2 de fev de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 3

ENFERMIDADES FÍSICAS

É impossível entender o criador divino sem os atributos sublimes da justiça e da misericórdia.

A misericórdia de Deus é extremamente sábia e perfeita e criatura alguma no planeta reencarna trazendo problemas físicos porque houve falha de alguma espécie na distribuição da dádiva superior. Tudo que acontece tem significância, nada se dá por acaso. O pai celestial, em sua justiça magnânima, não pode consentir que uma alma sã, isenta de culpas, habite um corpo enfermo ou deformado. Isso é inadmissível.

O que ocorre é que toda queda moral nos seres responsáveis opera certa lesão no hemisfério psicossomático ou perispírito. A prática de todo mal que realizamos de forma consciente expressa de alguma forma uma lesão imediata em nossa consciência. E toda lesão dessa espécie determina um distúrbio ou mutilação que nos exterioriza o modo de ser, a refletir-se em desarmonia no hemisfério somático (corpo físico), provocando determinada causa de sofrimento.

E não tem jeito de ser diferente. Em razão dessas lesões, ainda que não pedíssemos a aplicação das penas que se fazem necessárias nossa posição não se modificaria.

Nossas emoções doentias mais profundas, quaisquer que sejam, geram estados enfermiços e a alma ressurge no equipamento físico transportando consigo as falhas a se lhe refletirem na veste carnal, de forma que as marcas dos erros muitas vezes imprimem limites orgânicos bem severos. Sabe porquê? Porque as chagas do espírito se manifestam através do envoltório humano.

A carne, em muitas circunstâncias, não é apenas instrumento divino para o crescimento de nossas potencialidades, mas também funciona como uma espécie de carvão, absorvendo-nos os tóxicos e resíduos de sombra que trazemos no corpo substancial ou espiritual. Vamos entender uma coisa de forma clara: o corpo doente reflete o panorama interior do espírito enfermo e a patogenia é o conjunto de inferioridades do aparelho psíquico. Disposições para essa ou para aquela enfermidade no corpo terrestre representam zonas de atração magnética favoráveis à eclosão de determinadas moléstias. Dizem das nossas dívidas diante das leis eternas, exteriorizando-nos as deficiências do espírito. E no plano espiritual vários institutos de trabalho reencarnatório colaboram para que todos venham a receber a vestimenta carnal merecida na Terra.

Toda doença é de cunho essencialmente espiritual, funciona como espécie de escoadouro das imperfeições. Embora de forma inconsciente, o espírito quer jogar para fora o que lhe seja estranho ao psiquismo. As doenças aparecem saneando os abusos cometidos no passado e, ao mesmo tempo, trazendo uma dose terapêutica para o espírito. Em inúmeras ocasiões elas surgem como fenômeno secundário, porque a causa primária reside no desequilíbrio da vida interior. E vale ressaltar que a dor não é a doença e, sim, a manifestação desta.

As dores longas que a providência divina endereça aos seres são a benefício deles mesmos.

Todo o conjunto de moléstias dificilmente curáveis significa sanções instituídas pela misericórdia suprema portas adentro da justiça universal, atendendo-nos aos próprios rogos, para que não venhamos a perder as bênçãos eternas do espírito a troco de lamentáveis ilusões humanas. A moléstia incurável no corpo traz sempre consigo profundos benefícios e pode ser um bem, pode representar inclusive a única válvula de escoamento da imperfeições do espírito rumo à sublime aquisição de patrimônios da vida imortal, funcionando como desconforto momentâneo para o reajustamento da alma eterna.

Os desígnios divinos são insondáveis e a ciência precária dos homens não tem como decidir acerca dos problemas essenciais das necessidades do espírito. É algo para pensar. A própria assistência farmacêutica do mundo, por mais que evolua, não pode remover as causas transcendentes do caráter mórbido dos indivíduos.

Se a enfermidade é ligeira, é sinal de aviso; se prolongada, é indicação de renovação de caminho para o bem. E quando a moléstia experimentada no corpo é longa e difícil abençoadas depurações realizam por ensejo de um auto-exame, onde as aflições suportadas com paciência alteram as sensações e refundem ideias. Sendo assim, em uma enormidade de hospitais, isolados e escuros, tantas vezes a alma se recolhe para as necessárias meditações da vida.

A verdade é que todas as doenças são provações e para suportá-las com coragem é importante estarmos informados a respeito de suas causas. É na própria alma onde reside a fonte primária de todos os recursos medicamentosos definitivos, porque o remédio eficaz está na ação do próprio espírito enfermiço. A cura efetiva não é do corpo, é da alma.

Se você está passando por algum problema físico delicado, seja ele qual for, guarde isso com atenção: toda doença no corpo é processo de cura da alma. Eu não estou aqui querendo expor uma teoria frágil ou barata acerca do sofrimento, muito menos tentado desconsiderar a dor de alguém. Muito pelo contrário, mas dizendo com convicção que a enfermidade do corpo representa um processo educativo para a alma. Ela é renovação do espírito. Quanto às moléstias incuráveis pela ciência, a reencarnação, por si, nas circunstâncias do mundo, já constitui uma estação de tratamento e cura. E só mais uma coisa, existem enfermidades da alma tão persistentes que podem vir a reclamar por estações sucessivas e com a mesma intensidade nos processos de regeneração.

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