28 de dez de 2013

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 6

O LADO POSITIVO E A ADEQUAÇÃO

Vamos analisar uma coisa: se educar é desenvolver os poderes do espírito para serem aplicados em uma conquista de estados cada vez mais elevados, numa ascensão que não termina, é fácil concluir que essa sistemática não pode ser alcançada pela imposição do medo.

Porque estamos dizendo isso? Porque muitos educadores agem pelo terror. Isso acontece no âmbito de certas linhas religiosas. Certos instrutores, carecendo de meios e recursos próprios à boa pedagogia, não convencem e, sim, amedrontam.

Querem conduzir os homens guiando-os como se fossem pastores com suas manadas. Parecem não se lembrar de que os seres livres não marcham para a conquista de seus destinos forçados, mas atraídos. Pela imposição do medo na linha educativa não tem como educar. A educação não vem por imposição, todo processo educacional tem por objetivo despertar os potenciais do indivíduo.

O educador tem que ser admirado pelos seus discípulos, jamais temido. Os educadores precisam ser maiores e melhores que os seus educandos, porque precisam atraí-los em vez de empurrá-los e a atração é algo que se exerce para a frente, não é algo que tem que levar para trás. Veja Jesus, ele era amado e venerado pelos seus apóstolos, todos eles se sacrificaram com alegria pela sua doutrina. Se tivessem sido ensinados pela metodologia do medo com certeza baqueariam diante dos primeiros obstáculos e das primeiras perseguições. Seriam covardes como são covardes todos aqueles que agem pela influência do medo.

Nós apenas temos conhecimento da utilização de expressões mais contundentes por parte de Jesus quando ele se dirigiu aos hipócritas, sacerdotes, escribas e às autoridades que dominavam o povo. Ele jamais destratou ou diminuiu alguém, jamais abateu, sequer, o ânimo dos pecadores. Em todos os episódios do evangelho ele jamais foi encontrado em atitude que visava enfraquecer a coragem das pessoas, muito pelo contrário. Antes de sua passagem pelos solos deste planeta Deus era tido como força, e depois de sua passagem o apóstolo João, interpretando a sua doutrina, dizia que Deus é amor.

Engraçado isto, porque muitas igrejas não entenderam ainda, ignoram e continuam pregando o medo. Seguem estendendo ameaças infernais como se quisessem deprimir o ânimo dos seguidores e incutir-lhes uma fé desvirtuada de fora para dentro.

Ora, a gente não precisa ir longe, bata recordar que o mestre disse "não temais". O bom educador não critica nem atemoriza, só constrói, sem usar atitudes que desanimam e machucam, pois o processo educativo se baseia nos alicerces do raciocínio e do sentimento. Ser educador é saber conduzir inteligências na direção da luz e do bem com critério e carinho, segurança e clareza.

O método para ensinar valores espirituais é o mesmo que se emprega para ensinar as questões científicas: dedução e indução. Temos que partir dos fatos para os efeitos e destes somos levados a remontar aqueles. Os tempos hoje são outros, não dá mais para se impor crenças, é preciso convidar as pessoas a raciocinarem.

O professor tem que trabalhar utilizando uma linha compatível ao plano assimilativo do educando. O que não é nenhuma novidade, uma vez que para o aluno assimilar ele precisa entender o que está sendo falado. Percebeu? Não é o professor que tem que trazer o aluno à sua órbita. De forma alguma, ele é quem tem que descer à órbita do aluno. Para ajudar alguém, ensinar alguém, cooperar com alguém, é preciso ter esse jogo de cintura de saber adequar, tem que ter uma profunda disposição de apequenar-se, e é por aí que nós muitas vezes complicamos a nossa jornada. Sabe por quê? Por impaciência ou falta de capacidade de persistir. Mas voltando ao assunto, quando um professor vai trabalhar ele tem que saber os potenciais do aluno. Este é um ponto extremamente essencial no processo.

Jesus disse para que não déssemos "pérolas aos porcos", logo, para que isso não aconteça é necessário saber o nível em que se encontra o educando. Sem saber, o professor ou cooperador vai lançar luz num coração que está ainda meio apagado na ótica deste, embora na ótica desse auxiliado haja uma luz enorme lá. 

Está dando para acompanhar? Ou seja, o aluno ou necessitado não aguenta mais do que um palitinho de fósforo ou uma lanterninha e o que vai auxiliar vai querer acender um farol lá. Não tem jeito. Esse é um dos fatores pelo qual é preciso trabalhar no plano sintético. O educador por ser chamado a apresentar inúmeras formas de expressão, no entanto o educando vai realmente se beneficiar quando ele consegue fazer um trabalho de síntese, no qual consegue penetrar nas faixas da própria personalidade do que quer aprender.

Se o educador não consegue perceber o que o aluno está soltando, se não consegue entender as suas dificuldades, suas reais necessidades, fica muito difícil auxiliar. Se ele não sintonizar a sua carência ele não tem como ajudá-lo de forma efetiva.

O professor tem que trabalhar com a linha compatível ao plano assimilativo do aprendiz, de forma que ele precisa pegar a luz existente dentro de si, amortecer e adequar à capacidade perceptiva do elemento. Veja para você ver, ele pode ser um excelente professor, mas de que valeria se não soubesse adequar-se dentro do plano de solicitação do educando? Está dando para perceber?

Alguém pode ser um orientador excepcional, um PHD em determinadas áreas teológicas, mas para poder falar de Deus para uma criança tem que falar papai do céu. Não adianta falar que se trata do estruturador universal ou criador que ela não vai entender nada. Então, adequar é saber descer até o nível de capacidade receptiva dos educandos.

E quanto mais o educador conhecer mais fertilidade ele pode apresentar ao educando no que reporta aos toques das necessidades desse, e o educando realmente se beneficia quando o educador sabe ensinar, quando sabe fazer um trabalho de síntese.

