29 de mar de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 2

ENTENDENDO A TENTAÇÃO

“12BEM-AVENTURADO O HOMEM QUE SUPORTA A TENTAÇÃO; PORQUE, QUANDO FOR PROVADO, RECEBERÁ A COROA DA VIDA, A QUAL O SENHOR TEM PROMETIDO AOS QUE O AMAM. 13NINGUÉM, SENDO TENTADO, DIGA: DE DEUS SOU TENTADO; PORQUE DEUS NÃO PODE SER TENTADO PELO MAL, E A NINGUÉM TENTA.” TIAGO 1:12-13

“10COMO GUARDASTE A PALAVRA DA MINHA PACIÊNCIA, TAMBÉM EU TE GUARDAREI DA HORA DA TENTAÇÃO QUE HÁ DE VIR SOBRE TODO O MUNDO, PARA TENTAR OS QUE HABITAM NA TERRA. 11EIS QUE VENHO SEM DEMORA; GUARDA O QUE TENS, PARA QUE NINGUÉM TOME A TUA COROA.” APOCALIPSE 3:10-11

Você leu com calma os versículos referenciados acima? Não são poucas as pessoas que estranham a promessa de tentações, no entanto, uma coisa é certa, a tentação faz parte da linha de ação natural da vida. Inerentes ao processo de crescimento, as tentações devem ser consideradas experiências imprescindíveis, e caminhar do berço ao túmulo sob as suas marteladas é algo natural.

Não há como atravessar as estradas do mundo isento delas. Raros são aqueles que poderão afirmar que desconhecem as tentações e os riscos do nevoeiro na estrada evolutiva. Para ser mais conciso, não se pode viver no mundo sem a tentação. Não há como passar para um estágio seguinte sem sofrer a insinuação dos padrões antigos. Não existe progresso real sem o momento da tentação. Entenda isto, até alcançarmos o triunfo pleno sobre os nossos desejos malsãos sofremos na vida, no corpo ou além dele, os flagelos da tentação.

Para um grande percentual de criaturas humanas esse mecanismo da tentação parece coisa religiosa. Soa como alguma coisa mística, algo do diabo, mantém aquela ideia de que o diabo é que fica nos tentando. A verdade é que dentro da capacidade perceptiva que se desenvolve, à medida em que o conhecimento vai nos atingindo os textos sagrados vão abrindo para nós nuances novas dentro da mesma terminologia. Em razão disso, vamos tentar clarear o entendimento a respeito do assunto e descaracterizar esse aspecto místico.

O que é a tentação? Ela é nada mais, nada menos, do que uma disposição de ânimo para a prática de uma atitude contrária ao bem. É uma insinuação e uma instigação de natureza negativa. Podemos mesmo dizer que consiste em uma tentativa de desestabilizar quem está em um plano de ação positiva. Está dando para acompanhar? A tentação surge para tentar desativar e fazer abortar os componentes concebidos pela mente em uma nova faixa, em novos progressos.

Sendo assim, a tentação não derruba ninguém. Percebeu? Ela só tenta. Veremos mais à frente que a queda ocorre por nossa própria conta. A tentação trabalha de forma sutil, não nos tira, por exemplo, de lermos um livro, não nos impede de acessar este blog ou de estudar, tira-nos, sim, a disposição de operar o que um livro ou o blog propõe.

"Ninguém, sendo tentado, diga: de Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta." (Tiago 1:13) Bem, eu acho que a questão aqui está bem clara. De início, é preciso saber que Deus não tenta ninguém. Claro, afinal de contas a tentação é uma insinuação de natureza negativa e Deus, que irradia somente amor, não irradia elementos dessa ordem. E da mesma maneira que Ele não tenta, Ele também não sofre a tentação. No plano universal globalizado Ele é intocável e não existe força alguma presente na estrutura do universo capaz de colocar em risco a sua soberania.

Outro ponto interessante é que de cima não vem tentação. Isso mesmo. Se no plano de onde estamos situamo-nos debaixo do jugo de sofrimento, do plano superior para o nosso não existe um processo de cobrança. Pense no seguinte, Deus não cobra. E tanto não cobra que Ele não sente ofensas. Deu uma ideia? O que existe de lá para cá, do plano de cima para o nosso, é um processo educacional, o que é bem diferente. De cima vem elementos orientadores, vem orientação. Nós sabemos disso, o mecanismo evolucional vem de cima, a evolução não se assenta com base nos padrões já conquistados. Veremos à frente que a tentação não surge de fora, e sim de dentro da nossa própria intimidade. O diabo, personificado nos espíritos negativos, se aproveita da nossa concupiscência para nos tentar.

Portanto, se você estiver recebendo a insinuação de padrões menos felizes, não fique triste não. Fique feliz. O ato de ser tentado não é algo negativo, muito pelo contrário, é positivo. Aliás, é bastante positivo. A tentação, no papel que desempenha no direcionamento ascensional, é instrumento positivo, não negativo.

Só pode ser tentado quem se encontra no caminho do bem. Todo aquele que está tentando criar componentes novos em cima de determinadas faixas de incorporação, ele é tentado. E vamos dizer mais, só é tentado e instigado negativamente quem está tentando dar o passo certo, quem está fazendo esforços no sentido de acertar. O próprio nome já indica tudo, a tentação é uma tentativa de desestabilizar quem está na ação positiva, quem está situado no ponto e no campo positivo da evolução. Sendo assim, até mesmo a atuação de entidades espirituais de menos equilíbrio em relação a alguém na área da influenciação, ou seja, a atuação dos espíritos de curso inferior sob uma criatura que está tentando trabalhar equilibradamente constitui aspecto positivo da caminhada. Como percebemos, a tentação não joga ninguém para baixo, ela não derruba ninguém, ela apenas tenta, a queda é conta da própria individualidade.

Lembre-se que aquele que está sendo assediado está no plano positivo. Ok? Porque aquele que se encontra no campo negativo da vida, aquele que está pisando na bola, fazendo e acontecendo nos aspectos negativos, esse não tem perigo de ser tentado, ele já se encontra embutido na própria tentação, já representa a tentação em si. Veremos mais à frente, de forma mais aprofundada, que a tentação não vem de fora, ela emerge da própria intimidade do ser. Cabe-nos saber por ora que quem está na faixa negativa não corre o risco de ser tentado, pois ele é o tentador. Se ele não estiver sendo assediado ele é o assediador. Satanás, por exemplo, não é tentado, já é o tentador.

E se a tentação é um componente projetor e indutor da evolução, o problema não está na tentação, concorda? O problema não está no fato de alguém ser tentado.

A prece do pai nosso que todos conhecemos, para se ter ideia, não nos diz não nos deixai ser tentados, o que seria, algo anti-didático, não é mesmo? Seria totalmente anti-evolutivo. Ela diz para nós o seguinte: "não nos deixai cair em tentação". Resultado: a dificuldade e a dor não ocorrem por conta da tentação, o desafio é a queda, a dor e a dificuldade ocorrem ao cairmos na tentação. Em todos os textos do evangelho que tratam do assunto nós vamos notar que o problema está na queda de cada qual na tentação. A queda de cada qual dentro dela, a queda diante do impacto dos acontecimentos é que define a situação menos feliz. O cair na tentação é que representa o problema e o estrago total.

