25 de fev de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 8

O PROBLEMA É ÍNTIMO

É comum, muito mais do que se imagina, quando somos incomodados por determinada situação durante um bom tempo, considerarmos os instrumentos exteriores a nós, os acontecimentos de forma geral, os elementos circunstanciais, como sendo a causa original do nosso infortúnio.

Nós ainda misturamos o que é causa original com o instrumento didático e o que ele pretende, então, de certa forma nós criamos briga com o pai, com a mãe, com o filho, com o sócio, com o patrão, quando na verdade os elementos externos representam simples instrumentalidade para resolver o problema que é dentro de nós, e instauramos um pólo fechado, criando um núcleo que passa a definir um móvel de sofrimento por longo tempo, até mesmo por várias encarnações.

Na nossa ótica, a causa da nossa infelicidade o que é? É fulano de tal, é aquele vizinho ali, aquele colega. A gente transfere. Elegemos o que é o instrumento detonador de um processo negativo em nós como sendo a causa básica do nosso problema. Vemos os instrumentos circunstanciais, que vem para ativar o processo, como sendo o grande problema e, assim, colocamos as pessoas, as situações, as coisas, as circunstâncias exteriores à nossa volta como sendo a causa da nossa infelicidade.

Tem o parente que a gente vê como inimigo, tem o lugar que a gente abomina, que não passa nem perto. O problema tanto pode ser o nosso vizinho da direita, como o da esquerda, então, nós brigamos com o da direita. Dentro de casa acontece o mesmo com relação ao filho, à sogra, à mãe, ao tio, à tia, e acaba dando aquela confusão danada. Não é isso? Todo mundo é assim. Elegemos. Aquela para nós é a causa, e pronto. Assim fazemos porque para nós é muito mais fácil transferir a responsabilidade para o exterior, quando na verdade a causa é a gente mesmo. Fica muito mais fácil do que assumir efetivamente a responsabilidade por tudo de desagradável que nos acontece.

Em suma, colocamos os instrumentos circunstanciais para detonar o processo, que é dentro da gente, como sendo a causa. Elegemos um instrumento detonador, que nada mais é do que um fator acionador do processo negativo em nós, como sendo a causa base, quando a causa verdadeira é a gente mesmo. 

Então, vamos esclarecer uma coisa: precisamos assimilar de forma definitiva que o componente que está nos incomodando e pesando em nós é só circunstancial.

O campo exterior em que se manifesta um determinado problema é tão somente a instrumentalidade didática, ele está apenas atendendo a uma necessidade fundamental nossa, porque o problema na essencialidade é íntimo.

O campo exterior é o instrumento que levantou a poeira. Vamos imaginar um exemplo bem simples que pode ajudar um pouco: imaginemos um quarto escuro, totalmente escuro e sem luz. No meio dele uma grande caixa, completamente cheia de poeira. Imaginou? Alguém entra nesse quarto, na completa escuridão e sem ver, claro, chuta a caixa que levanta poeira para todo o lado. O problema não é a pessoa que chutou, o problema é a caixa no chão.

Deu uma ideia? No mecanismo dinâmico de aprendizagem os fatos, as pessoas e as circunstâncias menos felizes que nos alcançam negativamente não constituem o problema, são fatores que levantam a poeira e objetivam ser componentes de manifestação do problema. Os acontecimentos que constituem o impacto fazem um trabalho de ativação. No entanto, ao invés de fazermos a observação e o levantamento acerca do ponto frágil que deu condição para essa queda, que constitui a origem do problema, o fator que instaurou o problema, nós vamos em cima do instrumento. Valorizamos a instrumentalidade exterior e esquecemos a linha vibracional que motivou aquele acontecimento. Preocupamo-nos muito com o fato, com a pessoa, com a circunstância, com as ocorrências em si, e as definimos como sendo a causa e o componente que instaurou a tristeza e o sofrimento, quando eles são só circunstanciais.

Se nós estamos às voltas com determinada dificuldade que nos alcança de forma mais imperiosa, temos que procurar entender qual é o elemento originário da dificuldade, qual é o fator básico dela. Porque o componente exterior não é praticamente o responsável pela dificuldade, pelo nosso desconforto.

O campo exterior em que se manifesta o problema é instrumentalidade didática, pois o responsável pela dificuldade somos nós próprios, afinal o problema é íntimo. Isto tem que ficar claro. As complicações nem sempre estão na atuação fechada e finalística dos acontecimentos, a complicação está na germinação lá atrás, nas nossas ações anteriores, onde se elaborou a nível criativo no campo. Nós lá atrás lançamos a semente. O problema não é o vizinho, o parente ou qualquer outro fator extrínseco, o problema é a intimidade nossa que está combalida e frágil naquela posição. Quer outro exemplo?

Aquele indivíduo que em certo período de tempo perdeu muitas coisas que eram importantes para ele. Perdeu o emprego, ou a empresa quebrou, o casamento se desfez, o problema de saúde surgiu, e por aí afora. E ele culpa uma série de fatores externos com sendo a causa da dificuldade. Às vezes, o problema dele sabe qual é? O orgulho. Isso mesmo, o orgulho, que como fator germinativo estruturou em torno um conjunto de variantes. A conclusão é que nós vivemos momentos infelizes em decorrência das causas que semeamos. Os problemas mais contundentes que nos afetam não caem sobre nossas cabeças por acaso, estão na pauta direta das nossas necessidades. É preciso que enxerguemos para além, pois atrás de cada acontecimento existem coisas embutidas. Da mesma forma que toda punição se encontra na linha direta da falta cometida, cada problema é instrumento útil e obedece a determinado objetivo.

