15 de nov de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 5

VER É APLICAR

“EIS QUE VEM COM AS NUVENS, E TODO O OLHO O VERÁ, ATÉ OS MESMOS QUE O TRASPASSARAM; E TODAS AS TRIBOS DA TERRA SE LAMENTARÃO SOBRE ELE. SIM. AMÉM”. APOCALIPSE 1:7

“QUANDO, POIS, VIRDES QUE A ABOMINAÇÃO DA DESOLAÇÃO, DE QUE FALOU O PROFETA DANIEL, ESTÁ NO LUGAR SANTO; QUEM LÊ, ATENDA;” MATEUS 24:15

Quando nós falamos em olhos, dentro do contexto espiritual, que é o que efetivamente nos interessa no estudo do evangelho, é claro que não estamos nos referindo aos olhos físicos.

Não nos referimos à visão naquela acepção essencialmente física, como sendo a simples capacidade de observação tradicional ao nível dos sentidos, mas aos olhos em sua essencialidade, que trabalham para além desse contato objetivo e físico. Eles não trabalham apenas o mecanismo do nosso sistema perceptivo e sensitivo, como também operam para além desse contato objetivo.

Ver é conhecer ou perceber pela visão, é alcançar com a vista, é enxergar, avistar, saber, conhecer.

Diz a escritura sagrada que "todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram" (apocalipse 1:7) É ensinamento para não ser desconsiderado, mas levado em conta. Essa capacidade de ver não é para alguns apenas, pelo contrário, vai atingir a todos. Ninguém praticamente ficará de fora. O chamamento não individualiza quem quer que seja, é para todos. Não há discriminação de nenhuma natureza, essa capacidade de ver vai atingir inclusive os que machucaram Jesus, os que o feriram, que o traspassaram. Vai atingir também aqueles que foram poucos felizes nas suas ações, que agrediram, que tentaram resistir ao plano positivo da vida e rechaçar os componentes detonadores de uma nova era. Todos estes igualmente se encontram nessa ótica. Até os que estão ainda hoje endurecidos no amor, que permanecem envoltos nas vibrações negativas, na posição acentuadamente egoística ou monopolizadora dos seus pontos de vista, cedo ou tarde também verão.

É óbvio que o tempo tem que ser respeitado, no entanto, de uma forma ou de outra todos nós, mais dia ou menos dia, vamos entender. O mecanismo da evolução não tem pressa e sabe aguardar. Observe que muitas criaturas que vem trabalhando a nosso favor hoje, por exemplo, tiveram no passado os seus momentos de nebulosidade, tiveram que passar lá atrás até mesmo por um processo de cegueira. Muitos deles. Tiveram até mesmo que perder a visão em algum período, como foi o caso de Paulo, e estão hoje tentando nos fazer enxergar. A definir para nós que, às vezes, na caminhada, a individualidade tem que passar por experiências complexas para poder ensinar como é que se enxerga.

A visão, um dos últimos, senão o último sentido que nós efetivamente conquistamos, faz o papel de percepção e detonador de novas linhas de ação. Vamos tentar clarear. Repare o que se deu com o apóstolo João no início do apocalipse. Na linha do encaminhamento ele ouve e depois visualiza: "E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro." (Apocalipse 1:12)

Conseguiu perceber? Inicialmente o som chega, mas a atitude de virar-se, de querer ver, ou não, já não é com o som, é com a gente, é algo que advém de dentro da gente. Virar-se é manifestação de interesse. Inicialmente, por ocasião do arrebatamento, ele ouve, e na proposta de identificação, na busca de querer identificar-se com o que lhe despertou o interesse, ele se vira. E interessante é que nem sempre esse verbo virar denota que ele tem que virar-se fisicamente falando. É intrínseco, refere-se a movimentar as fibras íntimas para uma percepção. É muito bonito quando a gente vai percebendo essas nuances.

Virar demonstra que ele não estava preocupado em ouvir, queria mesmo era ver, porque para ouvir não precisa virar. Então, os olhos sugerem linhas de percepção.

A visão faz o papel de percepção e detonação de novos ângulos da nossa personalidade, no que diz respeito à instauração de novas faixas, de padrões novos. Inicialmente, a nossa visão pode instaurar dentro de nós profundas dúvidas, não pode? Afinal, a gente começa a identificar caracteres novos, até então desconhecidos para nós. Todavia, quando essa visão passa a ser direcionada com segurança e acentuada harmonia no campo do sentimento, ela pode oferecer-nos instrumentos adequados para o melhor equacionamento dos fatos. Pela visão, no sentido essencial, nós praticamente localizamos aqueles pontos capazes de nos fertilizar o entendimento no campo da aprendizagem. Olhos também nos auxiliam a visualizar os terrenos em que despontam o campo operacional para a gente, apontam como e onde devemos agir.

A faculdade de ver representa não apenas detectar. Ou melhor, quem sabe ver detecta. E mais, sabe para quê e porque vê. Daí, sabe o que concluímos? Que o primeiro fator que realmente nos importa quando passamos a ver é o da aplicabilidade. "Quem lê, atenda." (Mateus 24:15) Repare nesta passagem, a leitura apresenta uma dose maior de influxo magnético no contexto da aprendizagem e o ler, que se dá pela utilização da visão, apresenta caráter de aplicabilidade.

É algo que precisamos entender. Ver possibilita o direcionamento dos padrões recebidos, muitas vezes pela audição, claro, e pressupõe direcionamento de atitude, sugere aplicação. Em outras palavras, quem vê não fica parado. Age. Quem lê tem que fazer, tem que atender. Por isso, é imperioso apropriar cada componente selecionado e procurar dar o melhor. Conhecimento nobre exige atividade nobre.

A visão é um chamamento direto à aplicação. É da lei que não devemos ver senão o que podemos observar com proveito e cada um de nós deve ter a possibilidade de ver somente aquilo que proporcione proveito legítimo. Afinal, não fomos criados para ver unicamente dentro do plano de entretenimento. Isso não existe. Não se dá assim. Você quer ver mais do que tem visto? Lembre-se que para podermos enxergar além daquele ponto que nos é delimitado  temos que saber investir de forma acertada naquilo que fomos capazes de ver.

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