frase "quem não vai pelo amor vai pela dor"? Pois é, é mais ou menos por aí. A violência da chamada é condizente ao nível da resistência. De maneira que quando um fato menos feliz acontece na vida de alguém, entre outras coisas com a finalidade de despertar para novos ângulos, não se trata de alguém batendo, mas das ressonâncias da lei.

Tem gente que busca ouvir essa porta a vida inteira e o mundo não a deixa. Os sons múltiplos do mundo não permitem que a criatura ouça. E vamos ser sinceros, isso é muito triste. O primeiro fator que tem impedido o ouvir é a linha de envolvimento com os interesses materialistas. Então, nós temos que ficar muito atentos, especialmente nós que já conseguimos essa felicidade de desativar muito daquela engrenagem materialista, no que diz respeito às buscas e aos interesses. Podemos dizer algo com muita tranquilidade e sem nenhum medo de errar: a grande maioria das pessoas que tem acessado este blog e tem feito o esforço de estudar o evangelho com certa profundidade já é capaz de abrir mão de muitos valores ao nível da concepção antiga de apego materialista.

Logo, para melhorarmos na caminhada vamos deixar de reclamar do mundo, de reclamar das coisas e ficar naquela de enfatizar os defeitos das pessoas. Porque não adianta nada e só faz complicar mais a situação. Dentro de um aprendizado mais substancioso, vez por outra nós temos que fechar os olhos e tentar ouvir no silêncio da alma. É algo que a gente tem de fato que fazer. Não estamos aqui falando de uma filosofia barata, sem praticidade, que não altera nada.

É realmente necessário fecharmos os olhos e tentarmos ouvir no silêncio da alma, porque o silêncio é o maior revelador nosso, por incrível que pareça. Na hora em que passamos a evoluir, que nos deparamos dando passos efetivos na caminhada, nós penetramos no silêncio, porque é dentro dele que a gente ouve.

Quando silenciamos o grito interior a nossa audição se engrandece. No momento em que a gente silencia o grito a gente entra na posse de uma audição acentuadamente profunda. Nessa hora em que adquirimos esse sistema, quando penetramos, mediante o calar, no chamado templo do silêncio, que as grandes filosofias orientais referenciam e muitos indivíduos não conseguem captar, passamos a nos situar no verdadeiro campo irradiador do amor.

É claro que não são poucos aqueles que vão dizer que isso é difícil demais de ser conquistado na atualidade, que não tem jeito, que vivemos em mundo que tem barulho demais prá todo lado, tanta poluição sonora, porém, tem pessoas que mesmo em meio a toda conturbação ambiente conseguem silenciar o grito interior.

O Cristo tem batido em nossa porta, o que é inegável. E se somos a porta que está sendo batida, a porta íntima do coração, na linha de relatividade que nos é competente igualmente é esperada de nós a postura também de bater. Espíritos em aprendizado na escola de expiações e provas do planeta, dentro de uma contingência que ainda é pertinente, não podemos jamais definir que estamos na posição isolada de professor ou aprendiz. Ao transmitir a voz, por instrumentos vários, saibamos bater na porta de outros corações, buscando sensibilizá-los ao alcance de novos patamares. Ensinando-os a ter ouvidos de ouvir.

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