8 de jan de 2014

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 8

O VALOR DA AUTORIDADE

“DISSE-LHE JESUS: EU SOU O CAMINHO, E A VERDADE E A VIDA; NINGUÉM VEM AO PAI, SENÃO POR MIM." JOÃO 14:6

“E, ENTRANDO NUM DOS BARCOS, QUE ERA O DE SIMÃO, PEDIU-LHE QUE O AFASTASSE UM POUCO DA TERRA; E, ASSENTANDO-SE, ENSINAVA DO BARCO A MULTIDÃO." LUCAS 5:3

“28E ACONTECEU QUE, CONCLUINDO JESUS ESTE DISCURSO, A MULTIDÃO SE ADMIROU DA SUA DOUTRINA; 29PORQUANTO OS ENSINAVA COMO TENDO AUTORIDADE; E NÃO COMO OS ESCRIBAS." MATEUS 7:28-29

A primeira chegada de Jesus é apontar caminhos, é mostrar caminhos. E é comum da nossa parte usar a palavra tentando mostrar o caminho para os outros.

Isso mesmo, nós ficamos vez por outra tentando mostrar o caminho adequado para os outros. Só que o evangelho tem ensinado que a questão não é apenas o caminho. É caminho, verdade e vida, não é isso? A definir para nós que o caminho tem que ser apontado para um objetivo, tem que ser apontado para a verdade.

Resultado, para mostrar o caminho efetivamente nós já temos que nos situar no patamar da verdade. Nós temos que ter uma visualização ou uma identidade com a verdade para poder apontar o caminho, porque caminho para caminho é cego guiando outro cego. Não dá. Está dando para entender, não está? Para poder ensinar tem que ser um, em tese, que já enxerga. Apenas é capaz de mostrar o caminho quem já está palmilhando o caminho no plano formativo (não apenas informativo) de caracteres novos. Para que eu mostre o caminho para alguém eu tenho que ter ciência, pelo menos em parte, da verdade.

É algo claro para o nosso entendimento. Porque se eu não tiver pelo menos a noção de crescimento que eu estou buscando eu não sou capaz de dar o recado que é de se esperar. E para que eu possa auxiliar uma criatura numa elaboração da verdade eu já tenho que ter conquistado a vida, já tenho pelo menos que conseguir discernir o que seja a vida na sua essencialidade. Só tem autoridade realmente quem já está trabalhando com carinho, procurando o exercício do amor. E quem ama, ou está tentando amar com segurança, esse está apto a apontar os caminhos de enquadramento do ser em postulados novos.

Nenhum de nós em sã consciência pode apontar para o outro o caminho que não viveu ainda. Concorda? Tem momentos em que você fala com autoridade, não tem? Mas nem sempre é uma autoridade total. Porquê? Porque você não pisou no degrau. Você está laborando o degrau. Todavia, é apontando o caminho com autenticidade pessoal que você consegue forças para superar a sua falha pessoal. E essa laboração do degrau já propicia a você uma autoridade capaz de mostrar e indicar a escada, o estágio em que ela está situada.

Conseguiu acompanhar? Essa autoridade vai se ampliando na medida em que a gente percorre o território da aprendizagem, porém, nós não temos que ter uma preocupação formativa antes para depois sair apontando. O regime de apontamento mostra o seguinte: eu estou tentando mostrar onde fica uma determinada cidade, como Belo Horizonte, por exemplo, embora eu não conheça todos os bairros dela. Deu para entender? Isso indica uma visão, um conhecimento do processo. A gente sabe que a ciência, quando consegue provar um acontecimento qualquer ou um fato ou um fenômeno, o que acontece? Aquele fenômeno prova algo de um lado, mas abre incógnitas do outro. E a gente não tem que se preocupar tanto, assim é que se dá o regime de crescimento.

Para poder cooperar é preciso ter autoridade. E autoridade é algo complexo, porque ela não se encontra de forma absoluta no plano informativo do candidato que quer operar. Autoridade não é a autoridade do argumento, aquela que o campo racional simplesmente homologa, e pronto. Não. Ela é a condição integrante do processo em que a razão homologa e o plano concreto e aplicativo aponta.