24 de dez de 2013

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 5

EDUCAR É DESPERTAR

É importante entender, analisando o assunto na essencialidade, o que é a educação. Não é mesmo? O que é educar? É tocar, mexer, revolver a estrutura potencial do educando, fazê-lo ficar interessado em conhecer. É despertar.

A própria expressão latina "educare" literalmente significa tirar para fora. Então, ensinar é educar e educar é um instrumento de despertamento. A gente costuma achar que o aluno está aprendendo com aquilo que nós estamos dando para ele, enquanto na verdade o que nós estamos dando é o instrumento de despertamento.

Educação não se faz simplesmente injetando valores de fora para dentro, educar é tirar do interior e nada se pode tirar de onde nada existe. Educar é envolver de dentro para fora, razão pela qual nós temos que ter a capacidade e autoridade capaz de despertar, em meio aos padrões que nós canalizamos, certo interesse do ouvinte para que ele também se desperte para um processo de aprendizagem.

O papel do educador junto àqueles com quem se relaciona é transferir componentes educacionais que poderão favorecê-los no momento de determinadas decisões no campo da escolha. E o que a espiritualidade maior tem feito é incentivar em muitos de nós esse papel. Se achamos que temos que cooperar de alguma forma nesse campo nós temos que saber trabalhar com inteligência e discernimento, e à medida que avançamos precisamos conhecer a personalidade humana.

Educar é despertar e o educando realmente se beneficia quando o educador faz um trabalho de educação. O educador faz exatamente esse papel, tentar arrumar instrumentos que possam fazer com que o educando se movimente. Ele tem que encontrar pontos na intimidade do educando que possam fazê-lo interessar-se pela sua comunicação, pela sua orientação, para que ele se mexa e saia do lugar, alterando o processo assimilativo e indutivo. Ele busca jogar um foco de luz no educando para que ele reaja, e nessa hora implanta-se uma conexão vibracional.

Quando nós trabalhamos com o melhor dos interesses e a melhor da intenções junto de uma criatura com a qual queremos cooperar, se nós quisermos ser feliz nessa proposta nós vamos ter que encontrar pontos de referência na linguagem, em nossa capacidade de canalização, que possam atingir determinados ângulos da personalidade dela que representa, vamos dizer, uma capacidade perceptiva, e essa capacidade perceptiva se manifesta em sua própria feição. A gente percebe. É por aí que parte o processo que altera a inércia em que ela estava, que altera a linha e posicionamento em que ela se repousava.

A gente acha que para ser bom mestre, ser bom professor, tem que saber falar. Falar bonito e bem. Os entendidos defendem que a primeira coisa é aprender a ouvir.

De fato, somente após ouvir com atenção pode o homem falar de modo edificante na estrada evolutiva, porque quem ouve aprende e quem fala ensina.

O grande mestre sabe ouvir, ele ouve e pondera, afinal, não adianta nada ensinar sem ouvir. Jesus ensina isso no seu evangelho sagrado de luz, que não adianta ensinar coisa alguma sem primeiro ouvir. Só para se ter uma base, se o educador não sintonizar a carência do educando como é que ele vai poder auxiliá-lo na linha instrutiva informativa? Não tem como. Então, é preciso ouvir.

Agora, é preciso ter uma postura segura quanto a isso, porque nós também não vamos ficar por conta, indefinidamente, ouvindo alguém. É necessário ter essa atenção.

Outro ponto interessante é que ninguém consegue educar uma coletividade de uma vez. Não existe doutrinação globalizada, o processo de evolução se faz de modo individual, parcelado, fracionado. Cada indivíduo por vez. Quando uma coletividade se educa, essa educação coletiva é o resultado da educação de seus elementos, cada um por si. O toque é individual e tudo deve ser trabalhado conforme o patamar íntimo de cada um, dentro do indivíduo, e de modo gradativo.

Se educar é despertar, trata-se de despertar alguma coisa que já existe. Tem que esperar a emersão de alguma coisa do educando. A palavra é componente irradiador essencial e a gente sabe, ela é semente, mas semente que tem que ser lançada em terreno fértil. A parábola do semeador ensina isto, e na linha de relação entre professor e aluno é imperioso essa fertilidade do terreno íntimo.

Para que o crescimento ocorra é necessário por parte do aprendiz certa dose de receptividade e interesse. Sob este ângulo é tão bonito quando alguém que está ensinando sensibiliza uma criatura que já está com o anteparo pronto para que a luz apareça, não é mesmo? É muito gostoso orientar alguém que demonstra interesse, alguém que pergunta, que quer aprender. O aluno pergunta e o professor está com toda a instrumentalidade na mão para informar. 

E ao orientar ele solta o que há de melhor no seu coração e nota da parte receptiva que aquilo vai refletir. Tanto que quando o professor tem um aluno ou aluna que é dado à leitura e ao estudo ele fica tranquilo. O rapaz, a moça, sei lá, o educando, dá uma resposta muito bonita em termos de aprendizado. Por esse motivo, muitas vezes é preferível investir naquele que quer se afirmar, que quer crescer, do que trabalhar com aquele que acha que já se afirmou, pois uma coisa boa é lidarmos com quem quer crescer, com quem apresenta aquela índole de manifestação dos seus potenciais. O professor dá seu melhor e no momento em que o educando se expressa ele pode até sair de cena.

O educador semeia caracteres e isso é um trabalho fora de série. É muito bonito.

Agora, o que ele não deve é ter a pretensão de formar na cabeça do educando uma personalidade a seu critério. Percebeu? Veja para você ver, as crianças recebem dos que zelam por elas, dos que as educam, uma soma de valores, não é?

Todavia, quando começam a entrar na adolescência, na mocidade, quando começam a caminhar para a maioridade, já começam a emergir nelas, de maneira ampla, caracteres antigos delas, que são os padrões arregimentados aos longo das reencarnações e que constituem a soma de registros individuais. Assim, dá-se uma luta entre o padrão recebido por orientação, por informação, instrução ou educação e os valores que são intrínsecos das personalidades delas.

