23 de nov de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 7

VISÃO DISTORCIDA

“ESCREVE AS COISAS QUE TENS VISTO, E AS QUE SÃO, E AS QUE DEPOIS DESTAS HÃO DE ACONTECER;” APOCALIPSE 1:19

“DEPOIS DESTAS COISAS, OLHEI, E EIS QUE ESTAVA UMA PORTA ABERTA NO CÉU; E A PRIMEIRA VOZ QUE, COMO DE TROMBETA, OUVIRA FALAR COMIGO, DISSE: SOBE AQUI, E MOSTRAR-TE-EI AS COISAS QUE DEPOIS DESTAS DEVEM ACONTECER.” APOCALIPSE 4:1

“Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer”. (Apocalipse 1:19) O versículo em questão aponta para um encadeamento. O processo não se dá de qualquer jeito, de forma aleatória, há uma sequência, é possível notar que existe um encaminhamento de raciocínio.

Se o ver é a função básica do olho, e representa um campo perceptivo, o versículo define primeiro as coisas que a gente vê, a seguir as que efetivamente são e depois dessas as coisas que hão de acontecer, que hão de vir. Primeiro a criatura visualiza com o grau perceptivo dela, e muitas vezes o que ela vai ver é exatamente o que conseguiu retirar de dentro dos sons que ouviu.

O que mostra com tranquilidade que primeiramente a criatura visualiza algo com o seu próprio grau perceptivo. Interessante, não é? Note que um mesmo fato geralmente apresenta diferentes linhas de observação segundo a ótica implementada por cada qual no campo da aprendizagem. São patamares incontáveis. 

Em uma mesma situação, enquanto um olha sobre um ângulo outro olha sobre outro ângulo. De forma que comumente as facetas de um mesmo acontecimento assumem proporções diversas conforme a natureza dos olhos espirituais que as observam. Está acompanhando? O ponto de vista nada mais é do que simplesmente a vista de um ponto. Não é isso? Um ponto determinado serve de referência a muitas pessoas em ângulos diferentes, uma mesma figura desperta inúmeras condições na intimidade dos indivíduos que a observa.

Você já passou alguma vez por um teste psicológico em que são apresentadas figuras ao candidato e lhe é solicitado a interpretação das mesmas? É fácil notar que um mesmo elemento, que um mesmo painel apresentado, dentro de uma mesma linha de referência, propicia várias interpretações, porque cada um dá o dimensionamento compatível com o que se soma na própria intimidade.

Os olhos são instrumentos de identificação, transmitem linha de percepção, mostram a estrutura do observador, a faixa perceptiva dele, a área que ele percebe.

Sem dúvida alguma, cada qual vê segundo o grau evolucional que já atingiu. Cada espírito observa o caminho ou o caminheiro segundo a visão clara ou escura de que dispõe. A evolução é uma escada infinita e cada individualidade abrange a paisagem de acordo com o degrau em que se coloca. Nós temos facilidade em decodificar nosso plano de observação, aquilo que visualizamos, conforme a nossa conceituação. O juízo que fazemos de tudo quanto os nossos sentidos apreendem no exterior está invariavelmente de acordo com as nossas condições interiores. Vemos fora o reflexo do que temos dentro, na moldura dos nossos próprios reflexos e interesses. É comum nós olharmos consoante o que temos dentro da gente, nossa análise é feita conforme os padrões que nós temos.

E se temos facilidade em decodificar o nosso plano de observação dentro da nossa conceituação, na moldura dos nossos reflexos e interesses, é comum, às vezes, a gente ver uma coisa e a situação ser outra bem diferente. Daí, se conclui que o ato de ver pode não ser aquilo que efetivamente é. Deu para entender? Se bobear, a gente olha algo conforme o que temos dentro da gente. Quantas vezes, em cima de uma única frase ou de uma expressão, a gente tira conclusões outras? Assim, porque reclamar das coisas? A deficiência de visão, no seu sentido espiritual, é referência à nossa visão íntima, nossa ótica relativa ao mundo, onde vemos muita coisa fora da linha básica, fora do foco.

É comum nós analisarmos determinadas circunstâncias, fatos e pessoas e tirarmos conclusões distorcidas.  É muito comum a gente viver esse tipo de experiência.

É comum também alguém fazer um diagnóstico da nossa vida íntima que não é o real. Isso não acontece? Aliás, é muito triste quando as pessoas à nossa volta nos vêem e nos analisam com os seus padrões, de forma inacertada. Está certo que cada qual vai analisar com os seus próprios padrões, mas acontece de serem tiradas conclusões distorcidas e infelizes. Não podemos invalidar aquele que tirou certas conclusões e falou certas coisas. De maneira nenhuma. Não podemos invalidar pois ele está aprendendo, está caminhando e é preferível que a criatura erre, porque a vida cresce em função dos erros e acertos.

Também pode acontecer de uma criatura chegar perto de nós, por exemplo, manifestando tristeza, revolta, dúvida ou inconformação com um determinado fato. No plano conceitual dela ela está completamente certa da análise que fez. Está certa com o seu conceito, no fundo se sente sofrida e machucada. E pode acontecer da gente conversar com ela, esclarecer, mostrar determinados ângulos que ela às vezes nem imaginava, e ela dar um sorriso, e ainda dizer: "Nossa, puxa vida, eu agora estou compreendendo o porque de tudo isso estar acontecendo. Agora eu estou entendendo." Não pode acontecer? Ou seja, ela estava vendo a situação de forma totalmente inadequada, estava vendo de modo distorcido.

Cada pessoa tem uma ótica perceptiva, tem a sua forma analítica. E se eu noto que a minha manifestação perceptiva está sendo negativa é bom eu estudar, é bom eu reformular os meus padrões. Concorda? É preciso educar a visão. Cá prá nós, não tem como encontrarmos no mundo uma perfeição completa. E até dizemos mais: ou nós melhoramos a nossa ótica ou vamos continuar trabalhando o nosso plano de crescimento espiritual de forma periférica.

Se quisermos viver bem temos que educar a visão, e educar a visão não é ser bonzinho, ver apenas o lado positivo de tudo, levar pancada das pessoas e dizer amém. Não. É se manter vigilante, ver, analisar, tirar conclusões e cooperar. A gente só se revolta contra aquilo que não conhece, que não compreende.

Então, não basta apenas ver, é preciso saber ver. E ver representa percepção e aprofundamento das causas. Mais feliz nos sentimos quando entramos no terreno das causas. Não dá para negligenciar isso, atrás de cada acontecimento vigora uma mensagem e existe sempre uma causa preponderando ao efeito.

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