Sabemos que o campo informativo soma muito na autoridade de alguém. Até dizemos mais, é muito bom conversar com quem conhece intelectivamente. Só que é preciso atenção, porque o conhecimento nem sempre apresenta conformidade com a autoridade moral daquele que potencialmente conhece. Deu uma ideia? É por isso que dois fatores tem que ser pesados: a autoridade pelo conhecimento e a autoridade moral para se atuar em qualquer circunstância.

A autoridade faz parte do mecanismo educacional do ser humano, e tanto faz que quando nós investimos em um professor o fazemos porque vemos nele uma autoridade. E à proporção que a nossa autoridade vai se fundamentando e expressando pela capacidade operacional, a nossa presença passa a ter bem mais força, porque ela passa a se embasar naquilo que a gente faz e não apenas naquilo que a gente pensa e propõe. Ela passa a ser uma autoridade pelo que conquistamos de maneira efetiva e não só pelo que detemos de forma provisória.

Outro fator é que a nossa autoridade, por mais que ela cresça, vai ser sempre relativa. Nunca vai chegar no percentual de cem por cento da autoridade divina do Cristo. Ela sempre vai ser relativa. Porque na escala de vivência ela tem um sentido direto e amplo em cima daquilo que a gente faz, tem sentido menor com base naquilo que a gente não faz ainda, mas está querendo fazer, e sentido nulo no que a gente fala, todavia não se esforça e não está nem aí para fazer.

"E, entrando num dos barcos, que era o de Simão, pediu-lhe que o afastasse um pouco da terra; e, assentando-se, ensinava do barco a multidão." (Lucas 5:3) Jesus é o divino educador. Ele ensina do barco, influindo e atuando na alma humana, e ensinar do barco equivale ao trabalho realizado com entusiasmo. É assim que funciona a sistemática educativa, é assim que tem que ser.

Ninguém consegue ensinar ou operar o que quer que seja sem a presença dessa euforia. Não tem jeito. Sem esse entusiasmo não há como se obter resultados satisfatórios, sem a euforia ficamos incapacitados de dar o nosso melhor. Para exemplificar, o dia em que alguém começar a falar ou operar em nome do Cristo de qualquer jeito, sem nenhum envolvimento íntimo, sem alegria nos olhos, sem sorriso nos lábios, sem qualquer júbilo pessoal, sem o direito de vibrar verdadeiramente com aquilo que está fazendo, o que é que vai acontecer? Ela vai ser uma pessoa neutra, fria, sem sal, destituída de autoridade.

A gente pode adquirir um vasto conhecimento e alcançar uma abrangência informativa invejável, mas o que é a sabedoria? Ela diz respeito àquele saber irradiado por meio de um plano de conquista. Em outras palavras, define a capacidade discernida de amar. Existem pessoas que continuamente querem reformar tudo. Agora, isso que é reformado, que é modificado, não tem raízes suficientemente seguras para abrigar a sabedoria. Deu para entender? Porque isso é algo interessante de se ter em conta. A sabedoria nos ensina a agir com prudência e a ter a paciência necessária para conquistar. Ela não se fundamenta tanto nos lances e nos propósitos de projeção, mas nos padrões já ajustados, consolidados, fundamentados e amplamente experimentados pelo ser.

E uma das características básicas da sabedoria é saber calar. Isso é um fato e tanto. Não tem como operar com legitimidade se não souber calar. Tem que saber calar até mesmo para ouvir e entender o posicionamento e as dúvidas do outro.

Também é preciso saber calar para poder arregimentar estratégias seguras para os momentos adequados. Repare que quase sempre nós podemos calar muitas coisas que não são convenientes ao chegar, e uma grande verdade é que a paz que uma criatura não tem apresenta relação com o silêncio que ela ainda não consegue fazer. A pessoa sábia sabe a hora de falar, sabe o que falar e sabe o momento de calar. Observe para você ver, ela abre a boca na hora certa. Porque se falar sem critério e avaliação, se ela começar, como se diz na linguagem popular, a colocar a boca no trombone, ela vai acabar por dar pérolas aos porcos, e praticamente vai diluir e tornar inexpressiva a sabedoria dela.

Então, se queremos evoluir temos que saber penetrar no campo do silêncio. Tem muita gente que não consegue entender e muito menos aplicar isso, no entanto, só podemos dizer uma coisa: na hora em que aprendemos a utilizar positivamente esse sistema nos aproximamos muito do campo irradiador do amor.

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