28 de dez de 2013

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 6

O LADO POSITIVO E A ADEQUAÇÃO

Vamos analisar uma coisa: se educar é desenvolver os poderes do espírito para serem aplicados em uma conquista de estados cada vez mais elevados, numa ascensão que não termina, é fácil concluir que essa sistemática não pode ser alcançada pela imposição do medo.

Porque estamos dizendo isso? Porque muitos educadores agem pelo terror. Isso acontece no âmbito de certas linhas religiosas. Certos instrutores, carecendo de meios e recursos próprios à boa pedagogia, não convencem e, sim, amedrontam.

Querem conduzir os homens guiando-os como se fossem pastores com suas manadas. Parecem não se lembrar de que os seres livres não marcham para a conquista de seus destinos forçados, mas atraídos. Pela imposição do medo na linha educativa não tem como educar. A educação não vem por imposição, todo processo educacional tem por objetivo despertar os potenciais do indivíduo.

O educador tem que ser admirado pelos seus discípulos, jamais temido. Os educadores precisam ser maiores e melhores que os seus educandos, porque precisam atraí-los em vez de empurrá-los e a atração é algo que se exerce para a frente, não é algo que tem que levar para trás. Veja Jesus, ele era amado e venerado pelos seus apóstolos, todos eles se sacrificaram com alegria pela sua doutrina. Se tivessem sido ensinados pela metodologia do medo com certeza baqueariam diante dos primeiros obstáculos e das primeiras perseguições. Seriam covardes como são covardes todos aqueles que agem pela influência do medo.

Nós apenas temos conhecimento da utilização de expressões mais contundentes por parte de Jesus quando ele se dirigiu aos hipócritas, sacerdotes, escribas e às autoridades que dominavam o povo. Ele jamais destratou ou diminuiu alguém, jamais abateu, sequer, o ânimo dos pecadores. Em todos os episódios do evangelho ele jamais foi encontrado em atitude que visava enfraquecer a coragem das pessoas, muito pelo contrário. Antes de sua passagem pelos solos deste planeta Deus era tido como força, e depois de sua passagem o apóstolo João, interpretando a sua doutrina, dizia que Deus é amor.

Engraçado isto, porque muitas igrejas não entenderam ainda, ignoram e continuam pregando o medo. Seguem estendendo ameaças infernais como se quisessem deprimir o ânimo dos seguidores e incutir-lhes uma fé desvirtuada de fora para dentro.

Ora, a gente não precisa ir longe, bata recordar que o mestre disse "não temais". O bom educador não critica nem atemoriza, só constrói, sem usar atitudes que desanimam e machucam, pois o processo educativo se baseia nos alicerces do raciocínio e do sentimento. Ser educador é saber conduzir inteligências na direção da luz e do bem com critério e carinho, segurança e clareza.

O método para ensinar valores espirituais é o mesmo que se emprega para ensinar as questões científicas: dedução e indução. Temos que partir dos fatos para os efeitos e destes somos levados a remontar aqueles. Os tempos hoje são outros, não dá mais para se impor crenças, é preciso convidar as pessoas a raciocinarem.

O professor tem que trabalhar utilizando uma linha compatível ao plano assimilativo do educando. O que não é nenhuma novidade, uma vez que para o aluno assimilar ele precisa entender o que está sendo falado. Percebeu? Não é o professor que tem que trazer o aluno à sua órbita. De forma alguma, ele é quem tem que descer à órbita do aluno. Para ajudar alguém, ensinar alguém, cooperar com alguém, é preciso ter esse jogo de cintura de saber adequar, tem que ter uma profunda disposição de apequenar-se, e é por aí que nós muitas vezes complicamos a nossa jornada. Sabe por quê? Por impaciência ou falta de capacidade de persistir. Mas voltando ao assunto, quando um professor vai trabalhar ele tem que saber os potenciais do aluno. Este é um ponto extremamente essencial no processo.

Jesus disse para que não déssemos "pérolas aos porcos", logo, para que isso não aconteça é necessário saber o nível em que se encontra o educando. Sem saber, o professor ou cooperador vai lançar luz num coração que está ainda meio apagado na ótica deste, embora na ótica desse auxiliado haja uma luz enorme lá. 

Está dando para acompanhar? Ou seja, o aluno ou necessitado não aguenta mais do que um palitinho de fósforo ou uma lanterninha e o que vai auxiliar vai querer acender um farol lá. Não tem jeito. Esse é um dos fatores pelo qual é preciso trabalhar no plano sintético. O educador por ser chamado a apresentar inúmeras formas de expressão, no entanto o educando vai realmente se beneficiar quando ele consegue fazer um trabalho de síntese, no qual consegue penetrar nas faixas da própria personalidade do que quer aprender.

Se o educador não consegue perceber o que o aluno está soltando, se não consegue entender as suas dificuldades, suas reais necessidades, fica muito difícil auxiliar. Se ele não sintonizar a sua carência ele não tem como ajudá-lo de forma efetiva.

O professor tem que trabalhar com a linha compatível ao plano assimilativo do aprendiz, de forma que ele precisa pegar a luz existente dentro de si, amortecer e adequar à capacidade perceptiva do elemento. Veja para você ver, ele pode ser um excelente professor, mas de que valeria se não soubesse adequar-se dentro do plano de solicitação do educando? Está dando para perceber?

Alguém pode ser um orientador excepcional, um PHD em determinadas áreas teológicas, mas para poder falar de Deus para uma criança tem que falar papai do céu. Não adianta falar que se trata do estruturador universal ou criador que ela não vai entender nada. Então, adequar é saber descer até o nível de capacidade receptiva dos educandos.

E quanto mais o educador conhecer mais fertilidade ele pode apresentar ao educando no que reporta aos toques das necessidades desse, e o educando realmente se beneficia quando o educador sabe ensinar, quando sabe fazer um trabalho de síntese.

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