12 de jan de 2014

Cap 40 - A Pesca Maravilhosa - Parte 9

A REDE E O MAR ALTO

“E, QUANDO ACABOU DE FALAR, DISSE A SIMÃO: FAZE-TE AO MAR ALTO, E LANÇAI AS VOSSAS REDES PARA PESCAR. LUCAS 5:4

“E ELE LHES DISSE: LANÇAI A REDE PARA O LADO DIREITO DO BARCO, E ACHAREIS. LANÇARAM-NA, POIS, E JÁ NÃO A PODIAM TIRAR, PELA MULTIDÃO DOS PEIXES.” JOÃO 21:6

“IGUALMENTE O REINO DOS CÉUS É SEMELHANTE A UMA REDE LANÇADA AO MAR, E QUE APANHA TODA A QUALIDADE DE PEIXES.” MATEUS 13:47

A rede consiste num entrelaçamento com aberturas regulares e que forma uma espécie de tecido.

É a representação do conjunto de elementos que devidamente conjugados formam instrumento capaz de captar, já que rede é componente para apanhar algo. Não é algo sem utilidade, deve apresentar boa condição de uso e estar sempre pronta e bem cuidada, apta para o trabalho, pois figuradamente o espírito humano é um pescador de valores evolutivos nos mares amplos da vida.

A gente fala em rede, espiritualmente falando, e observa que em se tratando de jornada evolutiva nosso grande desafio agora já não é mais o diagnóstico, mas a terapia. Concorda? Nós já estamos cansados de conhecer os ângulos frágeis da nossa personalidade. Praticamente os conhecemos de cor. Evolução não garante a libertação de alguém apenas pelo montante de conteúdo assimilado.

Deu prá perceber o que queremos dizer? Quem quiser recolher o melhor da vida daqui para frente não pode mais lançar a rede de qualquer jeito e em qualquer ambiente, tem que lançá-la com técnica e sabedoria, o que pressupõe aperfeiçoamento constante, ação sábia e direcionamento. Nós estamos estudando o evangelho para isso, o conhecimento espiritual objetiva promover em nós um aprimoramento, a melhor forma de prepararmos as redes para a grande viagem aos mares altos. É o que estamos queremos saber agora, como elaborar essa rede e a utilizar para recolhermos o melhor da existência. O desafio agora consiste na capacidade de operar o valor que assimilamos.

Esclarecidos pelas verdades do evangelho percebemos que ele nos convida a lançarmos nossas redes. Não dá para adquirir esse ponto de autenticidade e harmonia que idealizamos se não nos lançarmos. Lançar tem o sentido de agir e movimentar para além e não existe construção de vida consciente sem que apliquemos as nossas possibilidades em busca da realização de alguma coisa útil.

Nessa passagem da pesca o verbo lançar se faz presente com dois significados. Repare que no primeiro momento Jesus utiliza a forma imperiosa: "Lançai as vossas redes." (Lucas 5:4 e João 21:4). O que isso significa em termos aplicativos? Que não há outra forma de evoluir, que temos que ir para esse processo de lançar, porque o conhecimento que nos chega nos desafia e precisamos ir além. Jesus, no exercício de sua autoridade moral, utiliza o imperativo e determina que usemos nossos valores para "pescar" benefícios espirituais. É uma determinação para que cada um de nós acione os padrões arregimentados sob sua inspiração. No segundo caso Pedro emprega o verbo referindo-se ao futuro: "Sob tua palavra lançarei a rede." (Lucas 5:5) Percebeu? Lançarei. Simão Pedro aponta para a possibilidade de aplicar, de investir no que o conhecimento orienta. Refere-se à vivência do testemunho, de uma definição pessoal daquilo que a gente pretende, pois se a orientação que chega nos auxilia de fora para dentro cada ação positiva efetivada corresponde a um passo certo no esforço ascensional que tem que se iniciar no próprio barco.

