30 de jan de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 2

ENFERMIDADES PSÍQUICAS

Quando o assunto é enfermidade é muito importante entender que os processos patológicos multiformes não apresentam origem apenas no domínio das causas visíveis.

Aliás, pode-se dizer com firme convicção que na maioria dos casos as afecções estão diretamente relacionadas com o psiquismo. O que ocorre é que se temos a nuvem de bactérias produzidas pelo corpo doente existe também a nuvem de larvas mentais produzidas pela mente enferma em identidade de circunstâncias, e semelhantes formações microscópicas não se circunscrevem à carne transitória.

Em outras palavras, o macrocosmo está repleto de surpresas nas formas mais diversificadas, e a gente sabe, e no campo infinitesimal as revelações obedecem à mesma ordem surpreendente. Mais que as doenças vulgares do corpo sofremos os problemas da alma, mais do que os micróbios patogênicos que nos assaltam os tecidos do instrumento físico nós padecemos a intromissão de agentes mentais inquietantes que nos atormentam as fibras mais íntimas.

Sem exagero algum, podemos dizer que as doenças psíquicas são muito mais deploráveis que as físicas e a patogênese da alma está dividida em quadros extremamente dolorosos. É difícil enumerar quantas enfermidades nascem dos pântanos da amargura, da cólera, da tristeza profunda, da desesperação, do ódio, dos desvarios do sexo. Quando os homens se convencerem de que todos os males que os afetam tem a origem no espírito, e que somente pelo espírito podem ser saneados, começarão a mudar a forma de agir e passarão a ser instrumentos de Deus.

Se nos círculos das enfermidades físicas cada espécie de micróbio tem o seu ambiente preferido, nas moléstias da alma ocorre o mesmo. Tal como ocorre nas enfermidades do corpo, antes da afecção existe o ambiente. É indispensável o terreno favorável para que as moléstias se desenvolvam, de modo que cada viciação particular da personalidade produz formas sombrias que lhe são consequentes. E estas, como plantas inferiores que se alastram no solo, por simples relaxamento do responsável, são extensivas às regiões próximas onde não prevalece o espírito de vigilância e defesa.  Sabemos que primeiro vem a semeadura e depois a colheita, e tanto as sementes de trigo como as sementes nocivas, encontrando terra propícia, produzirão a seu modo na mesma pauta de multiplicação. E o mais importante é que nessa resposta da natureza ao serviço do lavrador não acorre milagres, dá-se simplesmente a resposta da lei.

As viciações de vários matizes oferecem campo a perigosos germens psíquicos na esfera da alma, formando criações inferiores que afetam profundamente a vida íntima.

Assim como o corpo físico pode ingerir alimentos venenosos que lhe intoxicam os tecidos, o organismo perispiritual pode absorver elementos de degradação que lhe corroem os centros de força, trazendo reflexos sobre as células materiais.

A invasão desses elementos psíquicos, tais como os micróbios, as bactérias, os vírus, ou algum outro agente dessa mesma natureza, por serem todos eles infinitesimais, ocorre em uma linha de captação muito sutil, às vezes até imperceptível, e penetra quase sempre pela condição vibracional. Então, pode acontecer da pessoa estar com esses componentes circulando no corpo, a pessoa pode estar jogando futebol, nadando, fazendo suas atividades normais e não notar nada. Aparentemente ela não tem nada. Dá-se que ela incorpora para depois desenvolver o mecanismo sintomático internamente e esses passam a se expressar de dentro para fora, gerando determinada doença ou patologia.

Na vida nós estamos emitindo componentes positivos ou negativos, e no que reporta aos negativos muitas criaturas apresentam anticorpos a eles, e esses não lhes tocam, ao passo que outras já são suscetíveis de receberem esses elementos. Pense no seguinte, às vezes nós somos minados em determinadas áreas do próprio corpo físico como simples reflexo de uma invigilância nossa do plano mental. Em se tratando de criaturas desprevenidas tanto adoecem corpos como almas.

Se a mente da criatura ainda não atingiu a disciplina das emoções, e se alimenta de paixões que desarmonizam com a realidade, ela pode a qualquer momento intoxicar-se com as emissões mentais menos felizes daqueles companheiros com quem convive e que se encontram em estado de desequilíbrio.

Às vezes, essas absorções são simples fenômenos sem importância, mas em muitos casos são suscetíveis de ocasionar perigosos desastres orgânicos. Isso acontece geralmente quando os indivíduos não tem uma vida de oração, cuja influência benéfica pode anular inúmeros males. Tal como ocorre no campo das enfermidades físicas, o contágio é fato consumado desde que a imprevidência ou a necessidade de luta criem ambiente propício entre aqueles seres do mesmo nível.

De forma alguma devemos conservar detritos no coração, tampouco manter aversão e rancor na alma. Porque o que nos é possível saber, dentro do campo das cogitações terrestres, é que a desestrutura das vibrações inferiores reflete negativamente no corpo físico de forma imediata, e quase sempre o corpo doente assinala a mente enfermiça.

O desequilíbrio da mente pode determinar a perturbação geral das células orgânicas e as intoxicações da alma determinam invariavelmente as moléstias do corpo.

No capítulo das moléstias não podemos considerar tão somente a situação fisiológica propriamente dita, mas também o quadro psíquico da individualidade, e qualquer trabalho terapêutico que não consegue visualizar o homem como um ser integral, numa visão ampliada de espírito e matéria, oferece somente paliativos à criatura que, em breve, retornará ao seu estado doentio.

Existem pensamentos enfermiços de queixa, mágoa e antipatia, entre tantos outros, que solicitam adequada medicação para que seja restaurado o equilíbrio.

Portanto, deve sempre haver um tratamento direcionado nesse sentido, razão pela qual a medicina humana no futuro será bem diferente. A ciência médica atingirá culminâncias sublimes quando compreender a extensão e a complexidade dos fatores mentais no campo das moléstias físicas, quando ela conseguir visualizar no corpo de carne transitório a sombra da alma eterna.

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