30 de jan de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 2

ENFERMIDADES PSÍQUICAS

Quando o assunto é enfermidade é muito importante entender que os processos patológicos multiformes não apresentam origem apenas no domínio das causas visíveis.

Aliás, pode-se dizer com firme convicção que na maioria dos casos as afecções estão diretamente relacionadas com o psiquismo. O que ocorre é que se temos a nuvem de bactérias produzidas pelo corpo doente existe também a nuvem de larvas mentais produzidas pela mente enferma em identidade de circunstâncias, e semelhantes formações microscópicas não se circunscrevem à carne transitória.

Em outras palavras, o macrocosmo está repleto de surpresas nas formas mais diversificadas, e a gente sabe, e no campo infinitesimal as revelações obedecem à mesma ordem surpreendente. Mais que as doenças vulgares do corpo sofremos os problemas da alma, mais do que os micróbios patogênicos que nos assaltam os tecidos do instrumento físico nós padecemos a intromissão de agentes mentais inquietantes que nos atormentam as fibras mais íntimas.

Sem exagero algum, podemos dizer que as doenças psíquicas são muito mais deploráveis que as físicas e a patogênese da alma está dividida em quadros extremamente dolorosos. É difícil enumerar quantas enfermidades nascem dos pântanos da amargura, da cólera, da tristeza profunda, da desesperação, do ódio, dos desvarios do sexo. Quando os homens se convencerem de que todos os males que os afetam tem a origem no espírito, e que somente pelo espírito podem ser saneados, começarão a mudar a forma de agir e passarão a ser instrumentos de Deus.

Se nos círculos das enfermidades físicas cada espécie de micróbio tem o seu ambiente preferido, nas moléstias da alma ocorre o mesmo. Tal como ocorre nas enfermidades do corpo, antes da afecção existe o ambiente. É indispensável o terreno favorável para que as moléstias se desenvolvam, de modo que cada viciação particular da personalidade produz formas sombrias que lhe são consequentes. E estas, como plantas inferiores que se alastram no solo, por simples relaxamento do responsável, são extensivas às regiões próximas onde não prevalece o espírito de vigilância e defesa.  Sabemos que primeiro vem a semeadura e depois a colheita, e tanto as sementes de trigo como as sementes nocivas, encontrando terra propícia, produzirão a seu modo na mesma pauta de multiplicação. E o mais importante é que nessa resposta da natureza ao serviço do lavrador não acorre milagres, dá-se simplesmente a resposta da lei.

As viciações de vários matizes oferecem campo a perigosos germens psíquicos na esfera da alma, formando criações inferiores que afetam profundamente a vida íntima.

Assim como o corpo físico pode ingerir alimentos venenosos que lhe intoxicam os tecidos, o organismo perispiritual pode absorver elementos de degradação que lhe corroem os centros de força, trazendo reflexos sobre as células materiais.

A invasão desses elementos psíquicos, tais como os micróbios, as bactérias, os vírus, ou algum outro agente dessa mesma natureza, por serem todos eles infinitesimais, ocorre em uma linha de captação muito sutil, às vezes até imperceptível, e penetra quase sempre pela condição vibracional. Então, pode acontecer da pessoa estar com esses componentes circulando no corpo, a pessoa pode estar jogando futebol, nadando, fazendo suas atividades normais e não notar nada. Aparentemente ela não tem nada. Dá-se que ela incorpora para depois desenvolver o mecanismo sintomático internamente e esses passam a se expressar de dentro para fora, gerando determinada doença ou patologia.

Na vida nós estamos emitindo componentes positivos ou negativos, e no que reporta aos negativos muitas criaturas apresentam anticorpos a eles, e esses não lhes tocam, ao passo que outras já são suscetíveis de receberem esses elementos. Pense no seguinte, às vezes nós somos minados em determinadas áreas do próprio corpo físico como simples reflexo de uma invigilância nossa do plano mental. Em se tratando de criaturas desprevenidas tanto adoecem corpos como almas.

Se a mente da criatura ainda não atingiu a disciplina das emoções, e se alimenta de paixões que desarmonizam com a realidade, ela pode a qualquer momento intoxicar-se com as emissões mentais menos felizes daqueles companheiros com quem convive e que se encontram em estado de desequilíbrio.

Às vezes, essas absorções são simples fenômenos sem importância, mas em muitos casos são suscetíveis de ocasionar perigosos desastres orgânicos. Isso acontece geralmente quando os indivíduos não tem uma vida de oração, cuja influência benéfica pode anular inúmeros males. Tal como ocorre no campo das enfermidades físicas, o contágio é fato consumado desde que a imprevidência ou a necessidade de luta criem ambiente propício entre aqueles seres do mesmo nível.

De forma alguma devemos conservar detritos no coração, tampouco manter aversão e rancor na alma. Porque o que nos é possível saber, dentro do campo das cogitações terrestres, é que a desestrutura das vibrações inferiores reflete negativamente no corpo físico de forma imediata, e quase sempre o corpo doente assinala a mente enfermiça.

O desequilíbrio da mente pode determinar a perturbação geral das células orgânicas e as intoxicações da alma determinam invariavelmente as moléstias do corpo.

No capítulo das moléstias não podemos considerar tão somente a situação fisiológica propriamente dita, mas também o quadro psíquico da individualidade, e qualquer trabalho terapêutico que não consegue visualizar o homem como um ser integral, numa visão ampliada de espírito e matéria, oferece somente paliativos à criatura que, em breve, retornará ao seu estado doentio.

Existem pensamentos enfermiços de queixa, mágoa e antipatia, entre tantos outros, que solicitam adequada medicação para que seja restaurado o equilíbrio.

Portanto, deve sempre haver um tratamento direcionado nesse sentido, razão pela qual a medicina humana no futuro será bem diferente. A ciência médica atingirá culminâncias sublimes quando compreender a extensão e a complexidade dos fatores mentais no campo das moléstias físicas, quando ela conseguir visualizar no corpo de carne transitório a sombra da alma eterna.

27 de jan de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 1

ENTENDENDO O SOFRIMENTO

Todos nós, sem distinção alguma, fomos criados para a perfeição, e quanto a isto acho que ninguém tem dúvida.

O conhecimento espiritual, em seu aspecto mais profundo, nos induz à reformulação da ideia que temos acerca do sofrimento. A sabedoria divina não deixa margem à inutilidade, razão pela qual nada existe sem uma razão de ser, nada existe que não tenha significação.  A lei universal é muita clara e não deixa a menor dúvida: não existe efeito sem causa. Os efeitos que ocorrem em nossa vida são reflexos de ações positivas ou de ações menos felizes que praticamos em um passado mais próximo ou mais distante. Vamos erradicar de uma vez esse conceito de que em muitas situações de sofrimento nós somos vítimas, e vamos parar de ficar julgando o sofrimento como sendo um mal.

