30 de dez de 2014

Cap 47 - O Filho do Homem (2ª edição) - Parte 6

A DINÂMICA

A passagem da condição de homem que somos àquela de filho do homem que queremos pressupõe gradação. Isso se torna coisa de corações que sabem perfeitamente da importância da assimilação e da capacidade operacional das propostas.

Nós temos que ter essa ótica bem definida e manter a autenticidade pessoal, a identificação com objetivos bem situados, bem selecionados e sempre reciclados, re-observados. Afinal de contas, se ficássemos restritos às faixas do superconsciente nós seríamos apenas um castiçal revelador de nossas boas intenções, e esse castiçal tem que ter uma perfeita linha de circuito com o superconsciente, sim, mas igualmente um plano laboratorial dentro de nós próprios a ponto de emitir na horizontalidade dos nossos passos em todos os sentidos.

Não existe felicidade num campo estático. A felicidade somente opera num plano dinâmico.

Sempre assim. Ela é o resultado de um processo constante. Ou seja, é esse subir e descer, esse processo harmônico, que garante a nossa felicidade. A vida efetiva está na dinâmica disso, e não no plano estanque disso. "Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu", dois verbos definindo o quê? Que não estagnou. Então, sobe e desce. Esta é definitivamente a mecânica do crescimento.

Subir e descer é o ponto de equilíbrio, pois aqui estamos numa dinâmica dentro de um plano aplicativo de didática viva, e isto é o evangelho. E cada vez que sobe procura um patamar mais alto na evolução. Cada vez que sobe, sobe mais alto.

E outro detalhe: a geração do filho do homem não acaba, é infinita. O filho do homem é sempre um componente dinâmico, ele nunca se elabora. O dia em que você deixar de laborar o filho do homem você se dissocia da condição de filho ou filha de Deus. 

O dia em que você disser "até que enfim eu elaborei o filho do homem, agora sou outra pessoa" você se estaciona. O filho do homem é um componente dinâmico, nunca finda. Ele tem que se tornar para nós um sistema de vida, uma linha de perspectiva de vida, porque estamos sempre laborando uma mentalidade nova. Estamos sempre laborando um conjunto de caracteres que, pela nossa infinidade, pela nossa capacidade dedutiva de lógica, aquilo deve ser bom para nós. A cada momento, a cada passo que damos na evolução, nós trabalhamos na geratriz de uma nova personalidade. Seguimos sempre em constante melhoria.

Então, vamos dizer que nós alcançamos um topo à frente. Ao chegarmos nesse topo nós visualizamos para baixo toda área vencida, não é mesmo? Mas visualizamos também, à frente, um infinito a vencer. Correto? Porque a estrada não acaba. A estrada sempre leva a outras estradas. Assim, nós vamos de patamar em patamar, sempre avançando na escalada. Na hora em que você alcança um patamar de cima, cada alcance representa para você a gestação de uma nova mentalidade. À partir daí você passa a gerar um outro filho do homem para patamares superiores. Será que deu para entender?

Nosso livre-arbítrio se sublima na compatibilização dele com o pensamento divino, no entanto o pensamento divino tem nuances várias de acordo com os filhos. Ele nunca é fixo, nunca tem determinação mecânica, é flexível até no plano do próprio aprimoramento. Jesus falou que nós faríamos muito mais do ele fez. Não falou? Isto está no evangelho. Mas ele também não falou que nós seríamos superiores a ele. É bem possível que quando estivermos fazendo o que ele fez ele já esteja em outra expressão. Ficou claro o aspecto evolucional? Quando essa época chegar, talvez ele já esteja fazendo coisas que nós nem pensamos ainda.

A gente tem aprendido que para ser feliz é preciso estar em constante alteração.

Subir e descer do céu define o plano do ser e o ser não é estático. Isto é, não podemos apenas estar feliz (eu estou feliz), temos que ser feliz. Nós não estamos aqui querendo criar uma filosofia nova, nós estamos é tentando trabalhar a filosofia íntima. E na nossa intimidade tem algo que nós projetamos e que, às vezes, é inobservável. Vamos pensar juntos. O ser é resultante do estar.

Vamos clarear isso? Pense comigo. Se nós depreendemos que o processo é dinâmico, daí a gente conclui que a sucessão de estar vai representar a formação do ser. Isto é, ser assim, ser de algum modo, de algum jeito (eu sou assim) é uma soma ampla do estar assim. Para nós chegarmos a ser (eu sou), esse sou ganha autenticidade quando ele é energizado por um constante estar (eu estou).

Para que eu possa ser feliz eu tenho que vivenciar uma enormidade de situações de estar feliz. E eu tenho que estar em constante busca dessa felicidade.

O ser é o resultado de muitos estar. Pense no seguinte, o ser, sem um constante vir a ser, é um nada, um vazio, porque ele não tem um ideal, não tem uma dinâmica.

Para alguém ser feliz esse alguém tem que estar em uma constante mudança, em uma constante alteração. Daí a gente conclui que o estar é a mola mestra e essencial para um legítimo ser. Porque ser, por ser, sem finalidade de melhoria, sem objetivo de progresso, pode nos manter coagulados e estagnados por muito tempo.

Não adianta eu ficar enclausurado no ser (eu sou) se não estou adotando um processo constante de estar (eu estou). O ser, que tem um acentuado sabor de denominador de vida, representa uma série de experiências nas mais variadas expressões. 

Não tem outra, o ser é a soma de muitos estar. Quem não aprender a estar (estar feliz, por exemplo) nunca será. Não sei se deu para entender, mas espero que sim. A definição constitui o ser e a elaboração se faz pelo estar. E tem aqueles indivíduos que nunca vão ser, sabe porquê? Porque o estar deles é um estar fraco, sem firmeza, sem determinação, sem uma definição clara de vida. Isso é coisa para a gente pensar. Pensar, pensar e, talvez, mudar o que for preciso.

Você já deve ter observado nas suas experiências que com a adoção dessa sistemática de subir e descer a nossa caída, a nossa queda, vai apresentando efeitos negativos cada vez menos contundentes em nossa vida. Ou seja, mesmo quando caímos passamos a ter mais êxito na recomposição dos nossas situações de desestrutura. Passamos a notar que as nossas quedas, que vez ou outra todos estamos suscetíveis, passam a ocorrer em intervalos cada vez maiores.

Vai demorando cada vez mais para a gente cair. E o que é mais importante, passamos a permanecer cada vez menos tempo dentro dessas regiões de queda. Porque com a didática do crescimento consciente aprendemos a nos conduzir melhor. E mais uma coisa a ser assimilada: essa linha de subir e de descer, toda essa sistemática de encadeamento, não tem como funcionar de maneira produtiva se nós não nos mantivermos sintonizados com a virtude da humildade.

26 de dez de 2014

Cap 47 - O Filho do Homem (2ª edição) - Parte 5

DESCER DO CÉU 

“ORA, NINGUÉM SUBIU AO CÉU, SENÃO O QUE DESCEU DO CÉU, O FILHO DO HOMEM, QUE ESTÁ NO CÉU.” JOÃO 3:13

Se falamos que o céu é um horizonte infinito que se abre para nós e que nos aponta os valores que idealizamos, que almejamos, mas ainda não tocamos, que não temos acesso pleno e não fazem parte da nossa objetividade concreta, quando a gente pensa, por outro lado, em terra, a gente pensa nos homens e nos aspectos da natureza.

E o importante entender acerca da terra é que sucedendo ao céu ela é onde realizamos as obras. Define o plano operacional. Como a característica básica da terra é a solidez e a concretude, ela constitui a soma dos elementos já consolidados, aqueles caracteres solidificados em nossa personalidade e que temos domínio sobre eles.

O plano espiritual nos indica e aprimora, todavia, no campo da aprendizagem concreta o berço da evolução é o plano físico. Isto é, o plano espiritual indica componentes para o encaminhamento amplo. O plano espiritual informa, define, aponta, e o plano físico forma os caracteres pela sua capacidade aplicativa.

De nossa faixa para cima temos sintonia e de nossa faixa para baixo vigora a afinidade.

