19 de nov de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 6

UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO

“ACONSELHO-TE QUE DE MIM COMPRES OURO PROVADO NO FOGO, PARA QUE TE ENRIQUEÇAS; E ROUPAS BRANCAS PARA QUE TE VISTAS, E NÃO APAREÇA A VERGONHA DA TUA NUDEZ; E QUE UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO, PARA QUE VEJAS.” APOCALIPSE 3: 18

Os nossos olhos constituem instrumentos de interação com os seres e as coisas. E para que possam propiciar uma visão nítida e satisfatória da vida precisam estar saneados, limpos, clarificados. 

Inúmeros indivíduos nos caminhos evolutivos necessitam ainda do mecanismo complicado do sofrimento para poderem aprender a ver. É que o pranto e o ranger de dentes significa lavar os olhos pelo líquido das lágrimas para ver melhor, porque lavá-los pelo pranto proporciona uma ótica mais abrangente da existência. Na marcha incessante do progresso nós observamos que as lágrimas vão além de apenas lavar os olhos e conseguem de fato sensibilizar o coração. Elas são capazes de propiciar àquele que sofre alguma coisa a mais, abrir-lhe a visão para novas oportunidades.

O apocalipse nos proporciona um grande esclarecimento acerca do assunto, quando diz: "E que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas." (Apocalipse 3:18)

Preste atenção, ele é claro e sintético: "para que vejas". Se sugere que a gente veja é porque no fundo nós ainda não estamos vendo. É preciso que a gente mantenha com muito carinho essa proposta de termos a visão nítida. É assim que a nova etapa da regeneração que nos aguarda no plano da evolução sugere.

Não deixarmos que a catarata se instaure em nossos olhos espirituais, ou que a conjuntivite se expresse. Aliás, estamos procurando tirar as cataratas da visão. E quando falamos dessas cataratas não podemos nos lembrar do apóstolo Paulo, que quando teve a sua ligação com Jesus no caminho de Damasco ficou cego? Na hora em que ele recebeu o passe magnético de Ananias saíram de seus olhos coisas semelhantes a escamas, o que denota que ele estava praticamente saindo daquela linha de retaguarda, de uma ótica difícil, estruturada ao nível da justiça para poder entrar numa ótica nova do amor.

Então, é algo para pensar, temos que operar, em um plano de assepsia, as novas bases. "Para que vejas" mostra outra coisa também, a importância de seguirmos operando. O tempo do verbo faz projeção ao futuro. Sugere trabalharmos no sentido de nos projetarmos para um futuro melhor. Define que o momento é o agora. Não tem outro momento propício para operarmos, o momento é agora.

Deu para acompanhar? O passado não é o problema mais. O passado já era, passou, ficou para trás. O problema não é o passado, a questão é seguirmos tendo forças para vencer a caminhada, trabalharmos as causas com vista ao futuro.

Para isso é necessário ungirmos nossos olhos com colírio. Quem está tentando evoluir fora da dor, sem sofrer, tem que usar colírio. É pela utilização do colírio, que é uma forma de se ingerir conhecimento, que conseguimos melhorar a visão. Afinal, o que vem a ser esse colírio? O colírio é um remédio que se aplica sobre a conjuntiva dos olhos para efeito curativo ou de alívio. 

Não é isso? No sentido intrínseco representa evoluir para além da dor. É o discernimento. Ele clareia a visão e nós passamos a ter um aprofundamento na nossa ótica. O colírio, lavando os olhos, clareia a vista e proporciona uma ótica bem mais clara. É o que nós estamos tentando fazer aqui neste estudo. O que estamos tentando fazer, senão abrir a nossa vista para enxergarmos com mais propriedade?

A aplicação do colírio tem inclusive uma expressão interessante: "unjas". Reparou? Ungir nos dá uma ideia muito mais de óleo do que de qualquer outro líquido. Não dá? Ungir significa lubrificar para que a nossa vista tenha um campo dinâmico de observação. Pingando o colírio, utilizando o discernimento, em gotas, ou seja, em pequenas porções, gradativamente desobstruímos a nossa visão e passamos a enxergar a própria abrangência da vida com mais facilidade.

Ungir os olhos com colírio é manter acesa a proposta de irrigar os olhos. Manter a visão nítida para se ter o discernimento e identificar o que fazer, pois o que buscamos é abrir a nossa vista para enxergarmos com mais propriedade.

Temos que prosseguir com a proposta de irrigar os olhos com colírio eficiente, para que haja de nossa parte uma percepção plena do que podemos fazer e do que devemos fazer.

Assim, quando é que começamos a notar que estamos tendo olhos que estão vendo com eficiência? Sabe quando? Quando começamos a enxergar os fatos, as situações, as coisas, as pessoas, o mundo, naquela face positiva em que se apresenta.

É quando nós detectamos os ângulos negativos presentes no campo ambiente onde estamos posicionados e, mesmo detectando esses aspectos negativos, conseguimos manter uma vibração operacional de cooperação, de ajuda e de entendimento.

Então, fica algo para a gente guardar: quem tem bons olhos não vê o bom nem o ruim, simplesmente compreende. Porque tem gente que fica procurando defeito de forma incisiva: "Nossa, aquela pessoa eu não vou com a cara dela. Não tem jeito. Eu até que me esforço, mas não dá. Não sei não, mas ainda vou descobrir o que ela tem." Daqui a pouco começa a procurar, procurar...: "Já sei o que é, ela fala demais." Isso acontece com muita frequência e o que podemos dizer para concluir este tópico, sem querer criticar ou julgar quem quer que seja, é que pessoa assim com certeza não está usando colírio. Para alcançar a visão clara é preciso conquista, aperfeiçoamento, trabalho e paciência.

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