É por isso que percebemos o que acontece em nossa própria vida. Às vezes, a gente vence um problema. Beleza, ótimo. Acha que ele tinha sido resolvido, e vem um pior.

Isso ocorre porque os fatos que emergiram, que surgiram, foram equacionados, mas não foi equacionado o ponto fundamental do nosso espírito que está motivando esse sistema de experiências. Alguém pode estar vivendo uma situação difícil, dura. Ele resolve um problema, vem outro a seguir. O que é que está havendo? Será que ele não está resolvendo o problema? Muitas vezes, não.

Pode acontecer dele estar apenas como aquele time de futebol, sofrendo um tremendo sufoco do adversário. A bola chega na área dele e é tirada. Livra daqui, logo vem outra bola na área. O goleiro e a defesa ficam doidos com tanta pressão recebida. É que, como num jogo, a criatura está vivendo um processo, não apenas um fato isolado e o fato é o componente incluso dentro do processo. Então, repare que se eu elimino por providências drásticas, por exemplo, aquele componente que está gerando a dificuldade, e se essa dificuldade não foi extirpada dentro de mim, outro problema entra no lugar e continua o processo.

Se nós solucionamos a toque de caixa, como se costuma dizer, um problema, aquele obstáculo foi superado, mas o problema essencial continua, e vem outro.

Percebeu? Em certa situação, se não existisse um problema entraria outro problema. Para resolver a questão poderia ser o problema A ou o B ou o C ou o D. Vamos imaginar que na circunstância específica a situação coube ao B. Sem falar que se o B não estivesse ali seria outro que iria estar. Porém, se a gente resolve o B da jogada e não resolve o problema efetivo, entra o C, e entram outros tipos de problemas.

O desafio no campo exterior não é o problema, pois o problema é íntimo. Vamos analisar com calma quando determinado problema estiver persistindo na nossa vida. Vamos pensar com bastante carinho na solução dele. Se analisarmos somente os fatores externos em vez de nos atermos ao ponto frágil que possibilitou a queda, valorizamos o instrumento e esquecemos a linha vibracional ou base que motivou certo acontecimento. Se eu resolvo a toque de caixa certo problema, aquele obstáculo específico foi superado, mas o problema continua, e vem outro, e outro, até que um possa atender ao objetivo.

Logo, é importante saber que não adianta apenas jogar para a margem o problema, que não adianta jogar o pó para debaixo do tapete. Antes de superarmos um problema, que é reflexo da nossa dificuldade interior, em tese faz-se necessário o saneamento do fator originário, afinal podemos imaginar o que acontece se resolvemos o problema e não resolvemos a origem. Paciência e diligência para que certa dificuldade exterior possa trazer, embutida, a solução interior.

21 de fev de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 7

A SEGUNDA MORTE

“QUEM TEM OUVIDOS, OUÇA O QUE O ESPÍRITO DIZ ÀS IGREJAS: O QUE VENCER NÃO RECEBERÁ O DANO DA SEGUNDA MORTE.” APOCALIPSE 2:11

“EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA, E A TENHAM COM ABUNDÂNCIA.” JOÃO 10:10

Vamos começar imaginando um exemplo: você é capaz de chegar num banco tendo alguma dívida. Você chega lá e diz: "Tenho valores, tenho renda, tenho patrimônio". Você consegue do banco um empréstimo para sanar as suas dívidas.

Mas se as suas dívidas continuarem crescendo pode chegar a um ponto em que não tem jeito mais. Aí você passa a estar nas mãos de quem? Das autoridades. Demos um exemplo simples, mas de certa forma é aí que se dá a segunda morte. Ou seja, enquanto você tem uma parcela de administração está na primeira morte, você perdeu, você passa a estar nas mãos das autoridades. A segunda morte significa que o cerceamento e o impedimento da capacidade de ação e de realização está para além de um ou mais ângulos da vida, isto é, a criatura perde temporariamente a capacidade de dirigir a si própria.

É preciso ter certo cuidado com as nossas ações do dia a dia, sabermos examinar a cada instante qual é a legítima intenção que vigora em nosso coração, o que de fato nós estamos pretendendo. Porque todas as vezes em que brincamos demais com a vida e utilizamos de forma indevida o nosso livre arbítrio começamos a entrar em terrenos difíceis que tem como resposta sofrimentos, dificuldades e desajustes mais ressonantes, muitos deles com quadros dolorosos que demoram um tempo considerável no processo de saneamento.

A questão é séria. Quando brincamos de viver e acionamos o livre arbítrio segundo nosso capricho pessoal, com o desmando e afronta à realidade da lei divina que já entendemos, não ficamos debaixo de provas, ficamos debaixo de expiação, expiação esta representada por quadros dolorosos aos olhos humanos.

Então, normalmente a segunda morte é decorrente da falta de capacidade de vida nossa.