O que tem que ficar claro é que sempre existe uma linha entre o território que estamos ocupando e aquele que pretendemos ocupar. Inicialmente, nós sintonizamos com o patamar superior e depois descemos operando para termos a conquista desse novo padrão. Temos batido muito nessa tecla, a conquista real depende da obra, da ação, do movimento, da dinâmica: "Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu". Não queremos e nem somos loucos para mudar o evangelho, mas podemos com tranquilidade colocar um advérbio nesse versículo por nossa conta, isto é, ninguém subiu, efetivamente, senão aquele que desceu. A gente sobe captando valores e desce operando. Na subida a gente aprende, na descida a gente faz o que aprendeu.

Inicialmente a busca, e depois uma linha extensora para além dos aspectos de retaguarda.

Quem pretende estar no piso de cima, no piso que idealizou, vai ter que descer, mas descer operando. Em cima é o que a gente aprende e embaixo o que temos que operar, que temos que fazer, que temos que realizar. Temos que descer operando, pois o que projeta o ser não é a informação, o que projeta é a formação de novos padrões. Temos que solidificar aqui os elementos que visualizamos lá.

O conhecimento vem de cima para baixo e a assimilação do conhecimento se faz de baixo para cima.

Vamos guardar o seguinte: o que garante a subida é a ação. Não adianta encher a cabeça de leitura, de informações filosóficas, encher a cabeça de bons ideais e permanecer esperando o milagre para nos levar lá para cima. Isso não existe. Pode ser coisa daquele que está preso nas convenções puramente religiosas, que diz: "Eu acredito em Deus, acredito em Jesus". Tudo bem, isso é bonitinho, mas não trabalha não pra você ver se leva, pra você ver se sobe. Percebeu o que eu quero dizer? Nós temos que adotar um processo de ir alçando esses degraus com paciência.

Toda divulgação, toda renovação, toda orientação que nos visita, vem de patamar superior e a gente aplica para conquistar o piso desse terreno original de emissão.

A aplicação desses valores é que vai criar o novo homem, só que o novo homem não tem o nome de homem, porque homem é o ponto de baixo. O novo homem é chamado filho do homem. O processo evolutivo se dá pela subida, caracterizada pela apreensão de conhecimento e também pela descida aos núcleos de necessidade e dor, a fim de que sejam operacionalizadas as propostas de amor que já visitam o nosso entendimento. Agora, se nós não temos a capacidade de vivenciar, de testemunhar e de se entregar, a gente não alcança o ponto de cima, que é o ponto de sublimação. Se nós não operamos com esses valores novos, dentro do plano prático, vamos tentar subir apenas teoricamente, e não dá.

Eu só vou entender o que dimana do plano de cima na medida em que sinto o anseio de penetrar efetivamente nessa área, quando as informações filosóficas são transformadas em ciência objetiva e clara com vista a projetar para o alto, não para a horizontal dos acontecimentos. Está percebendo? Tudo começa com a revolução interior. A partir daí, você, pelo discernimento na sua área mental, associando sentimento com razão, passa a aplicar esse padrão recebido, investe nesse padrão e com o decorrer do investimento pode alcançar o piso superior de onde foi emitida, vamos assim dizer, a orientação que acabou de assimilar.

A descida, no tempo e no espaço, é que gera a subida na estrutura íntima do ser.

O desafio é descer para subir. Não te esqueças do mestre que desceu até nós, revelando-nos como sublimar a existência. Por descer, elevando quantos lhe não podiam compreender a refulgência de altura, é que se fez o caminho de nossa ascensão espiritual, a verdade de nosso gradativo aprimoramento e a vida de nossas vidas. Logo, desce elevando aqueles que te comungam a convivência para que a vida em torno suba igualmente de nível. Operando como agentes do bem nós entramos na posse de expressões mais avançadas. Na experiência de descer de Jesus aos necessitados estamos experimentando a elevação.

Quer subir? Desça!

O bom lavrador é aquele que obedece as linhas básicas fundamentais da semeadura, que se ajusta dentro do contexto com humildade e simplicidade e nunca diz não ou é omisso ante aquilo que é de sua competência. Qualquer trabalho digno precisa ser conduzido dentro de um plano em que oferecemos o melhor na elaboração da obra e trabalhamos com fidelidade e equilíbrio em função da fonte a que estamos ajustados. 

Para que possamos atuar com tranquilidade em determinado campo, em determinado terreno de manifestação positiva, em função daquelas criaturas que se acham em nossa gravitação, nós precisamos ser criaturas serenas, tranquilas e submissas, positivamente falando, ao centro em que estamos posicionados. Isso tem que ficar claro.

O bom discípulo é aquele que atua com discrição e equilíbrio na hora em que é convocado a operar ativamente. E só pode exercer de forma plena a sua linha operacional aquele que sabe cumprir o que dimana das autoridades que encaminham para ele as linhas básicas ou fundamentais de encaminhamento de vida ou de ação no dia a dia. Entendeu? Para termos autoridade, e sermos discípulos dentro das linhas básicas que norteiam a nossa atitude, precisamos ser criaturas ajustadas a um contexto em que nós necessariamente devemos nos ajustar.

Não há de nossa parte nenhuma autoridade nítida e clara se nós não tivermos um exercício obediente e lúcido de realizarmos um trabalho com equilíbrio junto à fonte a que nós estejamos ajustados. Para que eu seja feliz em minha possibilidade de operar eu tenho que ser um elemento submisso à vontade superior.

Jesus, para nos levar aos maiores alcances, se fez homem entre nós. Todavia, ao se fazer homem não perdeu a condição de filho do homem. Ele fez um ajuste nas suas emissões mentais com os seus diversos padrões sem se desestabilizar. Isso é algo bonito. Note que um anjo desce, mas não se desestabiliza.

E o que fica de lição para nós? A compreensão de que temos de descer operando, sim, mas descer sem perder altura, ou seja, descer com a mesma frequência de onda. Descer sob os padrões de sustentação vibracional de cima. Descer, para auxiliar os que se encontram em planos vibracionais inferiores, é medida de auxílio ao próximo, desde que essa descida se concretize num plano harmônico e de entendimento. Ficou claro? Hoje nós somos convocados a ter que descer sem complicar algo em nossa volta, sem complicar ninguém do nosso lado.

Eu outras palavras, não dá para descer sem freio, descer sem disciplina. Nessa descida tem que haver normas, porque descer para complicar é preferível nem descer.

Repare que antes a gente descia de qualquer jeito, descia pela invigilância, e a descida de um padrão vibratório de forma invigilante sempre ocasiona prejuízos. Descendo sem vigilância nós acabamos entrando na sintonia de nossa própria complicação interior, que é o nosso subconsciente, que exerce uma carga de pressão violenta sob nós próprios. Por outro lado, descendo com segurança a gente passa a penetrar nas áreas mais altas. Passa a se redimir. Sai dos impactos externos, porque passamos a trabalhar na dinâmica positiva da própria vida.

21 de dez de 2014

Cap 47 - O Filho do Homem (2ª edição) - Parte 4

SUBIR AO CÉU

“ORA, NINGUÉM SUBIU AO CÉU, SENÃO O QUE DESCEU DO CÉU, O FILHO DO HOMEM, QUE ESTÁ NO CÉU.” JOÃO 3:13

“DEPOIS DESTAS COISAS, OLHEI, E EIS QUE ESTAVA UMA PORTA ABERTA NO CÉU; E A PRIMEIRA VOZ QUE, COMO DE TROMBETA, OUVIRA FALAR COMIGO, DISSE: SOBE AQUI, E MOSTRAR-TE-EI AS COISAS QUE DEPOIS DESTAS DEVEM ACONTECER.” APOCALIPSE 4:1

O evangelho diz: "Ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o filho do homem, que está no céu." (João 3:13) Vamos pensar em uma coisa: o conhecimento que nós já temos assimilado, a luz que já conseguimos elaborar na intimidade da alma, durante um bom tempo foi suficiente para atender a inúmeras questões da nossa vida, e até nos propiciar realizações em muitos ângulos.

Podemos mesmo dizer que muitos pontos que visamos, com a luz que possuímos, foram compatíveis, ou seja, houve compatibilidade da luz que tínhamos com os objetivos que buscamos.

Agora, o interessante é que para novos alcances, para alcançarmos outros tipos de trabalho, outras espécies de objetivos, nós precisamos, sem dúvida alguma, de outro tipo de claridade. Será que está dando para entender? Se a evolução despertou em nós o plano intelectivo, se ela despertou em nós a necessidade de mudarmos intimamente, seja esse despertamento oriundo de impactos recebidos numa linha de fora para dentro ou pelas linhas sensoriais, nós precisamos entender que isso não é matéria de baixo para cima, mas que tem que vir de cima. Daí nós vamos precisar de uma linha diferenciada de componentes.

