27 de nov de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 8

É PRECISO SABER VER

“16POR ISSO NÃO DESFALECEMOS; MAS, AINDA QUE O NOSSO HOMEM EXTERIOR SE CORROMPA, O INTERIOR, CONTUDO, SE RENOVA A CADA DIA. 17PORQUE A NOSSA LEVE E MOMENTÂNEA TRIBULAÇÃO PRODUZ PARA NÓS UM PESO ETERNO DE GLÓRIA MUI EXCELENTE; 18NÃO ATENTANDO NÓS NAS COISAS QUE SE VÊEM, MAS NAS QUE NÃO VÊEM; PORQUE AS QUE SE VÊEM SÃO TEMPORAIS, E AS QUE SE NÃO VÊEM SÃO ETERNAS”. CORÍNTIOS II 4:16-18

“ESCREVE AS COISAS QUE TENS VISTO, E AS QUE SÃO, E AS QUE DEPOIS DESTAS HÃO DE ACONTECER;” APOCALIPSE 1:19

É muito importante termos uma visão que não seja uma visão dimensionada apenas na ótica pessoal, mas aprendermos a ver para além da capacidade personalística.

Se, por um lado, nós vemos segundo a nossa ótica, por outro quem quer crescer de forma consciente tem que saber ver para além, pois o ver ganha na amplitude.

E além de ver para além saber detalhar essa visão no discernimento, que é a sublimação da capacidade de ver. Porque ver é sintonizar, denota interesse, é sair da ótica pessoal para poder observar. Em outras palavras, se cada um de nós está vendo o fundamental é que essa visão seja sempre, e cada vez mais, o reflexo da realidade. É preciso um trabalho informativo ampliado para que a nossa visão seja cada vez mais autêntica e segura. Então, vamos repetir, não basta só ver, é preciso saber ver. Porque ver o mundo está cheio. Para se ter uma ideia, nós estamos vendo a nossa salvação através de longo tempo, longo tempo mesmo, e se dependesse unicamente dessa visão nós todos já teríamos resolvido nosso problema evolucional, não é mesmo? Todos nós, sem exceção. E sabe porque não resolvemos? Porque não temos sabido ver.

A faculdade de ver não opera apenas na visualização e no levantamento de dados, a visão efetiva detecta e sabe para que e porque detectou. Não raras vezes chegamos a um estado de saturação em que percebemos que o que estamos enxergando não é o que estamos querendo ou não está nos atendendo plenamente, de onde concluímos que a visão tem também um sentido de definição do que realmente propomos na vida. Olhos também definem pontos com os quais nós trabalhamos no plano de observação com vistas à seleção daquilo que podemos implementar. Indicam facetas da nossa intimidade que costumam enxergar ângulos sob aspecto acentuadamente automático e condicionado da personalidade. Existem olhos de tudo quanto é jeito.

Temos valores incrustados na intimidade que nem mesmo nós admitimos que existem. Quem conhece um pouco da linguagem corporal sabe perfeitamente que um olhar ou uma postura transmitem coisas. Inclusive pode mostrar que uma criatura sob observação pode estar agindo com um determinado padrão do qual às vezes nem ela tem plena consciência que tem, mas que é automático dela. É por meio dos olhos que a pessoa se orienta e se guia, não só nos passos como no juízo que faz das coisas. Tanto que olhos bons propiciam passos acertados e juízos retos, do contrário tem-se passos dúbios e análises falhas.

Essa busca nossa, essa caminhada, se torna mais gratificante e gostosa na medida em que o conhecimento se abre para nós, apesar das lutas e dos sofrimentos, pois passamos a saber o porque da luta. E a gente vai em frente. Quando a gente não sabe o porque a gente vai às apalpadelas na escuridão da jornada.

Isto está acontecendo com todos nós. À medida que nos educamos, que vamos mantendo o controle, buscando o equilíbrio nas ações e aproveitando as oportunidades com olhos de ver e ouvidos de ouvir, tiramos a maior essencialidade possível no patamar evolutivo em que nos situamos. Temos que fazer esse trabalho de harmonização e manter a harmonia não significa ser aquele que concorda com tudo, mas aquele que sabe olhar com legitimidade. Aí, tudo se encaminha, tudo se abre com carinho na ótica que já podemos trabalhar.