Então, fica um recado da maior importância para todos nós: quanto mais a gente quiser progredir mais nós vamos ter que exercitar a capacidade nossa de operar e de manter a segurança ao nível de cautela para que não sejamos tragados pelas próprias faixas circunstanciais da caminhada. Jesus recomenda no seu código de luz não cairmos na tentação, sermos fortes e não sucumbirmos nas faixas negativas diante das dificuldades e tribulações, sejam elas quais forem.

26 de mar de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 1

VINCULAR E DESVINCULAR

“27E, DEPOIS DISTO, SAIU, E VIU UM PUBLICANO, CHAMADO LEVI, ASSENTADO NA RECEBEDORIA, E DISSE-LHE: SEGUE-ME. 28E ELE, DEIXANDO TUDO, LEVANTOU-SE E O SEGUIU.” LUCAS 5:27-28

É constante em cada um de nós, sem exceção alguma, o desejo básico de crescer. Neste ou naquele ambiente, em todas as atividades da existência, não tem quem não queira desenvolver-se, avançar, conquistar, ascender, isto é, entrar em uma situação melhor pela busca e sedimentação de novos padrões.

O que nos faz estar aqui, acessando este estudo, senão essa vontade toda especial que nutrimos no coração de querer crescer?! Assim se dá em todas as áreas. Pense para você ver, matriculamo-nos em algum curso objetivando a ascensão, integramos essa ou aquela atividade pelo desejo íntimo de evoluir, buscamos os valores espirituais para nos apropriarmos de valores essenciais capazes de nos auxiliar na caminhada, e até a caridade, que é a faixa aplicativa do amor, nós fazemos, ajudando aqui e ali, visando o nosso próprio bem.

É possível concluir que o problema da conquista exige, simultaneamente, o desafio da desvinculação das posições que mantemos. O que estamos querendo dizer? Que estamos hoje dando passos importantes para um futuro melhor, estamos tentando acertar o passo numa nova proposta, mas carregando na sacola íntima, em nosso recipiente intrínseco, todos os padrões trabalhados ao longo de muito tempo. Então, precisamos ter em conta que um programa de conquistas se relaciona ao mesmo tempo com outro programa de desvinculação.

Em outras palavras, para chegarmos lá na frente, na meta que objetivamos, temos que tirar o pé de onde estamos. Deu uma ideia? Tem que vincular-se e, concomitantemente, se desvincular. E na medida em que vamos seguindo, com determinação e equilíbrio, nos desoneramos do nosso problema anterior. É fascinante o sistema do apropriar e desprender. São dois aspectos que acontecem juntos.

Ao incorporar padrões novos eu passo a me desonerar de padrões que até então me foram úteis. É por aí a sistemática. É um mecanismo de troca no universo.

Eu me desprendo do material que tinha para poder ter o direito de fixar o que está chegando. Algumas pessoas podem dizer que no final das contas é complicado evoluir, mas não é tão complicado assim. É necessário ficar claro que para que a gente alcance um ponto desejado lá na frente, uma meta qualquer que idealizamos, seja ela de qual natureza for, nós temos que nos desprender.

Se a princípio estudamos, planejamos e arregimentamos determinada parcela de valores, em seguida vai haver um momento nítido de desvinculação da faixa em que nos situamos para que possamos incorporar esses novos padrões. Toda proposta seletiva e busca a novos patamares vai exigir sempre de nós uma capacidade de desvinculação das faixas que temos elegido através do tempo. Nesse processo de crescer, para que de fato alcancemos o ponto lá na frente, a gente tem que desprender-se. Tem que desprender-se do nosso ramerrão do dia a dia, da nossa conceituação de todo instante. Eu só consigo captar e incrustar no meu psiquismo os valores superiores se eu estiver disposto a soltar o que eu tenho, ainda que seja de uma qualidade duvidosa.

Para exemplificar, podemos falar de Levi. Lembra? O evangelho é claro ao referenciar o seu chamado. Conhecido mais tarde como o apóstolo Mateus, esse publicano deixou tudo e seguiu Jesus ("E, depois disto, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria. E disse-lhe: segue-me. E ele, deixando tudo, levantou-se e o seguiu." Lucas 5:27-28) Consta que ele estava assentado na recebedoria e não vamos entrar muito no mérito dessa passagem porque, afinal de contas, o nosso assunto no momento é a questão da tentação.

Mas para clarear um pouco podemos entender que a recebedoria representa o quê? Recebedoria é lugar, não é? E lugar não nos dá a ideia de posição? É a permanência em um sistema voltado para o interesse pessoal. Aquele posicionamento da criatura em que ela sistematicamente se utiliza dos esforços de outrem a benefício puramente de si própria. É a utilização das ações alheias apenas a benefício próprio. Pense comigo. Quem está assentado está acomodado, portanto, é a acomodação em pontos de culto ao egoísmo contumaz, utilização viciosa dos serviços dos outros para si. Estar assentado na recebedoria é o contrário de seguir Jesus. Já pensou nisso? Em primeiro lugar porque seguir pressupõe movimento e, em segundo, ele estava assentado e Jesus espera de nós um amor aplicado em favor de uma coletividade.

Quem está na recebedoria não oferta. O próprio nome já sintetiza tudo: recebedoria. Qual a conclusão que a gente tira? Que para seguir Jesus tem que deixar tudo. Porque se não deixar tudo não se levanta, e se não se levanta continua assentado. E não segue. Aí perde a chance de atender o chamado. Mas fique tranquilo. Deixar tudo é no sentido intrínseco, representa a descarga das estruturas mentais, dos interesses e das metas que a gente, até ser tocado por novos propósitos, mantém. Para avançar, sem dúvida alguma, é preciso deixar tudo, e nós estamos nos referindo ao sentido íntimo, claro.

22 de mar de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 14 (Final)

É PRECISO SABER SOFRER II

“E, NA VERDADE, TODA CORREÇÃO, NO PRESENTE, NÃO PARECE SER DE GOZO, SENÃO DE TRISTEZA, MAS, DEPOIS, PRODUZ UM FRUTO PACÍFICO DE JUSTIÇA NOS EXERCITADOS POR ELA.” HEBREUS 12:11

Se você está sofrendo, tranquilize-se! A pior atitude em qualquer adversidade é sempre aquela da dúvida ou da inquietação que venhamos a demonstrar.

A dor não é fim, ela é um processo. A perfeição, sim, é fim. Está certo que costumamos misturar os passos do processo com o processo todo, e por não conhecermos toda a situação vivenciada na sua abrangência entramos ocasionalmente em pânico, no entanto, independente da situação levantemos a cabeça.

Nenhuma dificuldade é definitiva. E por mais longo possa parecer, o sofrimento é dificuldade momentânea, consiste na passagem nossa pelo deserto. Toda dor é semelhante a uma nuvem: forma-se, ensombra e passa. Pense no seguinte, todos os que se precipitam na sombra hoje voltarão novamente à luz amanhã. Os desesperados, mais cedo ou mais tarde, retornarão à harmonia. Uma das belezas da vida é o desequilíbrio momentâneo como fator de propulsão para o retorno do equilíbrio. Os doentes, todos eles, voltarão depois à saúde, os loucos serão curados e até os ingratos despertarão. Todos os padecimentos da carne se convertem com o tempo em claridade interior quando o enfermo sabe manter a paciência, aceitando o trabalho regenerativo por bênção da infinita bondade.

