10 de nov de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 4

O QUE É O APOCALIPSE

“REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO, A QUAL DEUS LHE DEU, PARA MOSTRAR AOS SEUS SERVOS AS COISAS QUE BREVEMENTE DEVEM ACONTECER; E PELO SEU ANJO AS ENVIOU, E AS NOTIFICOU A JOÃO SEU SERVO;” APOCALIPSE 1:1

A expressão apocalipse significa revelação. Trata-se de revelação de Jesus Cristo: “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo.” (Apocalipse 1:1)

Quem revela é o próprio Cristo. Traz em sua redação aquelas revelações recebidas pelo evangelista João na ilha de Patmos, dentro de profunda expressão mediúnica. De forma que o evangelista, o revelador, é um instrumento no encadeamento das informações. Situado como o último livro do novo testamento, no final de todos os livros da bíblia, nos indica que tudo está na frente.

Isso é importante de entender. Mostra que a sementeira já havia sido feita antes por Jesus e seus primeiros apóstolos. Percebeu? Quem não aprender o caminho pelo amor irá precisar dos acontecimentos que ele sugere para acertar o passo. O apocalipse, relacionando-se com o velho testamento, é praticamente uma reciclagem com vistas a pisos novos, novas engrenagens da vida.

Ele vem sendo compreendido pela grande massa de criaturas humanas, especialmente por aquelas vinculadas às faixas religiosas, como sendo o repositório de fatos que trazem na sua expressão aquele estigma pesado e marcante de sofrimentos, calamidades e dores. Literalmente falando, contém revelações terrificantes acerca dos destinos da humanidade. Agora, vamos começar corrigindo essa ideia. O apocalipse não é apenas uma soma de sombras ameaçando as nossas cabeças. De forma alguma. Não é aquele assunto que está para chegar e eu vou consultar o calendário porque quando ele vier vai acabar com todo mundo. Decididamente, não! Não se trata somente de um registro de acontecimentos aos quais todos nós temos que nos curvar.

Vamos retificar esse conceito. Não vamos tê-lo como um conjunto ameaçador, série de nuvens pesadas a se derramarem sob as cabeças das criaturas humanas. Precisamos dilatar a compreensão e ampliar essa ideia anterior fechada de constrangimento apocalíptico de massacre e eliminação, em que o criador fica lá de cima nas esferas gerenciando o sofrimento e a mortandade aqui no planeta.

E por quê retificar o conceito? Simples. Para início de conversa, ainda que toda a soma de valores presentes na sua revelação acontecesse, que todos os acontecimentos negativos que ele preceitua desabassem sob as criaturas necessitadas de suas experiências, o espírito, dentro de sua imortalidade, continuaria a sequenciar sua evolução. Ficou claro? Em momento algum da existência o mecanismo evolutivo, o espírito, vai ter cerceadas as suas manifestações. E sabe por quê? Porque a morte não existe. Isso mesmo, morte, no sentido finalístico que a maioria conhece, de que morreu acabou, não existe. A morte, na acepção que nós conhecemos, é vida para o outro lado.

O apocalipse está presente no final de todos os livros da bíblia. Não é à toa, pode ter certeza disto. Não acontece desse jeito. Colocado no final ele vem trabalhando, sutilmente, figuradamente e em mensagem velada, pelas linhas intuitivas que a espiritualidade maior aproveita, como se quisesse dizer que tudo está na frente da bíblia. Mas a decisão, se vai ou não vai, se segue o roteiro dentro do programa ascensional, é de cada um, é de foro íntimo. O que é preciso ser entendido, e bem entendido, é que ele vem propondo, não vem ameaçando.

Em muitas de suas partes vamos notar que em momento nenhum ele trabalha com ameaças. Como revelação é propiciar acesso, ele vem para revelar uma nova personalidade, revelar um novo sentido de vida. E ele também está nos mostrando alguma coisa. Não é apenas um processo convocando a gente a mudar, também direciona aquele que já tem dentro de si a noção de mudança, traz, em todo o conteúdo do seu relato, as condições de mudança, projeta a criatura para um piso seguro. Corrige e também reeduca. Ele pode ser duro, às vezes, mas a individualidade sai de dentro dele melhor do que entrou, com parâmetros alterados, melhorados, novos conceitos, mais aberta e o melhor, mais feliz.