É como se passássemos a sentir a necessidade de nova luz, de nova claridade, de outros fótons, de componentes diversos na profundidade do raio de luz, para que essa luz seja capaz não apenas de nos auxiliar na melhoria da nossa personalidade, mas também nos garantir a realização em novas bases e maior estado de euforia de vida.

"Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; e a primeira voz que, como de trombeta, ouvira falar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te ei as coisas que depois destas devem acontecer." (Apocalipse 4:1) Notou a expressão "sobe aqui"? Ninguém, em sã consciência, precisa esperar a solução dos seus problemas na horizontal de sua ótica. O conteúdo que vai nos assegurar felicidade, redenção, renovação, libertação, vem de cima, não é produto do que vem de baixo. O processo de direcionamento da estrutura moral, que é o que efetivamente liberta, não vem de baixo, vem de cima. É em cima que vigoram os componentes perceptivos, os elementos direcionados, e determinamos estratégias.

Então, nós temos que subir, porque se a gente não subir não vai ver o que vai ser mostrado. Estamos hoje tentando encontrar caminhos para as nossas dificuldades, para a melhoria dos terrenos nebulosos do nosso dia no contexto em que nos movemos.

Temos que subir na busca de valores operacionais no bem para formalizar a proposta reeducacional.

E subir, às vezes, não significa necessariamente movimentar o corpo. Subir propõe você se deslocar do piso em que está. Subir o ânimo, subir o campo mental.

Você está deprimido? anda triste? problemas de peso te acrescem o fardo e limitam os passos? Sobe! Se você não sair dessa depressão e elevar o campo mental, com otimismo e tranquilidade, não vai conseguir enxergar novas áreas.

A linha em que realizamos as nossas tarefas constitui o nosso piso terráqueo. No entanto, ao contrário da grande multidão de pessoas que está chumbada ao plano dos valores exclusivamente tangível, precisamos estender a área das percepções das nossas atividades mentais. Embora chumbados aqui, podemos estar vibrando para alto. Ao participarmos de uma reunião de estudo, por exemplo, nós saímos daqui, vamos lá em cima e retornamos. Embora presos aqui, damos o lance.

A linha do subir é identificar padrões novos. Subir é processo de adesão na busca da visualização de novas bases. Define a proposta do superconsciente. Podemos dizer que a subida tem a capacidade de entrar em perfeita relação com aquilo que captamos do superconsciente. Na medida em que nós investimos em determinada área, mais a intuição se abre nessa área por uma questão de ressonância. Para se ter ideia, no momento em que estudamos nós subimos, recebemos valores racionais de aplicação, porque a subida faz o papel de captação. Na subida clareamos todo nosso contexto informativo. É o que tem acontecido.

A orientação superior chega para nós dentro de uma sistemática mais concreta da proposta realizadora. Subindo nós buscamos instrumento de discernimento e encontramos a fé.

Nessa subida nós estamos tentando entender Deus. Assim, quando subimos nós vamos longe, vamos lá longe, vamos para o infinito e, em seguida, voltamos para a nossa relatividade. E tudo isso pode representar sabe o quê? A restauração da nossa faculdade de amar, porque instaura amor dentro da gente. E por mais acanhado que possa ser no campo vibracional, esse amor pode nos fazer entender, pode nos fazer discernir, melhorando acentuadamente o percurso.

Subir representa o acesso ao plano informativo. A informação nos coloca no alto, nos prepara, nos possibilita a visualização. Mas para o acesso efetivo a essas novas bases é preciso descer. De cima ficamos amparados e recebemos, no entanto temos que espalhar, pois o manto do amor irradia induções para um trabalho efetivo.

A subida depende de um respaldo operacional nosso.

É fato que recebemos de cima, que de cima ocorre a irrigação de componentes fertilizantes no território do nosso sentimento e, assim, nós recebemos. Porém, para podermos ter acesso efetivo ao plano de onde dimanam as orientações de segurança e paz nós temos que refletir esses valores para a frente, fazendo. Ficou claro? Ao subir nós passamos a trabalhar informativamente com os valores novos, mas a nossa fixação num ponto acima implica no exercício de descer.

A subida só vai se concretizar mediante a capacidade de acionar esse lances, esses arroubos de identidade com as faixas superiores, em uma identidade plena, em vibração operacional com ressonância no campo prático da vida. Se quisermos viver em cima, fixar piso em cima sem descer, num patamar exclusivamente etéreo, nós sofremos e fazemos outras pessoas à nossa volta sofrerem também.

Descer é referência ao plano operacional. Subimos captando valores, mas não podemos operar em cima. Nós pesquisamos as faixas mais elevadas, porém, ficar lá não tem jeito.

As obras precisam ser consolidadas embaixo, o plano de ação que nos recebe é o que está de nossa faixa para baixo. Se no alto, na faixa superior, vemos os planos de percepção e recebemos influxos orientadores, o plano operacional está embaixo. Visualizamos o céu, sim, mas estamos em contato direto com a terra.

Subimos para encontrar a fé, como foi dito, e temos que descer para realizar as obras.

Lembra de Zaqueu, o cobrador de impostos que subiu na figueira? Pois é, vamos ver Jesus de cima e estar com ele embaixo. Não dá para estar com ele subindo e ficando lá em cima. Até costumamos dizer que na área de cima, na parte superior, é possível que não tenha lugar para nós lá. Não tem lá uma atividade que a gente possa desempenhar, não tem o que operacionalizar lá. Em cima não há serviço para nós, em cima não tem cargo para secretário de anjo.

Nós temos que descer e ser funcionários aqui embaixo, daqui de onde estamos para baixo. O importante é idealizar junto ao céu, no plano das ideias, e realizar na terra em um plano prático concreto. Fitar o céu, continuamente, buscando novos lances e diretrizes, mas fazendo o que nos é solicitado aqui na terra.

Vale lembrar que podemos ter uma linha informativa abrangente, mas a efetiva conquista informativa corresponde àquelas linhas que nós operamos. Enquanto não operamos os valores lá de cima eles ainda podem estar nebulosos para nós. É como se a gente entrasse na porta aberta e não soubesse distinguir no ambiente que entrou o que tem lá dentro. O assunto é amplo para a reflexão nossa.

Se ficarmos verticalizando demais, só subindo, nós não percorremos a horizontal.

Além do que, cada qual possui, de verdade, aquilo que já catalogou na intimidade como componente adquirido.

Veja que interessante: em certo ponto nós começamos a ler o evangelho e outras obras que ajudam a entendê-lo. A gente lê, lê, lê e até passa a ser um filósofo do evangelho, só que não nos tornamos operadores do evangelho. Deu para perceber? A gente cria uma espécie de extravagância. Quantos autores tem escrito e ninguém entende nada do que escrevem? Eles ficam presos em um ponto. Para poder progredir e transpor as fronteiras que temos é preciso trabalhar o padrão assimilado.

Por isso, subir no céu e não descer do céu cria para nós um pseudo-céu, um céu fictício, que incomoda.

Subir no céu e não descer do céu é manter-se num pseudo-céu, num céu que incomoda, que frustra e desagrada. Não tem outra, se eu subo em demasia, eu entro nessa linha de extravagância, num pseudo-conhecimento, porque eu permaneço querendo trabalhar na área informativa, e a área informativa tem que ser trabalhada embaixo, no campo concreto das circunstâncias da vida. Então, o recado é o seguinte: suba, sim. Suba buscando patamares esclarecedores cada vez mais altos. Só não se esqueça que a elevação é pela descida.

16 de dez de 2014

Cap 47 - O Filho do Homem (2ª edição) - Parte 3

ANDARES MENTAIS

À luz do evangelho entendido com clareza, temos aprendido que subconsciente (ou id), consciente (ou supraconsciente ou ego) e superconsciente (ou superego) constituem expressões diversificadas de uma mesma coisa, representam andares da nossa estrutura psíquica.

O subconsciente, zona oculta da esfera mental, constitui o reservatório profundo das experiências do passado arregimentadas em múltiplas existências. Ou seja, nele trazemos o infinito da nossa retaguarda, padrões arregimentados em incontáveis reencarnações. Cada qual traz isso dentro de si. Temos nele a essencialidade daquilo que tivemos o ensejo de vivenciar em vidas anteriores.