O planeta Terra não é uma escola pronta, acabada, finalística e, sim, uma escola de aperfeiçoamento, e no trabalho de redenção, seja ele de natureza individual ou coletiva, a dor é sempre aquele elemento amigo e indispensável, oportunidade extraordinária concedida por Deus às criaturas em todos os tempos.

O divino criador, em sua sabedoria magnânima, permite que na jornada evolutiva escolhamos o nosso próprio caminho e até mesmo que, por mau uso do livre-arbítrio, façamos incursões menos felizes nas estradas largas e escolhas equivocadas, quando a dor é convocada à tarefa de nos reconduzir ao equilíbrio. Em outras palavras, quando usamos mal as prerrogativas de ação que a liberdade de escolha nos faculta saímos daquela linha de espontaneidade e entramos na linha compulsória. Porque as menores quedas e as mínimas viciações ficam impressas na alma, exigindo retificação, logo, vamos entender que se não há efeito sem causa ninguém sofre sem merecer e o sofrimento é criação do próprio homem, ajudando-o esclarecer-se para a vida mais alta.

Chega de maldizer o sofrimento. Por nossa rejeição à opção do amor ele é mecanismo que ainda necessitamos para restabelecer o equilíbrio. A vida impõem a muitos o mecanismo redentor do qual necessitarão amanhã para selecionar com sabedoria aquilo que lhes é útil, em detrimento do pernicioso. Como resposta que a ignorância conduz aos desatentos, e também como lapidadora das arestas morais, o sofrimento é elemento indutor da não acomodação, ou seja, não deixa a criatura acomodar-se. Componente favorável à evolução, ele visa sempre o despertar da alma para os seus deveres.

Logo, sofremos por necessidade em favor de nós mesmos e não se pode desconsiderar a dor que instrui e ajuda a transformar o homem para o bem. Ele é útil, providencial e traz consigo a oportunidade de redenção, uma vez que objetiva nos conduzir a um processo de reflexão. Importante para o nosso despertamento, colabora no sentido de sairmos da morte do erro para as alegrias da imortalidade gloriosa. Repare uma coisa, o caminho evolutivo está sempre repleto de aguilhões e de outro modo não enxergaríamos a porta libertadora.

A dor é processo de sublimação que o mundo maior nos oferece para que a nossa visão espiritual seja acrescida e muitas vezes é lâmpada maravilhosa. As dificuldades tem feito papel de condutor dos nossos corações para as fontes de luz. O sofrimento, a inquietude e a frustração visam despertar a consciência para novas bases e novos patamares. Lágrimas purificam e dores corrigem. Você consegue imaginar o que seria das criaturas terrestres sem as moléstias que lhes apodrecem a vaidade? até onde poderiam ir o orgulho e o personalismo humanos sem a constante ameaça da carne frágil? o que seria de nós se o sofrimento não nos ajudasse a sentir e raciocinar para o bem? Lembra do diamante? Ele não é lapidado com pétalas de rosas. Por isso, ao rejeitarmos a opção de evoluirmos pelo amor a dor nos visita como a nos dizer acorda. Ela define um caminho complicado da dor, sim, mas a ser trabalhado pela falta de amor.

O sofrimento apresenta em si, na essencialidade, aspectos mais morais do que necessariamente físicos, de forma que didaticamente podemos classificá-lo sob o aspecto físico e espiritual. A dor moral é a essência, o sofrimento do espírito é a dor real e somente a dor espiritual é grande e profunda o suficiente para promover o trabalho de aperfeiçoamento e redenção. O sofrimento físico, por sua vez, a dor física, independente de qual seja, é um fenômeno.

Mas o importante é que temos que ter um respeito grande ao falar de quem sofre, porque quando se trata de alguém que está sofrendo nós não podemos medir até onde esse sofrimento vai. Temos que cultivar uma ótica abrangente no trato com as pessoas. Só quem já viveu determinados tipos de provas e de problemas é que vai entender com autenticidade e grandeza a dificuldade do semelhante. Às vezes, um problema de alguém é visto por nós como uma besteira, uma coisinha à toa, mas só passando pela prova é que notamos que não é bem assim.

Se o sofrimento tem cunho de natureza intrínseca, é importante a gente retificar essa ideia fechada que trazemos acerca dos que sofrem. De um modo geral, apenas enxergamos os que tem deficiências físicas, os que perderam o equilíbrio corporal e aqueles que se arrastam no solo com defeitos escabrosos. 

Mas desconsideramos que o paciente com dificuldades numa cama de hospital, o idoso abandonado no asilo e a criança desnuda e faminta perambulando pela rua são parcelas de sofredores que extensivamente estão se mostrando aos nossos olhos. Sabe porquê? Porque em nosso círculo de ação, na intimidade dos lares de nossos parentes ou de pessoas próximas a nós, e dentro da nossa própria casa, tem sofredores também. Pois cada criatura tem o seu enigma, a sua necessidade e a sua dor. Sem contar que não possuímos visão suficiente para identificarmos os doentes dos espírito, os coxos do pensamento, os deformados do sentimento, os combalidos da alma e os aniquilados de coração.

O sofrimento pode apresentar finalidades distintas para indivíduos debaixo de um mesmo quadro. Nós podemos perfeitamente ter duas criaturas debaixo de mesma sintomatologia, de um mesmo diagnóstico, mas sob causas diferentes. Está entendendo? O sofrimento para um pode ter o objetivo de despertar, ao passo que para o outro pode ser fazer pagar, quitar. Percebeu? No caso do despertar o papel da respectiva dificuldade é projetar o ser. Isto é, a criatura se projeta e sara, restabelece-se. Sua entrada num terreno novo por si só propicia o saneamento do processo. Por outro lado, quando a questão é pagar a situação fica um pouco mais complexa, a criatura tem que respaldar com calma e tranquilidade a sua própria dificuldade. Aí não adianta chorar, espernear, esbravejar, gritar, fechar a cara e revoltar-se. Aquele que semeou de forma menos feliz lá atrás tem que se contentar com paciência no regime da colheita.