Sem contar que muitas vezes aquilo que nos parece derrota é na verdade vitória. E o que se nos afigura em favor de nossa morte é contribuição precisa para o nosso engrandecimento nos aspectos essenciais da vida eterna.

Por mais estranho que possa parecer, a primeira condição para ser feliz é saber sofrer. Significa que não basta apenas sofrer, é preciso aproveitar o sofrimento para se renovar. Porque a dor não nos edifica pelo volume das lágrimas, pelos prantos que vertemos ou pelas feridas que sangram em nós, e sim pela porta de luz que nos oferece ao espírito. Resultado: receber a visita benéfica do sofrimento entre manifestações de inconformação e revolta de nada adianta.

É o mesmo que recusar as vantagens preciosas da lição rasgando o livro que as transmite. Mergulhar o divino dom da palavra no vaso lodoso da queixa equivale a lançar valiosa lâmpada na lata de lixo. Paguemos os débitos que nos aprisionam aos círculos inferiores da vida sem nos queixar, aproveitando o tempo de detenção no resgate em maior aprimoramento de nós mesmos. Vamos lançar para o amanhã os resultados do esforço de agora, sempre iremos ter a oportunidade de refletir um pensamento feliz. Outra condição para ser feliz é não reter o sofrimento quando a hora de sofrer passar. É algo fundamental. Precisamos saber levar a experiência das nossas ações menos felizes, não a sua ressonância.

Você pode estar lendo e de repente pensar: "É, Marco Antônio. Falar é fácil, mas você nem tem ideia dos problemas pelos quais eu estou passando." É, realmente eu nem tenho ideia mesmo. De fato, eu não sei. O que sei é que ninguém é diferente. Todos nós já passamos por questões na vida que pareciam insolúveis. Já ficamos atribulados, abatidos, já passamos noites em claro, sem dormir. E a gente aprende com o tempo que a lei não nos confia problemas de trabalho superiores à nossa capacidade de solução. Pense nisso. Não existe peso superior às forças. O que existe, muitas vezes, são planos que eu adoto, você adota e qualquer um de nós adota, que é hipervalorizar o problema com os nossos padrões emocionais. Mas, seja como for, não existe quem não dê conta. Aquele que diz que não dá conta está elegendo essa ideia de não dar conta por conta própria, por falta de segurança ou de determinação de sua parte. Logo, esse negócio de não dar conta é conversa fiada, porque nós não estamos entregues à nossa própria capacidade operacional. Dispomos de uma multiplicidade de componentes que em nome da misericórdia nos facilitam. Sem esquecer que por mais intempestiva e agressiva seja a prova a que estamos sendo submetidos a gente tem o auxílio e o amparo de Jesus Cristo.

Não vamos ficar temerosos. Vamos manter a calma e pedir forças a Deus, porque quanto mais investimos no campo do fortalecimento e da confiança mais rapidamente e naturalmente nós saímos da dificuldade. À frente de qualquer dificuldade não te lastimes e desfaleças. Ainda que a prova lhe pareça invencível ou a dor insuportável não se retire da posição de lidador em que a providência divina lhe colocou. Precisamos aprender a trabalhar nas adversidades, afinal, o homem sumamente endividado precisa aceitar restrições no seu conforto para sanar os seus débitos com as suas próprias economias.

Acende a luz do serviço e espera por Deus. Mantenha-se firme em seu setor de serviço, educando o pensamento na aceitação da vontade divina. Saibamos sofrer na hora dolorosa. Acima de todas as felicidades transitórias do mundo é preciso ser fiel ao evangelho. Ainda que lágrimas dolorosas te lavem a alma e te rasguem o coração, rende graças a Deus. Não te percas em lances festivos sobre pretensas conquistas no mundo, que a morte confundirá mais cedo ou mais tarde.

Centraliza-te no turbilhão da luta que santifica e aperfeiçoa. Saibamos agradecer os recursos com que o criador nos aprimora para a beleza da luz e a glória da vida. E mais uma coisa: diante do nevoeiro não condene as trevas e não converta o amor em inferno para si próprio. Encare os obstáculos de ânimo firme e estampe o otimismo para que não venha a fugir dos seus compromissos.

Jamais acredite aliviar o peso com a ilusão de fuga impensada e nunca passe pela sua cabeça procurar a porta falsa da deserção. Em determinados momentos de pressão use o bom senso, não peça ao plano maior que retire as dificuldades, peça forças para administrá-las e delas se livrar de maneira definitiva.

Todos nós temos débitos ou créditos representados por nossas ações desenvolvidas no passado. O que define que por nossas atitudes avançamos na evolução como também criamos dívidas para com a lei maior. Isto é fato e ninguém avança sem pagar o que deve. E mais, o evangelho nos ensina que o pagamento é "ceitil por ceitil".

Agora, o interessante é que as emersões, ou melhor dizendo, as ressonâncias desses acontecimentos costumam surgir ao nosso terreno de ação dentro de uma linha inteligente da espiritualidade. Imagine que a vida é um cobrador extremamente justo e benevolente. O que significa isto? Que muitas vezes a dívida para com a vida é cobrada quando apresentamos condições de saná-la. Será que deu para entender? Nós contraímos uma dívida a qualquer momento, não é mesmo? Porém, a vida espera o momento em que estamos em condições de pagar para nos cobrar.

Sendo assim, o sacrifício que fazemos é uma forma de louvar, de declarar e assinar o atestado de que nós devemos. É por esta razão que as pessoas mais esclarecidas, mais evoluídas espiritualmente, não reclamam. Repare que aquele que está pagando um débito de modo resignado, seguro, ele está vivendo um sacrifício de redenção porque sai de sua intimidade, de sua alma, a essência do sacrifício dele, diante do cumprimento dos acontecimentos previstos pelo criador ou pelas suas leis, ele atesa por suas ações que ele está sabendo o que está pagando. Ficou claro? Quando a criatura toma a cruz que lhe é devida ela assume a responsabilidade consciente e de forma madura. Por outro lado, quanto mais nós reclamamos do pagamento mais estamos atestando que estamos inconformados com os erros que nós mesmos perpetramos.

Voltamos a repetir: ainda temos, como que por norma, reagir, ao passo que normalmente as pessoas mais esclarecidas, mais concisas no plano da confiança e da certeza da misericórdia divina, reclamam cada vez menos. A sabedoria superior aconselha a não apavorarmos e mantermos os corações abertos para podermos recolher a vontade de Deus.

O tempo passa, constante e inalterável. E as pessoas reclamam das dificuldades. Reclamam das pequenas dores, das médias e das grandes. A maioria segue o seu caminho reclamando. Sofre reclamando. E o sofrimento nós sempre podemos reduzi-lo na medida em que passamos a investir nos seus antídotos. Não duvide, a boa fixação nos objetivos que estabelecemos tem praticamente a capacidade de amenizar, quando não neutralizar, esse nosso sofrimento.

Passando a ocupar o pensamento com os valores autênticos da vida nós aprendemos a sorrir debaixo das dificuldades, quaisquer que sejam elas, construindo gradativamente em nós mesmos o templo vivo da luz para a comunhão constante com o nosso mestre e amigo maior: Jesus.