E simplesmente nós não podemos desativar os conteúdos dessa parte de baixo da casa mental. Eles são de uma certa forma o nosso alicerce. Essa parte inferior da nossa estrutura não pode ser desautorizada ou eliminada. Não tem como, corresponde ao fogo que não se apaga.

Nosso subconsciente apresenta uma soma imensa de caracteres. Arquivo maravilhoso, onde todas as conquistas do pretérito são depositadas em energias potenciais. Traz o que foi conquistado na experiências das reencarnações. É construção de cada um de nós, é de domínio nosso, é nosso território conquistado.

Os meus registros, por exemplo, são meus. Ninguém tira, tenho até escritura e registro em cartório. Isto é preciso ter em conta, o que vem de baixo foi conquistado nas vidas anteriores. Dele vem os instintos e as conquistas já operadas, os elementos consolidados, onde os valores arregimentados fazem emergir ideias para ressurgirem no momento oportuno. Outra coisa interessante é que se o plano de percepção está no consciente (parte mais acima, no andar intermediário), o plano operacional é para baixo, a força está impulsionada embaixo.

O potencial de mudança, a gente sabe muito bem, está no superconsciente, mas para colocarmos esses potenciais idealizados em ação e movimentá-los a nosso favor nós temos que o usar o material armazenado dentro de nós nas faixas mais profundas. E nosso subconsciente ainda exerce um peso muito grande e uma carga de pressão violenta sob nós próprios, tanto é que ele está embaixo.

E se temos uma linha que sugere um plano tríplice, nós nos situamos no ponto intermediário.

Nos situamos exatamente no segundo andar. No supraconsciente ou ego, região mediana de percepção de onde estamos para cima e que intercede com os outros dois andares.

Deu uma ideia? Em relação aos andares de baixo (subconsciente) e de cima (superconsciente) é que Jesus definiu a necessidade imperiosa do vigiai e orai. Ou seja, vigiar o subconsciente para evitar a emersão de padrões menos felizes e, ao mesmo tempo, orar abrindo a percepção para receber por meio do superconsciente.

O fato é que somos nós, nesse supraconsciente, que permitimos o acesso dos valores de baixo que emergem ou dos padrões vindos de cima que derrama sementes novas. Agora, preste atenção no seguinte, os registros do subconsciente a gente viu que eles não podem ser alterados. E a área de cima, do superconsciente, consiste na zona dos ideais, no plano das propostas e da visualização. Nele a gente pode até ter alguma coisa no sentido de reformulação de conceitos e ideias, mas o plano que vai ser todo misturado e alterado é o do nosso dia a dia. Deu para acompanhar ou será que eu andei falando grego aqui? Nossa faixa psíquica é interativa na parte do meio, nesse andar do meio, onde a nossa mente consegue sintonizar valores de cima e selecionar o que possa emergir de baixo.

É nela que nós podemos alterar completamente a linha diária no campo da atitude, fazendo o nosso campo mental ser trabalhado de forma consciente com novos padrões. É no supraconsciente, esse território do meio, que essa linha interior tem quer mudada. O nosso alimento a cada instante, o plano informativo e de análise, tem que ser trabalhado e metabolizado exatamente aqui.

O terceiro andar, por sua vez, é a consciência plena ou razão. É o superconsciente, região denominada também pela psicologia como superego. Nesse alto está a faixa das concepções positivas, a área dos ideais, a linha de onde recebemos todas as orientações e influxos orientadores. Constitui um terço do nosso campo mental.

É a área dos valores idealísticos, dos nossos terrenos de percepção. Falam de lastros ainda não trabalhados. Os valores nela veiculados correspondem às nossas propostas de realização. É a área de proposta, o plano idealístico, onde alcançamos potencialidades amplas que precisaremos desenvolver no campo prático das nossas experiências. Em relação a esse patamar Jesus sugere o "orai", no sentido de abrirmos as portas da nossa casa mental de cima para baixo.

Essa faixa psíquica é igual para todas as criaturas no universo. O superconsciente é área do campo mental que se relaciona com o infinito, com as fontes inesgotáveis da nossa realidade evolucional. Sua linha nos vincula ao todo abrangente que nós, no campo consciente, não somos ainda capazes de abranger.

Corresponde ao nosso céu íntimo. Define o conjunto de componentes que cada um de nós visualiza, mas que ainda não alcança. Deu uma ideia? Céu é aquilo que está acima.

São nossos planos de idealização. A faixa dos ideais, a área de visualização, de criatividade, onde identificamos os padrões de renovação, os componentes superiores da personalidade. É no superconsciente que temos os padrões idealizados por informação e dedução tirada, os valores não consolidados em nós, que não fazem parte da concretude da nossa vida (porque concretude é terra), mas que objetivamos conquistar.

Repare que quando nós pensamos em céu nós pensamos em Deus, criador e pai. 

E o conteúdo capaz de nos assegurar felicidade, redenção, renovação e libertação vem de cima, não é produto do que vem de baixo. Ficou claro? Isso tem que ser entendido. É muito importante. Todo processo evolucional vem de cima. A evolução não se assenta em cima dos padrões conquistados. Sendo assim, compreender, perdoar, entender, entre outros, não vem de baixo, vem de cima. 

Se falamos de céu, sabemos que céu precede a terra, como a fé precede as obras.

No céu alcançamos a fé. No plano captador das áreas superiores identificamos os valores positivos que nós temos que implementar no plano prático da vida. Por isso, temos que subir para aprender e, depois, descer para fazer. Por isso, não bastou Zaqueu subir. Lembra? Ele teve que descer para operar o que aprendeu.

Céu representa o plano de elevação nosso. Nele nós temos o interesse de conquista. 

É como se o superconsciente pudesse perceber, sob o auxílio e as emanações da fé, toda uma extensão que vai demorar muito para que o nosso consciente domine esses padrões. Cada um de nós tem um céu e se movimenta dentro dessa expressão, e esse céu tem que ser sempre, cada vez mais, clareado, cada vez mais destituído de nuvens. Necessita ser cada vez mais clarificado, e é o que estamos fazendo aqui, no campo de nossa expressão dinâmica ao nível psíquico.

Um estudo como este que estamos levando a efeito visa fazer um trabalho de namoro a outros ângulos da vida. Repare que vamos, aos poucos, tirando o véu, olhando e criando um processo de imantação, de formação magnética, criando uma linha de atração que, pela soma dos caracteres aprendidos desses novos ângulos, começa a mostrar que nos mantermos no patamar em que a gente está, que ficar na posição em que estamos, não é tão interessante para nós como a gente pensava que era. Um estudo como este está trabalhando a polarização do nosso campo mental, está abrindo um véu, mostrando novos ângulos.

Em razão disso, nós temos que subir para aprender (e sintonizar com os valores de elevação) e descer para operar. Afinal, é a operação que propicia a conquista. Não podemos nos esquecer que cada um receberá conforme suas obras. 

7 de dez de 2014

Cap 47 - O Filho do Homem (2ª edição) - Parte 2

O FILHO DO FUTURO

Vamos imaginar uma coisa para clarear o assunto. Vamos imaginar várias humanidades: A, B, C, D e E. Cada uma delas representando como que uma época específica da evolução.

Dentro dessa sequência podemos dizer que a B é filha da A, pois se originou dela. C é filha da B, D é filha da C e, assim, sucessivamente. E pelas linhas abrangentes da evolução, a humanidade E pode nem estar no plano físico, mas nas altas expressões espirituais. OK até aí?

Agora, o interessante é que para orientar uma humanidade não pode ser tirado da massa o orientador, da mesma forma que um aluno faixa branca de karatê não pode ensinar outros iniciantes com a mesma gama de valores dele. O evangelho é muito claro neste ponto quando nos diz que um cego não pode guiar outro cego.

Então, digamos que Jesus esteja na humanidade F, que é o plano evolucional dele. E mais, imaginemos que ele encarne, que ele renasça na humanidade B. Logo, a humanidade B é o homem e Jesus, nessa humanidade, é o filho do homem.