Apocalipse vem mostrando para nós, se analisado apenas o ângulo das causas, apenas sob o âmbito da sementeira, que o esquema todo está montado. Que as nuvens estão formadas. Visto de baixo para cima ele é como um fantasma assustador que vem nos fazer sofrer. Agora, vamos analisar com calma.

Para todos os efeitos ele é alguma coisa que cerceia, só que dentro desse cerceamento e da aplicação da lei existe uma alta dose de investimento. Está dando para acompanhar? Ele não vem só para cobrar. Vem, de forma simultânea, projetar a criatura para um piso diferente, afinal, não vamos esquecer, o amparo superior está em toda parte e nós vivemos debaixo do império da lei suprema do amor. De cima para baixo não existe uma reação negativa da leis que nos regem, elas não tem um sentido puramente negativo, mesmo que machuquem e façam a criatura sofrer. As próprias reações da lei não tem um sentido único de dizer basta ou mostrar ao universo a nossa pequenez. Logo, como a proposta da misericórdia divina não é liquidar, machucar ou punir, e, sim, fazer o ser avançar, de cima para baixo existe o investimento em uma oportunidade, no sentido de que dentro do processo de quitação e reajuste a gente aprenda a verdade sublime e seja realmente feliz. As orientações do apocalipse trazem toda uma estrutura de redenção do ser. Embora as destruições estejam dentro do seu contexto, ele é um processo dinâmico de crescimento e libertação e não apenas uma ameaça de destruição.

A gente tem que ter a consciência que o apocalipse, em certas circunstâncias, é chamada finalística, mas a verdade é que ele não quer ver ninguém derrubado, caído, fracassado, deprimido. Está certo que ele define o efeito de causas infelizes, no entanto, analisando os acontecimentos que ele propõe, é a oportunidade de uma caminhada nova com equilíbrio. Observado de lá para cá, do plano superior para o nosso, ele é uma instrumentalidade não muito gostosa, aliás, de gosto ruim, péssimo, constrangedor, altamente desconfortável, amargo, mas que tem um elevado cunho didático para nos levar ao equilíbrio.

Basta pensar com a clareza da razão. As reações da lei trazem um ensinamento valioso para que descubramos o processo e nos ajustemos, ao mesmo tempo, a um caminho novo. Trazem um componente para ser analisado na própria trajetória chamado recuperação e recomposição. É por isso que o apocalipse vem e pega mesmo se for preciso. Chega com força, se não tiver jeito, cobra e não tem conversa, todavia, é preciso ficar claro que ele só vai pegar se não tiver outra opção, porque antes dele oportunidades surgem.

Tem muita gente em todos os lados apavorada com o apocalipse. Quer saber de qualquer jeito o dia em que o mundo vai acabar. Fica apreensiva quando o assunto vem em pauta. Nós aqui estamos torcendo com os dedos cruzados para que ele não acabe agora e aguente um pouquinho mais. E tirando a brincadeira de lado vamos observar que não tem como fugir mais. O apocalipse está precipitando nos dias de hoje uma série de acontecimentos porque ele está na determinação não dos homens, mas na determinação superior dos que gerenciam a nossa evolução, de que a Terra está entrando a passos rápidos em um processo novo chamado regeneração. Está endereçado ao momento da transição de modo muito especial dentro do plano da coletividade humana.

O apocalipse, todo ele, está endereçado à nossa capacidade de afirmação pessoal.

Sugere a cada um a aceitação do trabalho que lhe é competente. É proposta de trabalho, chamado para fazermos aquilo que sabemos, mas que não fazemos ainda.

Ele propõe a área operacional, a identificação e aplicação de valores que já trazemos teoricamente conosco. Aí, alguém diz: "Espera aí, Marco Antônio, eu entendi, mas vai dizer isso para quem está sofrendo enormemente debaixo dos seus impactos. Vai explicar para quem está marcado com tantas lágrimas inquietantes." Olha, quem semeou tem que colher com calma o resultado do que lançou.

O grande segredo é não abrir o guarda-chuva porque a tempestade vai desabar, abrir porque a tempestade vem chegando. O desafio é saber se conseguimos vencer a nós mesmos para não ter que despencar chuva nenhuma.