De modo que o educador, o que ele pode, ao fim de um período de estudo, é avaliar se ele conseguiu transmitir o que ele queria, analisar se o grupo assimilou o que ele trouxe. Só que, em se tratando de educação da alma, essa avaliação, por mais criteriosa que venha a ser, é precária. Sabe porquê? Simples. Porque a legítima avaliação somente o futuro vai determinar, somente as obras por parte daquele que recebeu a orientação. O patrimônio científico, tanto quanto o moral, é sempre resultado da educação e a sementeira do bem e da verdade, do amor e da justiça nunca se perde. Sua germinação pode ser imediata ou remota, mas jamais falhará. Compete ao professor dar o seu melhor e deixar o resultado por conta do que foi orientado, deixar por conta dele. Se não for nessa etapa vai ser na outra, mas que vai, vai!

20 de dez de 2013

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 4

O EDUCADOR

“1E ACONTECEU QUE, APERTANDO-O A MULTIDÃO, PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS, ESTAVA ELE JUNTO AO LAGO DE GENESARÉ; 2E VIU ESTAR DOIS BARCOS JUNTO À PRAIA DO LAGO; E OS PESCADORES, HAVENDO DESCIDO DELES, ESTAVAM LAVANDO AS REDES. 3E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO. LUCAS 5:1-3

O professor trabalha com o aluno. Entende-se de princípio que ele já tem algum conhecimento que o aluno não tem ainda. Todavia, aquele que ensina também aprende. Isso mesmo, o professor também aprende muito durante a aula.

É comum as pessoas acharem que por ele estar na frente ensinando ele não está aprendendo nada, que ele só está ensinando. Claro que aprende, pois o professor também está embasado na mesma proposta educativa. O regime da educação, toda essa metodologia pedagógica, é algo muito bonito e cheio de nuances e vai pegando cada um no seu respectivo patamar. É comum alguém situar-se como aluno de um terceiro e, ao mesmo tempo, professor de um outro.

Muitas vezes o professor ou o orador é um necessitado tão grande ou maior que os alunos e ouvintes. Normalmente um professor é aquele que sabe estudar, ele está sempre em processo de aprimoramento, de melhoria de recursos, não só de recursos informativos como técnicos para desempenhar bem o seu trabalho. E vale lembrar que o título mais extraordinário de um mestre ou de um professor é o reconhecimento natural de ser discípulo ou aluno.

A multidão estava apertando Jesus para ouvir a palavra de Deus. O que acontece até hoje, uma vez que existe uma necessidade grande, uma carência por parte da multidão quanto ao conhecimento de valores de natureza espiritual. E quem não tem fome deste tipo num mundo tão conturbado e instável?

Ninguém hoje pode alegar falta de oportunidade para aprender e evoluir. Esse tipo de alegação é inaceitável nos dias atuais, conversa mole que tem que ser desconsiderada. Não dá para dar crédito.

Como todos nós morremos e renascemos num processo intérmino, como nos anos letivos, em que o aluno para evoluir encerra um período e recomeça outro, com toda certeza muitos de nós já participamos de inúmeras atividades de estudos lá atrás, em reencarnações passadas, em que os padrões da mensagem crística foram implementados em nossos corações. É possível que os tenhamos aceito com todo carinho, porém, é provável que na dinâmica aplicativa desses valores nós tenhamos falhado, deixando que os lances marcantes da nossa imperfeição vigorassem nas estratégias aplicadas no próprio destino.

Mas o bonito de tudo isto é que aqueles que não foram felizes no passado, que até mesmo perderam a chance de serem orientados de forma positiva e segura lá atrás podem ser orientados por outros personagens hoje. Sabe porquê? Porque Jesus, na figura da essencialidade evangélica, continua entrando nos barcos para ensinar a multidão. Para levar esclarecimento aos que buscam luz. E existe uma linha de gradação no sentido de que aqueles que não souberam aproveitar a chance ontem quem sabe estão aproveitando no dia de hoje?! 

Quem sabe estão arregimentando, estão se preparando e crescendo. Esses elementos chegam para serem devidamente orientados por outros no contexto da oportunidade que se repete para cada um de nós, conforme a misericórdia divina.

Quando investimos em um professor nós investimos porque vemos nele uma autoridade. E quando mais ele conhecer mais fertilidade pode apresentar no tocante às necessidades do educando. Esse é um ponto essencial a ser observado.

Sua estrutura de comunicação tem que ser compatível com a linha receptiva do aprendiz. É aí que reside toda a grandiosidade do processo da aprendizagem.

O professor pode até ser ótimo, mas pode acontecer dele falar e ninguém entender absolutamente nada. Tem que haver uma linha de conexão. Se ele não souber envolver a matéria ele conta caso o tempo todo durante a aula e acha que ensinou, e não ensinou. Chega em casa e diz "minha aula hoje foi uma beleza", e não foi nada. Foi até difícil de aguentar. Não existe muita gente que manipula multidões e no fritar dos ovos não transmite nada? Não tem disso?

Então, precisamos saber o que estamos fazendo e não podemos nos desvincular em hipótese alguma do plano operacional. Nós, que vivemos envolvido com os estudos, temos que fazer o nosso trabalho com tranquilidade e humildade, principalmente levando conteúdo, que é o que está sendo exigido hoje.

17 de dez de 2013

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 3

DISCÍPULO E MESTRE

“24NÃO É O DISCÍPULO MAIS DO QUE O MESTRE, NEM O SERVO MAIS DO QUE O SEU SENHOR. 25BASTA AO DISCÍPULO SER COMO SEU MESTRE, E AO SERVO COMO SEU SENHOR. SE CHAMARAM BELZEBU AO PAI DE FAMÍLIA, QUANTO MAIS AOS SEUS DOMÉSTICOS?” MATEUS 10:24-25

O mestre nós vamos entendê-lo como sendo o que pode ensinar a outros porque reconhecidamente tem mais sabedoria ou capacidade de ação. Isto tem que ficar claro.