22 de jan de 2014

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 11 (Final)

EM NOME DE  

“E, RESPONDENDO SIMÃO, DISSE-LHE: MESTRE, HAVENDO TRABALHADO TODA A NOITE, NADA APANHAMOS; MAS, SOBRE A TUA PALAVRA, LANÇAREI A REDE.” LUCAS 5:5

“E  SOFRESTE, E TENS PACIÊNCIA; E TRABALHASTE PELO MEU NOME, E NÃO TE CANSASTE.” APOCALIPSE 2:3

“QUEM TEM OUVIDOS, OUÇA O QUE O ESPÍRITO DIZ ÀS IGREJAS: AO QUE VENCER DAREI A COMER DO MANÁ ESCONDIDO, E DAR-LHE-EI UMA PEDRA BRANCA, E NA PEDRA UM NOVO NOME ESCRITO, O QUAL NINGUÉM CONHECE SENÃO AQUELE QUE O RECEBE.” APOCALIPSE 2:17

“E AO ANJO DA IGREJA QUE ESTÁ EM SARDES ESCREVE: ISTO DIZ O QUE TEM OS SETE ESPÍRITOS DE DEUS, E AS SETE ESTRELAS: CONHEÇO AS TUAS OBRAS, QUE TENS NOME DE QUE VIVES, E ESTÁ MORTO.” APOCALIPSE 3:1

A nossa tarefa, por mais legítima que possa ser, por mais autêntica,  começa sempre sobre a base do Cristo. Sempre. "E sofreste, e tens paciência; e trabalhaste pelo meu nome, e não te cansaste." (Apocalipse 2:3) Todo trabalho, ao nível de uma fé consciente, tem que ser elaborado em nome do Cristo.

Se investimos na esperança nosso trabalho é em nome dele, porque em nosso nome ainda guardamos dúvidas, ficamos às vezes com dúvidas se a gente vai ou não vai, se vai dar certo ou não vai. De princípio, toda a nossa conquista é feita em nome de. É tudo em nome de e o próprio evangelho diz que se pede em nome de. Agora, para podermos tirar Jesus do contexto e irmos direto com Deus nós teríamos que a ter a mente desobstruída de tudo o que possa ser convenção.

É algo que temos que entender. Todo nosso processo no plano educacional consciente é operado em nome de, e não em nossa própria autoridade. Porque não a possuímos. Então, guarde isso: todo o processo de candidatura nossa ao campo de vida no que respeita a superação de nós próprios sempre será em nome de.

Todo mecanismo de evolução consciente se dá em nome de. Toda eleição de uma maneira de viver com naturalidade e perfeita sintonia vai depender de um investimento que nós fizermos em nome de. É trabalhar em nome de, não em função nossa.

O indivíduo está tranquilo no trabalho, aproveitou para estudar um pouco e aprendeu aqui que perdoar é importante. Não porque estamos ensinando, mas o evangelho diz assim. Aí, acontece dele chegar em casa e ter um desentendimento com alguém. Tem uma discussão com um parente, fica chateado, mas pensa consigo mesmo: "Em nome daquilo que eu aprendi hoje lá no blog eu vou esquecer." Ele perdoa em nome de. Percebeu? O próprio evangelho diz "tudo que pedis em meu nome." O aluno coloca em prática determinado conceito que aprendeu com base no nome do professor. Não é assim que funciona? "Eu aprendi com um professor que a fórmula é essa." E aplica a fórmula em nome da regrinha que aprendeu. "Como é que ele falou mesmo? Ah, lembrei, o professor falou assim." Quando um leitor coloca em prática algo que leu em um livro, a sua primeira movimentação é de fazer em nome de. "O autor do livro sugere fazer dessa forma, eu estou achando que funciona." Deu para ter uma ideia? Ele passa a agir conforme o que ele aprendeu.

Daí a gente nota que de certa forma vigora uma tendência imitativa, o que é muito normal, em todos os sentidos. A filha imita a mãe, o filho imita o pai, o aluno imita o professor. Não é assim? Há sempre uma linha de imitação e essa imitação não é apenas um plágio, não funciona só como uma cópia daquilo que o outro faz. Não, é também necessidade de se apoiar numa área em que se opera.

Já entendemos que em todo início de tarefa nova, de conhecimento adquirido pelo intelecto, nós investimos em nome de. Agora, qual o parâmetro que temos que usar para aferir se a palavra ou o valor recebido é confiável? É laborar com a utilização da fé consciente, unindo razão e sentimento, operar em nome daquilo que o bom senso e a razão homologam. Deu para perceber? Trabalhar em nome de é porque investimos naquilo que a razão indica como sendo correto e a fé homologa essa percepção racional. É por aí que nós passamos a entender. Que aquilo está coerente, que não está contrariando a lei universal, que não está atropelando o bom senso. Investir em nome de é investir naquilo que a razão indica como sendo o correto. Nós, de início, acionamos a fé com base na nossa claridade racional. Elaboramos, pegamos uma obra, estudamos e fazemos um contexto informativo de segurança. Igualzinho um empresário que vai fazer um investimento. Ele analisa uma variedade de fatores, as potencialidades da região para aplicar, e por aí adiante.

Ele aplica o dinheiro e nós aplicamos a proposta íntima. Então, a gente tem que criar os componentes de segurança que, às vezes, são decorrentes daqueles levantamentos que nós fazemos em cima do conhecimento e da autoridade dos outros. Nós vamos estudando a mensagem e incorporando gradativamente parcelas a serem adotadas e que podem nos propiciar segurança na caminhada. Depois, a gente cai na real, faz uma avaliação prática, decompõe a fórmula recebida, conclui que ela é adequada, que é correta, que ela tem que funcionar, e confia: "Ele fez isso, me orientou, me ensinou aqui, e tal, fez todo o esqueminha para mim." A gente se dota de coragem e se lança, porque nós vamos baseados em fulano ou ciclano. E isso é que é o gostoso da vida. A gente vai, cada qual com o seu grau evolutivo e a sua capacidade de ação. E por falar em ir, com fé na palavra de Jesus nós sempre encontramos os elementos necessários para a nossa ascensão espiritual.

"Quem tem ouvidos, ouça o que o espírito diz às igrejas: ao que vencer darei a comer do maná escondido, e dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe." (Apocalipse 2:17) A princípio nós recebemos um contingente de informações que o nosso plano íntimo avalia a nível de sentimento e razão, homologa aquilo e a gente passa a operar em nome da fé. E operando em nome de uma fé clara e lúcida nós incorporamos o padrão que deixa de ser ao nível da fé, para ser ao nível da clareza, ao nível da consciência informativa e da experiência.

O que estamos querendo dizer? Que primeiramente nós investimos em nome de, para depois podermos operar como possuidores daqueles caracteres. Está certo que nós ainda temos dificuldade em transformar o que é em nome de para uma ação realizadora pessoal, todavia, nós operamos e depois que conquistamos a tranquilidade operacional podemos começar a sentir que se trata da movimentação operacional de valores que nós já entendemos e depreendemos que seja importante. Ou seja, em uma extensão natural por enquanto a gente reza e opera em nome de Jesus, pois ele ensinou para nós que pedindo assim e fazendo assim dá certo. E depois, com a experiência da prática, a gente vai sair do nome de para vivermos em função do nosso próprio nome.

