6 de nov de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 3

AS TROMBETAS

“EU FUI ARREBATADO NO ESPÍRITO NO DIA DO SENHOR, E OUVI DETRÁS DE MIM UMA GRANDE VOZ, COMO DE TROMBETA.” APOCALIPSE 1:10

As trombetas produzem um som muito violento, muito forte. Pelos dados históricos, eram instrumentos criados, às vezes, pelos chifres de animais. Com o decorrer dos encaminhamentos na própria evolução passaram a ser construídas na base dos metais.

Agora, o que importa para nós é o zunido que elas produzem, capaz de fazer a criatura despertar-se ou identificar. E o fato desse chamado imperioso vir pela acústica, e não pela visão, demonstra a linha natural dos acontecimentos a ocorrerem de baixo para cima. Quer dizer, as trombetas representam aquele sonido, um som que toca praticamente o nosso campo íntimo ao nível da acústica. Por elas a voz, que anteriormente foi desconsiderada, passa a ser ouvida. Ela chega transmitida de maneira muito ampliada. Aquele batimento que era sutil deixa de ser para manifestar-se de maneira retumbante, imperiosa.

A violência levada a efeito no ato de despertamento se faz em razão do nível de resistência. Mas fazer o quê? Muitas criaturas dormem o sono pesado da indiferença e da insensibilidade, e por não acordarem fácil acabam por escolher, de forma indireta, o despertamento pelo estrondar das bombas, ao passo que outras já preferem o canto matinal dos pássaros livres festejando na natureza.

A visão apresenta nível de ângulos já determinados, só que é preciso ouvir muito para poder encarar. O som  exteriorizado pela trombeta tem uma expressão abrangente, mas a trombeta não chega por acaso, ela tem finalidade.

Isto é algo da maior importância para nós que objetivamos dar passos à frente na jornada. Existem recados sutis nas trombetas. Atrás desse som de grandes proporções, desse acontecimento que chega sem avisar de forma imperiosa, tem uma causa, existe algo que causou esse efeito. Não veio do nada, sem motivo, sem razão, e pronto. Tem uma causa. Para se ter ideia, as trombetas foram usadas em grande número, e em uníssono, para derrubar as muralhas de Jericó. Lembra disso? E no aspecto intrínseco, o que são essas muralhas, o que são essas barreiras, senão aqueles valores menos felizes que nós cultivamos e que cerceiam a nossa afirmação no campo do bem? Normalmente, as trombetas trazem um convite para nós. Um convite e uma convocação.

Elas prenunciam e também propõe. Os acontecimentos mais contundentes em nossa vida não podem ser ignorados porque, vamos repetir, existem recados sutis nessas trombetas. É por essa razão que a gente precisa aprender a se alegrar no sofrimento, porque nele Deus está presente com a luz sublime dos seus ensinos.

Embora possa até soar de forma meio esquisita, na tempestade a voz divina se manifesta de forma mais gloriosa, mais retumbante. Está dando para acompanhar? Pela audição nós conseguimos deduzir acerca daqueles ruídos, daqueles acontecimentos mais imperiosos que nos alcançam, de forma a podermos tomar posições necessárias quanto ao melhor encaminhamento dos fatos. Pela audição conseguimos prenunciar acontecimentos agradáveis ou desagradáveis, levantar dificuldades mais emergentes e até mesmo armar estratégias e técnicas eficazes para levarmos adiante a nossa posição diante da própria vida.

Vamos lá: se você anseia pela possibilidade de ver, precisa ouvir. Ouvir muito. O recado da maior validade que devemos levar conosco é que em nossa trajetória, na nossa caminhada terrena de aprendizado, em circunstância alguma devemos fechar circuito. Esse tipo de atitude só costuma trazer dissabores.

Enquanto insistirmos em lidar com as coisas de cabeça fechada, em cima de um elemento apenas, de uma ideia fixa, sem a abertura para outras possibilidades, é bem possível que a gente percorra longo tempo de modo frustrado, envolvido em desilusão. De forma que não vamos ficar esperando a trombeta soar em nossa cabeça para acordarmos para a necessidade de melhoria e aperfeiçoamento. Como sabemos, ela não chega de forma amena, doce. Pelo contrário, como se costuma dizer na linguagem popular, ela chega chegando.

Quando não pudermos ver para além ajustemos a capacidade de ouvir. É uma pena que somos teimosos e, de certa forma, inconsequentes. Tamponamos a nossa capacidade auditiva e não queremos nem saber, preferimos ir com a cabeça na parede. Quanta teimosia. Quem não consegue ver tem que se limitar a ouvir.

Perdemos a faculdade de ver exatamente para aprendermos a ouvir, pois já falamos que a acústica é maior que a visão. Ela revela coisas que nem sempre os olhos são capazes de perceber. Afinal, já mencionamos antes, a audição alcança a todos.

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