Em muitos casos, a segunda morte não é unicamente naquele sentido de perder direito a alguma ou algumas formas de expressão. Não é apenas deixar de ter liberdade de atuação e realização em certos ângulos da existência, mas em muitos momentos é perder essa liberdade por inteiro dentro da associação que a nossa vida tem com aquilo que nós chamamos de livre arbítrio. Está dando para entender? Ela representa a circunstância de perda do livre arbítrio, a criatura perde a capacidade de direcionamento. Em outras palavras, quer dizer que quando a criatura cai nessa segunda morte é porque ela perdeu o direito de administrar a própria caminhada de vida. Ela perde o direito de exercer o seu livre arbítrio, e por representar a perda do livre arbítrio a segunda morte tem valor de expiação, constitui a entrada no plano expiatório da vida.

O assunto é desafiador e a gente nota que todo estado acaba originando uma consequência. O dano da segunda morte define a consequência de um estado, decorre da falta de capacidade de administração da própria vida. É uma consequência, sim, um prejuízo temporário, e quem gera essa segunda morte com certeza não é o criador, nem as leis que nos regem, e sim a própria individualidade com as suas ações desequilibradas. Constitui o prejuízo circunstancial ao transgressor a benefício dele próprio e, muitas vezes, da coletividade onde orbita o seu campo de ação. É uma aplicação de recursos mais enérgicos direcionados com propósitos superiores, cujo objetivo é despertar o infrator da lei para que este se disponha à recuperação em favor de si mesmo.

Muitos que estão vivendo aqui a segunda morte estão sem direito claro de escolha.

A criatura perde a capacidade de administrar a si própria, tem cerceado o uso do seu livre arbítrio. Fica à disposição, se posiciona em face do que possa acontecer, ou seja, fica debaixo da ação da misericórdia. A segunda morte representa aquele episódio em nossa vida em que nós não temos alternativas, encontramo-nos entregues às determinações divinas. Nela, a criatura se encontra nas mãos de terceiros, situa-se debaixo da vontade superior.

Quando nós atingimos esse estágio ficamos por conta das decisões exteriores em Deus, da misericórdia dele. Quando nós nos perdemos no conceito do crescimento consciente ficamos à mercê da divindade. Por exemplo, aquela criatura que se encontra psiquicamente alienada pelos distúrbios mentais, alienada no aspecto psíquico, sem domínio pessoal, ou entrevada em uma cama, com paralisia cerebral, entre outros exemplos, está debaixo da segunda morte.

Aí temos que recolher os efeitos das nossas ações pretéritas menos felizes com paciência. Sempre que estamos debaixo desse tipo de acontecimento, que dependemos exclusivamente dos padrões exteriores e da própria linha da misericórdia de Deus, nós estamos debaixo da incapacidade operacional nossa, aí não adianta estrebuchar, nem reclamar, nem bater o pé, nem se revoltar. Mas a criatura mesmo nessa situação não vai ficar marginalizada, corações a amam.

As criaturas que estão envolvidas por essas dificuldades, nós vamos notar que elas estão debaixo do regime de sofrimento, de instabilidade e dor, mas atrás desses acontecimentos vamos encontrar praticamente uma linha indicativa promovendo a redenção e a libertação desses elementos. Não vamos nos esquecer de uma coisa, a morte de Jesus redundou em que? Em revivescência. Logo, se a morte de Jesus redundou em revivescência, o divino criador oferece às criaturas, seus filhos, em muitos casos, um processo de ressurreição através de uma segunda morte de natureza expiatória. Essa segunda morte é proposta do próprio mecanismo evolutivo para que a criatura ressuscite, e dentro dela a individualidade vai receber em muitos momentos a oportunidade de refletir e de pedir para que sejam minoradas as ressonâncias da lei. O dano da segunda morte pode ser subtraído na medida em que se opera no tempo.

A gente sabe que nossas ações, mediante o uso que fazemos do livre arbítrio, abrem territórios da vida, como também decretam nossa morte a cada momento.

Jesus veio nos trazer vida em abundância, não é? Só que não se trata de vida no sentido biológico. Vida em abundância não é questão de vida orgânica, e essa vida não está relacionada com o fato de reencarnar ou de desencarnar. Também não tem a ver com a vida do espírito desencarnado, porque existe espírito desencarnado que está sofrendo e não está em uma vida efetiva. Vamos deixar claro que essa vida é estado de alma, é vida na sua essencialidade de opção, de seleção e de escolha. Ficou claro? Afinal, nós sabemos também que tem gente viva, reencarnada, que está morta intimamente.

O que é vida eterna? É a capacidade de jornadear o destino sem aqueles lances que vem ferindo e jogando a gente para baixo. É a capacidade de viver e existir sem criar estado de morte, morte no sentido do erro, do pecado. É vida que não tem cheiro de morte.

Espiritualmente falando, viver é algo diferente de existir. Vida é a experiência digna da imortalidade. Vida eterna, que o evangelho propõe, é o estado em que conseguimos o maior índice possível no sentido de aproveitamento adequado da experiência que vivemos. É a linha natural da vida em que cada um oferece o melhor do seu coração. Vida em abundância, a que Jesus se refere, não é só no sentido de existir, é no aspecto de integrar-se em um processo de harmonia, e é no estado de harmonia, nessa linha de sintonia e afinidades positivas, de autenticidade pessoal, capacidade seletiva, inteligência plena e equilíbrio interior, que está caracterizada o que os religiosos chamam vida eterna.