Nós começamos a operar em nome de. Não é isso? Nós sempre operamos em nome de. Na hora em que operamos em nome de, e uma resposta nos chega homologando a proposta, aí deixa de ser em nome de. Depois que aprendemos a operar nós tiramos o nome de fora e passamos o operar com o nosso próprio valor conquistado, para depois, almejando novas conquistas, voltarmos a operar em nome de novamente. Deu uma ideia? É o lance da ida e do retorno, do fluxo e do refluxo.

O nome escrito ("dar-lhe-ei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito") é o amor no seu sentido dinâmico caritativo. A vida é assim, quando começamos a agir em nome próprio nós passamos a adotar uma decisão de foro amplamente pessoal. De certa forma, nós operamos em nome de (que são as profecias, os valores em que investimos) e em nome próprio (que é o que conhecemos). É o que o apóstolo Paulo sugere ao dizer: "Em parte conhecemos, em parte profetizamos".

E, então, por enquanto nós temos que fazer em nome de até que tenhamos nosso nome devidamente referendado, aprovado pelas hostes que trabalham ao nível da própria consciência. Será que deu para entender isso? Nós temos a pseudo-vivência em nome de e a vivência plena, que já não é em nome de ninguém, mas dentro da nossa autenticidade pessoal. Tudo aquilo que diz respeito à nossa operação em nome de é algo que realizamos fundamentados na fé dos outros, na orientação dos outros, debaixo das instruções ou dos encaminhamentos dos outros, até o momento em que nós já podemos dizer em nome do Cristo ou em nome de Deus. Aí, sim, isso já passa a ser nossa conquista.

O apocalipse é claro quando diz: "Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome." (Apocalipse 3:8) Isto é bonito demais da gente ter em conta. Vamos tentar clarear, esse nome nós vamos entendê-lo como sendo o conjunto de caracteres já existentes que se encontra presente na própria extensão universal, e que a nossa acústica captou e a visão é capaz de perceber.

Nós investimos nesse nome, investimos no sentido aplicativo desses caracteres.

Acho que até aqui não há dúvida, afinal de contas nós somos agora convocados a investir nesse nome em cima da verdade. Esse é o mecanismo da evolução em face da linha de conhecimento que nos visita. E para sermos bem sucedidos nesse investimento nós temos que fazer o quê? A gente não pode negar o nome. E não negar o nome é investir na fé. Será que ficou claro? No momento em que a gente recebe uma informação em nome de, e se lança ao processo de vivência, se lança ao plano aplicativo, nós passamos a ser componentes irradiadores desses valores. Quando o texto diz "guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome" sabe o que ele está querendo dizer? Que o investimento tem sido feito por meio de uma ação segura e coerente naquilo que você às vezes não faz, mas que a sua clareza mental já endossa.

Entendeu? Em outras palavras, você não negou o nome, isto é, não agiu de modo hipócrita, de modo distorcido, você não mentiu, não enganou e não feriu consciencialmente a sua intimidade. Pelo contrário, pela sua ação coerente você depositou um grau de confiabilidade no nome exercendo aquilo que, embora não seja expressão concreta dos seus valores, é soma de padrões que o seu campo mental examinou e homologou como sendo válido. Aquilo que sua consciência já admite como correto e você se esforça a nível prático para conquistar.

A nossa preocupação, ou melhor dizendo, a nossa ocupação, deve ser com o trabalho, não com o resultado. Resultado o próprio nome já diz, é resultado, é consequência.

Ter coerência pressupõe uma linha de constante aperfeiçoamento, de forma que em nossa relação com os outros à nossa volta nós temos que agir com perfeição.

Porque o grau de perfeição que nós implementamos na tarefa é que dá o atestado da nossa segurança, de como estamos nos movimentando nos contexto da evolução. Temos que buscar nos aperfeiçoar, exercitar para nos tornarmos melhores como pessoas também. Aprimorar o nosso senso de aperfeiçoamento, procurar fazer com perfeição, embora sem perfeccionismo. Fazer com diligência. Nós sempre temos que estar de braços dados com essa busca da perfeição, como o próprio Jesus diz ("sede perfeitos"), mas sem escravização.

O que não quer dizer que nós temos que ficar o tempo todo nos cobrando, suando ou sofrendo debaixo do perfeccionismo nas nossas ações. A gente tem que ter uma dose de paciência pessoal, sabendo que o que manda é a proposta de lisura que estamos adotando em cada ação nossa e tentando ser cada vez mais autêntico na execução do trabalho. E na nossa operação, nessa condição de perfectibilidade, é que vamos notar se a obra é mais de Deus ou mais nossa.

"E ao anjo da igreja que está em Sardes escreve: isto diz o que tem os sete espíritos de Deus, e as sete estrelas: conheço as tuas obras, que tens nome de que vives, e está morto." (Apocalipse 3:1) Repare essa expressão: "tens nome de que vives e estás morto". Parece muito complicado, não parece? Mas o que vem a ser isso? Já ficou claro para nós que todo primeiro passo que damos é em nome de. Até aí não há dúvida, acho. É algo que nós precisamos entender bem.

Ter o nome de que vive e estar morto quer dizer o seguinte: que o que a criatura conhece é o nome. Deu uma ideia? Ela conhece o nome, mas na teoria.

Ela pode ter o conhecimento de determinada filosofia, com as suas regras, os seus direcionamentos. Pode conhecer o evangelho e até entender as suas passagens, todavia, ele vive, ainda, fora de uma realidade de vida que esse nome propõe. Clareou? Porque no que diz respeito ao plano de vivência, ao plano aplicativo, a vida dele pode ser uma vida para ele, no entanto, para quem tem uma visão e aperfeiçoamento maior, para quem já observa de ótica mais elevada, ele está morto. Não é vida, é morte. Ou seja, ele acha que está vivendo, mas não está. Falta a linha de coerência entre o que sabe e o que faz, esse fato de conhecer só na linha teórica não é conhecimento. Ele conhece só o nome, é pseudo conhecimento. No fundo ele não vive, no fundo ele está morto.

Quantas vezes nós observamos isso nos outros. Repare para você ver. Esse que está sendo observado pode estar perfeitamente num estado de vida, estar numa boa, como se costuma dizer. Mas nós podemos enxergar para além, e o que ele acha que é vida no fundo não passa de uma ilusão, podemos visualizar que ele está é caminhando ladeira abaixo, caminhando para problemas sérios amanhã.

É imperioso percorrer o caminho sem receios e temores, sem dúvidas e vacilações. A sedimentação de tudo o que arregimentamos vai depender do lance na área operacional junto daqueles que circulam próximo ao nosso coração.

