3 de dez de 2013

Cap 39 - O Ouvir e o Ver (2ª edição) - Parte 9 (Final)

ACONTECIMENTO E COMPREENSÃO

“ESCREVE AS COISAS QUE TENS VISTO, E AS QUE SÃO, E AS QUE DEPOIS DESTAS HÃO DE ACONTECER;” APOCALIPSE 1:19

“DEPOIS DESTAS COISAS, OLHEI, E EIS QUE ESTAVA UMA PORTA ABERTA NO CÉU; E A PRIMEIRA VOZ QUE, COMO DE TROMBETA, OUVIRA FALAR COMIGO, DISSE: SOBE AQUI, E MOSTRAR-TE-EI AS COISAS QUE DEPOIS DESTAS DEVEM ACONTECER.” APOCALIPSE 4:1

“Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer”. (Apocalipse 1:19). “Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer”. (Apocalipse 4:1) É interessante as expressões "hão de acontecer" e "devem acontecer". Nesses casos os verbos não dão um sentido muito definido, fica como que uma coisa meio flutuante, relativa, indefinida. Eles não afirmam de forma concreta que vai acontecer, não há nada de concreto.

Não quer dizer que acontecerá. Definem que apesar de toda linha estrutural já estar programada, já estar definida, em razão das causas semeadas, novos fatos poderão surgir, novas circunstâncias poderão alterar os efeitos, e fatos surgirão. Isso é algo interessante. Se a cada momento estamos alterando o destino pela mudança de nossas ações, nada mais natural depreendermos que alguns fatos programados para acontecerem podem, de alguma forma, ser transformados ou mesmo transferidos para um processo diferente de manifestação. Agora, o que é preciso ressaltar é que o que vai acontecer mesmo, de maneira fechada, é o cumprimento da lei. Disso a gente não tem como fugir.

Nosso grau de percepção geralmente é mais abrangente que o nível de conquista ou acontecimento. O que estamos querendo dizer? Que pode ser que hoje nós estejamos conseguindo alcançar em nossa luta reeducacional e de opção de vida determinados padrões que nós vimos lá atrás numa retaguarda remota. Deu para perceber? Nós vimos lá atrás, porém, por uma série de fatores, tais como desinteresse ou despreparo, só agora estamos conseguindo conquistar, só agora estamos penetrando nesses terrenos. Muitas coisas também podem ser vistas, no entanto, não acontecem. Outras não acontecem porque já são, não acontecem porque já aconteceram, e outras irão ainda acontecer no futuro.

"As que depois destas hão de acontecer" refere-se ao processo de projeção no tempo e no espaço, delineado com base no que já foi lançado no terreno do tempo. Pois a vida devolve aos seus legítimos semeadores ou plantadores as respostas quanto ao que fizeram em épocas anteriores dentro da amplitude da lei de causa e efeito. Então, se muitas coisas estão acontecendo hoje dentro do processo, muitas outras coisas nós vimos e não aconteceram ainda. E, dentro da nossa ótica acanhada, podemos encontrar também coisas que achamos que vimos e presenciamos e que nunca vão acontecer. Não é de se estranhar, nossa mente não cria coisas que não existem? Que circulam ao nível de imagens e de fantasias sem nenhuma fundamentação? Pense para você ver, quantas vezes laboramos um determinado fato que não acontece em tempo algum?

Compreender é alcançar com a inteligência, é entender, perceber, alcançar as intenções ou o sentido de algo, consiste em entender as coisas aceitando como é. É ver.

Ver para além do que estamos enxergando. E em sentido absolutamente cristão, compreender é uma palavra de ordem para quem quer a elevação. A compreensão é um componente inarredável do crescimento, é o plano fundamental do amor. Ela é o fulcro geratriz do amor e da misericórdia. O amor legítimo fecunda-se na compreensão. Enquanto não compreendermos não conseguimos penetrar no território do amor. A visão, sob aspecto da compreensão, nos abre perspectiva nova, objetiva uma nova etapa, novo período.

O Cristo de Deus veio a este planeta turvo onde imperava a escuridão em seus caracteres mais amplos. Adentrou como filho sem berço pela porta humilde da manjedoura e o evangelho aponta que as trevas simplesmente não compreenderam a luz. E não compreenderam porque para que pudessem compreendê-la preciso fora que se iluminassem. E o que o mestre fez? Convocado a discutir, imolou-se. Não reclamou compreensão de ninguém e entendeu com seu amor sublime a nossa loucura. Localizou nossa cegueira e amparou-nos ainda mais. É certo que ele não ignorava o que existia no íntimo do homem, mas em momento algum se deixou impressionar de forma negativa.

