24 de dez de 2013

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 5

EDUCAR É DESPERTAR

É importante entender, analisando o assunto na essencialidade, o que é a educação. Não é mesmo? O que é educar? É tocar, mexer, revolver a estrutura potencial do educando, fazê-lo ficar interessado em conhecer. É despertar.

A própria expressão latina "educare" literalmente significa tirar para fora. Então, ensinar é educar e educar é um instrumento de despertamento. A gente costuma achar que o aluno está aprendendo com aquilo que nós estamos dando para ele, enquanto na verdade o que nós estamos dando é o instrumento de despertamento.

Educação não se faz simplesmente injetando valores de fora para dentro, educar é tirar do interior e nada se pode tirar de onde nada existe. Educar é envolver de dentro para fora, razão pela qual nós temos que ter a capacidade e autoridade capaz de despertar, em meio aos padrões que nós canalizamos, certo interesse do ouvinte para que ele também se desperte para um processo de aprendizagem.

O papel do educador junto àqueles com quem se relaciona é transferir componentes educacionais que poderão favorecê-los no momento de determinadas decisões no campo da escolha. E o que a espiritualidade maior tem feito é incentivar em muitos de nós esse papel. Se achamos que temos que cooperar de alguma forma nesse campo nós temos que saber trabalhar com inteligência e discernimento, e à medida que avançamos precisamos conhecer a personalidade humana.

Educar é despertar e o educando realmente se beneficia quando o educador faz um trabalho de educação. O educador faz exatamente esse papel, tentar arrumar instrumentos que possam fazer com que o educando se movimente. Ele tem que encontrar pontos na intimidade do educando que possam fazê-lo interessar-se pela sua comunicação, pela sua orientação, para que ele se mexa e saia do lugar, alterando o processo assimilativo e indutivo. Ele busca jogar um foco de luz no educando para que ele reaja, e nessa hora implanta-se uma conexão vibracional.

Quando nós trabalhamos com o melhor dos interesses e a melhor da intenções junto de uma criatura com a qual queremos cooperar, se nós quisermos ser feliz nessa proposta nós vamos ter que encontrar pontos de referência na linguagem, em nossa capacidade de canalização, que possam atingir determinados ângulos da personalidade dela que representa, vamos dizer, uma capacidade perceptiva, e essa capacidade perceptiva se manifesta em sua própria feição. A gente percebe. É por aí que parte o processo que altera a inércia em que ela estava, que altera a linha e posicionamento em que ela se repousava.

A gente acha que para ser bom mestre, ser bom professor, tem que saber falar. Falar bonito e bem. Os entendidos defendem que a primeira coisa é aprender a ouvir.

De fato, somente após ouvir com atenção pode o homem falar de modo edificante na estrada evolutiva, porque quem ouve aprende e quem fala ensina.

O grande mestre sabe ouvir, ele ouve e pondera, afinal, não adianta nada ensinar sem ouvir. Jesus ensina isso no seu evangelho sagrado de luz, que não adianta ensinar coisa alguma sem primeiro ouvir. Só para se ter uma base, se o educador não sintonizar a carência do educando como é que ele vai poder auxiliá-lo na linha instrutiva informativa? Não tem como. Então, é preciso ouvir.

Agora, é preciso ter uma postura segura quanto a isso, porque nós também não vamos ficar por conta, indefinidamente, ouvindo alguém. É necessário ter essa atenção.

Outro ponto interessante é que ninguém consegue educar uma coletividade de uma vez. Não existe doutrinação globalizada, o processo de evolução se faz de modo individual, parcelado, fracionado. Cada indivíduo por vez. Quando uma coletividade se educa, essa educação coletiva é o resultado da educação de seus elementos, cada um por si. O toque é individual e tudo deve ser trabalhado conforme o patamar íntimo de cada um, dentro do indivíduo, e de modo gradativo.

Se educar é despertar, trata-se de despertar alguma coisa que já existe. Tem que esperar a emersão de alguma coisa do educando. A palavra é componente irradiador essencial e a gente sabe, ela é semente, mas semente que tem que ser lançada em terreno fértil. A parábola do semeador ensina isto, e na linha de relação entre professor e aluno é imperioso essa fertilidade do terreno íntimo.

Para que o crescimento ocorra é necessário por parte do aprendiz certa dose de receptividade e interesse. Sob este ângulo é tão bonito quando alguém que está ensinando sensibiliza uma criatura que já está com o anteparo pronto para que a luz apareça, não é mesmo? É muito gostoso orientar alguém que demonstra interesse, alguém que pergunta, que quer aprender. O aluno pergunta e o professor está com toda a instrumentalidade na mão para informar. 

E ao orientar ele solta o que há de melhor no seu coração e nota da parte receptiva que aquilo vai refletir. Tanto que quando o professor tem um aluno ou aluna que é dado à leitura e ao estudo ele fica tranquilo. O rapaz, a moça, sei lá, o educando, dá uma resposta muito bonita em termos de aprendizado. Por esse motivo, muitas vezes é preferível investir naquele que quer se afirmar, que quer crescer, do que trabalhar com aquele que acha que já se afirmou, pois uma coisa boa é lidarmos com quem quer crescer, com quem apresenta aquela índole de manifestação dos seus potenciais. O professor dá seu melhor e no momento em que o educando se expressa ele pode até sair de cena.

O educador semeia caracteres e isso é um trabalho fora de série. É muito bonito.

Agora, o que ele não deve é ter a pretensão de formar na cabeça do educando uma personalidade a seu critério. Percebeu? Veja para você ver, as crianças recebem dos que zelam por elas, dos que as educam, uma soma de valores, não é?

Todavia, quando começam a entrar na adolescência, na mocidade, quando começam a caminhar para a maioridade, já começam a emergir nelas, de maneira ampla, caracteres antigos delas, que são os padrões arregimentados aos longo das reencarnações e que constituem a soma de registros individuais. Assim, dá-se uma luta entre o padrão recebido por orientação, por informação, instrução ou educação e os valores que são intrínsecos das personalidades delas.

De modo que o educador, o que ele pode, ao fim de um período de estudo, é avaliar se ele conseguiu transmitir o que ele queria, analisar se o grupo assimilou o que ele trouxe. Só que, em se tratando de educação da alma, essa avaliação, por mais criteriosa que venha a ser, é precária. Sabe porquê? Simples. Porque a legítima avaliação somente o futuro vai determinar, somente as obras por parte daquele que recebeu a orientação. O patrimônio científico, tanto quanto o moral, é sempre resultado da educação e a sementeira do bem e da verdade, do amor e da justiça nunca se perde. Sua germinação pode ser imediata ou remota, mas jamais falhará. Compete ao professor dar o seu melhor e deixar o resultado por conta do que foi orientado, deixar por conta dele. Se não for nessa etapa vai ser na outra, mas que vai, vai!

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