O entendimento do evangelho imprime em nós um esforço de renovação com o Cristo, e disso ninguém tem dúvida. Entendendo Jesus e sintonizando-nos com Ele temos que passar a lançar nossa rede no lado oposto ao que lançávamos antes de nos identificarmos com esses novos padrões. É que cada qual tem as suas escolhas e a cada dia o homem se levanta com a sua rede de interesses.

Cada indivíduo busca, à sua maneira, trabalhar o campo mental tentando direcionar a rede para as fontes de luz, mas a treva, de algum modo, é algo que está embutido em nós pelas experiências do passado. Detectamos um componente negativo em nossa personalidade que tem que ser superado, e mesmo assim ele permanece, em muitos casos, como a forma de viver da gente e nós não abrimos mão disso. E perdemos muito tempo, às vezes inúmeras vidas nas lutas reencarnatórias, para mantermos essa chama e segurar esses padrões antigos, enquanto a razão clareada já determina a necessidade de superá-los. Mesmo vendo o novo não nos desapegamos sem luta dos valores velhos. Por isso, o que acontece demais é que nós puxamos a nossa rede para cá ao passo que o condicionamento acaba por retorná-la para lá.

O que manda aí, pelo que temos aprendido, é algo relacionado com o modo e o sistema, é a eleição de vida. Um indivíduo pode pela utilização da rede fixar um objetivo para cima, mas sem dúvida ele terá que lutar muito consigo mesmo porque, sem exagero, a parte da sua instrumentalidade ainda está virada para o oposto. É por isso que é preciso jogar a rede para o outro lado. Diante do insucesso aparente inicial na pesca Jesus convoca amorosamente os discípulos a quê? A lançarem a rede para o outro lado, lançarem para o lado oposto.

Quando, pelo automatismo, paramos no tempo e no espaço a gente costuma após certo tempo entrar numa rotina perturbadora. Acontece de alguém reclamar: "Puxa, já é tanta coisa que eu tenho que fazer e ainda me aparece mais essa." Mas a vida é assim, gente. Ela é assim na sua expressão maior. Precisamos ir sempre incorporando novos padrões até mesmo para que o amor a que estamos ajustados não regrida a um processo simples de justiça mecanizada.

De um lado, tem a rede a ser lançada do barco, e do outro, o mar, celeiro abundante de onde podem emergir elementos valiosos para nós. E não vamos entrar nessa de desespero ou inquietação por causa dessa oscilação, dessa dinâmica existente. De forma alguma. Porque a dinâmica e os desafios são o gostoso da vida. Se concretizou, estatelou, parou, coagulou, o que acontece? Perde o gostinho da vida. Pense nisso. Como é que vamos ter um sorriso de satisfação em cima de uma coisa que parou? Nós temos que lançar às vezes o nosso coração em um regime de sacrifício, em um regime de ousadia. O ponto mais de cima tem caracteres que nós não possuímos ainda, e temos que visar o mar alto.

O conteúdo que vai nos projetar para a libertação é o conteúdo que vem de onde? Lá de cima. O componente daqui (rede) organiza a instrumentalidade, mas o conteúdo que vem de cima (mar alto) é que realmente é capaz de nos projetar.

É simples de entender, se ficarmos somente fazendo em termos daquilo que conhecemos a evolução fica circunscrita ao âmbito de nossa conquista. A evolução é algo que se desenvolve de modo incessante e sempre seremos desafiados a um passo além da órbita ou do limite de nossos padrões já conquistados.

O processo se faz mais ou menos assim: se aqui está o ponto da minha mente eu tenho que abrir para além. Os grandes cooperadores da humanidade trabalham para além das faixas relativas das suas conquistas. Nós estamos aqui, estudando juntos de certa forma, porque estamos querendo ir além do parâmetro que cerceia os nossos passos. Mediante a capacidade dedutiva em cima do plano perceptivo nós avançamos e ultrapassamos limites. Até onde exercemos o conhecimento concreto é o nosso universo relativo e naquilo que apreendemos e deduzimos penetramos no infinito da grandeza de Deus. De forma que nós sempre estaremos ante um desafio. Porque a euforia de nossa vida se envolve e se expressa em função da nossa capacidade de avançar e abranger.

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