7 de dez de 2013

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 1

O BARCO

“1E ACONTECEU QUE, APERTANDO-O A MULTIDÃO, PARA OUVIR A PALAVRA DE DEUS, ESTAVA ELE JUNTO AO LAGO DE GENESARÉ; 2E VIU ESTAR DOIS BARCOS JUNTO À PRAIA DO LAGO; E OS PESCADORES, HAVENDO DESCIDO DELES, ESTAVAM LAVANDO AS REDES. 3E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO. 4E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR. 5E, RESPONDENDO SIMÃO, DISSE-LHE: MESTRE, HAVENDO TRABALHADO TODA A NOITE, NADA APANHAMOS; MAS, SOBRE A TUA PALAVRA, LANÇAREI A REDE. 6E, FAZENDO ASSIM, COLHERAM UMA GRANDE QUANTIDADE DE PEIXES, E ROMPIA-SE-LHES A REDE.” LUCAS 5:3-6

O barco, nesta passagem em questão, era o instrumento de trabalho de Simão Pedro, porque sabemos que ele era pescador. E, afinal, na acepção espiritual o que é o barco?

É a representação da nossa estrutura íntima no infinito mar da vida, referência às nossas conquistas ao longo das reencarnações. Corresponde ao somatório de padrões de que dispomos para nos lançarmos em busca de novas aquisições. Sem dúvida alguma, define o que nós somos e contém todos os valores reunidos que nos caracterizam e que temos que saber utilizar em nossa viagem pelos mares da vida, pois estamos viajando hoje nessa trajetória linda que é a regeneração, em busca de novos destinos e de portos de segurança.

Barco também significa a nossa posição perante a existência. Sugere aquela ideia de posição, de estabilidade e ajuste. Cada um de nós está posicionado, cada um de nós é um espírito que enverga um corpo, é um espírito com os seus problemas a serem solucionados e os seus anseios e propostas a serem realizados.

Nas várias escalas evolucionais em que nos situamos no plano físico necessitamos saber identificar em nós, e à nossa volta, aqueles recursos de ação disponíveis para que possamos atuar com aproveitamento no campo que nos é próprio. Fala da necessidade de estarmos sempre ajustados e estabilizados no contexto, posicionados de forma adequada para recebermos Jesus na embarcação íntima do coração, na figura do conhecimento que nos visita.

Diante de um mundo atribulado como o nosso, envolvido por desafios de toda natureza, não podemos nos descuidar e simplesmente deixar o barco correr à deriva, sem proposta, sem objetivo, sem disciplina e leme. Jesus entrando no barco significa a sua penetração em nossa estrutura íntima, a sua entrada em nosso campo mental. Para uma viagem segura não tem como ser diferente, para alcançarmos resultados felizes temos que ter a presença do Cristo em nosso barco.

É evidente que não estamos falando aqui no Jesus homem e, sim, fazendo referência à entrada do esclarecimento do evangelho em nosso plano intimo. Sem isto não conseguimos nos lançar às conquistas maiores da imortalidade, não conseguimos nos lançar ao mar alto. E essa entrada não se dá de qualquer jeito, ela não se processa à nossa revelia. Tem que haver uma preparação nossa para que ela ocorra. Sabe por quê? Porque Jesus não entra quando nós estamos ociosos ou desinteressados.

Repare na passagem em questão que os pescadores estavam lavando as redes. Conseguiu situar? Se estavam lavando as redes quer dizer que eles estavam em atividade, estavam se preparando, estavam aptos, operantes, vigilantes.

E assim que o mestre entrou no barco de Pedro os discípulos o seguiram. Então, Jesus tem que entrar primeiro para depois os discípulos o seguirem, e não pode ser diferente. Com essa entrada nós passamos a abrir novas expressões de trabalho, e como resultante dessas tarefas que se desencadeiam passamos a receber ajuda em várias frentes, e nem somos capazes de imaginar a extensão do amparo maior na solução dos problemas que nos são próprios.

Ao entrar Jesus pediu a Simão que afastasse o barco um pouco da margem. Sim, isso mesmo, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra. Procedimento da maior importância. Este é exatamente o primeiro lance que os aprendizes do evangelho recebem depois que são visitados por uma soma informativa de padrões, independente da escola religiosa em que se afeiçoam. O primeiro passo é afastar o barco um pouco.

À partir do momento em que os padrões informativos de natureza superior visitam o ser, à medida em que nos dedicamos à aquisição de valores espirituais, quando o Cristo entra em nossa intimidade, mais se acentua a necessidade de nos colocarmos à disposição dele, e para isso cabe-nos tão somente atender o seu pedido. E ele não pede muito, pede apenas que nos afastemos um pouco da terra, ou seja, que nos afastemos um pouco das cogitações materiais, daqueles valores puramente transitórios, a fim de que as autênticas expressões de espiritualidade que partem das esferas superiores circulem em nós, clareando os caminhos e nos favorecendo o entendimento da boa nova. Ação imprescindível para quem busca atingir uma vida mais alta.

E atenção, um detalhe da maior importância que não pode ser esquecido em tempo algum é o seguinte: é afastar o barco um pouco. Não pode afastar muito.

O plano concreto é fundamental para o nosso crescimento. As coisas materiais são úteis à ação do espírito, uma vez que não estamos ajustados à terra à toa. Uma coisa é vivermos exclusivamente em função das coisas da terra e outra coisa bem diferente é afastarmos um pouco das coisas da terra. Está dando para perceber? Eu não posso viver exclusivamente apegado às coisas materiais, mas eu também não posso desconsiderá-las por completo. Eu preciso de um meio termo. Esse afastamento é relativo, sugere uma condição que nós temos que lutar com carinho para administrarmos com tranquilidade e aproveitamento.

Porque todas as vezes que alguns elementos ou grupos se desprendem demais dessa atração eles costumam entrar em um plano fanatizante ou místico. Está dando para perceber? Nós todos estamos ajustados à terra e se afastarmos muito a gente fanatiza. Não dá simplesmente para colocar uma bíblia debaixo do braço, abandonar o emprego e gritar para o mundo que a meta agora é viver só para as coisas espirituais. Se você alienar-se totalmente dos padrões que compõem o seu laboratório pleno e essencial provavelmente você encontrará grandes decepções no futuro. Se você quiser abandonar tudo, dissociar-se por inteiro dos valores tangíveis e viver um patamar exclusivamente etéreo você acaba por perder o piso da vida e sofre. E mais, ainda faz outras pessoas à sua volta, muito próximas e ligadas a você, sofrerem também.

Outro motivo pelo qual esse afastamento não pode ser demasiado é para que a gente não perca as possibilidades de auxiliar a quantos possam por nosso intermédio ser beneficiados pela bondade do criador. É porque a faixa operacional do amor, toda ela, tem que se embasar dentro do plano da concretude.

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