Ficou claro? Resumindo: os seres da esfera em que estamos jamais poderão nos conduzir para outras mais altas e luminosas, pois não passarão de cegos conduzindo cegos. Daí, o filho do homem, que no nosso campo social aqui foi Jesus, vem com esse título porque na realidade ele está a muitos pontos à nossa frente. Como guia e modelo, é o que está à frente, como se fosse hoje o que seremos amanhã. É a imagem representativa da espécie humana do futuro, a projeção adiantada do que a humanidade será após o banho e a vivência aplicativa do evangelho.

E se o filho do homem define o filho do futuro, ele age como filho dos padrões superiores. Vai criando padrões de filiação da própria divindade, que se manifestam nos pontos profundos da sua alma, numa visão que extrapola em muito a visão perceptiva da grande massa. Ele começa a visualizar e perceber os padrões para além da massa, consegue chegar além do que a coletividade enxerga.

Vive dentro de uma condição diferenciada, o que constitui ponto desafiador para os homens.

Assim, sabe o que a coletividade faz? O expulsa. Notou? Na hora em que ele se lança à doação quase sempre ele passa a ser o grande incompreendido. Ele vive no futuro da massa e é rejeitado pela massa porque vive o que a raça vai viver lá na frente. Da mesma forma que tantos filhos se indispõe com os seus pais. É que o pai tem experiência. E, para evitar complicações aos descendentes, comumente este impõe limites e estabelece diretrizes, que se devidamente cumpridas abreviam dificuldades e produzem resultados produtivos na vida dos filhos.

Porque os pais querem o melhor para os filhos, como os professores ambicionam a realização dos alunos. E para se fazerem entender pelos tutelados, como Jesus fazia e faz, os tutores necessitam de alta dose de compreensão e amor.

Jesus define que o filho do homem não veio para ser servido, mas sim para servir. Então, vamos deixar claro que o filho do homem é aquele que opera em nome do criador, que já dá testemunho ao homem, aquele que é capaz de realizar junto dos homens. Consubstancia o Cristo em sua essencialidade operacional plena. É sempre a representação daquele que vivencia, daquele que vive e testemunha os padrões superiores que aprendeu com o mestre divino.

O filho do homem chega sempre ao meio dos homens com a finalidade de elevá-los, também, à condição de filho do homem. Num grupo, os companheiros que vão à frente retornam num futuro, mais próximo ou não tão próximo, para buscar e cooperar com aqueles que ainda não desvencilharam das suas posições.

O filho do homem está em constante elaboração, ele sugere elaboração. Filho de Deus, por sua vez, nós pensamos em termos de algo elaborado. Este sugere a manifestação concreta do pensamento divino, é o filho do homem em plenitude e integração, capaz de representar no plano operacional da vida, com toda plenitude e perfeita pureza, o que entendeu dentro do patamar que alcançou.

Mas vamos lá, para o surgimento do filho de Deus, consciente, é necessária a presença do filho do homem. Filho do homem é o componente operacional nosso, é o gestor do filho de Deus. É aquele que está buscando entender o aspecto religioso e espiritual sob novo enfoque. O filho do homem é a dinâmica para se alcançar o filho de Deus, porque para ser filho de Deus, por eleição, nós temos que circular nas faixas tangíveis do universo. E vamos caminhando com calma, dando lances com tranquilidade, aprendendo e aplicando, que a gente chega lá.

2 de dez de 2014

Cap 47 - O Filho do Homem (2ª edição) - Parte 1

CONCEITOS INICIAIS

“3JESUS RESPONDEU, E DISSE-LHE: NA VERDADE, NA VERDADE TE DIGO QUE AQUELE QUE NÃO NASCER DE NOVO, NÃO PODE VER O REINO DE DEUS. 4DISSE-LHE NICODEMOS: COMO PODE UM HOMEM NASCER, SENDO VELHO? PODE, PORVENTURA, TORNAR A ENTRAR NO VENTRE DE SUA MÃE, E NASCER? 5JESUS RESPONDEU: NA VERDADE, NA VERDADE TE DIGO QUE AQUELE QUE NÃO NASCER DA ÁGUA E DO ESPÍRITO, NÃO PODE ENTRAR NO REINO DE DEUS.” JOÃO 3:3-5

“E EU VOS DIGO QUE, ENTRE OS NASCIDOS DE MULHERES, NÃO HÁ MAIOR PROFETA DO QUE JOÃO O BATISTA; MAS O MENOR NO REINO DE DEUS É MAIOR DO QUE ELE.” LUCAS 7:28

"Jesus respondeu: na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus." (João 3:5) A expressão "filho do homem", utilizada por Jesus, e tantas vezes presente no evangelho, tem sentido bastante interessante.

Para início de conversa, se falamos em nascimento imediatamente nós pensamos em filho. Certo?

Afinal, o que é nasce é  filho. E se ele menciona "filho do homem", e inclusive se define como sendo, é porque há outro tipo de filho que não o de homem, e que é o filho de mulher. Concorda? Do contrário, bastaria apenas utilizar a expressão filho.

E em relação a filho de mulher ele exemplifica João Batista: "E eu vos digo que, entre os nascidos de mulheres, não há maior profeta do que João o Batista." (Lucas 7:28)

Então, vamos lá, o que é filho? Filho é aquele ou aquilo que é oriundo de, que se origina de, que resulta de, procede de, que é consequência ou descende de. Outro ponto interessante é que ao mencionar "aquele que não nascer da água e do espírito" ele faz referência a dois tipos de nascimentos. Porque temos aí a presença de dois componentes bem distintos: água, que é componente corpóreo, tangível, material; e espírito, que por sua vez apresenta uma natureza diversa.

O filho de mulher é aquele que reencarna. Surge pelas vias da reencarnação. Define o nascimento através da água.

Como disse Jesus a Nicodemos, nascer da água refere-se ao nascimento material, corpóreo, sob o plano concreto. Então, filho de mulher nós sempre iremos pensá-lo em termos de reencarnação. Significa reencarnar, pressupõe a fecundação biológica, entre espermatozoide e óvulo, que propicia condições de retorno do espírito ao plano físico para que ele continue a sua evolução. Surge do impositivo da lei, da necessidade evolucional, onde é imperativa a ocorrência da reencarnação (para maiores esclarecimentos, leia João Batista 2ª edição, na parte do Batismo).

E se nascer da água é reencarnar, para entrar no reino é preciso mais do que isto.

Vale lembrar que não basta apenas encarnar e desencarnar, pois todos os dias formas se fazem e se desfazem. Não é isso? Há criaturas que vivem encarnações atrás de encarnações e o grau de progresso conquistado é muito pequeno.

Filho do homem significa o nascer do espírito. E é óbvio que não estamos nos referindo ao nascimento de um novo espírito, mas sim no sentido de uma nova postura íntima. Representa dar luz a uma mudança. É o nascimento sob o prisma espiritual, dentro de uma mesma reencarnação. É aquele que nasce dele mesmo.

Nasce, cresce e se evidencia pela capacidade de transformação de si mesmo, sob a tutela amorável de Deus. Surge pela fecundação psíquica. É elaborado pela concepção interior. Constitui a criação de uma nova personalidade. Isto tem que ficar claro. Aquele que antes precisava da reencarnação para aprender passa a evoluir hoje muito mais pela renovação. Está percebendo? Adotando os ensinamentos do Cristo a criatura aprende e renova-se. O filho do homem nasce por mudanças reeducacionais. Jesus, penetrando o íntimo, desativa as reencarnações.

E para entrar não adianta reencarnar. Tem que nascer do espírito, e nascer do espírito é renovar-se.

Para que a gente possa renovar nós temos que trabalhar uma estrutura trazida que é o cristo íntimo, ou seja, o cristal não burilado que representa o cristo está dentro da gente. O filho do homem nasce dele mesmo pela renovação. É aquele que aprende e renova-se. E qualquer um de nós está matriculado nessa escola de filho do homem. Podemos até ir além, não há como nos redimirmos e nos libertarmos sem operarmos este nascimento. É preciso renovarmo-nos. O conhecimento chega e vamos dando corpo a esse elemento, esse é o sentido do filho do homem.

