18 de mar de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 13

É PRECISO SABER SOFRER I

“E, INDO UM POUCO MAIS PARA DIANTE, PROSTROU-SE SOBRE O SEU ROSTO, ORANDO E DIZENDO: MEU PAI, SE É POSSÍVEL, PASSE DE MIM ESTE CÁLICE; TODAVIA, NÃO SEJA COMO EU QUERO, MAS COMO TU QUERES.” MATEUS 26:39

“E, TOMANDO O CÁLICE, E DANDO GRAÇAS, DEU-LHO, DIZENDO: BEBEI DELE TODOS;” MATEUS 26:27 

“DIZENDO: PAI, SE QUERES, PASSA DE MIM ESTE CÁLICE; TODAVIA NÃO SE FAÇA A MINHA VONTADE, MAS A TUA.” LUCAS 22:42

Quem disse que sofrer é fácil? Até Jesus sofreu. Para início de conversa, renunciou o esplendor do céu para acomodar-se à sombra terrestre na estrebaria. Auxiliou sem pagamento e serviu sem recompensa. Experimentou a incompreensão de sua época e padeceu a desconfiança até dos mais amados. E depois de oferecer sublime espetáculo de abnegação e grandeza foi içado ao madeiro como se fosse um malfeitor comum. Como se vê, motivos de sobra ele tinha para se decepcionar, no entanto, não o fez. Pelo contrário, perdoou os verdugos, esqueceu todas as ofensas recebidas e voltou do túmulo para ajudar. É que na sua lógica, acima de todas as coisas brilham os valores eternos do espírito.

Note que todos os seus companheiros de ministério, restaurados na confiança, testemunharam a boa nova atravessando dificuldades e lutas, martírios e flagelações. E quando o mestre disse: "Se possível afasta de mim este cálice, mas não seja feita a minha vontade, mas a tua" nós temos a presença de uma das coisas mais lindas que se tem no evangelho.

Ele mesmo, na fidelidade a Deus, foi também constrangido a dizer: "Pai, não se faça a minha vontade, mas a tua." Ou seja, se possível que fosse tirada a dor porque ele não estava gostando dela, mas também se não fosse possível que acontecesse aquilo que tivesse de ser. Se fosse preciso continuar, que continuasse. Nós temos de pensar assim, exercer essa capacidade maior de renúncia e persistência, pois do contrário perdemos a grande luta da reeducação.

O mestre não rejeitou o cálice. E quando falou "se possível afasta de mim este cálice", o que ele ensinou para nós? Que não devemos ficar de cabeça baixa, entristecidos, aumentando o peso da dificuldade com os nossos sentimentos turvos e lamentações indevidas. Isso não condiz com o crescimento. Pelo contrário, passa longe dele. 

Então, sem essa de ficarmos com aquele pensamento de "eu estou aqui pronto para sofrer". Tem gente que diz assim: "Ah, tem quatro dias que eu estou com uma dor de cabeça danada, mas uma coisa eu tenho comigo, não tomo comprimido. Não tomo mesmo." O que podemos depreender de uma postura dessa? É uma austeridade muito grande, uma rigidez tremenda, exagerada. Quer dizer, às vezes a pessoa, por meio de uma atitude dessa, nem sente a alegria de conversar com um filho, não sente o prazer de fazer um almoço, não tem a alegria de ir para o trabalho. Agora, não quer dizer, também, que a pessoa tem que tomar o comprimido logo que surja o sintoma. Vamos devagar e analisar com tranquilidade, não é isso que eu estou falando. E aquelas pessoas que nós conhecemos, que por sua vez ficam envoltas na ideia de que estão sofrendo muito hoje porque devem ter aprontado lá no passado, estas estão ainda muito presas à retaguarda dos acontecimentos da própria vida.

O sofrimento é importante na nossa vida, mas nem por isso nós vamos adotar um sistema masoquista em que temos que nos curvar a ele. Não vamos ficar nessa de nos entregar aos testemunhos de maneira passiva. Não compliquemos mais a situação com tristeza e desânimo, revolta e agressividade. 

Se possível, vamos tirar mesmo. Vamos usar o valor ou o componente que o reconforto puder nos oferecer para tirarmos, se possível, o sobrepeso da dor, da decepção, da dificuldade. É necessário que a gente pare de lamentar e passe a reclamar cada vez menos.

Temos que guardar o seguinte: enquanto estivermos reclamando das dificuldades nós ainda permanecemos em pleno apogeu vibracional que alimenta a causa na retaguarda. Portanto, vamos encarar desde já os acontecimentos com determinação e não ficar nessa de vivenciá-los com o semblante fechado e aquele estigma pesado e frio de quem está pagando, pagando e pagando. Na nossa luta de melhoria é preciso não sermos coniventes com o sofrimento. Mais do que preciso, é fundamental. E não sermos coniventes quer dizer não ficarmos abraçando o sofrimento como uma graça que tem que existir em nossa vida.

