21 de fev de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 7

A SEGUNDA MORTE

“QUEM TEM OUVIDOS, OUÇA O QUE O ESPÍRITO DIZ ÀS IGREJAS: O QUE VENCER NÃO RECEBERÁ O DANO DA SEGUNDA MORTE.” APOCALIPSE 2:11

“EU VIM PARA QUE TENHAM VIDA, E A TENHAM COM ABUNDÂNCIA.” JOÃO 10:10

Vamos começar imaginando um exemplo: você é capaz de chegar num banco tendo alguma dívida. Você chega lá e diz: "Tenho valores, tenho renda, tenho patrimônio". Você consegue do banco um empréstimo para sanar as suas dívidas.

Mas se as suas dívidas continuarem crescendo pode chegar a um ponto em que não tem jeito mais. Aí você passa a estar nas mãos de quem? Das autoridades. Demos um exemplo simples, mas de certa forma é aí que se dá a segunda morte. Ou seja, enquanto você tem uma parcela de administração está na primeira morte, você perdeu, você passa a estar nas mãos das autoridades. A segunda morte significa que o cerceamento e o impedimento da capacidade de ação e de realização está para além de um ou mais ângulos da vida, isto é, a criatura perde temporariamente a capacidade de dirigir a si própria.

É preciso ter certo cuidado com as nossas ações do dia a dia, sabermos examinar a cada instante qual é a legítima intenção que vigora em nosso coração, o que de fato nós estamos pretendendo. Porque todas as vezes em que brincamos demais com a vida e utilizamos de forma indevida o nosso livre arbítrio começamos a entrar em terrenos difíceis que tem como resposta sofrimentos, dificuldades e desajustes mais ressonantes, muitos deles com quadros dolorosos que demoram um tempo considerável no processo de saneamento.

A questão é séria. Quando brincamos de viver e acionamos o livre arbítrio segundo nosso capricho pessoal, com o desmando e afronta à realidade da lei divina que já entendemos, não ficamos debaixo de provas, ficamos debaixo de expiação, expiação esta representada por quadros dolorosos aos olhos humanos.

Então, normalmente a segunda morte é decorrente da falta de capacidade de vida nossa.

Em muitos casos, a segunda morte não é unicamente naquele sentido de perder direito a alguma ou algumas formas de expressão. Não é apenas deixar de ter liberdade de atuação e realização em certos ângulos da existência, mas em muitos momentos é perder essa liberdade por inteiro dentro da associação que a nossa vida tem com aquilo que nós chamamos de livre arbítrio. Está dando para entender? Ela representa a circunstância de perda do livre arbítrio, a criatura perde a capacidade de direcionamento. Em outras palavras, quer dizer que quando a criatura cai nessa segunda morte é porque ela perdeu o direito de administrar a própria caminhada de vida. Ela perde o direito de exercer o seu livre arbítrio, e por representar a perda do livre arbítrio a segunda morte tem valor de expiação, constitui a entrada no plano expiatório da vida.

O assunto é desafiador e a gente nota que todo estado acaba originando uma consequência. O dano da segunda morte define a consequência de um estado, decorre da falta de capacidade de administração da própria vida. É uma consequência, sim, um prejuízo temporário, e quem gera essa segunda morte com certeza não é o criador, nem as leis que nos regem, e sim a própria individualidade com as suas ações desequilibradas. Constitui o prejuízo circunstancial ao transgressor a benefício dele próprio e, muitas vezes, da coletividade onde orbita o seu campo de ação. É uma aplicação de recursos mais enérgicos direcionados com propósitos superiores, cujo objetivo é despertar o infrator da lei para que este se disponha à recuperação em favor de si mesmo.

Muitos que estão vivendo aqui a segunda morte estão sem direito claro de escolha.

A criatura perde a capacidade de administrar a si própria, tem cerceado o uso do seu livre arbítrio. Fica à disposição, se posiciona em face do que possa acontecer, ou seja, fica debaixo da ação da misericórdia. A segunda morte representa aquele episódio em nossa vida em que nós não temos alternativas, encontramo-nos entregues às determinações divinas. Nela, a criatura se encontra nas mãos de terceiros, situa-se debaixo da vontade superior.

Quando nós atingimos esse estágio ficamos por conta das decisões exteriores em Deus, da misericórdia dele. Quando nós nos perdemos no conceito do crescimento consciente ficamos à mercê da divindade. Por exemplo, aquela criatura que se encontra psiquicamente alienada pelos distúrbios mentais, alienada no aspecto psíquico, sem domínio pessoal, ou entrevada em uma cama, com paralisia cerebral, entre outros exemplos, está debaixo da segunda morte.

Aí temos que recolher os efeitos das nossas ações pretéritas menos felizes com paciência. Sempre que estamos debaixo desse tipo de acontecimento, que dependemos exclusivamente dos padrões exteriores e da própria linha da misericórdia de Deus, nós estamos debaixo da incapacidade operacional nossa, aí não adianta estrebuchar, nem reclamar, nem bater o pé, nem se revoltar. Mas a criatura mesmo nessa situação não vai ficar marginalizada, corações a amam.

As criaturas que estão envolvidas por essas dificuldades, nós vamos notar que elas estão debaixo do regime de sofrimento, de instabilidade e dor, mas atrás desses acontecimentos vamos encontrar praticamente uma linha indicativa promovendo a redenção e a libertação desses elementos. Não vamos nos esquecer de uma coisa, a morte de Jesus redundou em que? Em revivescência. Logo, se a morte de Jesus redundou em revivescência, o divino criador oferece às criaturas, seus filhos, em muitos casos, um processo de ressurreição através de uma segunda morte de natureza expiatória. Essa segunda morte é proposta do próprio mecanismo evolutivo para que a criatura ressuscite, e dentro dela a individualidade vai receber em muitos momentos a oportunidade de refletir e de pedir para que sejam minoradas as ressonâncias da lei. O dano da segunda morte pode ser subtraído na medida em que se opera no tempo.

A gente sabe que nossas ações, mediante o uso que fazemos do livre arbítrio, abrem territórios da vida, como também decretam nossa morte a cada momento.

Jesus veio nos trazer vida em abundância, não é? Só que não se trata de vida no sentido biológico. Vida em abundância não é questão de vida orgânica, e essa vida não está relacionada com o fato de reencarnar ou de desencarnar. Também não tem a ver com a vida do espírito desencarnado, porque existe espírito desencarnado que está sofrendo e não está em uma vida efetiva. Vamos deixar claro que essa vida é estado de alma, é vida na sua essencialidade de opção, de seleção e de escolha. Ficou claro? Afinal, nós sabemos também que tem gente viva, reencarnada, que está morta intimamente.

O que é vida eterna? É a capacidade de jornadear o destino sem aqueles lances que vem ferindo e jogando a gente para baixo. É a capacidade de viver e existir sem criar estado de morte, morte no sentido do erro, do pecado. É vida que não tem cheiro de morte.

Espiritualmente falando, viver é algo diferente de existir. Vida é a experiência digna da imortalidade. Vida eterna, que o evangelho propõe, é o estado em que conseguimos o maior índice possível no sentido de aproveitamento adequado da experiência que vivemos. É a linha natural da vida em que cada um oferece o melhor do seu coração. Vida em abundância, a que Jesus se refere, não é só no sentido de existir, é no aspecto de integrar-se em um processo de harmonia, e é no estado de harmonia, nessa linha de sintonia e afinidades positivas, de autenticidade pessoal, capacidade seletiva, inteligência plena e equilíbrio interior, que está caracterizada o que os religiosos chamam vida eterna.

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