O evangelho é muito objetivo: "aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." Vamos ser realistas, a visão desse reino dos céus todos nós, sem exceção, de alguma forma já possuímos. A questão, então, não é a visão, o desafio é a entrada. E para que essa entrada se faça inúmeras reencarnações nos são propostas pela misericórdia divina. Porque se a reencarnação nos possibilita a visão, nós podemos reencarnar, reencarnar e continuar, como muitos espíritos continuam, apenas na visualização do reino. E o texto continua: "aquele que não nascer do água e do espírito, não pode entrar no reino de Deus." Jesus está dizendo para nós que não tem como entrar efetivamente se não nascer do espírito. O nascimento pela água possibilita a visão e o nascimento pelo espírito a entrada. A entrada só se consuma pela ação do indivíduo, que representa o nascer de uma personalidade nova no seu sentido não de proposta mental, mas de realidade estrutural e vivencial da pessoa. Aí, sim, nós vamos ter a presença do entrar. Deu para acompanhar? A entrada é pela mudança. É pelo nascer do espírito que vamos ter a presença efetiva do entrar.

O que vale é a renovação interior com acréscimo de visão, para seguirmos à frente com a verdadeira noção de eternidade em que nos deslocamos no tempo.

E a elaboração do filho do homem, como a evolução, não é algo que acaba. Sequencia. O dia em que deixarmos de gerá-lo nos dissociaremos da condição de filho de Deus, afinal de contas, o progresso não sofre estacionamento e a alma caminha sempre, atraída pela luz imortal. Assim, ninguém acredite que o mundo se redima sem almas redimidas. Não dá. Simplesmente não adianta querer formar uma Terra clareada e colocar outros espíritos nela, porque os espíritos são os mesmos, que se projetam pela elaboração de uma nova personalidade.

27 de nov de 2014

Cap 46 - A Verdade Vos Libertará - Parte 11 (Final)

CONFIRMA TEUS IRMÃOS!

“31DISSE TAMBÉM O SENHOR: SIMÃO, SIMÃO, EIS QUE SATANÁS VOS PEDIU PARA VOS CIRANDAR COMO TRIGO; 32MAS EU ROGUEI POR TI, PARA QUE A TUA FÉ NÃO DESFALEÇA; E TU, QUANDO TE CONVERTERES, CONFIRMA TEUS IRMÃOS”. LUCAS 22:31-32


Vamos analisar o seguinte: homem algum dos que passaram pelo planeta alcançou as culminâncias de Jesus. O vemos à mesa dos pecadores, dirigindo-se fraternalmente a meretrizes, ministrando o seu testemunho derradeiro entre ladrões.

Ele ensinou e viveu. Ensinando, orientava, e vivendo, confirmava. Aliás, ele disse a Simão Pedro a respeito da conversão: "E tu, quando te converteres, confirma teus irmãos." (Lucas 22:32) É ensinamento da maior grandiosidade. É lindo demais, chega a arrepiar a gente. Jesus definiu para Pedro a necessidade de confirmação aos irmãos quando de sua conversão. Então, que é confirmar? Confirmar é aprovar, homologar, atestar pela conduta. Quer dizer, mostrar e viver. Afirmar de modo absoluto a exatidão de algo. É dar certeza, demonstrar. De que forma? Mediante uma ação pessoal equilibrada da nossa parte.

É fundamental lembrarmo-nos do impositivo da cooperação na estrada evolutiva.

O Cristo nos convoca a confirmarmos a situação nova para não repetirmos o erro antigo, de assimilar e não aplicar. Para que a gente não continue sequenciando o que vinha acontecendo.

O desafio hoje é promover de alguma forma todos aqueles que nos cercam. É só pensar um pouco, o cordeiro desceu para nos ajudar e ninguém sobe para esquecer quem permanece na retaguarda. Não é isso? Essa é a pura verdade. Descer para ajudar é uma arte divina de quantos alcançaram a vida mais alta. Um sábio não pode esquecer que um dia necessitou aprender com as letras simples do alfabeto e quem alcança o planalto não pode desconsiderar a planície e o vale onde esteve e de onde saiu. Se a tua mente já pode alçar voo mais alto, não te esqueças dos que ficaram no ninho e na vida mais baixa da retaguarda.

Nós, que andamos errando tanto pelas estradas da vida ao longo de tanto tempo, podemos, por acaso, encontrar felicidade maior hoje que a de subir alguns degraus no céu para descer, com segurança, aos infernos, de modo a salvar aqueles a quem mais amamos e que se acham perdidos tanto quanto nos achávamos ontem? Isso é coisa para a gente pensar a fundo. Compete a nós, que temos recebido ensinamentos novos, confirmar dando-lhes forças para que eles possam encarar uma nova linha de ascensão. Afinal, quanta gente se inspira em nós nas várias frentes em que nós operamos? Ou será que não tem isso?

A Terra é o campo onde aferimos a batalha evolutiva e é preciso guardar com muita atenção e carinho que ninguém dá passo algum ao nível de elevação pisando em quem quer que seja, desconsiderando quem quer que seja, diminuindo, ofendendo, ferindo, sufocando ou magoando quem quer que seja. Ficou claro? Ninguém. As pessoas com as quais nos interagimos, todas elas, constituem base para nossa evolução, e essa interação com os outros, para propiciar ganho e elevação ao espírito, tem que se efetivar no sentido de expressivas manifestações de auxílio, de cooperação e de ajuda, nunca no sentido inverso de ferir, magoar, ofender, massacrar, menosprezar e contrapor.

Veja que interessante, diante de um paciente em estado grave, muitas pessoas podem dizer: - Ah, quem sabe já chegou a hora dele. Mas, por outro lado, o que a medicina faz? Ela não lança mão de todos os recursos disponíveis para poder salvá-lo? Isso acontece demais no campo da espiritualidade também. Quantas vezes os espíritos de luz não nos acodem e nos auxiliam em situações análogas, quando estamos na ante-sala da complicação? Ou, como se diz na linguagem popular, na tábua da beirada? Isso acontece muito. Quantas vezes nós somos ajudados na hora de sucumbir? E porque estamos dizendo isto? Porque esta é a imagem que temos que levar conosco relativamente ao nosso desejo de cooperar.

No campo íntimo da cooperação, a nível espiritual, o processo é o mesmo. Não é por acharmos que uma criatura está perdida que vamos começar a decidir em nome do criador.

Nós temos que investir o que pudermos em favor de quem está precisando. 

Temos que fazer por onde ajudar os que estão à nossa volta a não naufragarem, mas também não podemos ser tão perfeccionistas a ponto de querer que nenhum dos que transitam em nossa órbita venha escapar do nosso zelo.

Temos que ter esse cuidado de cooperar, dando nosso melhor, mas de forma alguma vamos entrar naquela sistemática complicada de avocar o problema do outro.

A conclusão é lógica: como alguém vai poder subir, evoluir, ascender, crescer, se não confirmar? Se não valorizar os outros? Se não aceitar os irmãos de humanidade? Se os repelir, se usar de um sistema discriminatório no trato com determinadas pessoas? Se fizer discriminação? Como conciliar o conhecimento de Deus que nos visita a percepção com o menosprezo e a desconsideração aos nossos semelhantes? Tem jeito? Você acha que isso é possível? Vamos pensar.

Nós insistimos em brigar com a vida o dia inteiro. E como é que a gente briga com a vida o dia inteiro, reclama o tempo inteiro de tudo e de quase todos, e ainda quer dar exemplo de renovação em determinadas faixas da nossa aprendizagem e do nosso progresso? Tem gente que não sabe viver sem reclamar. Não está satisfeita com nada. A pessoa mal chega ao local de trabalho e já diz: - Que calor! Ai, meu Deus, que calor. Não estou aguentando. Não passa muito tempo e a ladainha continua: - Nossa, que calor. O dia passou e ela falou umas quarenta vezes "que calor". Puxa, ou ela aprende a conviver, aprende a se relacionar com a questão ou procura algo que possa minorar todo esse calor.

22 de nov de 2014

Cap 46 - A Verdade Vos Libertará - Parte 10

SENTIDO VERTICAL

A gente, ao longo deste estudo, vem batendo na tecla de que vez por outra todos nós, sem exceção, somos chamados de alguma forma a cooperar com alguém.

E esse chamado tem um sentido prático. Porquê? Por uma questão simples, nós apenas nos elevamos espiritualmente tendo como ponto de sustentação para essa subida criaturas com as quais nos interagimos. Você só sobe aproveitando o ombro de quem está embaixo, sem sacrificar quem está embaixo, óbvio. Os outros, aqueles com quem interagimos, é que garantem a nossa evolução.