Jesus sabe, enquanto nós estamos aprendendo a conhecer. Apóstolo significa enviado e assim é chamado o que propaga uma ideia ou doutrina. Um apóstolo é bem mais do que o discípulo, claro, pois ele é o que opera em nome do mestre, é o que representa o mestre. Todo apóstolo é um educador por excelência, pode-se dizer que é um condutor do espírito. O discípulo, por sua vez, é aquele que aprende. É o que se acha em fase de aprendizagem, que ainda está aprendendo, que está assimilando, e esse título é conferido pelo divino mestre a todos os homens de boa vontade, sem distinção de situações ou classes.

E uma coisa interessante é que diante da grandeza do universo nós somos sempre alunos. Nós sempre somos, de algum modo, o discípulo ou o aprendiz, uma vez que sempre teremos os nossos preceptores ou professores acima de nós. Disso a gente não tem como se esquivar. O professor tem certos conhecimentos que o aluno não tem ainda. Deu prá perceber? O aluno tem a proposta de aprendizado. Logo, por maior que seja o nosso investimento no mecanismo da educação, por mais ampla venha a ser a nossa transferência da informação para o plano prático, por mais extensa a nossa capacidade de fazer e operar conforme o aprendizado, nunca perderemos essa condição de discípulos.

Jesus fala em dois componentes: discípulo e servo. “Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu Senhor”. (Mateus 10:24) Interessante a colocação. Ele quis definir, pelo que conseguimos depreender, que não tem como o discípulo ser mais do que o seu mestre. De fato não tem como, não é verdade? Um soldado, por exemplo, não sabe o pensamento do general.

Aliás, o dia em que o soldado estiver abrangendo todas as estratégias e toda a base de fundamentação de seu superior é bem possível que debande tudo, que vá tudo por água abaixo. Isso representa o que para nós? Que existe um grau de revelação. Que os nossos superiores, os que nos dirigem, conhecem com aprofundamento toda marcha do progresso enquanto nós nem sempre podemos conhecer. Porque tem pontos nessa marcha que nós temos que vivenciar. É nesse sentido. Por isso é que Jesus, acertadamente, colocou para nós que não se dá "pérolas aos porcos", o que equivale a não transferir determinados valores a quem não está com a devida capacidade administrativa, que não se deve entregar chave a quem não tem competência de guardá-la.

Agora, também, tem a questão da obediência. Quando ele fala que não pode ser o discípulo mais do que o mestre ele está dizendo para nós que ele está ajustado na posição de mestre porque ele é um bom discípulo perante Deus que está no céu. A maioria das pessoas não penetra na grandeza desse ensinamento.

Você conseguiu perceber? Jamais será um mestre por excelência aquele que não for um excelente discípulo. Não tem como. Só é uma criatura dotada de positividade segura e equilibrada aquela que é positiva na recepção. Para que possamos atuar de forma positiva em determinado campo ou terreno nós temos que ser criaturas submissas, positivamente falando, ao centro a que estamos posicionados. Tem muita gente que fica ansiosa e eufórica com a ideia de ser chefe, não tem? Mas lembre-se: quem não sabe obedecer nunca será um bom chefe. Pense comigo, sem exagero, não tem jeito. Por outro lado, aquele que sabe obedecer pode ficar tranquilo, porque no dia em que tiver que exercer um comando, uma direção, vai ser feliz porque ele vai ser ouvido e obedecido.

E quanto mais o aprendiz alcança do mestre a esfera da influenciação, mais ele fica habilitado para constituir-se seu instrumento fiel e justo. Não apenas como o aluno que ouve e entende, mas que procura agir conforme o que recebe. Repare que os discípulos de Jesus se comprometiam com a sua doutrina. De fato, Jesus veio do plano superior para nos ensinar a ir prá lá. Com ele aprendemos o que é Deus, como agir em relação ao próximo, às coisas e relativamente a nós mesmos. Temos que aprender com ele, mas não apenas aprender e ficar só na teoria, e sim aprender para exercermos o aprendizado. Ele ensinou e viveu. Cabe a nós aqui, espíritos em luta, aprender e exemplificar.

Quando Jesus colocou que "o discípulo não é mais que o mestre e o servo não mais que o Senhor" o que ele disse por trás disso? O que está embutido nisso aí? Que nos situamos em uma chamada bipolaridade. Que na grande busca que elegemos, que estamos alçando parâmetros maiores de evolução, a gente não tem que ser só aluno. Que nós somos discípulos, no entanto, no fundo está todo mundo querendo ser mestre. Ou será que não estamos entendendo isso?

Ele falou que basta o discípulo ser como seu mestre e o servo ser como o seu Senhor para evitar o quê? Precipitação e incoerência, atropelos diversos no percurso da jornada. Esse ponto é muito importante para nós, tudo tem o seu tempo.

E uma coisa é fato, nós nunca estamos na posição isolada de discípulos ou de mestres. O espírito encarnado, para alcançar altos objetivos na vida, deve reconhecer a sua condição de aprendiz extraindo proveito das experiências sem se escravizar. Dentro de cada um de nós não existe apenas a capacidade de receber o valor de cima. Tanto que o que recebemos só vai ser incrustado em nossa personalidade pelo ato de nós o fazermos. Está acompanhando? E todas as vezes que nós fazemos estamos acionando recursos do sentimento e da razão para fazê-lo.

A princípio, somos todos os educandos e não tem como negar, todavia, precisamos também avocar a posição de educadores. Nunca estamos em uma posição isolada de discípulos ou mestres. Se você acha que não é mestre, esquece isso, você está enganado, porque guardada a devida distância, claro, todo mundo no planeta tem um pouco de mestre. Então, o recado é que temos que ser bem conscientes na posição de aluno para começarmos a dar uma de professor.

