9 de mar de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 11

É PRECISO SEGUIR JESUS

“E QUEM NÃO TOMA A SUA CRUZ, E NÃO SEGUE APÓS MIM, NÃO É DIGNO DE MIM.” MATEUS 10:38

“E QUALQUER QUE NÃO LEVAR A SUA CRUZ, E NÃO VIER APÓS MIM, NÃO PODE SER MEU DISCÍPULO.” LUCAS 14:27

“ENTÃO DISSE JESUS AOS SEUS DISCÍPULOS: SE ALGUÉM QUISER VIR APÓS MIM, RENUNCIE-SE A SI MESMO, TOME SOBRE SI A SUA CRUZ, E SIGA-ME.” MATEUS 16:24

Se objetivamos desfrutar a intimidade do Cristo em nossas vidas, duas atitudes fundamentais o eterno benfeitor nos recomenda: tomar a cruz redentora de nossos deveres e seguir-lhe os passos.

Um grande percentual de pessoas pode questionar, embora até de forma silenciosa: "Mas tem que ser as duas? Será que não pode ser uma só?" É que nem todos estão dispostos a cumprir essas duas recomendações. De um lado, muitos acreditam receber nos ombros o madeiro das próprias obrigações, todavia, fogem ao caminho do Cristo. Até aceitam a cruz, mas não querem seguir.

De outro, muitos pretendem seguir-lhe os caminhos, mas recusam o madeiro das obrigações que lhes cabem. Está percebendo? Os primeiros dizem aceitar o sofrimento, no entanto, andam cabisbaixos, agressivos e desditosos, espalhando o desânimo e o mau humor por onde passam. Os segundos crêem respirar na senda do mestre, e embora possam saber interpretar as lições de luz do evangelho, abominam a responsabilidade e o serviço aos semelhantes e não abrem mão de levar a vida na base do menosprezo e da leviandade.

É considerável o percentual de criaturas humanas dispostas a negligenciarem de todas as formas as suas próprias responsabilidades. Já observou isso? Um grupo busca o encarceramento orgânico para fugir sem resgatar. Outro se apega à própria desdita como uma justificativa falsa para prosseguir no sofrimento que lhe agrada. Seus membros adotam sistematicamente a posição de vítimas. Alegam fragilidade e incapacidade para o exercício do trabalho positivo e se comprazem na dor que elegem como razão injustificada para a permanência na inércia.

E tem também aquele grupo formado por indivíduos que sofrem e buscam o auxílio, mas que evitam o progresso. Não querem o progresso. De fato buscam ficar livres das doenças. Objetivam o fim do incômodo físico, só que não querem se curar, não buscam a reeducação, não buscam o aprendizado salutar, desejam tão somente continuar fazendo o mesmo que faziam antes de adoecer.

O mestre aconselhou aqueles que pretendessem seguir-lhe as pegadas a medirem suas forças, assim como o homem, que iniciando a construção de uma obra, deve avaliar os seus recursos para evitar insucessos. É importante avaliar até onde estamos dispostos a segui-lo, até que ponto estamos dispostos a percorrer em função do amor ao evangelho. Todos nós conhecemos criaturas que aparentemente estão debaixo de sofrimentos, mas que no fundo da alma estão acentuadamente gratificadas por determinados valores. Apesar dos padecimentos, trazem consigo aquela euforia e aquela paz interior que dá o atestado íntimo do dever sendo cumprido e da consciência tranquila.

É preciso seguir o Cristo sempre. Com confiança, alegria e determinação. Em todos os momentos, não apenas nos momentos bons. Portanto, nada de ficar só levantando doenças ou fantasmas, nada de lamúrias. A lamentação é tóxico destruidor que não podemos utilizar. Vamos examinar as dificuldades que trazemos e tentar trabalhar. Isto tem que ser feito. A circunstância desfavorável é momento de reconstrução, não de abatimento. É fundamental buscar o lado melhor das situações, dos acontecimentos e das pessoas. De tudo saber extrair o melhor sempre que enfrentarmos esse ou aquele problema.

A esperança é assim, ela vai temperando o mecanismo da dificuldade no rumo de nova oportunidade. No torvelinho desse mundo não devemos aguardar o reino do Cristo como uma realidade imediata. Muitas vezes a tempestade da hora em que vivemos é fonte de bem estar das horas que vamos viver. Em todas as situações desagradáveis e nas condições adversas da existência acalma-te, asserena o coração e aguarda, confiante, a intervenção da infinita bondade a teu favor. Porque se a misericórdia de Deus ainda não está alcançando o teu quadro de luta, saiba que ela com certeza permanece a caminho.