Os semelhantes são os componentes que vão nos oferecer o piso ou o plano de ascensão. Deu para perceber? Nós queremos ascender e podemos visualizar o degrau, no entanto, para atingirmos o degrau só os outros nos guiam até lá. Isso tem que ficar claro. Nós garantimos a elaboração e os outros garantem a ascensão.

E não dá para ser diferente, é fundamental sabermos nos relacionar com um mundo que tem de tudo.

A todo momento nos relacionamos com pessoas que se encontram nos níveis mais diversificados de evolução e entendimento e cada criatura está assentada em seu respectivo patamar. Por isso, se estamos fazendo luz em nós, e se queremos crescer em algum segmento da vida, seja ele qual for, preparemo-nos. Daqui para frente, se nós não aprendermos a lidar com as pessoas em desajuste, em sofrimento, em posição inadequada, nós simplesmente não vamos caminhar. Além do que, quando rejeitamos filosoficamente os complicados é sinal claro que de que nós estamos ainda travando a nossa luta reeducativa, estamos em fase de aprendizagem e adaptação. Quando nós os aceitamos, sem medo, já estamos, por sua vez, penetrando nos territórios da amor.

Agora, se eles são objetos do nosso crescimento, como acabamos de dizer, como é que vamos rejeitá-los?

O que Jesus, nosso mestre e amigo, fez, se nós não podíamos ir ter com ele em sua posição sublime? Fez o que a misericórdia faz, veio até nós, apagando temporariamente a sua auréola de luz para nos beneficiar, sem traço algum de sensacionalismo.

Isto é lição sublime para aprendermos: o testemunho se processa na linha vertical. Ele se processa de cima para baixo. Ficou claro? Jesus testemunhou de Deus a nosso favor e nós testemunhamos de Jesus junto aos homens, em favor dos homens. Aqueles que estão em um patamar são instrumentos dos semelhantes em outro patamar, sob a tutela de quem os dirige. Isso tem que ser notado com tranquilidade. O nosso trabalho é junto das escalas de nosso nível para baixo, ele é feito de onde estamos para baixo. Com quem se encontra, em tese, em situação de carência maior que a nossa, numa linha de adequação junto aos mais necessitados. Porque aí a nossa verdade e a nossa fidelidade é ampla.

Então, fique tranquilo, se você acha que tem pouca luz para ajudar alguém lembre-se que onde estamos é céu para quem está abaixo de nós. Um fósforo aceso pode passar despercebido em plena via pública num dia claro com céu de meio dia, mas altera todo o contexto num quarto escuro. Além do que, vez por outra nós conhecemos ângulos que aqueles a quem vamos auxiliar não conhecem.

Deus nos aguarda nos outros. E não dá para desconsiderar. Ele aguarda, e ponto final.

Só que a gente acha que os outros são os anjos, que está cheio de anjos pra todo lado esperando o nosso concurso. Anjos que não nos ofendem, que não fecham a cara para a gente, que não nos agridem, não nos aborrecem, e não é por aí. O testemunho tem nos intimidado e desencorajado tantos companheiros na caminhada, sabe porquê? Porque muitos querem exercer um testemunho sem contrariedade alguma, querem testemunhar junto dos anjos e se esquecem que ele se dá é junto daqueles indivíduos em necessidades maiores que as nossas.

É com os necessitados, com os complicados, que a gente tem que tentar, sem qualquer ideia de masoquismo e sofrimento, tentar trabalhar, desarmando o coração.

Não é fácil, isso fala fundo acerca da nossa parte operacional no bem. É com o faminto que nós temos que trabalhar. Não há como testemunharmos junto dos anjos. O necessitado e o incompreendido é Jesus personificado à nossa frente.

É diante da escuridão que a luz se engrandece, e o bem, diante da insinuação, embora relativa, do mau. É assim que a coisa funciona. A treva, pense bem, é a moldura que imprime destaque à luz, e para que o bem se manifeste de forma ampla ele precisa ter uma linha contrária ou recíproca em que possa efetivamente operar.

Sem a existência de discípulos não haveriam bons mestres, sem os doentes não teríamos ótimos médicos. Enfim, não existiriam bons profissionais sem os territórios específicos para as operações correspondentes, ainda carecedores da ação deles. É preciso resplandecer a luz para que a luz brilhe, pois o caminho percorrido pelo homem que se ilumina está cheio de individualidades dessa natureza. Deus cerca os passos do sábio com as expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e que essa mesma luz seja glorificada. Nesse intercâmbio divino o ignorante que recebe aprende e o sábio que dá cresce.

E para ilustrar, imagine um indivíduo nervoso. Do tipo que perde a paciência fácil, que se estressa com a mínima circunstância adversa. Qualquer contrariedade, por menor que seja, e já é motivo para ele ficar irritadiço. Ele é assim faz muito tempo e esse quadro não melhora, pelo contrário. Um dia ele se cansa disso. Custou a aprender que essas explosões temperamentais já o prejudicaram por demais. Perdeu ótimas oportunidades ao longo dos anos por causa disso.

E agora decidiu, quer mudar. Quer se tornar uma pessoa mais calma, mais agradável, mais simpática. O que ele faz, então? Começa a ler e a aprender a respeito da paciência, passa a assimilar conhecimentos para uma vida mais harmônica e serena e, por fim, vai ter que atestar isso futuramente na prática, certo?

Ou seja, para que o padrão novo, assimilado informativamente, se torne concreto em sua personalidade, ele vai ter que provar, não é? Vai ter que testemunhar. 

E diante de quem você acha que ele vai ter que provar a conquista da paciência? Convivendo ao lado de que tipo de pessoas? De monges acostumados à meditação e à reflexão? De pessoas altamente esclarecidas e espiritualizadas? Não, com certeza não. Provavelmente, ao lado de pessoas que são tanto ou mais impacientes do que ele era antes de querer mudar.

Ficou claro? Deu para acompanhar? Daí, a gente nota que esse mecanismo de testemunho é dificílimo, pois quando somos testados na capacidade de amar e de aplicar, nós costumamos reagir. Não aceitamos de bom agrado. Costumamos reclamar e entrar em um plano de profunda inconformação. Por isso, vamos com cautela. Buscamos fazer luz em nós, mas a luz é para ser direcionada para as faixas sombreadas, para os que se encontram em treva maior. Vamos aprimorar nossa compreensão ante os que se desviam do caminho reto e tropeçam nas estradas da vida. Só assim passamos a fazer com que nossa luz não seja treva.

17 de nov de 2014

Cap 46 - A Verdade Vos Libertará - Parte 9

O TESTEMUNHO

“E DA PARTE DE JESUS CRISTO, QUE É A FIEL TESTEMUNHA, O PRIMOGÊNITO DENTRE OS MORTOS E O PRÍNCIPE DOS REIS DA TERRA. ÀQUELE QUE NOS AMOU, E EM SEU SANGUE NOS LAVOU DOS NOSSOS PECADOS.” APOCALIPSE 1:5

“BEM AVENTURADO AQUELE QUE LÊ, E OS QUE OUVEM AS PALAVRAS DESTA PROFECIA, E GUARDAM AS COISAS QUE NELA ESTÃO ESCRITAS; PORQUE O TEMPO ESTÁ PRÓXIMO”. APOCALIPSE 1:3

Nós estamos abordando o assunto, e para início de conversa, o que é testemunha? Testemunha é referência à criatura que é chamada a depor, chamada a dar prova, atestar a verdade de um fato que ela, em tese, viu ou ouviu.

Testemunhar equivale a confirmar, comprovar, demonstrar. Na acepção mais profunda da palavra, apresenta aquela posição nossa que não tem sentido puramente oral, mas sim um sentido de vida. Isto é algo que precisa ficar bem claro.

Veja bem, não dá para esquivar do testemunho, a individualidade não é apenas convidada, ela é muito mais do que isso, é convocada a testemunhar algo.

O testemunho é mesmo no sentido de afirmar, de declarar e certificar, dentro do contingente de informações e de segurança aplicativa, o esclarecimento que essa individualidade já possui, que já conquistou. Sendo assim, não podemos ficar desatentos, cada vez que as circunstâncias nos induzem a ouvir as verdades do evangelho não dá para a gente ficar achando que o acaso está por trás dessas situações. Isto ocorre para que nós nos informemos quanto ao próprio caminho a seguir, porque em breve espaço de tempo nós seremos naturalmente chamados pela vida para dar o testemunho.

