6 de fev de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 4

A SOMBRA DOS BENS FUTUROS

“PORQUE TENDO A LEI A SOMBRA DOS BENS FUTUROS, E NÃO A IMAGEM EXATA DAS COISAS, NUNCA, PELOS MESMOS SACRIFÍCIOS QUE CONTINUAMENTE SE OFERECEM CADA ANO, PODE APERFEIÇOAR O QUE A ELES SE CHEGAM.” HEBREUS 10:1

É uma tendência nossa, que trazemos lá de trás, da retaguarda, considerarmos os acontecimentos mais difíceis que nos alcançam, aquelas situações mais retumbantes e negativas, como sendo um elemento punitivo.

Analisando o sofrimento sob nosso enfoque, de baixo para cima, temos a percepção de que sofremos hoje porque de alguma forma erramos ontem. Para a nossa visão limitada do contexto evolucional a lei vem nos cobrar, vem para nos fazer respaldar o que temos de débito.

Ou seja, o sofrimento que nos alcança corresponde à lei que se cumpre, de forma que tantos indivíduos estão vivenciando problemas sérios hoje em razão das suas ações pretéritas e em razão do passado todos nós estamos liquidando débitos. Não estamos errados, o próprio apóstolo Paulo diz que é imperioso que a lei se cumpra. E a lei se manifesta nas nossas vidas muitas vezes com expressões de dor quando nos mantemos distanciados dela, a definir que toda a postura de afastamento da lei gera uma resposta de sofrimento.

Mas o que ocorre é que a lei representa "a sombra dos bens futuros". Na visão ampliada de cima para baixo nós não sofremos hoje porque erramos ontem, o que ocorre é que recebemos a oportunidade de repetirmos a experiência necessária, de saldarmos nossos débitos e seguirmos crescendo a caminho da evolução ao Pai. É por esta razão que cada problema que nos alcança não vem de graça. Não cai sob as nossas cabeças à toa, sem objetivo, mas é instrumento didático. No fundo é a luta aperfeiçoando a vida, até que a vida se harmonize sem lutas com os desígnios sábios do Senhor. Então, nós temos que entender e analisar que há um porque dos acontecimentos que nos envolvem.

Vamos tentar clarear. Alguém está tendo um problema sério. O que ocorre é que em razão do passado nós estamos liquidando um débito, certo? Agora, essa lei, que para a nossa percepção está cobrando hoje o que devemos do ontem, sob a ótica superior, de lá para cá, em sua essencialidade, ela tem a "sombra dos bens futuros", isto é, ela não está aqui para fazer a gente pagar não, está aqui para abrir um caminho novo para a gente. As dores corrigem, as lágrimas purificam e não existe sofrimento sem finalidade de purificação e elevação.

A vida nos apresenta muitos momentos difíceis, complicados, sofridos. Vamos imaginar à nossa volta, por exemplo, o ambiente de fome, o ambiente de desemprego, de sofrimento. É claro que não somos hipócritas a ponto de aplaudir isso. Não tem nem jeito. Mas vamos reconhecer que isso representa a manifestação das leis que nos regem. Não há nenhuma pretensão nossa adotar uma filosofia masoquista de que temos que sofrer para nos purificar. Longe disso, e muito pelo contrário, o que queremos é entender que o mal é um bem não revelado. Machuca, tumultua, dificulta e leva às lágrimas, no entanto, o mal, representado numa dificuldade, projeta uma lágrima, cuja lágrima, quem sabe, está lavando a escória da nossa própria personalidade. Ficou claro?

O sofrimento, de cá para lá, é tido como alguma que cerceia, é esse fantasma que nos faz chorar e sofrer, porém, dentro desse cerceamento e da aplicação da lei existe alta dose de investimento. De lá para cá existe o investimento em uma oportunidade, de forma que dentro do processo de quitação e reajuste a gente aprenda com a experiência e seja feliz. A manifestação das leis que nos regem, como mecanismo da sabedoria divina, às vezes nos leva às lágrimas hoje para que possamos sorrir com tranquilidade no dia de amanhã.

A lei contém "a sombra dos bens futuros" define para nós que ela tem relação com o amanhã.

Assim, não existe uma reação negativa da leis que nos regem. Elas não tem um sentido negativo, ainda que machuquem e que sofram as criaturas a elas vinculadas.