Se de um lado nós somos os aprendizes e os alunos de uma classe, de outro também temos um papel de cooperação e ajuda efetiva. Em outras palavras, de algum modo somos o discípulo, o aprendiz, e nunca poderemos abrir mão disso. Isso está bem claro, por mais que a gente possa transferir os padrões recebidos para o plano operacional de cooperação e ajuda, auxiliando na aprendizagem, nunca perderemos a nossa condição de discípulo. Mas para podermos mostrar a nossa posição de bom discípulo, de bom aprendiz, nós temos que saber, também, ativar a parte já incorporada no campo do esclarecimento. Afinal, o discípulo também tem uma atividade a operar, embora ele não perca essa qualidade de discípulo. E o bonito disto é que não tem discípulo eficientemente ajustado sem a devida incorporação da condição de mestre. O aluno que não se retira dos exercícios no alfabeto jamais penetra o luminoso domínio mental dos grandes mestres. É que o discípulo, no plano consciente, está envergando a condição de mestre, que é algo bonito demais de entender.

O evangelho está à nossa disposição e estamos com Jesus e na presença dele. Alguém tem dúvida? Só que estamos naquela base que a gente sabe bem: o protetor no plano de cima e o protegido aqui embaixo, sempre esperando algo mais do protetor. Até aí tudo bem, não há novidade. Porém, o grande lance é que enquanto a gente não descobrir que para ser um bom protegido a gente tem que manter uma proposta íntima de também proteger a gente não caminha. E fim de conversa. Para demonstrarmos a nossa posição de bom discípulo, de bom aprendiz, nós temos que ativar a parte incorporada no plano do conhecimento.

Isto é, o discípulo tem plena condição de operar e deve fazê-lo, embora sem nunca perder essa condição. Tem momentos que a grandiosidade do discípulo está exatamente naquela postura avocada de mestre, o verdadeiro discípulo tem que mostrar a sua capacidade de ser bom discípulo utilizando a sua característica mínima de mestre. Por quê? Muito simples, por mais que tentemos ser discípulos não há como alcançarmos o estágio seguinte senão investindo na posição de mestre. Para ser um bom discípulo tem que lutar para ser bom mestre, para ser bom aprendiz nós temos que sentir uma vontade de fazer, orientando, ajudando e servindo na pauta que nos é própria, pois cada um tem uma faixa específica. Apenas seremos bons aprendizes se nos capacitarmos a oferecer a nossa cota operacional nessa dinâmica da aprendizagem.

Com humildade, óbvio. Existe uma linha de relação em que o equilíbrio se dá pela condição de ser um mestre eficiente em decorrência de uma postura de bom discípulo. Deu para perceber? Apenas seremos bons mestres se formos bons discípulos, se não formos um bom discípulo nunca seremos um mestre adequado.

Só podemos ser uma criatura capaz de auxiliar efetivamente, como mestre, se formos bons alunos e bons servos. É que as atividades vão sendo outorgadas ou conferidas de modo gradativo e continuado, segundo o nosso grau de capacidade de cooperar e servir. Eu recebo de cima, na linha vertical da revelação e tenho que trabalhar na linha horizontal dos interesses da coletividade. E apenas serei um excelente administrador do campo positivo da vida se eu for um excelente receptor ou captador dos valores que vem do mais alto.

11 de dez de 2013

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 2

A AUTORIDADE DE JESUS

“JERUSALÉM, JERUSALÉM, QUE MATA OS PROFETAS, E APEDREJAS OS QUE TE SÃO ENVIADOS! QUANTAS VEZES QUIS EU AJUNTAR OS TEUS FILHOS, COMO A GALINHA AJUNTA OS SEUS PINTOS DEBAIXO DAS ASAS, E TU NÃO QUISESTE!” MATEUS 23:37

“VÓS ME CHAMAIS MESTRE E SENHOR, E DIZEIS BEM, PORQUE EU O SOU.” JOÃO 13:13

“E ELE DISSE-LHE: POR QUE ME CHAMAS BOM? NÃO HÁ BOM SENÃO UM SÓ, QUE É DEUS. SE QUERES, PORÉM, ENTRAR NA VIDA, GUARDA OS MANDAMENTOS.” MATEUS 19:17

“EU SOU O CAMINHO, E A VERDADE E A VIDA; NINGUÉM VEM AO PAI SENÃO POR MIM.” JOÃO 14:6

A origem do poder de Jesus está toda ela explicada no seu estado evolutivo. Era ele quem dirigia os povos de todos os tempos, e tanto era que ele mesmo disse que muitas vezes quis ajuntar os seus filhos ("quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas." Mateus 23:37).

Todos os grandes missionários ligados aos povos antigos e às diversas raças sempre estiveram e estão a seu serviço. Todos os profetas de que a bíblia faz menção em seus livros foram médiuns predestinados a servirem ao seu pensamento. 

Os que o precederam nada mais eram que mensageiros da sua bondade e da sua sabedoria, vindos à carne com o intuito de preparar-lhe a luminosa passagem pelo mundo das sombras. Para se ter uma ideia, os grandes expoentes da história, no que diz respeito ao aspecto da realização em temos de amor, viveram e trabalharam com facetas crísticas, todavia, quem envergou a totalidade crística aqui no planeta, até onde nós podemos alcançar e perceber, foi Jesus. Enquanto uns foram parcelas o Cristo foi o máximo em perfeição.

Então, não tem outra, qualquer coisa que surja neste mundo ele tem autoridade. Tanto tem que ele mesmo definiu: "Vós me chamais mestre e senhor, e dizeis bem, porque eu o sou" (João 13:13). Lembra dessa passagem?

Arrogou a si a denominação de mestre, considerando aqueles que o acompanhavam como discípulos. Não abriu mão disso, foi o único título com que se adornou, e nenhum outro. Certa vez, quando o chamaram bom, retrucou, dispensou de pronto o título de bom.: "Por que me chamas bom? Não há bom senão um só, que é Deus." (Mateus 19:17) Quando o definiram rei repeliu de forma imediata aquele qualificativo, declarando que o seu reino não é deste mundo. Apenas quis ser mestre, e disso fez toda a questão, advertindo os seus discípulos que só a ele o considerassem como tal. Ele se definiu como o mestre, e que a ninguém mais fosse concedida essa prerrogativa.