Ao passo em que vamos vencendo as distâncias verificamos que nossa capacidade de resistência aumenta e se multiplicam as nossas possibilidades. À medida em que vamos usando de discernimento nós acabamos por operar num plano mais elástico, mais abrangente. É fácil notar que nessa passagem da pesca, após receber a linha teórica Simão titubeou, ficou receoso em lançar novos esforços após os primeiros insucessos. Isso fala alto em nosso coração acerca da necessidade de operarmos com confiança em cima do conhecimento legítimo recebido. O amigo maior da humanidade, conhecedor de nossas fraquezas e nossos ideais, nos ensina o modo de nos elevarmos. Seguindo seus ensinos com firmeza nós podemos até achar que em determinados momentos estamos sozinhos, mas não estamos. O texto nos revela que sob a orientação decisiva do mestre os discípulos "colheram uma grande quantidade de peixes".

15 de jan de 2014

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 10

O TRABALHO À NOITE E SOBRE A BASE DO CRISTO

“E, RESPONDENDO SIMÃO, DISSE-LHE: MESTRE, HAVENDO TRABALHADO TODA A NOITE, NADA APANHAMOS; MAS, SOBRE A TUA PALAVRA, LANÇAREI A REDE.” LUCAS 5:5

Na passagem evangélica que estamos estudando os discípulos trabalharam durante toda a noite e nada apanharam. Ou seja, lançaram suas redes, mas em vão.

Vamos avaliar com carinho essa questão, porque tem muito ensinamento embutido aí. O trabalho a que se refere Simão Pedro não ofereceu os frutos esperados porque fora realizado quando? À noite. Está dando para entender? Noite lembra o quê? Escuridão. É quando se dá a desconexão da luz. Caracteriza-se pela ausência de luz. É símbolo da escuridão que ainda prepondera no nosso espírito, indicativo dos diferentes tipos de imperfeições que mantemos.

O trabalho efetuado à noite indica o trabalho feito sob o nosso circuito, em meio às trevas da ignorância e da incompreensão, efetuado com o uso dos nossos valores puramente humanos, com a exteriorização de muitos dos nossos valores menos felizes. A escuridão é dos homens, das suas vaidades e presunções. Tantas vezes nos esquecemos disso e insistimos em trabalhar no contexto restrito da nossa pequenez de investimento, e desse modo ficamos carentes.

Quando insistimos em trabalhar e querer realizar qualquer coisa que seja dissociados do amparo superior, utilizando apenas os nossos padrões limitados, costumamos obter como resposta da vida grandes decepções e frustrações.

Em sentido profundo, o trabalho feito durante toda a noite é indicativo claro de que sem o entendimento e aplicação do evangelho as nossas aquisições espirituais são infrutíferas. Somos componentes irradiadores e a irradiação faz papel de indução ou sensibilização em volta. Essa situação, no entanto, pode ser alterada se decidirmos agir sob o peso da palavra de Jesus. Pela mudança de postura e sentimento de humildade temos que lançar a rede sob a palavra dele.

Ao analisarmos o texto com a atenção devida e a profundidade necessária nos deparamos com uma das mais belas expressões de fé raciocinada presentes no evangelho: "E, respondendo Simão, disse-lhe: Mestre, havendo trabalhado toda a noite, nada apanhamos; mas, sobre a tua palavra, lançarei a rede." (Lucas 5:5)

Será que deu uma ideia de onde queremos chegar? Notamos que tem dois tipos de trabalho: o efetuado antes, com a utilização única dos padrões puramente pessoais, e o realizado após o conhecimento da boa nova. O devotado servidor se propôs a lançar de novo a rede numa demonstração de humildade e confiança no Senhor. Cabe-nos também reconhecer nossa pequenez e adotar atitudes novas e resolutas, seguindo o exemplo daquele apóstolo. Nossa transformação íntima demonstra que não é suficiente estarmos sintonizados com a luz, temos que ir além e dar um colorido prático a essa  luz.

Se somos continuamente desafiados a adotarmos uma postura de renovação interior, a mensagem do evangelho nos fala da necessidade de adesão clara e segura do trabalho a ser feito sob a tutela do Cristo. Temos que olhar para a frente, não para trás. O que ficou já não tem tanta importância e para aprendermos sob o influxo do amor temos que trabalhar sob base do Cristo, não de Moisés.

Nossa tarefa legítima e autêntica começa sobre a base do Cristo. A sedimentação desses padrões novos só podemos tê-la na capacidade operacional em nome do Cristo. Todo sistema de aprendizado e de realização nossa necessita ter uma parcela considerável atribuída ao Cristo, tanto que ele fala assim: "fizer em meu nome." Estamos enfatizando isso porque é algo que tem que ficar bem claro. Temos que trabalhar em nome dele, que está orientando e ensinando, não em função nossa, porque em nosso nome guardamos muitas dúvidas ainda. E sobre isso vamos clarear bastante na próxima parte.

12 de jan de 2014

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 9

A REDE E O MAR ALTO

“E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR. LUCAS 5:4

“E ELE LHES DISSE: LANÇAI A REDE PARA O LADO DIREITO DO BARCO, E ACHAREIS. LANÇARAM-NA, POIS, E JÁ NÃO A PODIAM TIRAR, PELA MULTIDÃO DOS PEIXES.” JOÃO 21:6

“IGUALMENTE O REINO DOS CÉUS É SEMELHANTE A UMA REDE LANÇADA AO MAR, E QUE APANHA TODA A QUALIDADE DE PEIXES.” MATEUS 13:47

A rede consiste num entrelaçamento com aberturas regulares e que forma uma espécie de tecido.

É a representação do conjunto de elementos que devidamente conjugados formam instrumento capaz de captar, já que rede é componente para apanhar algo. Não é algo sem utilidade, deve apresentar boa condição de uso e estar sempre pronta e bem cuidada, apta para o trabalho, pois figuradamente o espírito humano é um pescador de valores evolutivos nos mares amplos da vida.

A gente fala em rede, espiritualmente falando, e observa que em se tratando de jornada evolutiva nosso grande desafio agora já não é mais o diagnóstico, mas a terapia. Concorda? Nós já estamos cansados de conhecer os ângulos frágeis da nossa personalidade. Praticamente os conhecemos de cor. Evolução não garante a libertação de alguém apenas pelo montante de conteúdo assimilado.

Deu prá perceber o que queremos dizer? Quem quiser recolher o melhor da vida daqui para frente não pode mais lançar a rede de qualquer jeito e em qualquer ambiente, tem que lançá-la com técnica e sabedoria, o que pressupõe aperfeiçoamento constante, ação sábia e direcionamento. Nós estamos estudando o evangelho para isso, o conhecimento espiritual objetiva promover em nós um aprimoramento, a melhor forma de prepararmos as redes para a grande viagem aos mares altos. É o que estamos queremos saber agora, como elaborar essa rede e a utilizar para recolhermos o melhor da existência. O desafio agora consiste na capacidade de operar o valor que assimilamos.