Os fatos relacionados como sendo ameaças apocalípticas só vão surgir no caminho se nós nos descuidarmos, se não ficarmos atentos com o que a consciência grita dentro de nós. Não temos que estudar apocalipse para nos posicionarmos dentro dele, pelo contrário, temos é que buscar viver o evangelho para escaparmos do apocalipse. Numa final de campeonato, por exemplo, o time de futebol tem que tentar vencer no tempo normal para que não venha ter que passar pela prorrogação. Com muita tranquilidade e coração aberto vamos fazer algo positivo ao nosso alcance antes que o apocalipse bata à porta.

O que vamos falar agora praticamente não é nenhuma novidade. O apocalipse é manifestação clara e nítida, resposta que espiritualidade tem que usar ou deixar acontecer quando a consciência não deu conta do recado. É a chegada de chuva de dificuldades, dores e sofrimentos para os que rejeitaram a chance que está chegando para todos indistintamente. Vamos compreendê-lo como prevendo-nos acontecimentos menos felizes em razão das bases lançadas no tempo, e que estruturalmente acabam por formar nuvens pesadas que irão derramar hoje ou amanhã.

É  uma proposta em que os componentes nele referenciados serão levados a efeito nos terrenos dos testemunhos, dos sofrimentos e das lutas no âmbito exterior, praticamente definindo necessidades íntimas resultantes da indiferença e resistência de todo processo negativo diante das necessidades pessoais.

Apocalipse não é aquele que vai chegar, aquele que vai anteceder o fim dos tempos, mas o instrumento que toca os que estão precisando dele dentro dos aspectos difíceis. Simboliza a chegada de chuva de grandes dificuldades para todos que rejeitarem as oportunidades de progresso. Repare para você ver, nos dias de hoje nós estamos vivendo o clímax em que o apocalipse praticamente se expressa aos nossos olhos. Estou errado? O nosso mundo é um apocalipse vivido muitas vezes com o silêncio nos corações. E quer saber onde é que ele mais se expressa? Muitas de suas revelações acontecem nos dias atuais dentro dos ambientes domésticos, dentro das casas, à partir de intermediários que refletem a necessidade de alguém, especialmente mediante a instauração de problemas que estão para além dos previstos pelo contingente familiar.

Ele é, acima de tudo, um chamamento à reflexão, a uma consciência do mecanismo da própria existência, a um processo dinâmico de crescimento e libertação.

Longe de ser só ameaça de destruição, está endereçado à nossa capacidade de afirmação pessoal, a todos que visualizam a mudança, que já elegeram um padrão novo de vida, pois em certo momento nos despertamos para a vida. Está falando de maneira velada à intimidade, e não com a ostensividade que a gente acha que tem que ser.

É preciso entender que ele apresenta dois ângulos no qual funciona, ou melhor, dois destinatários. Grande parte das profecias do apocalipse estão direcionadas ao agrupamento que já tem um conhecimento maior ou menor dos fatos. Por quê? Porque não há apocalipse para quem está na jornada natural da vida, não há revelação para quem está debaixo dos seus efeitos. Logo, o primeiro grupo é o dos cooperadores do pensamento divino na área operacional. Exemplificando de forma simples, são os enfermeiros que vão auxiliar o segundo grupo, que é o que está recebendo os seus impactos no plano da vida. 

Este primeiro grupo é o lado onde a maioria de nós se encontra. Sem medo de errar o destinatário do conteúdo do apocalipse somos nós, pois é uma mensagem aos que já estão visitados pela informação quanto às realidades novas da vida.

Diz respeito àquelas individualidades que já foram visitadas pela informação, que tem um conhecimento teórico e que se encontram às voltas com a capacidade fixadora desses padrões ao nível prático. Espero que esteja dando para entender.

Ou nós estamos nesse primeiro grupo, dos auxiliadores, ou somos os grandes elementos do segundo grupo, que são os grandes elementos dessa história toda no envolvimento dele no plano cármico, no que reporta o campo do sofrimento e da dor. Em se tratando desse segundo grupo, o apocalipse representa o efeito das causas infelizes. Eles são os combalidos debaixo do sofrimento e da dor. Para eles, o apocalipse é aquele componente, dentro do contexto de erguimento e encaminhamento dos seres, que toca os que estão precisando dele no plano experimental dos acontecimentos menos felizes. Disso não há dúvida. E ele não se refere unicamente aos espíritos recalcitrantes no erro, como também alcança os que se acomodaram na caminhada.

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