Não é nossa pretensão querer avaliar Jesus porque sequer temos capacidade de saber até onde chega a sua estrutura. Como exemplo, o seu subconsciente está para muito além do nosso superconsciente e a nós cabe saber que ele constitui o tipo da perfeição moral a que a humanidade pode aspirar na Terra. Deus o apresenta como sendo o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor.

Ele é o exemplo supremo e o seu modelo é definitivo e único para a realização da luz e da verdade em cada ser humano. Em se tratando de iluminação espiritual, inexiste fonte alguma além da sua exemplificação. Para esclarecer qualquer dúvida a sua didática foi a do exemplo. Suas mensagens não se basearam em ponto de vista, mas num trabalho sedimentado em nosso solo na cartilha prática. Ele veio até nós com uma vivenciação acima de todas as nossas condições operacionais e palavra alguma poderá superar sua exemplificação, que o discípulo sincero deve tomar como roteiro supremo de vida.

"Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim." (João 14:6) Sim, somente Jesus pode ser, como realmente é, o condutor da humanidade. Somente ele reúne as credenciais e condições de um guia capaz e idôneo. Os seres desta esfera jamais poderão nos conduzir para outras mais altas e luminosas, uma vez que não passariam de cegos conduzindo cegos. Ele é o caminho porque já fez o percurso que ainda não fizemos, e ninguém realiza os eternos destinos se não o acompanhá-lo, seguindo-lhe as pegadas.

É a verdade porque não fala de si mesmo, não fantasia como fazem os homens que buscam os seus próprios interesses e a suas próprias glórias. E ele é a vida, porque ressurgindo dominou a matéria. Não é como os homens cuja existência efêmera e instável depende totalmente das circunstâncias externas. Ele é um governante profundamente tocado pelo sentimento das nossas fraquezas, um soberano que foi testado sob todos os pontos de vista e que permaneceu sem pecado. E desde que ele próprio sofreu, sendo testado e provado, ele  é amplamente capaz de nos compreender e guiar às alegrias maiores.

7 de dez de 2013

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 1

O BARCO

“1E ACONTECEU QUE, APERTANDO-O A MULTIDÃO, PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS, ESTAVA ELE JUNTO AO LAGO DE GENESARÉ; 2E VIU ESTAR DOIS BARCOS JUNTO À PRAIA DO LAGO; E OS PESCADORES, HAVENDO DESCIDO DELES, ESTAVAM LAVANDO AS REDES. 3E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO. 4E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR. 5E, RESPONDENDO SIMÃO, DISSE-LHE: MESTRE, HAVENDO TRABALHADO TODA A NOITE, NADA APANHAMOS; MAS, SOBRE A TUA PALAVRA, LANÇAREI A REDE. 6E, FAZENDO ASSIM, COLHERAM UMA GRANDE QUANTIDADE DE PEIXES, E ROMPIA-SE-LHES A REDE.” LUCAS 5:3-6

O barco, nesta passagem em questão, era o instrumento de trabalho de Simão Pedro, porque sabemos que ele era pescador. E, afinal, na acepção espiritual o que é o barco?

É a representação da nossa estrutura íntima no infinito mar da vida, referência às nossas conquistas ao longo das reencarnações. Corresponde ao somatório de padrões de que dispomos para nos lançarmos em busca de novas aquisições. Sem dúvida alguma, define o que nós somos e contém todos os valores reunidos que nos caracterizam e que temos que saber utilizar em nossa viagem pelos mares da vida, pois estamos viajando hoje nessa trajetória linda que é a regeneração, em busca de novos destinos e de portos de segurança.

Barco também significa a nossa posição perante a existência. Sugere aquela ideia de posição, de estabilidade e ajuste. Cada um de nós está posicionado, cada um de nós é um espírito que enverga um corpo, é um espírito com os seus problemas a serem solucionados e os seus anseios e propostas a serem realizados.

Nas várias escalas evolucionais em que nos situamos no plano físico necessitamos saber identificar em nós, e à nossa volta, aqueles recursos de ação disponíveis para que possamos atuar com aproveitamento no campo que nos é próprio. Fala da necessidade de estarmos sempre ajustados e estabilizados no contexto, posicionados de forma adequada para recebermos Jesus na embarcação íntima do coração, na figura do conhecimento que nos visita.

Diante de um mundo atribulado como o nosso, envolvido por desafios de toda natureza, não podemos nos descuidar e simplesmente deixar o barco correr à deriva, sem proposta, sem objetivo, sem disciplina e leme. Jesus entrando no barco significa a sua penetração em nossa estrutura íntima, a sua entrada em nosso campo mental. Para uma viagem segura não tem como ser diferente, para alcançarmos resultados felizes temos que ter a presença do Cristo em nosso barco.

É evidente que não estamos falando aqui no Jesus homem e, sim, fazendo referência à entrada do esclarecimento do evangelho em nosso plano intimo. Sem isto não conseguimos nos lançar às conquistas maiores da imortalidade, não conseguimos nos lançar ao mar alto. E essa entrada não se dá de qualquer jeito, ela não se processa à nossa revelia. Tem que haver uma preparação nossa para que ela ocorra. Sabe por quê? Porque Jesus não entra quando nós estamos ociosos ou desinteressados.

Repare na passagem em questão que os pescadores estavam lavando as redes. Conseguiu situar? Se estavam lavando as redes quer dizer que eles estavam em atividade, estavam se preparando, estavam aptos, operantes, vigilantes.

E assim que o mestre entrou no barco de Pedro os discípulos o seguiram. Então, Jesus tem que entrar primeiro para depois os discípulos o seguirem, e não pode ser diferente. Com essa entrada nós passamos a abrir novas expressões de trabalho, e como resultante dessas tarefas que se desencadeiam passamos a receber ajuda em várias frentes, e nem somos capazes de imaginar a extensão do amparo maior na solução dos problemas que nos são próprios.