Esclarecidos pelas verdades do evangelho percebemos que ele nos convida a lançarmos nossas redes. Não dá para adquirir esse ponto de autenticidade e harmonia que idealizamos se não nos lançarmos. Lançar tem o sentido de agir e movimentar para além e não existe construção de vida consciente sem que apliquemos as nossas possibilidades em busca da realização de alguma coisa útil.

Nessa passagem da pesca o verbo lançar se faz presente com dois significados. Repare que no primeiro momento Jesus utiliza a forma imperiosa: "Lançai as vossas redes." (Lucas 5:4 e João 21:4). O que isso significa em termos aplicativos? Que não há outra forma de evoluir, que temos que ir para esse processo de lançar, porque o conhecimento que nos chega nos desafia e precisamos ir além. Jesus, no exercício de sua autoridade moral, utiliza o imperativo e determina que usemos nossos valores para "pescar" benefícios espirituais. É uma determinação para que cada um de nós acione os padrões arregimentados sob sua inspiração. No segundo caso Pedro emprega o verbo referindo-se ao futuro: "Sob tua palavra lançarei a rede." (Lucas 5:5) Percebeu? Lançarei. Simão Pedro aponta para a possibilidade de aplicar, de investir no que o conhecimento orienta. Refere-se à vivência do testemunho, de uma definição pessoal daquilo que a gente pretende, pois se a orientação que chega nos auxilia de fora para dentro cada ação positiva efetivada corresponde a um passo certo no esforço ascensional que tem que se iniciar no próprio barco.

O entendimento do evangelho imprime em nós um esforço de renovação com o Cristo, e disso ninguém tem dúvida. Entendendo Jesus e sintonizando-nos com Ele temos que passar a lançar nossa rede no lado oposto ao que lançávamos antes de nos identificarmos com esses novos padrões. É que cada qual tem as suas escolhas e a cada dia o homem se levanta com a sua rede de interesses.

Cada indivíduo busca, à sua maneira, trabalhar o campo mental tentando direcionar a rede para as fontes de luz, mas a treva, de algum modo, é algo que está embutido em nós pelas experiências do passado. Detectamos um componente negativo em nossa personalidade que tem que ser superado, e mesmo assim ele permanece, em muitos casos, como a forma de viver da gente e nós não abrimos mão disso. E perdemos muito tempo, às vezes inúmeras vidas nas lutas reencarnatórias, para mantermos essa chama e segurar esses padrões antigos, enquanto a razão clareada já determina a necessidade de superá-los. Mesmo vendo o novo não nos desapegamos sem luta dos valores velhos. Por isso, o que acontece demais é que nós puxamos a nossa rede para cá ao passo que o condicionamento acaba por retorná-la para lá.

O que manda aí, pelo que temos aprendido, é algo relacionado com o modo e o sistema, é a eleição de vida. Um indivíduo pode pela utilização da rede fixar um objetivo para cima, mas sem dúvida ele terá que lutar muito consigo mesmo porque, sem exagero, a parte da sua instrumentalidade ainda está virada para o oposto. É por isso que é preciso jogar a rede para o outro lado. Diante do insucesso aparente inicial na pesca Jesus convoca amorosamente os discípulos a quê? A lançarem a rede para o outro lado, lançarem para o lado oposto.

Quando, pelo automatismo, paramos no tempo e no espaço a gente costuma após certo tempo entrar numa rotina perturbadora. Acontece de alguém reclamar: "Puxa, já é tanta coisa que eu tenho que fazer e ainda me aparece mais essa." Mas a vida é assim, gente. Ela é assim na sua expressão maior. Precisamos ir sempre incorporando novos padrões até mesmo para que o amor a que estamos ajustados não regrida a um processo simples de justiça mecanizada.

De um lado, tem a rede a ser lançada do barco, e do outro, o mar, celeiro abundante de onde podem emergir elementos valiosos para nós. E não vamos entrar nessa de desespero ou inquietação por causa dessa oscilação, dessa dinâmica existente. De forma alguma. Porque a dinâmica e os desafios são o gostoso da vida. Se concretizou, estatelou, parou, coagulou, o que acontece? Perde o gostinho da vida. Pense nisso. Como é que vamos ter um sorriso de satisfação em cima de uma coisa que parou? Nós temos que lançar às vezes o nosso coração em um regime de sacrifício, em um regime de ousadia. O ponto mais de cima tem caracteres que nós não possuímos ainda, e temos que visar o mar alto.

O conteúdo que vai nos projetar para a libertação é o conteúdo que vem de onde? Lá de cima. O componente daqui (rede) organiza a instrumentalidade, mas o conteúdo que vem de cima (mar alto) é que realmente é capaz de nos projetar.

É simples de entender, se ficarmos somente fazendo em termos daquilo que conhecemos a evolução fica circunscrita ao âmbito de nossa conquista. A evolução é algo que se desenvolve de modo incessante e sempre seremos desafiados a um passo além da órbita ou do limite de nossos padrões já conquistados.

O processo se faz mais ou menos assim: se aqui está o ponto da minha mente eu tenho que abrir para além. Os grandes cooperadores da humanidade trabalham para além das faixas relativas das suas conquistas. Nós estamos aqui, estudando juntos de certa forma, porque estamos querendo ir além do parâmetro que cerceia os nossos passos. Mediante a capacidade dedutiva em cima do plano perceptivo nós avançamos e ultrapassamos limites. Até onde exercemos o conhecimento concreto é o nosso universo relativo e naquilo que apreendemos e deduzimos penetramos no infinito da grandeza de Deus. De forma que nós sempre estaremos ante um desafio. Porque a euforia de nossa vida se envolve e se expressa em função da nossa capacidade de avançar e abranger.

8 de jan de 2014

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 8

O VALOR DA AUTORIDADE

“DISSE-LHE JESUS: EU SOU O CAMINHO, E A VERDADE E A VIDA; NINGUÉM VEM AO PAI, SENÃO POR MIM." JOÃO 14:6

“E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO." LUCAS 5:3

“28E ACONTECEU QUE, CONCLUINDO JESUS ESTE DISCURSO, A MULTIDÃO SE ADMIROU DA SUA DOUTRINA; 29PORQUANTO OS ENSINAVA COMO TENDO AUTORIDADE; E NÃO COMO OS ESCRIBAS." MATEUS 7:28-29

A primeira chegada de Jesus é apontar caminhos, é mostrar caminhos. E é comum da nossa parte usar a palavra tentando mostrar o caminho para os outros.

Isso mesmo, nós ficamos vez por outra tentando mostrar o caminho adequado para os outros. Só que o evangelho tem ensinado que a questão não é apenas o caminho. É caminho, verdade e vida, não é isso? A definir para nós que o caminho tem que ser apontado para um objetivo, tem que ser apontado para a verdade.