18 de mar de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 13

É PRECISO SABER SOFRER I

“E, INDO UM POUCO MAIS PARA DIANTE, PROSTROU-SE SOBRE O SEU ROSTO, ORANDO E DIZENDO: MEU PAI, SE É POSSÍVEL, PASSE DE MIM ESTE CÁLICE; TODAVIA, NÃO SEJA COMO EU QUERO, MAS COMO TU QUERES.” MATEUS 26:39

“E, TOMANDO O CÁLICE, E DANDO GRAÇAS, DEU-LHO, DIZENDO: BEBEI DELE TODOS;” MATEUS 26:27 

“DIZENDO: PAI, SE QUERES, PASSA DE MIM ESTE CÁLICE; TODAVIA NÃO SE FAÇA A MINHA VONTADE, MAS A TUA.” LUCAS 22:42

Quem disse que sofrer é fácil? Até Jesus sofreu. Para início de conversa, renunciou o esplendor do céu para acomodar-se à sombra terrestre na estrebaria. Auxiliou sem pagamento e serviu sem recompensa. Experimentou a incompreensão de sua época e padeceu a desconfiança até dos mais amados. E depois de oferecer sublime espetáculo de abnegação e grandeza foi içado ao madeiro como se fosse um malfeitor comum. Como se vê, motivos de sobra ele tinha para se decepcionar, no entanto, não o fez. Pelo contrário, perdoou os verdugos, esqueceu todas as ofensas recebidas e voltou do túmulo para ajudar. É que na sua lógica, acima de todas as coisas brilham os valores eternos do espírito.

Note que todos os seus companheiros de ministério, restaurados na confiança, testemunharam a boa nova atravessando dificuldades e lutas, martírios e flagelações. E quando o mestre disse: "Se possível afasta de mim este cálice, mas não seja feita a minha vontade, mas a tua" nós temos a presença de uma das coisas mais lindas que se tem no evangelho.

Ele mesmo, na fidelidade a Deus, foi também constrangido a dizer: "Pai, não se faça a minha vontade, mas a tua." Ou seja, se possível que fosse tirada a dor porque ele não estava gostando dela, mas também se não fosse possível que acontecesse aquilo que tivesse de ser. Se fosse preciso continuar, que continuasse. Nós temos de pensar assim, exercer essa capacidade maior de renúncia e persistência, pois do contrário perdemos a grande luta da reeducação.

O mestre não rejeitou o cálice. E quando falou "se possível afasta de mim este cálice", o que ele ensinou para nós? Que não devemos ficar de cabeça baixa, entristecidos, aumentando o peso da dificuldade com os nossos sentimentos turvos e lamentações indevidas. Isso não condiz com o crescimento. Pelo contrário, passa longe dele. 

Então, sem essa de ficarmos com aquele pensamento de "eu estou aqui pronto para sofrer". Tem gente que diz assim: "Ah, tem quatro dias que eu estou com uma dor de cabeça danada, mas uma coisa eu tenho comigo, não tomo comprimido. Não tomo mesmo." O que podemos depreender de uma postura dessa? É uma austeridade muito grande, uma rigidez tremenda, exagerada. Quer dizer, às vezes a pessoa, por meio de uma atitude dessa, nem sente a alegria de conversar com um filho, não sente o prazer de fazer um almoço, não tem a alegria de ir para o trabalho. Agora, não quer dizer, também, que a pessoa tem que tomar o comprimido logo que surja o sintoma. Vamos devagar e analisar com tranquilidade, não é isso que eu estou falando. E aquelas pessoas que nós conhecemos, que por sua vez ficam envoltas na ideia de que estão sofrendo muito hoje porque devem ter aprontado lá no passado, estas estão ainda muito presas à retaguarda dos acontecimentos da própria vida.

O sofrimento é importante na nossa vida, mas nem por isso nós vamos adotar um sistema masoquista em que temos que nos curvar a ele. Não vamos ficar nessa de nos entregar aos testemunhos de maneira passiva. Não compliquemos mais a situação com tristeza e desânimo, revolta e agressividade. 

Se possível, vamos tirar mesmo. Vamos usar o valor ou o componente que o reconforto puder nos oferecer para tirarmos, se possível, o sobrepeso da dor, da decepção, da dificuldade. É necessário que a gente pare de lamentar e passe a reclamar cada vez menos.

Temos que guardar o seguinte: enquanto estivermos reclamando das dificuldades nós ainda permanecemos em pleno apogeu vibracional que alimenta a causa na retaguarda. Portanto, vamos encarar desde já os acontecimentos com determinação e não ficar nessa de vivenciá-los com o semblante fechado e aquele estigma pesado e frio de quem está pagando, pagando e pagando. Na nossa luta de melhoria é preciso não sermos coniventes com o sofrimento. Mais do que preciso, é fundamental. E não sermos coniventes quer dizer não ficarmos abraçando o sofrimento como uma graça que tem que existir em nossa vida.

Não, de forma alguma. Vamos mudar o disco, entrar noutra faixa. Quem se entrega ao sofrimento de maneira passiva está sendo derrotado. Evite, definitivamente, curvar-se ao sofrimento, pois aquele que se curva ao sofrimento de maneira passiva está entregando os pontos, ao contrário de vencer está como que sendo vencido.

Ninguém gosta de sofrer. Claro, afinal sofrimento é sinônimo de angústia, aflição e amargura. De certa forma, ele define a rebeldia nossa contra a dor. Não deixa de ser uma opção pessoal, face à vigência do grande amor que nos felicita e aguarda em todo lugar, pois a verdade é que possibilidade de não sofrer nós já temos. Então, é preciso definir até quando vamos sofrer. Isso mesmo, eu não estou exagerando, o espírito não foi criado por Deus para sofrer.

De qualquer maneira, vamos saber decifrar as mensagens que a vida nos envia tantas vezes em códigos. Vamos adotar a atitude para fazermos os problemas ficarem equacionados. Inicialmente, sem os valorizarmos demais. Para isso, sejamos seguros, procurando administrar o sofrimento quando ele chega. Temos que levantar a cabeça, procurar medicamento para tomar, se necessário, buscar a solução para superar as dificuldades. Isto faz parte da engrenagem da auto-estima no seu sentido positivo e natural. É o cultivo nosso do direito de ser feliz e do direito de podermos resguardar a nossa intimidade. Em outras palavras, vamos viver no sofrimento, sim, mas sem sofrer. E, com certeza, no dia em que isso acontecer estaremos dando vôos amplos para a libertação.

A vida é muito mais sábia do que nós e devemos aceitá-la conforme se nos apresenta, embora precisamos nos esforçar sempre para melhorá-la. O sofrimento, vamos entender que ele é endereçado mais às aniquilações do homem velho. Está dando para acompanhar? Podemos dizer que ele é um sofrimento que não tem aquele sentido finalístico de abater e derrubar. Ou seja, é aquele sofrimento que a pedra sofre para transformar-se numa peça escultural. Deu para entender agora? Tem aquele sentido lapidador, de burilar o ser.

Da mesma forma que vamos buscar as origens dos males de hoje no passado, é justo pensemos na felicidade em termos de amanhã, considerando o presente como uma ponte entre dois períodos, e não apenas como uma situação única. Conclusão: ninguém se queixe inutilmente, e tampouco se entregue ao pessimismo em circunstância alguma. As mais diversas situações do cotidiano, embora nem sempre possa parecer, expressam a vinda de momento adequado para que venhamos realizar o melhor. A dor em nossa vida íntima é como o arado em terra inculta, que rasgando e ferindo oferece os melhores recursos à produção. Lembre-se que é da terra sulcada pela enxada que saem os trigais abençoados para o pão, e que o calvário e a cruz indicam o sinal da ressurreição. Mesmo que não entendas de imediato os desígnios da providência divina, esforça-te um pouco mais para receber a provação que chega como sendo o melhor que merece hoje em favor do amanhã.