Ao entrar Jesus pediu a Simão que afastasse o barco um pouco da margem. Sim, isso mesmo, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra. Procedimento da maior importância. Este é exatamente o primeiro lance que os aprendizes do evangelho recebem depois que são visitados por uma soma informativa de padrões, independente da escola religiosa em que se afeiçoam. O primeiro passo é afastar o barco um pouco.

À partir do momento em que os padrões informativos de natureza superior visitam o ser, à medida em que nos dedicamos à aquisição de valores espirituais, quando o Cristo entra em nossa intimidade, mais se acentua a necessidade de nos colocarmos à disposição dele, e para isso cabe-nos tão somente atender o seu pedido. E ele não pede muito, pede apenas que nos afastemos um pouco da terra, ou seja, que nos afastemos um pouco das cogitações materiais, daqueles valores puramente transitórios, a fim de que as autênticas expressões de espiritualidade que partem das esferas superiores circulem em nós, clareando os caminhos e nos favorecendo o entendimento da boa nova. Ação imprescindível para quem busca atingir uma vida mais alta.

E atenção, um detalhe da maior importância que não pode ser esquecido em tempo algum é o seguinte: é afastar o barco um pouco. Não pode afastar muito.

O plano concreto é fundamental para o nosso crescimento. As coisas materiais são úteis à ação do espírito, uma vez que não estamos ajustados à terra à toa. Uma coisa é vivermos exclusivamente em função das coisas da terra e outra coisa bem diferente é afastarmos um pouco das coisas da terra. Está dando para perceber? Eu não posso viver exclusivamente apegado às coisas materiais, mas eu também não posso desconsiderá-las por completo. Eu preciso de um meio termo. Esse afastamento é relativo, sugere uma condição que nós temos que lutar com carinho para administrarmos com tranquilidade e aproveitamento.

Porque todas as vezes que alguns elementos ou grupos se desprendem demais dessa atração eles costumam entrar em um plano fanatizante ou místico. Está dando para perceber? Nós todos estamos ajustados à terra e se afastarmos muito a gente fanatiza. Não dá simplesmente para colocar uma bíblia debaixo do braço, abandonar o emprego e gritar para o mundo que a meta agora é viver só para as coisas espirituais. Se você alienar-se totalmente dos padrões que compõem o seu laboratório pleno e essencial provavelmente você encontrará grandes decepções no futuro. Se você quiser abandonar tudo, dissociar-se por inteiro dos valores tangíveis e viver um patamar exclusivamente etéreo você acaba por perder o piso da vida e sofre. E mais, ainda faz outras pessoas à sua volta, muito próximas e ligadas a você, sofrerem também.

Outro motivo pelo qual esse afastamento não pode ser demasiado é para que a gente não perca as possibilidades de auxiliar a quantos possam por nosso intermédio ser beneficiados pela bondade do criador. É porque a faixa operacional do amor, toda ela, tem que se embasar dentro do plano da concretude.

3 de dez de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 9 (Final)

ACONTECIMENTO E COMPREENSÃO

“ESCREVE AS COISAS QUE TENS VISTO, E AS QUE SÃO, E AS QUE DEPOIS DESTAS HÃO DE ACONTECER;” APOCALIPSE 1:19

“DEPOIS DESTAS COISAS, OLHEI, E EIS QUE ESTAVA UMA PORTA ABERTA NO CÉU; E A PRIMEIRA VOZ QUE, COMO DE TROMBETA, OUVIRA FALAR COMIGO, DISSE: SOBE AQUI, E MOSTRAR-TE-EI AS COISAS QUE DEPOIS DESTAS DEVEM ACONTECER.” APOCALIPSE 4:1

“Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer”. (Apocalipse 1:19). “Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer”. (Apocalipse 4:1) É interessante as expressões "hão de acontecer" e "devem acontecer". Nesses casos os verbos não dão um sentido muito definido, fica como que uma coisa meio flutuante, relativa, indefinida. Eles não afirmam de forma concreta que vai acontecer, não há nada de concreto.

Não quer dizer que acontecerá. Definem que apesar de toda linha estrutural já estar programada, já estar definida, em razão das causas semeadas, novos fatos poderão surgir, novas circunstâncias poderão alterar os efeitos, e fatos surgirão. Isso é algo interessante. Se a cada momento estamos alterando o destino pela mudança de nossas ações, nada mais natural depreendermos que alguns fatos programados para acontecerem podem, de alguma forma, ser transformados ou mesmo transferidos para um processo diferente de manifestação. Agora, o que é preciso ressaltar é que o que vai acontecer mesmo, de maneira fechada, é o cumprimento da lei. Disso a gente não tem como fugir.

Nosso grau de percepção geralmente é mais abrangente que o nível de conquista ou acontecimento. O que estamos querendo dizer? Que pode ser que hoje nós estejamos conseguindo alcançar em nossa luta reeducacional e de opção de vida determinados padrões que nós vimos lá atrás numa retaguarda remota. Deu para perceber? Nós vimos lá atrás, porém, por uma série de fatores, tais como desinteresse ou despreparo, só agora estamos conseguindo conquistar, só agora estamos penetrando nesses terrenos. Muitas coisas também podem ser vistas, no entanto, não acontecem. Outras não acontecem porque já são, não acontecem porque já aconteceram, e outras irão ainda acontecer no futuro.

"As que depois destas hão de acontecer" refere-se ao processo de projeção no tempo e no espaço, delineado com base no que já foi lançado no terreno do tempo. Pois a vida devolve aos seus legítimos semeadores ou plantadores as respostas quanto ao que fizeram em épocas anteriores dentro da amplitude da lei de causa e efeito. Então, se muitas coisas estão acontecendo hoje dentro do processo, muitas outras coisas nós vimos e não aconteceram ainda. E, dentro da nossa ótica acanhada, podemos encontrar também coisas que achamos que vimos e presenciamos e que nunca vão acontecer. Não é de se estranhar, nossa mente não cria coisas que não existem? Que circulam ao nível de imagens e de fantasias sem nenhuma fundamentação? Pense para você ver, quantas vezes laboramos um determinado fato que não acontece em tempo algum?