Resultado, para mostrar o caminho efetivamente nós já temos que nos situar no patamar da verdade. Nós temos que ter uma visualização ou uma identidade com a verdade para poder apontar o caminho, porque caminho para caminho é cego guiando outro cego. Não dá. Está dando para entender, não está? Para poder ensinar tem que ser um, em tese, que já enxerga. Apenas é capaz de mostrar o caminho quem já está palmilhando o caminho no plano formativo (não apenas informativo) de caracteres novos. Para que eu mostre o caminho para alguém eu tenho que ter ciência, pelo menos em parte, da verdade.

É algo claro para o nosso entendimento. Porque se eu não tiver pelo menos a noção de crescimento que eu estou buscando eu não sou capaz de dar o recado que é de se esperar. E para que eu possa auxiliar uma criatura numa elaboração da verdade eu já tenho que ter conquistado a vida, já tenho pelo menos que conseguir discernir o que seja a vida na sua essencialidade. Só tem autoridade realmente quem já está trabalhando com carinho, procurando o exercício do amor. E quem ama, ou está tentando amar com segurança, esse está apto a apontar os caminhos de enquadramento do ser em postulados novos.

Nenhum de nós em sã consciência pode apontar para o outro o caminho que não viveu ainda. Concorda? Tem momentos em que você fala com autoridade, não tem? Mas nem sempre é uma autoridade total. Porquê? Porque você não pisou no degrau. Você está laborando o degrau. Todavia, é apontando o caminho com autenticidade pessoal que você consegue forças para superar a sua falha pessoal. E essa laboração do degrau já propicia a você uma autoridade capaz de mostrar e indicar a escada, o estágio em que ela está situada.

Conseguiu acompanhar? Essa autoridade vai se ampliando na medida em que a gente percorre o território da aprendizagem, porém, nós não temos que ter uma preocupação formativa antes para depois sair apontando. O regime de apontamento mostra o seguinte: eu estou tentando mostrar onde fica uma determinada cidade, como Belo Horizonte, por exemplo, embora eu não conheça todos os bairros dela. Deu para entender? Isso indica uma visão, um conhecimento do processo. A gente sabe que a ciência, quando consegue provar um acontecimento qualquer ou um fato ou um fenômeno, o que acontece? Aquele fenômeno prova algo de um lado, mas abre incógnitas do outro. E a gente não tem que se preocupar tanto, assim é que se dá o regime de crescimento.

Para poder cooperar é preciso ter autoridade. E autoridade é algo complexo, porque ela não se encontra de forma absoluta no plano informativo do candidato que quer operar. Autoridade não é a autoridade do argumento, aquela que o campo racional simplesmente homologa, e pronto. Não. Ela é a condição integrante do processo em que a razão homologa e o plano concreto e aplicativo aponta.

Sabemos que o campo informativo soma muito na autoridade de alguém. Até dizemos mais, é muito bom conversar com quem conhece intelectivamente. Só que é preciso atenção, porque o conhecimento nem sempre apresenta conformidade com a autoridade moral daquele que potencialmente conhece. Deu uma ideia? É por isso que dois fatores tem que ser pesados: a autoridade pelo conhecimento e a autoridade moral para se atuar em qualquer circunstância.

A autoridade faz parte do mecanismo educacional do ser humano, e tanto faz que quando nós investimos em um professor o fazemos porque vemos nele uma autoridade. E à proporção que a nossa autoridade vai se fundamentando e expressando pela capacidade operacional, a nossa presença passa a ter bem mais força, porque ela passa a se embasar naquilo que a gente faz e não apenas naquilo que a gente pensa e propõe. Ela passa a ser uma autoridade pelo que conquistamos de maneira efetiva e não só pelo que detemos de forma provisória.

Outro fator é que a nossa autoridade, por mais que ela cresça, vai ser sempre relativa. Nunca vai chegar no percentual de cem por cento da autoridade divina do Cristo. Ela sempre vai ser relativa. Porque na escala de vivência ela tem um sentido direto e amplo em cima daquilo que a gente faz, tem sentido menor com base naquilo que a gente não faz ainda, mas está querendo fazer, e sentido nulo no que a gente fala, todavia não se esforça e não está nem aí para fazer.

"E, entrando num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a multidão." (Lucas 5:3) Jesus é o divino educador. Ele ensina do barco, influindo e atuando na alma humana, e ensinar do barco equivale ao trabalho realizado com entusiasmo. É assim que funciona a sistemática educativa, é assim que tem que ser.

Ninguém consegue ensinar ou operar o que quer que seja sem a presença dessa euforia. Não tem jeito. Sem esse entusiasmo não há como se obter resultados satisfatórios, sem a euforia ficamos incapacitados de dar o nosso melhor. Para exemplificar, o dia em que alguém começar a falar ou operar em nome do Cristo de qualquer jeito, sem nenhum envolvimento íntimo, sem alegria nos olhos, sem sorriso nos lábios, sem qualquer júbilo pessoal, sem o direito de vibrar verdadeiramente com aquilo que está fazendo, o que é que vai acontecer? Ela vai ser uma pessoa neutra, fria, sem sal, destituída de autoridade.

A gente pode adquirir um vasto conhecimento e alcançar uma abrangência informativa invejável, mas o que é a sabedoria? Ela diz respeito àquele saber irradiado por meio de um plano de conquista. Em outras palavras, define a capacidade discernida de amar. Existem pessoas que continuamente querem reformar tudo. Agora, isso que é reformado, que é modificado, não tem raízes suficientemente seguras para abrigar a sabedoria. Deu para entender? Porque isso é algo interessante de se ter em conta. A sabedoria nos ensina a agir com prudência e a ter a paciência necessária para conquistar. Ela não se fundamenta tanto nos lances e nos propósitos de projeção, mas nos padrões já ajustados, consolidados, fundamentados e amplamente experimentados pelo ser.

E uma das características básicas da sabedoria é saber calar. Isso é um fato e tanto. Não tem como operar com legitimidade se não souber calar. Tem que saber calar até mesmo para ouvir e entender o posicionamento e as dúvidas do outro.

Também é preciso saber calar para poder arregimentar estratégias seguras para os momentos adequados. Repare que quase sempre nós podemos calar muitas coisas que não são convenientes ao chegar, e uma grande verdade é que a paz que uma criatura não tem apresenta relação com o silêncio que ela ainda não consegue fazer. A pessoa sábia sabe a hora de falar, sabe o que falar e sabe o momento de calar. Observe para você ver, ela abre a boca na hora certa. Porque se falar sem critério e avaliação, se ela começar, como se diz na linguagem popular, a colocar a boca no trombone, ela vai acabar por dar pérolas aos porcos, e praticamente vai diluir e tornar inexpressiva a sabedoria dela.