Uma coisa a gente tem que ter em conta: não podemos querer resolver problemas que às vezes ainda estão em curso de saneamento em um lance de sabedoria ou intuição acentuadamente feliz. Sabe por quê? Porque a solução de um problema exige sempre o tempo que a sua gravidade impõe. Vamos tentar clarear. Pode ter acontecido de lá atrás, por exemplo, nós termos criado uma dificuldade cármica e essa dificuldade, por sua vez, apresentou o coroamento em um período tal. Bem, não significa que vamos gastar na limpeza cármica o período equivalente ao seu coroamento, mas por outro lado nós teremos certas lutas e dificuldades que não poderão ser tiradas em dois ou três dias. Deu uma ideia? E independente da perturbação que nos alcançar, a paciência e a serenidade em nós propicia, por sua vez, uma segurança também nos outros.

Tem momentos no sofrimento moral em que as dificuldades são tão contundentes que chegam até a amargar a boca. Estou falando é no sentido químico mesmo. A gente chega até a lembrar de quando Jesus recebeu na ponta daquela haste o fel.

E pelo que nós temos aprendido, quanto mais espinhosa esteja a luta, quanto mais difíceis os momentos, quanto maior a conturbação, em que os espinhos estão nos machucando, essa é a hora em que os nossos benfeitores espirituais estão mais próximos da gente. Examinando e orando para nós não fazermos besteira. E ficam dizendo, embora não ouçamos literalmente, para que tenhamos calma porque estamos amparados.

Uma coisa é certa, se pararmos para pensar vamos notar que nós damos um trabalho grande para os nossos amigos espirituais. Eles ficam orando e intuindo de lá e nós criamos resistência de cá. Não há dúvida que em certas ocasiões temos que chorar sozinho, lavar as lágrimas, secá-las e  sorrir no ambiente em que estamos presentes, porque é por aí que nós fazemos aquela linha vibracional de sustentação e equilíbrio.

13 de mar de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 12

SOLIDÃO NO HORTO

“E DISSE-LHES: POR QUE ESTAIS DORMINDO? LEVANTAI-VOS, E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO.” LUCAS 22:46

É um pouco difícil falar acerca da solidão no horto. Porque ainda sentimos aquela necessidade constante de estarmos envolvidos por outras pessoas.

Diante de dias mais complicados alguém costuma dizer: "Oh! Meu Deus. O que será que eu fiz para estar passando por isto? Porque está acontecendo isto comigo? Porque é que eu estou assim tão só? Porque me sinto agora desamparado?" Não são poucos os que dizem assim. Na maioria das vezes isto é dito em tom de lamentação. É dito lamentando, e tanto é lamentando que muitos interpretam aquela indagação de Jesus, "porque me desamparaste", quando sozinho na cruz, como sendo uma fragilidade dele. Acham que ele foi frágil.

A gente não tem ainda condição de entender essa exteriorização dele com tranquilidade e discernimento, porque na hora em que analisamos isso mais a fundo acabamos saindo do contexto e se deixando levar só pelo sentimento. Como, também, quando o evangelho o aponta chorando. Você já atinou para isso? Por exemplo, será que alguém consegue definir o tipo de lágrima que ele derramou na morte de Lázaro? Será que foi em função da afetividade que ele tinha com Marta e Maria? Ou foi pela humanidade inteira apavorada com a questão da morte? Só sabemos que se analisarmos com calma a solidão no horto vamos concluir que não houve lamúria dele. Ele quis mostrar uma indagação correta, nós é que colocamos fragilidade por nossa conta. A vida continuamente tem mostrado para nós: quantas vezes nos sentimos entristecidos, abatidos, desesperançados, sozinhos e uma página nova se abre aos nossos olhos?

"E disse-lhes: por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação." (Lucas 22:46) Solidão no horto é ensinamento de elevada grandeza e também exemplificação. Para quantos vierem nos passos de Jesus, ela mostra que cada espírito na Terra tem de ascender sozinho ao calvário de sua redenção. E mais, inúmeras vezes com a despreocupação dos entes mais amados do mundo. Você já deve ter notado que não raras vezes seus familiares e companheiros de confiança costumam se entregar ao sono da indiferença, especialmente naqueles momentos de maior culminância para você.

Em face dessa lição o discípulo tem que compreender que a sua marcha, pelo menos os momentos mais decisivos dela, tem que ser solitária. É importante ter consciência disso. Quando você vai operar e passa a se envolver em área que se encontra sozinho é sinal de que o assunto é de transcendência para você.

Outro ponto a ser analisado é que quando nos encontramos sozinhos é porque tem algo aí para ser revelado. A resposta surge quase que naturalmente. Isso é da lei, é do próprio mecanismo evolutivo. Existe algo a ser revelado. Não tem quem não passe por esses momentos na grande proposta de crescimento consciente.

São lances da vida. O momento de solidão propicia essa oportunidade de abertura.

E o melhor de tudo é que quando saímos da situação que se mostrava difícil, quando a gente vence a etapa, quando saímos da experiência, costumamos encontrar o sorriso daqueles corações que estavam junto conosco. Que estavam o tempo todo torcendo por nós, que viveram a dificuldade conosco e a gente achava que estava sozinho. Daí, a gente pode concluir que a solidão em sua legitimidade não existe. Não existe mesmo. O que existe é uma pseudo-solidão para sabermos que temos sempre o amparo divino. Mas a questão, no entanto, é que quando não usamos a paciência e o equilíbrio indispensáveis no sentido de mantermos a busca, mesmo dentro da solidão, de sequenciarmos a caminhada, até nos momentos difíceis, costumamos apelar para o desespero e aí, sim, a situação se enovela e complica tudo. E nós custamos a aprender.

A gente estuda o evangelho e sabe que dos lábios de Jesus, que ensinaram a verdade, o bem, a simplicidade e o amor em momento algum escapou uma queixa sequer.

Mesmo martirizado na estrada de angústias, o messias só teve o máximo de perdão para os seus algozes. E entre tantas coisas, o que podemos aprender com isto? Vamos nos lembrar da imortalidade. A vida é mais sábia do que pensamos.

É preciso aprender a conservar a responsabilidade e perseverar na presença das decepções. É preciso ajustar os ideais da vida espiritual com as demandas práticas da existência terrena. É preciso tornar-se experiente em arrancar a vitória do âmago da própria mandíbula da derrota, de forma a transformarmos as dificuldades do tempo em triunfos da eternidade. Vamos ter bom ânimo e aprender a necessidade do valor individual no testemunho. Nunca deixemos de orar e vigiar. Saibamos converter nossas dores passageiras da terra em alegrias eternas para o céu. A experiência carnal é só uma veste, simples estágio do espírito no campo imenso da vida, e diante da grandeza espiritual a existência humana é uma hora de aprendizado no terreno infinito do tempo. Para as almas que já alcançaram a compreensão, que já sentem no íntimo de si mesmas o prazer de servir sem indagar, os insucessos, as provas, as enfermidades e os obstáculos são apenas novas decisões das forças divinas relativamente às tarefas que lhes dizem respeito, destinadas a conduzi-las para a vida maior.