O testemunho para nós é alguma coisa de extrema relevância, da maior transcendência. Alguém pode perguntar porque nós temos que testemunhar, não pode? Aliás, uma pergunta interessante, tendo em vista que nós estamos vivendo em plena época dos porquês. Não podemos aceitar um conhecimento que chega de fora sem questionamento. E a resposta, por sua vez, é simples e objetiva: nós não temos como nos projetar conscientemente para as conquistas maiores do nosso crescimento espiritual sem o testemunho. Somente o exemplo é suficientemente forte para renovar e reajustar. E como diz o apocalipse: "Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo". (Apocalipse 1:3) 

Ou seja, somente depois que gente ouve e que a gente vê é que nós vamos encontrar a segurança através do testemunho.

Repare o seguinte, a legítima interpretação do evangelho se faz pela dinâmica prática, e fim de conversa. Porque quando a gente conhece intelectivamente a gente visualiza.

Pelo conhecimento nós visualizamos a porta e pela vivência nós entramos, nós damos o nosso testemunho. Quando a gente vive determinada coisa a gente testemunha essa coisa. Sem a vivência dos valores não se tem conhecimento, têm-se pseudo-conhecimento, e o que projeta o ser não é a informação, o que projeta é a formação dos caracteres novos. Aquilo que nós estamos vendo e não estamos praticando é aquilo que o outro faz e nós não fazemos ainda. Percebeu? Porque nos mantemos apenas teorizados. E se nós não testemunhamos nós ficamos retidos naquela faixa teorizada, nós permanecemos restritos naquela linha periférica de necessidade operacional, e não avançamos.

Aquele que, de algum modo, não se empenha a benefício dos companheiros à sua volta apenas conhece as lições do alto nos círculos da palavra. E isso acontece demais da conta.

Vamos entender: todos os valores recebidos por nós sob o ângulo da informação, e posicionados no plano superior da vida, apenas se incorporam a nós, à nossa estrutura intrínseca, em um plano de sedimentação, mediante o grau de testemunho, por meio de uma linha dinâmica e operacional de aplicabilidade diária. Somente o testemunho é capaz de criar um processo de fixação entre aquilo que a individualidade ouviu e aquilo que, no campo intrínseco, ela está vendo, está percebendo com clareza. Deu para você acompanhar?

Ninguém aqui está dizendo que é fácil. A bem da verdade, o testemunho tem nos intimidado. O testemunho tem nos desencorajado na caminhada, tem nos amedrontado.

Sem contar que tantas vezes o progresso aparente dos ímpios tem desencorajado o fervor da almas tíbias. É preciso coragem e ousadia. Toda mudança de vida que propomos materializar exige certo percentual de testemunho.

Não podemos esquecer que se o Senhor nos chamou, se a circunstância apareceu, é porque já nos considera dignos de testemunhar. E testemunhar o Cristo é ter coragem de viver dentro de um processo realizador consoante aquilo que a intuição e o conhecimento teórico propõe. Como diz o apocalipse, nós temos que fazê-lo: "Bem aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo." (Apocalipse 1:3) Deu para perceber o final do versículo? "O tempo está próximo". Todavia, é a postura de cada criatura que constitui o fator que determina a maior ou a menor proximidade desse tempo.

Outro detalhe fundamental: nesse instante da aferição nós sempre nos achamos aparentemente sozinhos com as nossas aquisições íntimas. Entendeu bem isso?

Não tem como ser diferente, o testemunho apresenta para nós um exercício de capacidade aferidora e ele é feito isoladamente, ele é feito na intimidade da nossa alma. Vou repetir: em grande parte das vezes os nossos testemunhos são feitos de forma isolada. O testemunho é dado pela postura pessoal e não por uma declaração pública. Ele tem que ser dado sempre sob uma postura puramente pessoal, íntima. Sendo assim, nem tudo são flores na caminhada, toda criatura tem que dar o seu testemunho individual no caminho da vida. Sabendo disto, Jesus foi o primeiro a inaugurar o testemunho pelos sacrifícios supremos.

E acabamos de falar a palavra chave que define tudo: sacrifício!

Normalmente, a testemunha tem um espírito de sacrifício. Sacrifício tanto de ordem externa quanto de ordem interna. Se a gente reparar bem, na própria luta reeducacional nós temos que exercer um grau de sacrifício. E esse testemunho não quer dizer que tudo que a gente vai fazer na vida tem uma cruz, não, mas se nós repararmos bem vamos notar que ao longo da jornada sempre tem alguém que vai se sacrificar por nós. Já pensou nisso? Sempre tem.

E nós temos aprendido com tranquilidade que passamos a obter êxito no testemunho quando aprendemos a renunciar. A renúncia entra aí como um componente preponderante. O testemunho é o momento dos apertos, dos constrangimentos, é o momento das aferições e das tentações. Pode surgir em algumas ocasiões com o objetivo de solidificar uma conquista e em outras vezes para definir uma quitação, um respaldo. Constitui aquele momento em que os passos foram todos ajustados para que haja a possibilidade de êxito, seja na conquista efetiva de novo patamar ou na quitação e respaldo com os débitos criados no destino.

Esse testemunho, então, é algo vivenciado em cima dos próprios movimentos da consciência do ser.

Está dando para acompanhar? Em tantas ocasiões ele é feito sem estardalhaço, de forma discreta, silenciosa, velada. E materializa-se de forma isolada na intimidade. É por isso que o sacrifício praticamente é capaz de nos redimir na essencialidade. Isso é algo que nós precisamos compreender. Normalmente, a testemunha tem um espírito de sofrimento, de certo sobrepeso, de sacrifício mesmo, mas nem sempre em cima do corpo físico, e sim em cima de uma estruturação de vida íntima, representando aquela soma de contingentes que marcam a individualidade no plano mais profundo da alma.

O que precisamos, acima de tudo, a despeito das várias lutas que nos visitam no plano da realidade terrestre, é aprender a manter no rosto um sorriso constante.

Aprender a incorporar a serenidade na nossa postura de testemunhar. Paz de espírito é serviço renovador com proveito constante, é o serviço do bem em uma permanente ascensão. Logo, embora todas as dúvidas e impugnações que te cerquem os passos, segue adiante atendendo aos deveres que a vida te preceitua, conforme o testemunho da sua consciência, em convicção clara de que a felicidade verdadeira significa paz em nós.

E lembre-se: estamos trabalhando na aferição da conquista, não no despertar do conhecimento. 

E uma das maiores virtudes do discípulo, você sabe qual é? A de estar sempre pronto ao chamado da providência divina, não importa onde e nem como seja o testemunho dessa fé.

O essencial, sempre, é revelarmos nossa união com Deus em todas as circunstâncias. Fixarmos em nós os ensinamentos através da vivência diária a todo instante, principalmente quando chamados a agir em situações adversas, onde nos é exigido grandeza moral diante de vícios e imperfeições daqueles indivíduos que nos são caros.

Preste muita atenção nisto agora: é necessário fazermos calar a nossa voz de pouca confiança na sabedoria que nos rege os destinos e lembrarmos da nossa condição de servos de Deus, para bem lhe atendermos ao chamado, seja nas horas de tranquilidade ou nas horas de sofrimento. Afinal, qual a função de um servo? Existe outra a não ser servir? Como resultado, saibamos sofrer na hora dolorosa.

Acima de todas as felicidades transitórias do mundo é preciso ser fiel ao evangelho.

Pois é fácil demais provar fidelidade e confiança na misericórdia divina nos dias de calma. Ou eu falei alguma coisa errada? O difícil, porém, e fundamental, é mantermos a dedicação verdadeira nas horas difíceis, nos momentos em que tudo parece contrariar e perecer. Meu amigo, minha amiga, Deus é grande. Tenhamos fé.

E saibamos usar a fé. As preocupações superficiais, e o mundo está cheio delas, chegam, educam e passam. Nada é definitivo. A experiência religiosa, porém, permanece.

E a vitória do seguidor de Jesus quase sempre se alicerça no lado inverso dos triunfos humanos. Já pensou nisso? Ela é o lado oculto e anônimo. E essa vitória do evangelho é tão grande que o mundo não a proporciona, e nem pode subtraí-la. É o testemunho do própria consciência, transformada em templo do Cristo.

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