15 de fev de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 6

A MORTE (PRIMEIRA MORTE)

No entendimento das escrituras a gente precisa decodificar o sentido literal de muitas expressões para poder ir a uma faixa espiritual para além.

Morte, por exemplo, no sentido finalístico como a entendemos, não existe. A morte física nós sabemos que é vida para o outro lado, então, no evangelho morte significa perda da vida, diz respeito à morte moral. E o mestre Jesus vem nos trazer vida em abundância porque nossa vida está repleta de facetas de morte. Já parou prá pensar nisso?

A vida que conhecemos nem de longe é abundante, é vida num âmbito relativo.

Repare para você ver, quando a gente, por ações desvirtuadas, pisa na bola ou resolve aplicar a nossa conceituação de maneira fechada ou egoística, nós costumamos abrir um processo de incompatibilização com as leis maiores que nos regem e nos deparamos com determinados efeitos, e temos que viver com aquilo.

Quando nós, pela irreverência do campo íntimo, e pela falta de equilíbrio e segurança, utilizamos de maneira tão triste o livre arbítrio, que é o direito de optar e de escolher, nós caímos num território em que perdemos o direito de administrar a própria vida em determinados ângulos dela. Está dando para entender?

Morte, no plano íntimo do ser, é quando nós perdemos o direito a determinada forma de operar ou de agir. Ela define uma perda de caracteres de ação do dia a dia, e sabe por quê? Porque pela utilização de maneira menos feliz do nosso direito de optar e de escolher, muitas vezes nós somos lançados num território em que perdemos o direito de administrar a nossa própria vida em determinados ângulos dela. Está acompanhando? Porque isso tem que ficar muito claro para nós neste estudo. É preciso entender que essa morte é no sentido de desativação. Para a criatura que está debaixo dela é vedado o direito de operar em determinada área da vida. Logo, um grande percentual de criaturas à nossa volta, sejam espíritos encarnados ou desencarnados, apresenta estado de morte para certos ângulos da vida. Existem muitos mortos, inclusive a gente mesmo, em determinadas facetas da realidade evolutiva. Se cada um de nós fizer um levantamento pessoal vai notar a dificuldade específica em determinada área. Nós todos estamos mortos para certos setores. Você pode estar, ou qualquer um de nós aqui, morto para determinados favorecimentos da vida, e não adianta, que aquilo não vem para você.

O negócio é assim com todo mundo: em um determinado ponto da vida eu vivo, em outro também, naquele ponto específico estou morto, e daí por diante.

O mal rico em vida passada, que usou de forma indevida e desajustada os valores que possuía, pode reencarnar e vir morto para a realidade financeira. Ou seja, vem com a capacidade de realizar nessa área específica tamponada. Passa a vida inteira correndo atrás de dinheiro e não consegue obtê-lo. Estuda, trabalha, faz cursos, mestrado, dedica, investe, luta, é inteligente, decidido, não tem preguiça, mas não consegue a realização financeira de jeito nenhum. Cansou de trabalhar para os outros, montou empresa, a empresa quebrou, e por aí vai.

Já tem criatura, por sua vez, que reencarna com marcas no campo da saúde Não tem? "Ah, melhorei disso!" Aí vem aquilo. "Melhorei aquilo", e vem outro. Não é isso? Quer dizer, ele vem com uma marca. Então, para alcançar uma situação harmônica no campo biológico ele está sempre às voltas com a sua busca de melhoria. Ele está debaixo de um estigma de morte naquela área. Na hora em que ele acha que vai para a frente surge um problema. A vida dele é assim.

Outro tem de tudo à sua volta. Boa saúde, uma família excelente, ótima casa para morar, tem o seu carro para se movimentar. Está amplamente cercado de valores, mas não consegue ter nas mãos com tranquilidade a administração financeira? Porquê? Porque naquela área ele teve que entregar a chave do cofre. Percebeu? Complicou tudo lá atrás. Resultado? Tiraram a chave do cofre da sua mão.

Então, nesses casos e nessas áreas a pessoa fica à mercê de quê? Do que vem na barca da misericórdia. Isso no campo afetivo é a mesma coisa. A pessoa tem de tudo. Vive rindo, tem família, muitos amigos, bom emprego, mas quando o assunto é a área da afetividade, sai de baixo. Não consegue a realização. Frequenta barzinhos, em barzinho não acha; vai para internet, na internet também não. Sempre encontra pessoas com problemas do outro lado. E fica levando a vida como se fosse uma criatura mendigando nessa área.

Agora, vamos observar uma coisa: essa morte é uma morte entre aspas. E nós dizemos que é um estado de morte entre aspas porque embora vedados para a realização em alguns ângulos ainda garantimos a realização em muitos outros. Tem muitos outros aspectos e setores em que a gente administra satisfatoriamente. Em muitos pontos a gente consegue administrar, temperar, redirecionar, enfim, temos tudo a favor para passarmos, e passarmos bem, pelas provas.

Por meio dessa situação a gente vai entendendo que os problemas mais contundentes que nos alcançam na atualidade são parte do processo de caldeamento do próprio destino, o que equivale a dizer que passamos por dificuldades em razão de termos aprontado lá atrás naquelas áreas específicas em que somos dificultados.