Se o planeta pode ser visto como um grande hospital, onde o pecado é a doença de todos, o evangelho traz ao homem enfermo o remédio eficaz para que todas as estradas se transformem em suave caminho de redenção. Fundamental é buscar servir a Deus, em todas as circunstâncias, e para isso não há desculpas.

Todos podem servir, todos tem possibilidades de trabalhar para o criador, seja caminhando, tateando ou rastejando. O evangelista Lucas nos conta que em certa ocasião os discípulos dormiam de tristeza enquanto o mestre orava fervorosamente no horto, e ele não justificou a inatividade em tempo algum, nem mesmo em decorrência do choque ocasionado pelas grandes dores ("E disse-lhes: por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação" Lucas 22:46)

Basta aprendermos a eterna fidelidade a Deus com a natureza ao nosso redor. O sol, alegando necessidade de repousar, nunca se afastou do céu cansado da paisagem escura da terra; as águas, a pretexto de indispensável descanso, nunca privaram o globo dos seus benefícios; por mais desagradável que seja em suas características, a tempestade jamais deixou de limpar as atmosferas; a chuva, apesar das lamentações daqueles que não suportam a umidade, não deixa de fecundar o solo em momento algum; as sementes, sem se intimidarem com o aperto escuro da terra onde são lançadas, continuam a expandir de si mesmas com toda a força; e as árvores, embora a poluição incontestável do mundo, não se cansam de revelar para todos a beleza das flores e dos frutos.

Portanto, meu amigo, minha amiga, lembre de uma coisa: mesmo nas aflições é imperioso tomar a sublime companhia de Jesus e prosseguir adiante, sem jamais desertar da luta. Porque quem deserta da luta, por achar que a luta está grande demais, não tenha dúvida, acaba por encontrar uma luta muito maior pela frente.

A solidão é um fator que tem ferido muitas pessoas nos dias atuais. Inclusive transitam por todos os ambientes criaturas que conviveram ao lado de alguém ou de muitas pessoas durante muitos anos, ou até durante a vida inteira, e que em determinado momento descobrem que estavam na verdade sozinhas o tempo todo. Estavam apenas rodeadas por outras, rodeadas apenas em razão, talvez, da deficiência desses elementos no que reporta a saberem amar e dividir.

Tática ideal para quem se considera sozinho é investir na solidariedade. Isso aí, solidariedade, esse sistema fantástico de abertura ligado ao campo do oferecimento e da integração. Você tem se sentido sozinho ou sozinha? Sente abandono em certos momentos? Passe a ser solidário, que você irá vencer muita coisa.

9 de mar de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 11

É PRECISO SEGUIR JESUS

“E QUEM NÃO TOMA A SUA CRUZ, E NÃO SEGUE APÓS MIM, NÃO É DIGNO DE MIM.” MATEUS 10:38

“E QUALQUER QUE NÃO LEVAR A SUA CRUZ, E NÃO VIER APÓS MIM, NÃO PODE SER MEU DISCÍPULO.” LUCAS 14:27

“ENTÃO DISSE JESUS AOS SEUS DISCÍPULOS: SE ALGUÉM QUISER VIR APÓS MIM, RENUNCIE-SE A SI MESMO, TOME SOBRE SI A SUA CRUZ, E SIGA-ME.” MATEUS 16:24

Se objetivamos desfrutar a intimidade do Cristo em nossas vidas, duas atitudes fundamentais o eterno benfeitor nos recomenda: tomar a cruz redentora de nossos deveres e seguir-lhe os passos.

Um grande percentual de pessoas pode questionar, embora até de forma silenciosa: "Mas tem que ser as duas? Será que não pode ser uma só?" É que nem todos estão dispostos a cumprir essas duas recomendações. De um lado, muitos acreditam receber nos ombros o madeiro das próprias obrigações, todavia, fogem ao caminho do Cristo. Até aceitam a cruz, mas não querem seguir.

De outro, muitos pretendem seguir-lhe os caminhos, mas recusam o madeiro das obrigações que lhes cabem. Está percebendo? Os primeiros dizem aceitar o sofrimento, no entanto, andam cabisbaixos, agressivos e desditosos, espalhando o desânimo e o mau humor por onde passam. Os segundos crêem respirar na senda do mestre, e embora possam saber interpretar as lições de luz do evangelho, abominam a responsabilidade e o serviço aos semelhantes e não abrem mão de levar a vida na base do menosprezo e da leviandade.

É considerável o percentual de criaturas humanas dispostas a negligenciarem de todas as formas as suas próprias responsabilidades. Já observou isso? Um grupo busca o encarceramento orgânico para fugir sem resgatar. Outro se apega à própria desdita como uma justificativa falsa para prosseguir no sofrimento que lhe agrada. Seus membros adotam sistematicamente a posição de vítimas. Alegam fragilidade e incapacidade para o exercício do trabalho positivo e se comprazem na dor que elegem como razão injustificada para a permanência na inércia.

E tem também aquele grupo formado por indivíduos que sofrem e buscam o auxílio, mas que evitam o progresso. Não querem o progresso. De fato buscam ficar livres das doenças. Objetivam o fim do incômodo físico, só que não querem se curar, não buscam a reeducação, não buscam o aprendizado salutar, desejam tão somente continuar fazendo o mesmo que faziam antes de adoecer.

O mestre aconselhou aqueles que pretendessem seguir-lhe as pegadas a medirem suas forças, assim como o homem, que iniciando a construção de uma obra, deve avaliar os seus recursos para evitar insucessos. É importante avaliar até onde estamos dispostos a segui-lo, até que ponto estamos dispostos a percorrer em função do amor ao evangelho. Todos nós conhecemos criaturas que aparentemente estão debaixo de sofrimentos, mas que no fundo da alma estão acentuadamente gratificadas por determinados valores. Apesar dos padecimentos, trazem consigo aquela euforia e aquela paz interior que dá o atestado íntimo do dever sendo cumprido e da consciência tranquila.

É preciso seguir o Cristo sempre. Com confiança, alegria e determinação. Em todos os momentos, não apenas nos momentos bons. Portanto, nada de ficar só levantando doenças ou fantasmas, nada de lamúrias. A lamentação é tóxico destruidor que não podemos utilizar. Vamos examinar as dificuldades que trazemos e tentar trabalhar. Isto tem que ser feito. A circunstância desfavorável é momento de reconstrução, não de abatimento. É fundamental buscar o lado melhor das situações, dos acontecimentos e das pessoas. De tudo saber extrair o melhor sempre que enfrentarmos esse ou aquele problema.

A esperança é assim, ela vai temperando o mecanismo da dificuldade no rumo de nova oportunidade. No torvelinho desse mundo não devemos aguardar o reino do Cristo como uma realidade imediata. Muitas vezes a tempestade da hora em que vivemos é fonte de bem estar das horas que vamos viver. Em todas as situações desagradáveis e nas condições adversas da existência acalma-te, asserena o coração e aguarda, confiante, a intervenção da infinita bondade a teu favor. Porque se a misericórdia de Deus ainda não está alcançando o teu quadro de luta, saiba que ela com certeza permanece a caminho.