Outra coisa importante é sabermos que existe uma grande diferença entre seguir o Cristo e seguir os cristãos. Vamos ter em conta isto, pois qualquer componente humano vinculado ao evangelho, pelo que temos aprendido, é suscetível de ter falhas. Tem gente que investe em uma religião qualquer e acaba por ficar decepcionada. Talvez não necessariamente com a intimidade da mensagem religiosa, mas com os elementos aplicativos, com os instrumentos da dinâmica dela. Não acontece? Muitos buscam a Jesus fazendo idolatria em derredor dos seus intermediários humanos. Misturam uma coisa com a outra.

E o que sabemos é que por mais bem intencionados sejam os intermediários humanos eles não podem substituir o Cristo junto à sede das almas humanas. A pessoa, por exemplo, investe no diretor de determinado grupo religioso. Aí ele pisa na bola. "Ai, meu Deus. Aquela religião acabou para mim! Olha o que fulano aprontou!?" Quer dizer, ela não entendeu a essência da mensagem e da religião e fez um culto às pessoas, e não à intimidade doutrinária. E depois diz que acabou para ela. Não acabou não, o que aconteceu foi que ela ficou empolgada com os elementos exteriores.

Também é preciso ajudar aqueles que nos auxiliam. É outro ponto a ser lembrado. Porque quando procuramos auxílio, buscando sanear nossa dificuldade, costumamos transformar os que procuramos em verdadeiros terapeutas. E é bom ajudá-los a nos ajudar. Como se diz na linguagem comum, é sempre bom darmos um "empurrãozinho". Diante de uma certa complicação e de problema a ser sanado vamos ajudar aqueles que vem em nosso socorro no campo do auxílio, tornando-nos conscientes da situação e adotando uma participação ativa no processo, e esforçando-nos por construir uma mentalidade nova. Aproveitemos da melhor forma nossas possibilidades e oportunidades. Tem tanta coisa que nós podemos fazer ao nosso favor no sentido de investimento e de direcionamento, de forma a acelerar o alcance do que buscamos.

Ao tomar a cruz, assumindo a responsabilidade de forma consciente e madura, deve-se seguir o Cristo, e segui-lo é implementar o instrumento que ele nos deixou.

Significa obediência aos seus ensinamentos. É ter coragem de seguir o Senhor no anseio de ressurreição e vitória, de forma a transformar a dor pessoal em auxílio para muitos ao redor. Aí, alguém pode pensar: "Espera aí, como é que eu vou seguir o Cristo agora se eu estou cheio de problemas? Como eu vou ajudar os outros se eu estou precisando ser ajudado? Como fazê-lo se eu estou tendo dificuldades para melhorar a minha própria vida?" Ora, é óbvio que os questionamentos sinceros são respeitados, todavia vale ressaltar que se ficamos preocupados em demasia com os obstáculos e as dificuldades que nos são próprias passamos a fechar o circuito e sofremos. Além do que, não se resolve problemas da maior gravidade trancado no quarto ou deitado no sofá.

O que Jesus disse a Lázaro naquele momento de culminância? Você se lembra? “E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora.” (João 11:43) Vamos relembrar uma coisa que já comentamos: a morte tem cunho moral e define a perda da vida, a ausência daqueles padrões que mantém a euforia íntima.

Como somente o amor pode atravessar o abismo da morte, nós temos que sair para fora. Está percebendo o sentido? Se em algum momento você acha que perdeu aqueles caracteres de felicidade e entusiasmo que mantém acesos os aspectos vivificantes da vida, se considera que a tristeza, a dor, a frustração e a solidão lhe situam em territórios de morte íntima, que você se lance no contexto da própria vida. Dê um jeito, mas arranje forças para lançar-se no plano da luz, de modo a sair da treva do sepulcro para entrar na vida irradiante.

Porque a terapia hoje não é sofrer muito para purificar mais. Isso é coisa do passado e já ficou lá prá trás faz tempo. O desafio agora é sofrer menos para equacionar e servir melhor. Sair para fora é a saída nossa a cada dia de nós mesmos. Sair de nossa morte, de nossa tristeza, de nossos problemas, de nossa solidão, de nossa depressão, de nossa desesperança, para irmos buscar e sentir a dor do vizinho, a necessidade do próximo, as angústias do irmão que sofre mais do que nós, e ajudarmos o quanto pudermos. Porque todos aqueles que recebem a cruz em favor dos semelhantes descobrem o trilho da ressurreição eterna.

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