É fato que estamos marchando para Deus, cada um de nós, e nessa marcha os caminhos não são os mesmos para todos. Neste planeta em que estamos ajustados não existem aqueles que estão salvos de um lado e os que estão condenados de um outro. Não tem nada disso. O que existem são pisos evolucionais.

As mentes vibram em patamares condizentes ao grau de evolução, patamares esses consonantes com o grau de evolução que estão conquistando. Ocorre mesmo que o campo mental de cada individualidade possui valores enormes das mais diversificadas expressões. Da mesma forma, por exemplo, no campo cármico trazemos registros que outro companheiro nosso pode não apresentar, podem haver determinados pontos que para nós representam um sobrepeso dentro do plano de consciência e que outro indivíduo está perfeitamente liberado.

Por isso é que a nossa ótica, a soma interior de reflexos que marca o nosso piso de existência, pode ter exigências e necessidades que o amigo ou o companheiro do lado, por mais próximo que ele esteja, não tem. Porque a mente dele foi forjada em cima de uma soma diferente de recursos e de caracteres. Então, é preciso que a gente tenha essa visão. O amor na sua essencialidade é uno no universo, mas os componentes que marcam o crescimento e o amadurecimento dos seres apresentam aspectos de diversificação.

A conclusão é que temos tentado na vida prática desativar a preocupação e saber compreender as coisas, e quando compreendemos o piso diferenciado passamos a ter paciência junto às pessoas. Só podemos compreender determinadas questões quando estamos em condições vibratórias necessárias para as assimilarmos.

Não tem como negar que ficamos realmente sensibilizados quando vemos alguém sofrendo no âmbito pessoal porque esse alguém não tem a visão que nós temos ou não tem as chances que nós temos. A gente fica, às vezes, apertado e o sofrimento é maior. Para amar e conseguir exercer a caridade, em sua expressão legítima, é preciso ter uma alta dose de compreensão do patamar em que o outro está vivendo. Para você amar e conseguir fazer uma criatura, por mais complicada que ela seja, sorrir, você tem que ter uma alta dose de compreensão do patamar em que ela está vivendo. Muitos dos entes mais amados na terra, embora ocupando lugar de destaque no nosso coração, ainda não podem entender as conquistas santificadas do céu. E em plano de contrastes chocantes como o nosso não será possível agradar a todos simultaneamente.

Repare que até mesmo no que tange ao processo educativo nós ganhamos mais autoridade em determinar limites a outrem quando nós compreendemos. Não acontece isso? Porque enquanto não compreendermos nós vamos ficar naquela de simplesmente colocar limite para resguardar o nosso interesse pessoal, e não para ajudar o semelhante que está excedendo a ação dentro da sua órbita.

A compreensão pede amadurecimento de raciocínio nos refolhos da alma e enquanto não compreendermos não conseguiremos penetrar o território do amor.

Se existe um pouco de cristianismo em nossa consciência o cultivo sistemático da compreensão e da bondade tem que ter força de lei em nossos destinos. Em todos os momentos temos que estar com a válvula da compreensão em disponibilidade. Deu para perceber? É muito difícil o exercício da caridade fundamentada amplamente no amor sem um alto grau de compreensão. Aliás, podemos até dizer mais, é impossível amar sem compreender. A compreensão de fato é a geratriz do amor e da misericórdia, mas tem um detalhe: para compreender é preciso conhecer. E quando começamos a conhecer a realidade da própria vida abrem-se novos patamares de visualizações e subtraem-se os desencantos.

Vamos saber valorizar os seres no departamento onde eles estão situados, no patamar em que eles se encontram. Ninguém perderá nada exercendo o respeito que devemos a todas as criaturas e a todas as coisas. Se, por um lado não podemos agradar a todos, por outro também não podemos nutrir nenhuma proposta desagradável aos outros. Existe uma diferença grande entre aprovar a postura do semelhante e compreender o semelhante. Não temos que aprovar as distonias de vida que as criaturas levam, mas temos que ter tranquilidade para compreender o nível evolucional delas.

Através da compreensão é importante nós evitarmos agravar os problemas do próximo que, amanhã, podem vir a tornar-se nossos. Logo, vamos guardar uma coisa para levarmos conosco: aprovar nem sempre, mas compreender sempre.

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