Outra coisa importante é sabermos que existe uma grande diferença entre seguir o Cristo e seguir os cristãos. Vamos ter em conta isto, pois qualquer componente humano vinculado ao evangelho, pelo que temos aprendido, é suscetível de ter falhas. Tem gente que investe em uma religião qualquer e acaba por ficar decepcionada. Talvez não necessariamente com a intimidade da mensagem religiosa, mas com os elementos aplicativos, com os instrumentos da dinâmica dela. Não acontece? Muitos buscam a Jesus fazendo idolatria em derredor dos seus intermediários humanos. Misturam uma coisa com a outra.

E o que sabemos é que por mais bem intencionados sejam os intermediários humanos eles não podem substituir o Cristo junto à sede das almas humanas. A pessoa, por exemplo, investe no diretor de determinado grupo religioso. Aí ele pisa na bola. "Ai, meu Deus. Aquela religião acabou para mim! Olha o que fulano aprontou!?" Quer dizer, ela não entendeu a essência da mensagem e da religião e fez um culto às pessoas, e não à intimidade doutrinária. E depois diz que acabou para ela. Não acabou não, o que aconteceu foi que ela ficou empolgada com os elementos exteriores.

Também é preciso ajudar aqueles que nos auxiliam. É outro ponto a ser lembrado. Porque quando procuramos auxílio, buscando sanear nossa dificuldade, costumamos transformar os que procuramos em verdadeiros terapeutas. E é bom ajudá-los a nos ajudar. Como se diz na linguagem comum, é sempre bom darmos um "empurrãozinho". Diante de uma certa complicação e de problema a ser sanado vamos ajudar aqueles que vem em nosso socorro no campo do auxílio, tornando-nos conscientes da situação e adotando uma participação ativa no processo, e esforçando-nos por construir uma mentalidade nova. Aproveitemos da melhor forma nossas possibilidades e oportunidades. Tem tanta coisa que nós podemos fazer ao nosso favor no sentido de investimento e de direcionamento, de forma a acelerar o alcance do que buscamos.

Ao tomar a cruz, assumindo a responsabilidade de forma consciente e madura, deve-se seguir o Cristo, e segui-lo é implementar o instrumento que ele nos deixou.

Significa obediência aos seus ensinamentos. É ter coragem de seguir o Senhor no anseio de ressurreição e vitória, de forma a transformar a dor pessoal em auxílio para muitos ao redor. Aí, alguém pode pensar: "Espera aí, como é que eu vou seguir o Cristo agora se eu estou cheio de problemas? Como eu vou ajudar os outros se eu estou precisando ser ajudado? Como fazê-lo se eu estou tendo dificuldades para melhorar a minha própria vida?" Ora, é óbvio que os questionamentos sinceros são respeitados, todavia vale ressaltar que se ficamos preocupados em demasia com os obstáculos e as dificuldades que nos são próprias passamos a fechar o circuito e sofremos. Além do que, não se resolve problemas da maior gravidade trancado no quarto ou deitado no sofá.

O que Jesus disse a Lázaro naquele momento de culminância? Você se lembra? “E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora.” (João 11:43) Vamos relembrar uma coisa que já comentamos: a morte tem cunho moral e define a perda da vida, a ausência daqueles padrões que mantém a euforia íntima.

Como somente o amor pode atravessar o abismo da morte, nós temos que sair para fora. Está percebendo o sentido? Se em algum momento você acha que perdeu aqueles caracteres de felicidade e entusiasmo que mantém acesos os aspectos vivificantes da vida, se considera que a tristeza, a dor, a frustração e a solidão lhe situam em territórios de morte íntima, que você se lance no contexto da própria vida. Dê um jeito, mas arranje forças para lançar-se no plano da luz, de modo a sair da treva do sepulcro para entrar na vida irradiante.

Porque a terapia hoje não é sofrer muito para purificar mais. Isso é coisa do passado e já ficou lá prá trás faz tempo. O desafio agora é sofrer menos para equacionar e servir melhor. Sair para fora é a saída nossa a cada dia de nós mesmos. Sair de nossa morte, de nossa tristeza, de nossos problemas, de nossa solidão, de nossa depressão, de nossa desesperança, para irmos buscar e sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias do irmão que sofre mais do que nós, e ajudarmos o quanto pudermos. Porque todos aqueles que recebem a cruz em favor dos semelhantes descobrem o trilho da ressurreição eterna.

5 de mar de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 10

É PRECISO TOMAR A CRUZ

“E QUEM NÃO TOMA A SUA CRUZ, E NÃO SEGUE APÓS MIM, NÃO É DIGNO DE MIM.” MATEUS 10:38

“E QUALQUER QUE NÃO LEVAR A SUA CRUZ, E NÃO VIER APÓS MIM, NÃO PODE SER MEU DISCÍPULO.” LUCAS 14:27

“ENTÃO DISSE JESUS AOS SEUS DISCÍPULOS: SE ALGUÉM QUISER VIR APÓS MIM, RENUNCIE-SE A SI MESMO, TOME SOBRE SI A SUA CRUZ, E SIGA-ME.” MATEUS 16:24

É comum a gente ouvir a expressão "entre a cruz e a espada". Dá-se, de fato, que a cruz é a simbologia da espada. Para clarear, imagine uma espada. Imaginou?

Pois bem, agora em sua mente vire-a de cabeça para baixo. Virou? Conseguiu perceber que o símbolo da cruz constitui uma espada invertida, de cabeça para baixo? Todos os espíritos ligados à Terra, seja na condição de encarnados ou desencarnados, vinculam-se a um mesmo impositivo de progresso e resgate. Caminheiros da evolução ou da redenção cada qual tem a sua cruz. É assim: um almeja, outro deve, e para realizar ou ressarcir a vida pede um preço.

Ninguém conquista algo sem esforçar-se de algum modo (espada) e ninguém resgata qualquer débito sem sofrimento (cruz). Qualquer alma tem o seu destino traçado sob o ponto de vista do trabalho e do sofrimento. Enquanto a espada do Cristo define a implantação de uma luta de dentro para fora visando o aspecto efetivo de conquista, a cruz é o mecanismo cerceador de fora para dentro.

No entanto, a cruz representada no sofrimento nos motiva e impulsiona para a utilização da espada, pois sabemos que sofrer não nos faz adquirir, apenas ressarcir.

E não é nosso objetivo aqui analisar porque Jesus subiu ao gólgota e foi crucificado. E também não queremos criar um processo de sobrecarga aos nossos corações ao nível de sofrimento e de masoquismo. Todavia, nós temos que compreender que todo o mecanismo de crescimento nosso se embasa na prova.

Quando o Cristo passou por todo o processo de resistência do mundo ele deixou para nós, no final, o exemplo de como viveu. Porque ele viveu tudo aquilo por amor a nós. Deu para entender? Ele passou por tudo aquilo por amor a nós, enquanto nós passamos pelos sofrimentos para respaldar o destino.

O evangelho deixa isso de forma clara para a gente. "Se possível afasta de mim este cálice", porque gostar ele não estava gostando. Com certeza, não. Todavia, em momento algum ele rejeitou o cálice, não reclamou, não questionou. Em certo momento, após o entendimento com os irmãos de apostolado, de forma lúcida e calma, dirigiu-se à oração no jardim para além da oração confiar-se aos testemunhos supremos. Conosco não é diferente, acordando para a necessidade da paz consigo mesma a alma descobre, de imediato, a cruz que lhe cabe no processo do próprio burilamento. Logo, por mais difícil que seja, é preciso renunciar e aceitar a cruz. Silenciar e abençoar sempre.