Não, de forma alguma. Vamos mudar o disco, entrar noutra faixa. Quem se entrega ao sofrimento de maneira passiva está sendo derrotado. Evite, definitivamente, curvar-se ao sofrimento, pois aquele que se curva ao sofrimento de maneira passiva está entregando os pontos, ao contrário de vencer está como que sendo vencido.

Ninguém gosta de sofrer. Claro, afinal sofrimento é sinônimo de angústia, aflição e amargura. De certa forma, ele define a rebeldia nossa contra a dor. Não deixa de ser uma opção pessoal, face à vigência do grande amor que nos felicita e aguarda em todo lugar, pois a verdade é que possibilidade de não sofrer nós já temos. Então, é preciso definir até quando vamos sofrer. Isso mesmo, eu não estou exagerando, o espírito não foi criado por Deus para sofrer.

De qualquer maneira, vamos saber decifrar as mensagens que a vida nos envia tantas vezes em códigos. Vamos adotar a atitude para fazermos os problemas ficarem equacionados. Inicialmente, sem os valorizarmos demais. Para isso, sejamos seguros, procurando administrar o sofrimento quando ele chega. Temos que levantar a cabeça, procurar medicamento para tomar, se necessário, buscar a solução para superar as dificuldades. Isto faz parte da engrenagem da auto-estima no seu sentido positivo e natural. É o cultivo nosso do direito de ser feliz e do direito de podermos resguardar a nossa intimidade. Em outras palavras, vamos viver no sofrimento, sim, mas sem sofrer. E, com certeza, no dia em que isso acontecer estaremos dando vôos amplos para a libertação.

A vida é muito mais sábia do que nós e devemos aceitá-la conforme se nos apresenta, embora precisamos nos esforçar sempre para melhorá-la. O sofrimento, vamos entender que ele é endereçado mais às aniquilações do homem velho. Está dando para acompanhar? Podemos dizer que ele é um sofrimento que não tem aquele sentido finalístico de abater e derrubar. Ou seja, é aquele sofrimento que a pedra sofre para transformar-se numa peça escultural. Deu para entender agora? Tem aquele sentido lapidador, de burilar o ser.

Da mesma forma que vamos buscar as origens dos males de hoje no passado, é justo pensemos na felicidade em termos de amanhã, considerando o presente como uma ponte entre dois períodos, e não apenas como uma situação única. Conclusão: ninguém se queixe inutilmente, e tampouco se entregue ao pessimismo em circunstância alguma. As mais diversas situações do cotidiano, embora nem sempre possa parecer, expressam a vinda de momento adequado para que venhamos realizar o melhor. A dor em nossa vida íntima é como o arado em terra inculta, que rasgando e ferindo oferece os melhores recursos à produção. Lembre-se que é da terra sulcada pela enxada que saem os trigais abençoados para o pão, e que o calvário e a cruz indicam o sinal da ressurreição. Mesmo que não entendas de imediato os desígnios da providência divina, esforça-te um pouco mais para receber a provação que chega como sendo o melhor que merece hoje em favor do amanhã.

Uma coisa a gente tem que ter em conta: não podemos querer resolver problemas que às vezes ainda estão em curso de saneamento em um lance de sabedoria ou intuição acentuadamente feliz. Sabe por quê? Porque a solução de um problema exige sempre o tempo que a sua gravidade impõe. Vamos tentar clarear. Pode ter acontecido de lá atrás, por exemplo, nós termos criado uma dificuldade cármica e essa dificuldade, por sua vez, apresentou o coroamento em um período tal. Bem, não significa que vamos gastar na limpeza cármica o período equivalente ao seu coroamento, mas por outro lado nós teremos certas lutas e dificuldades que não poderão ser tiradas em dois ou três dias. Deu uma ideia? E independente da perturbação que nos alcançar, a paciência e a serenidade em nós propicia, por sua vez, uma segurança também nos outros.

Tem momentos no sofrimento moral em que as dificuldades são tão contundentes que chegam até a amargar a boca. Estou falando é no sentido químico mesmo. A gente chega até a lembrar de quando Jesus recebeu na ponta daquela haste o fel.

E pelo que nós temos aprendido, quanto mais espinhosa esteja a luta, quanto mais difíceis os momentos, quanto maior a conturbação, em que os espinhos estão nos machucando, essa é a hora em que os nossos benfeitores espirituais estão mais próximos da gente. Examinando e orando para nós não fazermos besteira. E ficam dizendo, embora não ouçamos literalmente, para que tenhamos calma porque estamos amparados.

Uma coisa é certa, se pararmos para pensar vamos notar que nós damos um trabalho grande para os nossos amigos espirituais. Eles ficam orando e intuindo de lá e nós criamos resistência de cá. Não há dúvida que em certas ocasiões temos que chorar sozinho, lavar as lágrimas, secá-las e  sorrir no ambiente em que estamos presentes, porque é por aí que nós fazemos aquela linha vibracional de sustentação e equilíbrio.

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