Todavia, mesmo diante dessas particularidades nós conseguimos manter o direito de nos movimentar em tantos outros ângulos da própria vida. E é imperioso sabermos abrir o coração para que a situação não seja entendida com um elemento de bloqueio, de cerceamento ou um elemento impeditivo do nosso crescimento. Até pelo contrário, que seja entendido como sendo um elemento positivo de projeção da nossa alma no rumo de sua evolução consciente.

12 de fev de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 5

SENSIBILIZAÇÃO

“BEM AVENTURADOS OS QUE CHORAM, PORQUE ELES SERÃO CONSOLADOS;” MATEUS 5:4

Em razão da rebeldia contumaz que mantemos em relação aos desígnios sublimes, é comum nosso coração começar a sentir quando as lágrimas caem.

Não era para ser assim, mas geralmente é. Infelizmente é assim. É no infortúnio que conseguimos colher os melhores ensinamentos. As lições que daí decorrem gravam-se indelevelmente em nosso espírito. Isto porque a dor tem possibilidades desconhecidas para penetrar os espíritos onde a linfa do amor não conseguiu brotar.

A sabedoria divina permite que a dor eduque quando o amor, por não ter sido descoberto ou acionado, não foi capaz de realizar a mesma função. Como o arado rasga as entranhas da terra, cortando fundo, abrindo sulcos e removendo a superfície endurecida, o sofrimento, abalando profundamente o íntimo de nosso ser, desperta a consciência adormecida, acorda a razão e afina os sentimentos. Como o arado e os adubos tornam produtiva a terra estéril, a dor converte as almas frias e egoístas em corações generosos e fecundos em obras de amor.

O sofrimento é muito importante na vida das criaturas humanas, quer se admita ou não. Todos os que gemem e sofrem estão de certa forma melhorando.

No fundo, toda a lágrima sincera é sintoma de renovação e em toda parte a dor sincera é digna de amparo. Além do que, não podemos esquecer que quem está sofrendo está pagando e é muito mais gratificante a criatura pagar as dívidas que tem do que contrair novos débitos. Os olhos são os instrumentos de interação com os seres e as coisas e lavá-los pelo pranto proporciona uma ótica bem mais nítida acerca da própria existência, razão pela qual para quem já vê a marcha do progresso sob parâmetro mais avançado as lágrimas não apenas lavam o coração, mas sugerem ao espírito sofrido abrir-se para novos lances.

Então, vamos nos tranquilizar. Cada vez que a lei vem o sofrimento representa uma esperança. Cada vez que nós entramos em um processo de liquidação, de ressarcimento com o destino, aqueles espíritos que nos amam e nos acompanham com certeza oram profundamente no intuito de que tiremos da experiência uma mentalidade nova. No momento em que uma criatura é sensibilizada, e modifica a sua linha íntima com a visualização de novos padrões de vida, é como se nessa hora valores novos se somassem ao seu psiquismo. A dificuldade de alguém muitas vezes pode não trabalhar o ponto indicativo de uma vivência em outra ótica, mas com certeza constitui um sistema que opera alterações de profundidade no seu psiquismo. Agora, o que não se pode esquecer é que a dor apenas traz. Deu para perceber a colocação? Ela é como componente despertador, e no papel de ascensão já não passa mais a ser prioridade. A pessoa pode até reconhecer que teve que sofrer bastante para sentir e despertar, mas ninguém é trazido ao evangelho na marra, constrangida. Isso não existe, para essa mudança ela nunca é obrigada.

Eu não quero desanimá-lo, de forma alguma, mas se você objetiva usufruir da vida com absoluta tranquilidade, e caminhar pelos dias tendo apenas paisagens belíssimas e céu claro por toda a jornada, sem dificuldade alguma, sem atropelos de qualquer ordem e sem impactos, esqueça! Você vai ter muitas decepções.

Porque isso você só vai encontrar no plano espiritual. Sem contar que somente lá os espíritos ficam procurando os focos ou bolsões de necessidades vigorantes no planeta. Aliás, lá é muito fácil obter esse componente de sensibilização. De uma forma natural lá a sensibilização vem de dentro para fora, essa postura é introjetada em nós e ficamos naturalmente bastante sensibilizados.

Aqui embaixo o processo é outro, se dá de forma invertida. Ou seja, os impactos funcionam como verdadeiros instrumentos de despertamento do ser. Está acompanhando? As dores e provas acerbas tem a finalidade de semear o campo da compreensão e do discernimento. A atuação do sofrimento desperta a humildade naquele que sofre. Em muitas ocasiões só passando pela necessidade conseguimos trabalhar o sentimento mais nobre. Aqui o interesse pelo semelhante vem precipitado em sentido inverso, de fora para dentro. Em tantas ocasiões a nossa passagem por tantas dores e sofrimentos é exatamente para adquirirmos essa capacidade de termos misericórdia. A expiação, como sendo aquela carga forte de fora para dentro, é para nos ensinar a sensibilizarmos com os outros. Só necessitando de misericórdia enxergamos o quanto é importante sermos misericordiosos com os irmãos da estrada.

