3 de nov de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 2

EIS QUE ESTOU À PORTA, E BATO

“EIS QUE ESTOU À PORTA, E BATO; SE ALGUÉM OUVIR A MINHA VOZ, E ABRIR A PORTA, ENTRAREI EM SUA CASA, E COM ELE CEAREI, E ELE COMIGO.” APOCALIPSE 3:20

O planeta Terra é uma bola que gira de forma contínua e incansável. E enquanto grande percentual de seus habitantes permanece sintonizado com os ruídos do mundo, o cordeiro divino ainda nos diz: “Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” (Apocalipse 3:20)

O desafio se faz presente e outro tipo de percepção também espera nosso interesse.

Para isso, é necessário prudência e saber identificar o chamado para além da vida comum. A expressão ("eis que estou à porta, e bato") e o cuidado devem permanecer conosco e caminhar conosco durante todos os dias. Em termos espirituais, quando falamos em voz nos referimos ao conjunto de informações que nos visitam, então, sempre vamos ter como voz toda aquela soma informativa que nos tem visitado e que vai precisar inicialmente da nossa capacidade auditiva, de uma proposta de sensibilização da nossa parte como ouvintes, como elementos despertos e interessados em perceber o padrão novo que chega.

E afinal, quem é que bate? É o Cristo, e batendo em nossa porta. O mensageiro divino não se cansa de chamar. Ainda hoje, ele continua batendo. E a nossa casa íntima deve estar numa barulheira danada, porque a gente nem ouve o batido e muito menos abre a porta. Aí, alguém pode pensar: "Espera aí, se é Jesus ele nem precisa bater, ele tem livre acesso, ele pode entrar a hora que quiser. Sem contar que ele com certeza deve até ter a chave."

É, mas não podemos esquecer para início de conversa que a porta batida é a porta do nosso coração, porta essa que só é aberta do lado de dentro. Esse bater é aquele ato de chamar a atenção, de despertar, e cada um de nós irá recolher esse chamado segundo o grau próprio de sensibilização acústica, vai interpretar esse batido de forma diferenciada. Um versículo do evangelho estudado, por exemplo, constitui uma batida na porta. A mensagem superior que chega é a voz que ganha sonoridade, intensidade, suavidade e as mais diversificadas expressões no campo da sensibilização. E outra coisa que não podemos ignorar, nós podemos até não ouvir, mas que Ele está batendo, está!

Ninguém chama ninguém à toa e esse batido tem uma ressonância extraordinária para nós, só é preciso aguçar o ouvido espiritual e escutá-lo. Claro, porque o ouvir está ligado à atenção dada, e atenção que leva a gente a ficar antenado, sintonizado. E leva também à questão de disponibilidade. Disponibilidade porque sem ela nós não abrimos a porta. Então, para resumir, o plano maior manda de lá e bate. Ao menor, por mais simples e por mais acanhada seja a percepção individual, compete a posição de abrir a porta e atender.

Além dele respeitar o nosso livre arbítrio, esse bater é sutil. Ele não pode ter aquela estridência de uma campainha, de uma sirene de indústria ou de um sinal como o que existia nos colégios antigamente. Você se lembra? Aquele sinal sonoro bem ampliado utilizado nos colégios e que, ao final das aulas gerava certa correria dos alunos nos corredores? Não. De forma alguma. Essa batida é suave, é calma, porque não pode violentar. Do plano de cima para o nosso vem de forma suave. Se você vai acordar uma criancinha dormindo você não vai chegar perto dela e gritar. É por essa razão que "quem tem ouvidos, ouça".

Agora, se desconsideramos o chamado e teimamos em não ouvir, aí a batida ganha proporções maiores. Se insistimos por muito tempo em não atender, a batida na porta é substituída pelas trombetas, e cá para nós, trombeta não tem quem não a ouve. Você já ouviu aquela frase "quem não vai pelo amor vai pela dor"? Pois é, é mais ou menos por aí. A violência da chamada é condizente ao nível da resistência. De maneira que quando um fato menos feliz acontece na vida de alguém, entre outras coisas com a finalidade de despertar para novos ângulos, não se trata de alguém batendo, mas das ressonâncias da lei.

Tem gente que busca ouvir essa porta a vida inteira e o mundo não a deixa. Os sons múltiplos do mundo não permitem que a criatura ouça. E vamos ser sinceros, isso é muito triste. O primeiro fator que tem impedido o ouvir é a linha de envolvimento com os interesses materialistas. Então, nós temos que ficar muito atentos, especialmente nós que já conseguimos essa felicidade de desativar muito daquela engrenagem materialista, no que diz respeito às buscas e aos interesses. Podemos dizer algo com muita tranquilidade e sem nenhum medo de errar: a grande maioria das pessoas que tem acessado este blog e tem feito o esforço de estudar o evangelho com certa profundidade já é capaz de abrir mão de muitos valores ao nível da concepção antiga de apego materialista.

Logo, para melhorarmos na caminhada vamos deixar de reclamar do mundo, de reclamar das coisas e ficar naquela de enfatizar os defeitos das pessoas. Porque não adianta nada e só faz complicar mais a situação. Dentro de um aprendizado mais substancioso, vez por outra nós temos que fechar os olhos e tentar ouvir no silêncio da alma. É algo que a gente tem de fato que fazer. Não estamos aqui falando de uma filosofia barata, sem praticidade, que não altera nada.

É realmente necessário fecharmos os olhos e tentarmos ouvir no silêncio da alma, porque o silêncio é o maior revelador nosso, por incrível que pareça. Na hora em que passamos a evoluir, que nos deparamos dando passos efetivos na caminhada, nós penetramos no silêncio, porque é dentro dele que a gente ouve.

Quando silenciamos o grito interior a nossa audição se engrandece. No momento em que a gente silencia o grito a gente entra na posse de uma audição acentuadamente profunda. Nessa hora em que adquirimos esse sistema, quando penetramos, mediante o calar, no chamado templo do silêncio, que as grandes filosofias orientais referenciam e muitos indivíduos não conseguem captar, passamos a nos situar no verdadeiro campo irradiador do amor.

É claro que não são poucos aqueles que vão dizer que isso é difícil demais de ser conquistado na atualidade, que não tem jeito, que vivemos em mundo que tem barulho demais prá todo lado, tanta poluição sonora, porém, tem pessoas que mesmo em meio a toda conturbação ambiente conseguem silenciar o grito interior.

O Cristo tem batido em nossa porta, o que é inegável. E se somos a porta que está sendo batida, a porta íntima do coração, na linha de relatividade que nos é competente igualmente é esperada de nós a postura também de bater. Espíritos em aprendizado na escola de expiações e provas do planeta, dentro de uma contingência que ainda é pertinente, não podemos jamais definir que estamos na posição isolada de professor ou aprendiz. Ao transmitir a voz, por instrumentos vários, saibamos bater na porta de outros corações, buscando sensibilizá-los ao alcance de novos patamares. Ensinando-os a ter ouvidos de ouvir.

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