Então, se queremos evoluir temos que saber penetrar no campo do silêncio. Tem muita gente que não consegue entender e muito menos aplicar isso, no entanto, só podemos dizer uma coisa: na hora em que aprendemos a utilizar positivamente esse sistema nos aproximamos muito do campo irradiador do amor.

5 de jan de 2014

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 7

SENTIMENTO E SIMPATIA

É comum a gente achar que quando o assunto é auxiliar alguém no crescimento espiritual a conversa é o componente básico e finalístico, capaz inclusive de causar a mudança de parâmetros dentro de um coração, e ponto final.

E não é bem assim. É óbvio que a verbalização é instrumento inarredável. Pela linha articulada é possível distribuir sementes, tanto quanto receber sementes, sabendo que existem sementes que germinam de forma rápida, outras de forma não tão rápida e outras que germinam demoradamente. Só que não é apenas pela utilização da palavra e da persuasão que se vai garantir uma melhora significativa no psiquismo de alguém.

Podemos pela utilização positiva da palavra, que é uma porta que se abre, ajudar muito e até mesmo dar passos importantes com o educando, todavia nem sempre o processo verbalístico por si só resolve. É preciso também alguma coisa a mais que se veicula na palavra, de uma profunda capacidade magnética, de um magnetismo que não seja cerceador, mas sim fortalecedor, e que traz uma dose de amor na sua essencialidade. Esse magnetismo tem que ser trabalhado, revestido e estar fundamentado numa profunda disposição de cooperação, ajuda e auxílio. Porque isso? Porque o caminho para Deus passa pelas portas do coração e somente o coração tem o poder de tocar o coração.

É comum lembrarmos de coisas que nos são mostradas, todavia nós entendemos mesmo é quando somos envolvidos. Por essa razão o conhecimento legítimo direcionado por quem educa tem que ir acompanhado de uma sensibilização. O educador, se ele não amar ele pode até ter técnica, mas não tem autoridade. Por outro lado, quando você conversa com alguém que conhece, que tem afetividade e amor dentro de si, esse alguém chega, solta algumas poucas palavras e mexe na sua intimidade. E, às vezes, pode até ser menos, um simples olhar de frente dessa criatura já comunica e dá coragem para que a gente possa desvincular determinadas situações menos agradáveis.

Para o bom educador a brecha formidável que surge no momento educativo é aquela ocasião especial em que o aluno pergunta. É uma beleza para quem sabe e gosta de ensinar ver a demonstração de interesse do aprendiz. Entretanto, existem tantos educadores infelizes que desconsideram isso, acham que nessa hora o aluno está atrapalhando o bom andamento da aula e incomodando. E o que o professor faz? Rechaça o aluno e o descaracteriza na hora. E o que pode resultar disso? Bem, se o aluno é aquele indivíduo um pouco tímido, com uma mentalidade introspectiva, o que é que ele pensa? "Bom, nunca mais eu abro a boca em aula nenhuma." E daí para frente haja conversa com ele, haja paciência e esclarecimento para poder acabar com a inibição.

Os legítimos expositores, os orientadores, os clareadores da mente, os professores, enfim, todos os que tem um papel importante na linha educacional no universo, tem que ter uma profunda dose de sentimento. Jesus, por exemplo, para ser ter ideia, o nível de sentimentos dele é tão ampliado que sequer conseguimos imaginar todo o seu alcance. Isto se aplica a todos de uma forma geral e se aplica a nós também. Para ser um bom aluno é necessário ter um pouco do carinho dos grandes professores ou mestres diante daquele coração que chega perto de nós e precisa ser informado ou auxiliado.

Vamos clarear uma coisa: para ensinar só é preciso ter o conhecimento intelectual da matéria, não é mesmo? Em tantas situações basta somente uma leitura, um pouco de conhecimento, e pronto. Resolvido. Razão pela qual o professor muitas vezes não é senão o canal dos ensinamentos. Todavia, para sensibilizar alguém é preciso muito mais do que isso, é preciso trazer no íntimo a luz do amor. Isso mesmo. Tem que sentir, tem que vibrar, é necessário ter consigo a chama da alegria e do entusiasmo. Vamos repetir, o educador, se ele não tiver amor ele pode ter a técnica, mas não tem a autoridade. 

O professor sincero permanece sempre com as bases seguras e tranquilas, pode até ensinar com a postura de certa firmeza pessoal, mas é acessível. Ele será sempre o reservatório da verdade, habilitado a servir às necessidades de outrem sem privar-se da fortuna espiritual de si mesmo. Podemos ter a certeza: quando começarmos a deixar expandir de nós mesmos determinados fatores magnéticos positivos nós vamos ter essa capacidade de sensibilizar corações.

Todos querem a ascensão, mas ninguém avançará sem auxílio. Nesse grande mecanismo de escada que vamos levando a efeito notamos que se a gente fizer nossa parte direitinho, no degrau em que estamos situados, trabalhando com carinho o processo de dinamização do amor e, ao mesmo tempo, trabalhando a linha de nossa reserva íntima no campo da vigilância, não vai faltar coração para nos dar a mão para subirmos mais alto. Isso é o que tem acontecido demais. Agora, só há uma forma de se receber assistência de forma segura, é sabendo cultivar simpatia. É importante no plano ascensional de qualquer criatura e é impossível cooperar e ser auxiliado sem criar simpatia vibracional.

De forma que a gente observa que o êxito de um professor se estrutura, em tantos casos, no carinho que ele implementa para cuidar e direcionar os alunos.

Vamos pensar, a gente não lembra de momentos delicados de nossa vida em que alguém nos ajudou e socorreu? Quantos de nós que estamos lendo nos lembramos da infância, quando tínhamos seis, sete, oito, nove anos e tivemos uma professora que deixou em nós aquela linha de sensibilidade que marcou o nosso destino? São coisas que marcam. Qualquer bem que se faça para os outros é uma linha de simpatia e o sorriso de um semelhante às vezes fala mais alto do que a postura rígida que se pode adotar em nome de uma sistemática.

Os homens, pela obra realizada aos semelhantes, cooperam com os espíritos esclarecidos e benevolentes e atraem simpatias preciosas para a vida espiritual. Por outro lado, as entidades amigas, auxiliando os reencarnados, estarão construindo felicidades para o dia de amanhã, quando de volta às lutas terrestres.

Quantas vezes acontece de estarmos em casa, até chateados com algum problema, sem saber o que fazer, e o telefone toca: "Fulano, eu tenho me lembrado de você e tenho orado prá você." Às vezes, nem fez prece, só lembrou. Não pode acontecer? Só lembrou, e lembrou de forma positiva, não negativa, e ao lembrar positivamente direcionou para nós uma vibração boa que nos chega de forma suave. É importante angariar simpatias e abrir o coração para as pessoas. É pelo interesse e ajuda aos outros que somos ajudados.

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