Muitas vezes sofremos para nos despertarmos para o sofrimento alheio, para as dores alheias, para podermos por nosso exemplo enxergar as necessidades dos semelhantes. Às vezes, temos que receber um impacto sobre nós mesmos para que aprendamos quanto ao que se passa no coração dos semelhantes, o que vai, por sinal, favorecer enormemente a nossa ação amanhã, quando guindados às possibilidades de cooperar. Pois é impossível ajudar os outros em áreas em que estejamos desinformados, não é possível auxiliar em certas frentes sem conhecer.

E uma coisa importantíssima que não podemos esquecer é que o sofrimento ensina. E, por incrível que pareça, quanto mais profundo ele é maior se faz o valor da lição. Ele nos beneficia com lições preciosas para a elevação imortal. Mas sabe qual é a dureza disso? Sabe qual é o problema? É que na maioria das vezes mal a gente aprende e já esquece o aprendizado. Não raras vezes esse aprendizado permanece em nós apenas como uma filosofia bonita, de entendimento e proposta, esquecendo-o após a supressão da dificuldade que nos facultou o saber.

Deu para entender? Nós aprendemos e nada, aprendemos com a dificuldade, mas não mudamos nossa postura e não fazemos o que programamos. Por exemplo, é muito comum alguém no meio de uma grande dificuldade clamar pela ajuda divina. É comum até mesmo prometer alguma coisa caso saia daquele aperto em que se encontra: "Oh! Meu Deus. Ajude-me a sair dessa. Eu prometo que se conseguir sair eu vou mudar, vou fazer isso, fazer aquilo, ajudar muitas pessoas." Isso é comum demais. Percebeu? No entanto, quase sempre a criatura sai da dificuldade, reconhece que aprendeu muita coisa com ela, mas após sair ela esquece as promessas que fez e em nada muda a sua linha de ação. Aí, quando vem outra dificuldade imperiosa a situação se repete de novo.

6 de fev de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 4

A SOMBRA DOS BENS FUTUROS

“PORQUE TENDO A LEI A SOMBRA DOS BENS FUTUROS, E NÃO A IMAGEM EXATA DAS COISAS, NUNCA, PELOS MESMOS SACRIFÍCIOS QUE CONTINUAMENTE SE OFERECEM CADA ANO, PODE APERFEIÇOAR O QUE A ELES SE CHEGAM.” HEBREUS 10:1

É uma tendência nossa, que trazemos lá de trás, da retaguarda, considerarmos os acontecimentos mais difíceis que nos alcançam, aquelas situações mais retumbantes e negativas, como sendo um elemento punitivo.

Analisando o sofrimento sob nosso enfoque, de baixo para cima, temos a percepção de que sofremos hoje porque de alguma forma erramos ontem. Para a nossa visão limitada do contexto evolucional a lei vem nos cobrar, vem para nos fazer respaldar o que temos de débito.

Ou seja, o sofrimento que nos alcança corresponde à lei que se cumpre, de forma que tantos indivíduos estão vivenciando problemas sérios hoje em razão das suas ações pretéritas e em razão do passado todos nós estamos liquidando débitos. Não estamos errados, o próprio apóstolo Paulo diz que é imperioso que a lei se cumpra. E a lei se manifesta nas nossas vidas muitas vezes com expressões de dor quando nos mantemos distanciados dela, a definir que toda a postura de afastamento da lei gera uma resposta de sofrimento.

Mas o que ocorre é que a lei representa "a sombra dos bens futuros". Na visão ampliada de cima para baixo nós não sofremos hoje porque erramos ontem, o que ocorre é que recebemos a oportunidade de repetirmos a experiência necessária, de saldarmos nossos débitos e seguirmos crescendo a caminho da evolução ao Pai. É por esta razão que cada problema que nos alcança não vem de graça. Não cai sob as nossas cabeças à toa, sem objetivo, mas é instrumento didático. No fundo é a luta aperfeiçoando a vida, até que a vida se harmonize sem lutas com os desígnios sábios do Senhor. Então, nós temos que entender e analisar que há um porque dos acontecimentos que nos envolvem.

Vamos tentar clarear. Alguém está tendo um problema sério. O que ocorre é que em razão do passado nós estamos liquidando um débito, certo? Agora, essa lei, que para a nossa percepção está cobrando hoje o que devemos do ontem, sob a ótica superior, de lá para cá, em sua essencialidade, ela tem a "sombra dos bens futuros", isto é, ela não está aqui para fazer a gente pagar não, está aqui para abrir um caminho novo para a gente. As dores corrigem, as lágrimas purificam e não existe sofrimento sem finalidade de purificação e elevação.

A vida nos apresenta muitos momentos difíceis, complicados, sofridos. Vamos imaginar à nossa volta, por exemplo, o ambiente de fome, o ambiente de desemprego, de sofrimento. É claro que não somos hipócritas a ponto de aplaudir isso. Não tem nem jeito. Mas vamos reconhecer que isso representa a manifestação das leis que nos regem. Não há nenhuma pretensão nossa adotar uma filosofia masoquista de que temos que sofrer para nos purificar. Longe disso, e muito pelo contrário, o que queremos é entender que o mal é um bem não revelado. Machuca, tumultua, dificulta e leva às lágrimas, no entanto, o mal, representado numa dificuldade, projeta uma lágrima, cuja lágrima, quem sabe, está lavando a escória da nossa própria personalidade. Ficou claro?