De maneira nenhuma podemos nos esquecer que é preciso abraçar a cruz das provas indispensáveis à nossa redenção e aperfeiçoamento com amor e alegria. Se aspiramos alcançar a comunhão com o divino mestre, compete-nos seguir no espaço e no tempo com aquele espírito de trabalho infatigável no bem.

O objetivo do nosso estudo do evangelho não é a fabricação de santos, mas é um trabalho que está abrindo para todos nós, sem distinção, uma visão nova da grande luz.

E o verdadeiro seguidor da boa nova esquece o peso do fardo que está carregando para consolar lágrimas. A espada no evangelho está representada na cruz e a cruz encravada no algo do gólgota revela a vitória do bem sobre o mal, mostrando que por meios dos sacrifícios, das renúncias e dos exemplos no bem a criatura humana pode regenerar-se. A primeira condição para ser feliz é saber sofrer; a segunda é crer firmemente na finalização do sofrimento, visto que se trata de uma situação anormal, portanto passageira; e a terceira é não reter o sofrimento quando a hora de sofrer passou. E estabelecendo um objetivo e fixando esse objetivo com determinação, equilíbrio e amor nós iniciamos um sistema de saneamento. Já pensou nisso? Quando nos encontramos bem fixados nos objetivos o sofrimento nosso é praticamente neutralizado.

Quando nós começarmos a enxergar os componentes das dificuldades sem aquele sentimento fechado de sofrimento e de masoquismo, de alimentarmos a ideia de que somos vítimas e, pelo contrário, passarmos a enxergar o problema como sendo uma comunicação do plano maior, e até mesmo vendo certa criatura complicada como um anjo que está trazendo, embutida, uma mensagem, nós vamos entender melhor como se dá o próprio mecanismo da evolução.

Pense no seguinte: enquanto permanecemos reclamando das dificuldades é porque ainda estamos em pleno apogeu vibracional que mantém a causa na retaguarda.

Ficou claro? Não quer dizer que a gente tenha que deixar de chorar e de sofrer, às vezes, porque tem muitos casos em que as feridas realmente sangram. No entanto, quando começarmos a trabalhar intimamente um campo novo, visualizando a faixa positiva dos acontecimentos, porque ela existe, quando pararmos de investir naquele sofrimento no sentido de não ficarmos naquela de "que cruz é essa meu Deus" ou "essa cruz é pesada demais", nós começamos a desativar o processo. E notamos que é como se começássemos a sintonizar as luzes maiores, é como se passasse a ser anunciado para nós que está havendo uma desconexão dessas faixas negativas ligadas à nossa vida.

1 de mar de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 9

A COROA

“E VESTIRAM-NO DE PÚRPURA, E TECENDO UMA COROA DE ESPINHOS, LHE PUSERAM NA CABEÇA.” MARCOS 15:17

Os homens, em todos os tempos, tem aplaudido incansavelmente as tribunas douradas, as marchas retumbantes dos exércitos, os grandes ambiciosos que dominaram à força o espírito inquieto das multidões e aqueles que conseguiram amealhar recursos amoedados e acumular riquezas terrenas. E sempre foi assim.

Repare que no mundo as grandes festividades registram invariavelmente os triunfos da experiência física. Ao tempo de Jesus, por exemplo, quando se inaugurou a boa nova entre os homens, os romanos coroavam-se de rosas. Para os gregos a coroa era bem conhecida, uma vez que nos jogos o vencedor recebia uma trançada de louros.

Não obstante tudo o que passou, o filho de Deus afirmou categoricamente: "Eu venci o mundo". E alguém pode perguntar: "Espere aí, como ele venceu se o mundo o crucificou e até hoje, de uma forma ou outra, desconsidera sua mensagem? Que vitória é essa, afinal de contas?" Sim, fique tranquilo. Ele realmente venceu como jamais alguém soube vencer. E o seu triunfo não é passageiro como vitórias transitórias, uma vez alcançado consolida-se na eternidade, jamais oscila nas bases em que se assenta. Para início de conversa, pense no seguinte, o seu objetivo nunca foi o extermínio dos teus adversários.

Os homens naquela época só conheciam um substantivo: a força. Competia ao mestre ensinar algo novo, pela palavra e pelo exemplo fazer a humanidade descobrir o poder em sua essência, a força nobre e soberana que supera todas as manifestações de valor e fortaleza, a força da verdade e o poder do amor. E para conseguir o resultado só havia um meio, a renúncia progressiva de si mesmo, culminando no sacrifício.

Ele ensinou a necessidade do sacrifício próprio para que não triunfasse no planeta apenas uma espécie de vitória, tão passageira quanto as edificações do egoísmo ou do orgulho humanos. Veio para nos ensinar algo novo, como triunfam aqueles que tombam no mundo cumprindo um sagrado dever de amor.

Naturalmente que ele trazia consigo a coroa da vida, entretanto, não quis perder a oportunidade de revelar para nós que a coroa da terra ainda é outra, a de espinhos, de sofrimentos e trabalho incessante para os que desejam escalar a montanha da ressurreição. E deixando-nos sublime lição dava-nos a entender que os seus discípulos deveriam contar com distintivos de outra natureza.

O obstáculo sem dúvida é um instrumento que enriquece a mente. Só que para nós o obstáculo tem sido um verdadeiro dilema. E é evidente que nem por ser útil nós vamos ficar saindo atrás dos problemas. De forma alguma. Mas tem gente que vai atrás, por incrível que pareça. Tem gente que fica tão amarrada ao problema que fica vendo problema onde não tem. Não conhecemos gente assim? Quem vai atrás dos problemas costuma não sair deles.

Jesus não colocou a coroa de espinhos em si por vontade própria, não é? Colocaram nele. O que podemos depreender disto? Que você não pode colocar a coroa de espinhos por vontade própria, o que é algo muito diferente. E tem gente que gosta de colocar a coroa de espinhos em si. Fica sofrendo o dia inteiro e coloca-se constantemente em uma situação de vítima. Vem um sofrimento, vem outro, a criatura cria para si própria aquele ambiente de sofrimento. Sem contar que dentro da linha efetiva de realidade do sofrimento existe muita lágrima sendo derramada por aí que não passa de mera peça de teatro.

Pense comigo. Se no plano simbólico a morte de Jesus foi um cerceamento relativo que culminou no ressurgimento de um espírito absoluto e amplo, por analogia podemos concluir que as nossas dificuldades de certa forma indicam a morte, num sentido diferenciado e moral, a qual vai abrir terreno de eleição de uma nova estrutura de vida. A morte dele redundou numa revivescência. Diz o apocalipse que "foi morto e reviveu". Então, se ele foi morto e reviveu, ressurgindo ele aponta que ainda que nos mortificamos em espírito vamos alcançar com legitimidade a ressurreição, que é a entrada em uma posição melhor de vida.

Não vamos esquecer, a vitória do seguidor de Jesus é quase sempre no lado inverso dos triunfos mundanos. É o lado oculto.  Quer uma ideia? O conquistador de maior êxito de todos os tempos não se ausentou do mundo como quem triunfara. Todavia, essa glória é tão grande que o mundo não a proporciona, muito menos pode subtraí-la. É o testemunho da consciência própria.

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