Repare que nas curas efetuadas por Jesus, presentes no evangelho, especialmente naquelas que se referem aos cegos, existem a presença de peculiaridades.

Elas nos mostram, de forma clara, que o mestre não apenas retornava-lhes a visão, não apenas recuperava a visão para que vissem, mas havia algo mais no processo, elas implicavam também no como ver. O Cristo não apenas recompunha a visão de quem não enxergava, como também propiciava dar ao recebedor um quadro novo de uma capacidade de ver. Ele não visava apenas tirar a dor dos enfermos concedendo-lhes alívio momentâneo, mas acima de tudo buscava conscientizá-los a trabalhar as causas como forma de extirpar verdadeiramente as doenças. Objetivando algo a mais, procurava proporcionar a cada alma necessitada uma visão mais ampla da vida, e enriquecer cada espírito no caminho com eficientes recursos de renovação e transformação para o bem.

É por isso que é imprescindível ter paciência com as dificuldades e as provas, independente do quão duras elas sejam. Tudo o que detectamos pela visão é transitório.

Nós temos que ter o cuidado de realizar um trabalho carinhoso na nossa ótica, fazendo uma limpeza na nossas mentes para que possamos tirar de um fato, de uma situação, de uma realidade o que ela tem de melhor prá gente. Precisamos ter essa ótica, entender a lição. Aquele que sabe ver vê mais, vê com propriedade, porque muitos vêem, mas não enxergam. É necessário saber decifrar os códigos que a vida nos endereça, saber entender os porquês das coisas.

Porque tudo tem um porque, nada é aleatório. Possivelmente teremos pouco resultado em nossa busca de progresso se ficarmos apenas preocupados com os acontecimentos em sua feição exterior, com os aspectos puramente objetivos, pois atrás de cada acontecimento que surge na vida de alguém tem uma mensagem.

As sagradas escrituras citam, em algumas situações, como no apocalipse por exemplo, a expressão "olhos como chama de fogo", numa referência aos olhos de profundidade relativamente à vida. A expressão dois olhos, por sua vez, define inicialmente os componentes interativos do nosso dia a dia, que é a visão normal, e também a visão profunda do diencéfalo. A capacidade de entender lida com a visão do diencéfalo, que é a epífise, sede da mente que, por sua vez, mexe com nossa essencialidade. Nossos próprios sentidos são componentes sob a direção direta do campo mental, que é o centro coronário, onde está essa visão profunda do diencéfalo, e tudo isso trabalha de forma globalizada. O que mostra que a questão não se resume só em ver, é preciso saber ver.

Ver está a serviço da própria visão íntima e essa visão vai se sublimando na medida em que extrapola os cinco sentidos e entra caminho a dentro no nível do sexto sentido, que é o sentido intuitivo. Ver decorre dessa visão profunda e o olho de profundidade é o do campo mental, ao passo que entender é a abertura da visão profunda para além da visão comum. O olho capaz de ver, transcendentemente, é aquele que vê e vê mesmo, bem para além da visão objetiva e lógica.

Aparentemente ver é a mesma coisa que olhar. De início, superficialmente, é quase igual. Mas digo aparentemente, porque no fundo existe uma distinção. Basta notar que muitos vêem, todavia não enxergam. Quando falamos em ver nos referimos ao aspecto automático. O ver apresenta sentido de constância, ao passo que a atitude de olhar já denota uma proposta de interesse. É muito comum, para se ter uma ideia, alguém ver uma pessoa, mas não ver o seu semblante. Ou seja, ela é capaz de ver, mas não de captar, não perceber para além do trivial. Podemos resumir dizendo que o olhar é um ver acrescido de direção, de observação, de interesse. E o ver, para que ele possa ter aquela capacidade de efetividade, precisa estar acompanhado da característica de olhar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...