O sofrimento, de cá para lá, é tido como alguma que cerceia, é esse fantasma que nos faz chorar e sofrer, porém, dentro desse cerceamento e da aplicação da lei existe alta dose de investimento. De lá para cá existe o investimento em uma oportunidade, de forma que dentro do processo de quitação e reajuste a gente aprenda com a experiência e seja feliz. A manifestação das leis que nos regem, como mecanismo da sabedoria divina, às vezes nos leva às lágrimas hoje para que possamos sorrir com tranquilidade no dia de amanhã.

A lei contém "a sombra dos bens futuros" define para nós que ela tem relação com o amanhã.

Assim, não existe uma reação negativa da leis que nos regem. Elas não tem um sentido negativo, ainda que machuquem e que sofram as criaturas a elas vinculadas.

São mais endereçadas às aniquilações do homem velho. Por isso a gente tem que entender que o sofrimento, de lá para cá, é uma instrumentalidade desconfortável, mas com acentuado cunho didático. Vem para nos levar ao equilíbrio. Atrás do contexto, às vezes, demorado entre a causa infeliz (causa) e o resgate (efeito), há sempre uma proposta superior reeducacional da individualidade.

Sabe por quê? Simples. Porque atrás do cumprimento da lei de causa e efeito existe e vigora uma lei maior: a do progresso. E simplesmente o cumprimento da lei, apenas o mecanismo de cria a dívida e paga a dívida ou matou, depois morreu e com isso pagou, não haveria progresso. Pense bem, a proposta da misericórdia divina não é liquidar, machucar e punir, a proposta superior é fazer o ser avançar, libertar, integrar-se nas faixas lindas e expressivas do amor.

Temos aprendido neste estudo que as reações da lei não apresentam aquele sentido puramente de dizer basta ou mostrar a nossa pequenez. Longe disso, elas trazem uma instrumentalidade didática em si própria para que a gente descubra o processo e se ajuste a um caminho novo. Porque ao visitar uma criatura a dificuldade surge apresentando em si dois aspectos: respaldando o próprio passado ao nível de sofrimento, fazendo mesmo ela pagar o que deve e, ao mesmo tempo, contendo dentro de si uma vibração específica, modulada de tal maneira que possa levar a criatura a um estado novo de consciência. Percebeu?

A dor é individual e nós a recebemos conforme as necessidades próprias, com vistas ao resgate do passado e a situação espiritual do futuro. Os acontecimentos imperativos fazem o papel de saneamento e também de instauração de um grau consciencial na individualidade. O embaraço de hoje muitas vezes é o benefício de amanhã. A dor que persegue é manifestação da bondade superior, cujo buril oculto de sofrimentos remodela e aperfeiçoa com vistas ao futuro espiritual.

A cura de uma enfermidade quase sempre é o resultado dos meios dolorosos que se empregam para combatê-la. A bagagem pesada de sofrimentos constitui alicerces de uma vida superior repleta de paz e alegria. Essas dores constituem o auxílio de Deus à terra estéril dos corações humanos, chegam como adubo divino aos sentimentos das criaturas terrestres para que de pântanos desprezados nasçam lírios de esperança. O sofrimento tem causa, uma vez que ninguém sofre sem merecer, e tem também uma utilidade. Tem uma função preciosa nos planos da alma como tem a tempestade que, propiciando a higiene da atmosfera, tem lugar importante na economia da natureza física.

Então, vamos entender uma coisa, essa sombra a que estamos nos referindo, e que pode ter um sentido negativo, como a representação da sombra interna, no plano reeducacional define o ponto geratriz da luz. Não vamos ficar tristes diante das situações difíceis, essa reação da lei traz consigo um carimbo íntimo chamado amor, recuperação, recomposição e exame da própria caminhada de vida.

A mordida da cobra, por exemplo, traz o veneno, não traz? Mas o veneno também não é o componente para a elaboração do antídoto? E se o antídoto é de natureza positiva, algo de positivo prepondera em cima disso. Deu uma ideia agora? A própria serpente oferece o antídoto, isso é muito interessante, resolve sobre si próprio. A dor chega e a sua própria manifestação traz consigo o saneamento.

A lei não vem apenas cobrar o que se deve, ela vem mostrar a sombra dos bens futuros, a virtude que nós precisamos desenvolver para nos sentirmos melhor.

Daí, entre o dia de hoje e o dia de amanhã, entre a situação menos feliz do presente e o desejo de um futuro melhor, entre o problema que estamos passando e o objetivo que desejamos, existe uma sombra que nos mostra e aponta o que precisamos trabalhar. Mostra algo turvo no meio do caminho que tem que ser clareado. E adotando um sistema de auto-análise não será difícil avaliar a extensão das sombras da ignorância que nos envolvem. E tem mais um detalhe, é preciso sabermos encarar desde já as situações que nos acontecem com nova ótica, e não ficarmos vivendo os acontecimentos com aquele estigma de pagar, pagar. Aquele que fica assim: "Ah, porque eu estou sofrendo tanto. O que será que eu aprontei lá atrás?", as criaturas que estão dentro dessa faixa estão ainda muito presas à retaguarda das circunstâncias da própria vida.

