13 de mar de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 12

SOLIDÃO NO HORTO

“E DISSE-LHES: POR QUE ESTAIS DORMINDO? LEVANTAI-VOS, E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO.” LUCAS 22:46

É um pouco difícil falar acerca da solidão no horto. Porque ainda sentimos aquela necessidade constante de estarmos envolvidos por outras pessoas.

Diante de dias mais complicados alguém costuma dizer: "Oh! Meu Deus. O que será que eu fiz para estar passando por isto? Porque está acontecendo isto comigo? Porque é que eu estou assim tão só? Porque me sinto agora desamparado?" Não são poucos os que dizem assim. Na maioria das vezes isto é dito em tom de lamentação. É dito lamentando, e tanto é lamentando que muitos interpretam aquela indagação de Jesus, "porque me desamparaste", quando sozinho na cruz, como sendo uma fragilidade dele. Acham que ele foi frágil.

A gente não tem ainda condição de entender essa exteriorização dele com tranquilidade e discernimento, porque na hora em que analisamos isso mais a fundo acabamos saindo do contexto e se deixando levar só pelo sentimento. Como, também, quando o evangelho o aponta chorando. Você já atinou para isso? Por exemplo, será que alguém consegue definir o tipo de lágrima que ele derramou na morte de Lázaro? Será que foi em função da afetividade que ele tinha com Marta e Maria? Ou foi pela humanidade inteira apavorada com a questão da morte? Só sabemos que se analisarmos com calma a solidão no horto vamos concluir que não houve lamúria dele. Ele quis mostrar uma indagação correta, nós é que colocamos fragilidade por nossa conta. A vida continuamente tem mostrado para nós: quantas vezes nos sentimos entristecidos, abatidos, desesperançados, sozinhos e uma página nova se abre aos nossos olhos?

"E disse-lhes: por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação." (Lucas 22:46) Solidão no horto é ensinamento de elevada grandeza e também exemplificação. Para quantos vierem nos passos de Jesus, ela mostra que cada espírito na Terra tem de ascender sozinho ao calvário de sua redenção. E mais, inúmeras vezes com a despreocupação dos entes mais amados do mundo. Você já deve ter notado que não raras vezes seus familiares e companheiros de confiança costumam se entregar ao sono da indiferença, especialmente naqueles momentos de maior culminância para você.

Em face dessa lição o discípulo tem que compreender que a sua marcha, pelo menos os momentos mais decisivos dela, tem que ser solitária. É importante ter consciência disso. Quando você vai operar e passa a se envolver em área que se encontra sozinho é sinal de que o assunto é de transcendência para você.

Outro ponto a ser analisado é que quando nos encontramos sozinhos é porque tem algo aí para ser revelado. A resposta surge quase que naturalmente. Isso é da lei, é do próprio mecanismo evolutivo. Existe algo a ser revelado. Não tem quem não passe por esses momentos na grande proposta de crescimento consciente.

São lances da vida. O momento de solidão propicia essa oportunidade de abertura.

E o melhor de tudo é que quando saímos da situação que se mostrava difícil, quando a gente vence a etapa, quando saímos da experiência, costumamos encontrar o sorriso daqueles corações que estavam junto conosco. Que estavam o tempo todo torcendo por nós, que viveram a dificuldade conosco e a gente achava que estava sozinho. Daí, a gente pode concluir que a solidão em sua legitimidade não existe. Não existe mesmo. O que existe é uma pseudo-solidão para sabermos que temos sempre o amparo divino. Mas a questão, no entanto, é que quando não usamos a paciência e o equilíbrio indispensáveis no sentido de mantermos a busca, mesmo dentro da solidão, de sequenciarmos a caminhada, até nos momentos difíceis, costumamos apelar para o desespero e aí, sim, a situação se enovela e complica tudo. E nós custamos a aprender.

A gente estuda o evangelho e sabe que dos lábios de Jesus, que ensinaram a verdade, o bem, a simplicidade e o amor em momento algum escapou uma queixa sequer.