São mais endereçadas às aniquilações do homem velho. Por isso a gente tem que entender que o sofrimento, de lá para cá, é uma instrumentalidade desconfortável, mas com acentuado cunho didático. Vem para nos levar ao equilíbrio. Atrás do contexto, às vezes, demorado entre a causa infeliz (causa) e o resgate (efeito), há sempre uma proposta superior reeducacional da individualidade.

Sabe por quê? Simples. Porque atrás do cumprimento da lei de causa e efeito existe e vigora uma lei maior: a do progresso. E simplesmente o cumprimento da lei, apenas o mecanismo de cria a dívida e paga a dívida ou matou, depois morreu e com isso pagou, não haveria progresso. Pense bem, a proposta da misericórdia divina não é liquidar, machucar e punir, a proposta superior é fazer o ser avançar, libertar, integrar-se nas faixas lindas e expressivas do amor.

Temos aprendido neste estudo que as reações da lei não apresentam aquele sentido puramente de dizer basta ou mostrar a nossa pequenez. Longe disso, elas trazem uma instrumentalidade didática em si própria para que a gente descubra o processo e se ajuste a um caminho novo. Porque ao visitar uma criatura a dificuldade surge apresentando em si dois aspectos: respaldando o próprio passado ao nível de sofrimento, fazendo mesmo ela pagar o que deve e, ao mesmo tempo, contendo dentro de si uma vibração específica, modulada de tal maneira que possa levar a criatura a um estado novo de consciência. Percebeu?

A dor é individual e nós a recebemos conforme as necessidades próprias, com vistas ao resgate do passado e a situação espiritual do futuro. Os acontecimentos imperativos fazem o papel de saneamento e também de instauração de um grau consciencial na individualidade. O embaraço de hoje muitas vezes é o benefício de amanhã. A dor que persegue é manifestação da bondade superior, cujo buril oculto de sofrimentos remodela e aperfeiçoa com vistas ao futuro espiritual.

A cura de uma enfermidade quase sempre é o resultado dos meios dolorosos que se empregam para combatê-la. A bagagem pesada de sofrimentos constitui alicerces de uma vida superior repleta de paz e alegria. Essas dores constituem o auxílio de Deus à terra estéril dos corações humanos, chegam como adubo divino aos sentimentos das criaturas terrestres para que de pântanos desprezados nasçam lírios de esperança. O sofrimento tem causa, uma vez que ninguém sofre sem merecer, e tem também uma utilidade. Tem uma função preciosa nos planos da alma como tem a tempestade que, propiciando a higiene da atmosfera, tem lugar importante na economia da natureza física.

Então, vamos entender uma coisa, essa sombra a que estamos nos referindo, e que pode ter um sentido negativo, como a representação da sombra interna, no plano reeducacional define o ponto geratriz da luz. Não vamos ficar tristes diante das situações difíceis, essa reação da lei traz consigo um carimbo íntimo chamado amor, recuperação, recomposição e exame da própria caminhada de vida.

A mordida da cobra, por exemplo, traz o veneno, não traz? Mas o veneno também não é o componente para a elaboração do antídoto? E se o antídoto é de natureza positiva, algo de positivo prepondera em cima disso. Deu uma ideia agora? A própria serpente oferece o antídoto, isso é muito interessante, resolve sobre si próprio. A dor chega e a sua própria manifestação traz consigo o saneamento.

A lei não vem apenas cobrar o que se deve, ela vem mostrar a sombra dos bens futuros, a virtude que nós precisamos desenvolver para nos sentirmos melhor.

Daí, entre o dia de hoje e o dia de amanhã, entre a situação menos feliz do presente e o desejo de um futuro melhor, entre o problema que estamos passando e o objetivo que desejamos, existe uma sombra que nos mostra e aponta o que precisamos trabalhar. Mostra algo turvo no meio do caminho que tem que ser clareado. E adotando um sistema de auto-análise não será difícil avaliar a extensão das sombras da ignorância que nos envolvem. E tem mais um detalhe, é preciso sabermos encarar desde já as situações que nos acontecem com nova ótica, e não ficarmos vivendo os acontecimentos com aquele estigma de pagar, pagar. Aquele que fica assim: "Ah, porque eu estou sofrendo tanto. O que será que eu aprontei lá atrás?", as criaturas que estão dentro dessa faixa estão ainda muito presas à retaguarda das circunstâncias da própria vida.

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