2 de fev de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 3

ENFERMIDADES FÍSICAS

É impossível entender o criador divino sem os atributos sublimes da justiça e da misericórdia.

A misericórdia de Deus é extremamente sábia e perfeita e criatura alguma no planeta reencarna trazendo problemas físicos porque houve falha de alguma espécie na distribuição da dádiva superior. Tudo que acontece tem significância, nada se dá por acaso. O pai celestial, em sua justiça magnânima, não pode consentir que uma alma sã, isenta de culpas, habite um corpo enfermo ou deformado. Isso é inadmissível.

O que ocorre é que toda queda moral nos seres responsáveis opera certa lesão no hemisfério psicossomático ou perispírito. A prática de todo mal que realizamos de forma consciente expressa de alguma forma uma lesão imediata em nossa consciência. E toda lesão dessa espécie determina um distúrbio ou mutilação que nos exterioriza o modo de ser, a refletir-se em desarmonia no hemisfério somático (corpo físico), provocando determinada causa de sofrimento.

E não tem jeito de ser diferente. Em razão dessas lesões, ainda que não pedíssemos a aplicação das penas que se fazem necessárias nossa posição não se modificaria.

Nossas emoções doentias mais profundas, quaisquer que sejam, geram estados enfermiços e a alma ressurge no equipamento físico transportando consigo as falhas a se lhe refletirem na veste carnal, de forma que as marcas dos erros muitas vezes imprimem limites orgânicos bem severos. Sabe porquê? Porque as chagas do espírito se manifestam através do envoltório humano.

A carne, em muitas circunstâncias, não é apenas instrumento divino para o crescimento de nossas potencialidades, mas também funciona como uma espécie de carvão, absorvendo-nos os tóxicos e resíduos de sombra que trazemos no corpo substancial ou espiritual. Vamos entender uma coisa de forma clara: o corpo doente reflete o panorama interior do espírito enfermo e a patogenia é o conjunto de inferioridades do aparelho psíquico. Disposições para essa ou para aquela enfermidade no corpo terrestre representam zonas de atração magnética favoráveis à eclosão de determinadas moléstias. Dizem das nossas dívidas diante das leis eternas, exteriorizando-nos as deficiências do espírito. E no plano espiritual vários institutos de trabalho reencarnatório colaboram para que todos venham a receber a vestimenta carnal merecida na Terra.

Toda doença é de cunho essencialmente espiritual, funciona como espécie de escoadouro das imperfeições. Embora de forma inconsciente, o espírito quer jogar para fora o que lhe seja estranho ao psiquismo. As doenças aparecem saneando os abusos cometidos no passado e, ao mesmo tempo, trazendo uma dose terapêutica para o espírito. Em inúmeras ocasiões elas surgem como fenômeno secundário, porque a causa primária reside no desequilíbrio da vida interior. E vale ressaltar que a dor não é a doença e, sim, a manifestação desta.

As dores longas que a providência divina endereça aos seres são a benefício deles mesmos.

Todo o conjunto de moléstias dificilmente curáveis significa sanções instituídas pela misericórdia suprema portas adentro da justiça universal, atendendo-nos aos próprios rogos, para que não venhamos a perder as bênçãos eternas do espírito a troco de lamentáveis ilusões humanas. A moléstia incurável no corpo traz sempre consigo profundos benefícios e pode ser um bem, pode representar inclusive a única válvula de escoamento da imperfeições do espírito rumo à sublime aquisição de patrimônios da vida imortal, funcionando como desconforto momentâneo para o reajustamento da alma eterna.

Os desígnios divinos são insondáveis e a ciência precária dos homens não tem como decidir acerca dos problemas essenciais das necessidades do espírito. É algo para pensar. A própria assistência farmacêutica do mundo, por mais que evolua, não pode remover as causas transcendentes do caráter mórbido dos indivíduos.

Se a enfermidade é ligeira, é sinal de aviso; se prolongada, é indicação de renovação de caminho para o bem. E quando a moléstia experimentada no corpo é longa e difícil abençoadas depurações realizam por ensejo de um auto-exame, onde as aflições suportadas com paciência alteram as sensações e refundem ideias. Sendo assim, em uma enormidade de hospitais, isolados e escuros, tantas vezes a alma se recolhe para as necessárias meditações da vida.

A verdade é que todas as doenças são provações e para suportá-las com coragem é importante estarmos informados a respeito de suas causas. É na própria alma onde reside a fonte primária de todos os recursos medicamentosos definitivos, porque o remédio eficaz está na ação do próprio espírito enfermiço. A cura efetiva não é do corpo, é da alma.

Se você está passando por algum problema físico delicado, seja ele qual for, guarde isso com atenção: toda doença no corpo é processo de cura da alma. Eu não estou aqui querendo expor uma teoria frágil ou barata acerca do sofrimento, muito menos tentado desconsiderar a dor de alguém. Muito pelo contrário, mas dizendo com convicção que a enfermidade do corpo representa um processo educativo para a alma. Ela é renovação do espírito. Quanto às moléstias incuráveis pela ciência, a reencarnação, por si, nas circunstâncias do mundo, já constitui uma estação de tratamento e cura. E só mais uma coisa, existem enfermidades da alma tão persistentes que podem vir a reclamar por estações sucessivas e com a mesma intensidade nos processos de regeneração.

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