Compreender é alcançar com a inteligência, é entender, perceber, alcançar as intenções ou o sentido de algo, consiste em entender as coisas aceitando como é. É ver.

Ver para além do que estamos enxergando. E em sentido absolutamente cristão, compreender é uma palavra de ordem para quem quer a elevação. A compreensão é um componente inarredável do crescimento, é o plano fundamental do amor. Ela é o fulcro geratriz do amor e da misericórdia. O amor legítimo fecunda-se na compreensão. Enquanto não compreendermos não conseguimos penetrar no território do amor. A visão, sob aspecto da compreensão, nos abre perspectiva nova, objetiva uma nova etapa, novo período.

O Cristo de Deus veio a este planeta turvo onde imperava a escuridão em seus caracteres mais amplos. Adentrou como filho sem berço pela porta humilde da manjedoura e o evangelho aponta que as trevas simplesmente não compreenderam a luz. E não compreenderam porque para que pudessem compreendê-la preciso fora que se iluminassem. E o que o mestre fez? Convocado a discutir, imolou-se. Não reclamou compreensão de ninguém e entendeu com seu amor sublime a nossa loucura. Localizou nossa cegueira e amparou-nos ainda mais. É certo que ele não ignorava o que existia no íntimo do homem, mas em momento algum se deixou impressionar de forma negativa.

É fato que estamos marchando para Deus, cada um de nós, e nessa marcha os caminhos não são os mesmos para todos. Neste planeta em que estamos ajustados não existem aqueles que estão salvos de um lado e os que estão condenados de um outro. Não tem nada disso. O que existem são pisos evolucionais.

As mentes vibram em patamares condizentes ao grau de evolução, patamares esses consonantes com o grau de evolução que estão conquistando. Ocorre mesmo que o campo mental de cada individualidade possui valores enormes das mais diversificadas expressões. Da mesma forma, por exemplo, no campo cármico trazemos registros que outro companheiro nosso pode não apresentar, podem haver determinados pontos que para nós representam um sobrepeso dentro do plano de consciência e que outro indivíduo está perfeitamente liberado.

Por isso é que a nossa ótica, a soma interior de reflexos que marca o nosso piso de existência, pode ter exigências e necessidades que o amigo ou o companheiro do lado, por mais próximo que ele esteja, não tem. Porque a mente dele foi forjada em cima de uma soma diferente de recursos e de caracteres. Então, é preciso que a gente tenha essa visão. O amor na sua essencialidade é uno no universo, mas os componentes que marcam o crescimento e o amadurecimento dos seres apresentam aspectos de diversificação.

A conclusão é que temos tentado na vida prática desativar a preocupação e saber compreender as coisas, e quando compreendemos o piso diferenciado passamos a ter paciência junto às pessoas. Só podemos compreender determinadas questões quando estamos em condições vibratórias necessárias para as assimilarmos.

Não tem como negar que ficamos realmente sensibilizados quando vemos alguém sofrendo no âmbito pessoal porque esse alguém não tem a visão que nós temos ou não tem as chances que nós temos. A gente fica, às vezes, apertado e o sofrimento é maior. Para amar e conseguir exercer a caridade, em sua expressão legítima, é preciso ter uma alta dose de compreensão do patamar em que o outro está vivendo. Para você amar e conseguir fazer uma criatura, por mais complicada que ela seja, sorrir, você tem que ter uma alta dose de compreensão do patamar em que ela está vivendo. Muitos dos entes mais amados na terra, embora ocupando lugar de destaque no nosso coração, ainda não podem entender as conquistas santificadas do céu. E em plano de contrastes chocantes como o nosso não será possível agradar a todos simultaneamente.

Repare que até mesmo no que tange ao processo educativo nós ganhamos mais autoridade em determinar limites a outrem quando nós compreendemos. Não acontece isso? Porque enquanto não compreendermos nós vamos ficar naquela de simplesmente colocar limite para resguardar o nosso interesse pessoal, e não para ajudar o semelhante que está excedendo a ação dentro da sua órbita.

A compreensão pede amadurecimento de raciocínio nos refolhos da alma e enquanto não compreendermos não conseguiremos penetrar o território do amor.

Se existe um pouco de cristianismo em nossa consciência o cultivo sistemático da compreensão e da bondade tem que ter força de lei em nossos destinos. Em todos os momentos temos que estar com a válvula da compreensão em disponibilidade. Deu para perceber? É muito difícil o exercício da caridade fundamentada amplamente no amor sem um alto grau de compreensão. Aliás, podemos até dizer mais, é impossível amar sem compreender. A compreensão de fato é a geratriz do amor e da misericórdia, mas tem um detalhe: para compreender é preciso conhecer. E quando começamos a conhecer a realidade da própria vida abrem-se novos patamares de visualizações e subtraem-se os desencantos.

Vamos saber valorizar os seres no departamento onde eles estão situados, no patamar em que eles se encontram. Ninguém perderá nada exercendo o respeito que devemos a todas as criaturas e a todas as coisas. Se, por um lado não podemos agradar a todos, por outro também não podemos nutrir nenhuma proposta desagradável aos outros. Existe uma diferença grande entre aprovar a postura do semelhante e compreender o semelhante. Não temos que aprovar as distonias de vida que as criaturas levam, mas temos que ter tranquilidade para compreender o nível evolucional delas.

Através da compreensão é importante nós evitarmos agravar os problemas do próximo que, amanhã, podem vir a tornar-se nossos. Logo, vamos guardar uma coisa para levarmos conosco: aprovar nem sempre, mas compreender sempre.

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