Mesmo martirizado na estrada de angústias, o messias só teve o máximo de perdão para os seus algozes. E entre tantas coisas, o que podemos aprender com isto? Vamos nos lembrar da imortalidade. A vida é mais sábia do que pensamos.

É preciso aprender a conservar a responsabilidade e perseverar na presença das decepções. É preciso ajustar os ideais da vida espiritual com as demandas práticas da existência terrena. É preciso tornar-se experiente em arrancar a vitória do âmago da própria mandíbula da derrota, de forma a transformarmos as dificuldades do tempo em triunfos da eternidade. Vamos ter bom ânimo e aprender a necessidade do valor individual no testemunho. Nunca deixemos de orar e vigiar. Saibamos converter nossas dores passageiras da terra em alegrias eternas para o céu. A experiência carnal é só uma veste, simples estágio do espírito no campo imenso da vida, e diante da grandeza espiritual a existência humana é uma hora de aprendizado no terreno infinito do tempo. Para as almas que já alcançaram a compreensão, que já sentem no íntimo de si mesmas o prazer de servir sem indagar, os insucessos, as provas, as enfermidades e os obstáculos são apenas novas decisões das forças divinas relativamente às tarefas que lhes dizem respeito, destinadas a conduzi-las para a vida maior.

Se o planeta pode ser visto como um grande hospital, onde o pecado é a doença de todos, o evangelho traz ao homem enfermo o remédio eficaz para que todas as estradas se transformem em suave caminho de redenção. Fundamental é buscar servir a Deus, em todas as circunstâncias, e para isso não há desculpas.

Todos podem servir, todos tem possibilidades de trabalhar para o criador, seja caminhando, tateando ou rastejando. O evangelista Lucas nos conta que em certa ocasião os discípulos dormiam de tristeza enquanto o mestre orava fervorosamente no horto, e ele não justificou a inatividade em tempo algum, nem mesmo em decorrência do choque ocasionado pelas grandes dores ("E disse-lhes: por que estais dormindo? Levantai-vos, e orai, para que não entreis em tentação" Lucas 22:46)

Basta aprendermos a eterna fidelidade a Deus com a natureza ao nosso redor. O sol, alegando necessidade de repousar, nunca se afastou do céu cansado da paisagem escura da terra; as águas, a pretexto de indispensável descanso, nunca privaram o globo dos seus benefícios; por mais desagradável que seja em suas características, a tempestade jamais deixou de limpar as atmosferas; a chuva, apesar das lamentações daqueles que não suportam a umidade, não deixa de fecundar o solo em momento algum; as sementes, sem se intimidarem com o aperto escuro da terra onde são lançadas, continuam a expandir de si mesmas com toda a força; e as árvores, embora a poluição incontestável do mundo, não se cansam de revelar para todos a beleza das flores e dos frutos.

Portanto, meu amigo, minha amiga, lembre de uma coisa: mesmo nas aflições é imperioso tomar a sublime companhia de Jesus e prosseguir adiante, sem jamais desertar da luta. Porque quem deserta da luta, por achar que a luta está grande demais, não tenha dúvida, acaba por encontrar uma luta muito maior pela frente.

A solidão é um fator que tem ferido muitas pessoas nos dias atuais. Inclusive transitam por todos os ambientes criaturas que conviveram ao lado de alguém ou de muitas pessoas durante muitos anos, ou até durante a vida inteira, e que em determinado momento descobrem que estavam na verdade sozinhas o tempo todo. Estavam apenas rodeadas por outras, rodeadas apenas em razão, talvez, da deficiência desses elementos no que reporta a saberem amar e dividir.

Tática ideal para quem se considera sozinho é investir na solidariedade. Isso aí, solidariedade, esse sistema fantástico de abertura ligado ao campo do oferecimento e da integração. Você tem se sentido sozinho ou sozinha? Sente abandono em certos momentos? Passe a ser solidário, que você irá vencer muita coisa.

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