12 de fev de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 5

SENSIBILIZAÇÃO

“BEM AVENTURADOS OS QUE CHORAM, PORQUE ELES SERÃO CONSOLADOS;” MATEUS 5:4

Em razão da rebeldia contumaz que mantemos em relação aos desígnios sublimes, é comum nosso coração começar a sentir quando as lágrimas caem.

Não era para ser assim, mas geralmente é. Infelizmente é assim. É no infortúnio que conseguimos colher os melhores ensinamentos. As lições que daí decorrem gravam-se indelevelmente em nosso espírito. Isto porque a dor tem possibilidades desconhecidas para penetrar os espíritos onde a linfa do amor não conseguiu brotar.

A sabedoria divina permite que a dor eduque quando o amor, por não ter sido descoberto ou acionado, não foi capaz de realizar a mesma função. Como o arado rasga as entranhas da terra, cortando fundo, abrindo sulcos e removendo a superfície endurecida, o sofrimento, abalando profundamente o íntimo de nosso ser, desperta a consciência adormecida, acorda a razão e afina os sentimentos. Como o arado e os adubos tornam produtiva a terra estéril, a dor converte as almas frias e egoístas em corações generosos e fecundos em obras de amor.

O sofrimento é muito importante na vida das criaturas humanas, quer se admita ou não. Todos os que gemem e sofrem estão de certa forma melhorando.

No fundo, toda a lágrima sincera é sintoma de renovação e em toda parte a dor sincera é digna de amparo. Além do que, não podemos esquecer que quem está sofrendo está pagando e é muito mais gratificante a criatura pagar as dívidas que tem do que contrair novos débitos. Os olhos são os instrumentos de interação com os seres e as coisas e lavá-los pelo pranto proporciona uma ótica bem mais nítida acerca da própria existência, razão pela qual para quem já vê a marcha do progresso sob parâmetro mais avançado as lágrimas não apenas lavam o coração, mas sugerem ao espírito sofrido abrir-se para novos lances.

Então, vamos nos tranquilizar. Cada vez que a lei vem o sofrimento representa uma esperança. Cada vez que nós entramos em um processo de liquidação, de ressarcimento com o destino, aqueles espíritos que nos amam e nos acompanham com certeza oram profundamente no intuito de que tiremos da experiência uma mentalidade nova. No momento em que uma criatura é sensibilizada, e modifica a sua linha íntima com a visualização de novos padrões de vida, é como se nessa hora valores novos se somassem ao seu psiquismo. A dificuldade de alguém muitas vezes pode não trabalhar o ponto indicativo de uma vivência em outra ótica, mas com certeza constitui um sistema que opera alterações de profundidade no seu psiquismo. Agora, o que não se pode esquecer é que a dor apenas traz. Deu para perceber a colocação? Ela é como componente despertador, e no papel de ascensão já não passa mais a ser prioridade. A pessoa pode até reconhecer que teve que sofrer bastante para sentir e despertar, mas ninguém é trazido ao evangelho na marra, constrangida. Isso não existe, para essa mudança ela nunca é obrigada.

Eu não quero desanimá-lo, de forma alguma, mas se você objetiva usufruir da vida com absoluta tranquilidade, e caminhar pelos dias tendo apenas paisagens belíssimas e céu claro por toda a jornada, sem dificuldade alguma, sem atropelos de qualquer ordem e sem impactos, esqueça! Você vai ter muitas decepções.

Porque isso você só vai encontrar no plano espiritual. Sem contar que somente lá os espíritos ficam procurando os focos ou bolsões de necessidades vigorantes no planeta. Aliás, lá é muito fácil obter esse componente de sensibilização. De uma forma natural lá a sensibilização vem de dentro para fora, essa postura é introjetada em nós e ficamos naturalmente bastante sensibilizados.

Aqui embaixo o processo é outro, se dá de forma invertida. Ou seja, os impactos funcionam como verdadeiros instrumentos de despertamento do ser. Está acompanhando? As dores e provas acerbas tem a finalidade de semear o campo da compreensão e do discernimento. A atuação do sofrimento desperta a humildade naquele que sofre. Em muitas ocasiões só passando pela necessidade conseguimos trabalhar o sentimento mais nobre. Aqui o interesse pelo semelhante vem precipitado em sentido inverso, de fora para dentro. Em tantas ocasiões a nossa passagem por tantas dores e sofrimentos é exatamente para adquirirmos essa capacidade de termos misericórdia. A expiação, como sendo aquela carga forte de fora para dentro, é para nos ensinar a sensibilizarmos com os outros. Só necessitando de misericórdia enxergamos o quanto é importante sermos misericordiosos com os irmãos da estrada.

Muitas vezes sofremos para nos despertarmos para o sofrimento alheio, para as dores alheias, para podermos por nosso exemplo enxergar as necessidades dos semelhantes. Às vezes, temos que receber um impacto sobre nós mesmos para que aprendamos quanto ao que se passa no coração dos semelhantes, o que vai, por sinal, favorecer enormemente a nossa ação amanhã, quando guindados às possibilidades de cooperar. Pois é impossível ajudar os outros em áreas em que estejamos desinformados, não é possível auxiliar em certas frentes sem conhecer.

E uma coisa importantíssima que não podemos esquecer é que o sofrimento ensina. E, por incrível que pareça, quanto mais profundo ele é maior se faz o valor da lição. Ele nos beneficia com lições preciosas para a elevação imortal. Mas sabe qual é a dureza disso? Sabe qual é o problema? É que na maioria das vezes mal a gente aprende e já esquece o aprendizado. Não raras vezes esse aprendizado permanece em nós apenas como uma filosofia bonita, de entendimento e proposta, esquecendo-o após a supressão da dificuldade que nos facultou o saber.

Deu para entender? Nós aprendemos e nada, aprendemos com a dificuldade, mas não mudamos nossa postura e não fazemos o que programamos. Por exemplo, é muito comum alguém no meio de uma grande dificuldade clamar pela ajuda divina. É comum até mesmo prometer alguma coisa caso saia daquele aperto em que se encontra: "Oh! Meu Deus. Ajude-me a sair dessa. Eu prometo que se conseguir sair eu vou mudar, vou fazer isso, fazer aquilo, ajudar muitas pessoas." Isso é comum demais. Percebeu? No entanto, quase sempre a criatura sai da dificuldade, reconhece que aprendeu muita coisa com ela, mas após sair ela esquece as promessas que fez e em nada muda a sua linha de ação. Aí, quando vem outra dificuldade imperiosa a situação se repete de novo.

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