22 de mar de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 14 (Final)

É PRECISO SABER SOFRER II

“E, NA VERDADE, TODA CORREÇÃO, NO PRESENTE, NÃO PARECE SER DE GOZO, SENÃO DE TRISTEZA, MAS, DEPOIS, PRODUZ UM FRUTO PACÍFICO DE JUSTIÇA NOS EXERCITADOS POR ELA.” HEBREUS 12:11

Se você está sofrendo, tranquilize-se! A pior atitude em qualquer adversidade é sempre aquela da dúvida ou da inquietação que venhamos a demonstrar.

A dor não é fim, ela é um processo. A perfeição, sim, é fim. Está certo que costumamos misturar os passos do processo com o processo todo, e por não conhecermos toda a situação vivenciada na sua abrangência entramos ocasionalmente em pânico, no entanto, independente da situação levantemos a cabeça.

Nenhuma dificuldade é definitiva. E por mais longo possa parecer, o sofrimento é dificuldade momentânea, consiste na passagem nossa pelo deserto. Toda dor é semelhante a uma nuvem: forma-se, ensombra e passa. Pense no seguinte, todos os que se precipitam na sombra hoje voltarão novamente à luz amanhã. Os desesperados, mais cedo ou mais tarde, retornarão à harmonia. Uma das belezas da vida é o desequilíbrio momentâneo como fator de propulsão para o retorno do equilíbrio. Os doentes, todos eles, voltarão depois à saúde, os loucos serão curados e até os ingratos despertarão. Todos os padecimentos da carne se convertem com o tempo em claridade interior quando o enfermo sabe manter a paciência, aceitando o trabalho regenerativo por bênção da infinita bondade.

Sem contar que muitas vezes aquilo que nos parece derrota é na verdade vitória. E o que se nos afigura em favor de nossa morte é contribuição precisa para o nosso engrandecimento nos aspectos essenciais da vida eterna.

Por mais estranho que possa parecer, a primeira condição para ser feliz é saber sofrer. Significa que não basta apenas sofrer, é preciso aproveitar o sofrimento para se renovar. Porque a dor não nos edifica pelo volume das lágrimas, pelos prantos que vertemos ou pelas feridas que sangram em nós, e sim pela porta de luz que nos oferece ao espírito. Resultado: receber a visita benéfica do sofrimento entre manifestações de inconformação e revolta de nada adianta.

É o mesmo que recusar as vantagens preciosas da lição rasgando o livro que as transmite. Mergulhar o divino dom da palavra no vaso lodoso da queixa equivale a lançar valiosa lâmpada na lata de lixo. Paguemos os débitos que nos aprisionam aos círculos inferiores da vida sem nos queixar, aproveitando o tempo de detenção no resgate em maior aprimoramento de nós mesmos. Vamos lançar para o amanhã os resultados do esforço de agora, sempre iremos ter a oportunidade de refletir um pensamento feliz. Outra condição para ser feliz é não reter o sofrimento quando a hora de sofrer passar. É algo fundamental. Precisamos saber levar a experiência das nossas ações menos felizes, não a sua ressonância.

Você pode estar lendo e de repente pensar: "É, Marco Antônio. Falar é fácil, mas você nem tem ideia dos problemas pelos quais eu estou passando." É, realmente eu nem tenho ideia mesmo. De fato, eu não sei. O que sei é que ninguém é diferente. Todos nós já passamos por questões na vida que pareciam insolúveis. Já ficamos atribulados, abatidos, já passamos noites em claro, sem dormir. E a gente aprende com o tempo que a lei não nos confia problemas de trabalho superiores à nossa capacidade de solução. Pense nisso. Não existe peso superior às forças. O que existe, muitas vezes, são planos que eu adoto, você adota e qualquer um de nós adota, que é hipervalorizar o problema com os nossos padrões emocionais. Mas, seja como for, não existe quem não dê conta. Aquele que diz que não dá conta está elegendo essa ideia de não dar conta por conta própria, por falta de segurança ou de determinação de sua parte. Logo, esse negócio de não dar conta é conversa fiada, porque nós não estamos entregues à nossa própria capacidade operacional. Dispomos de uma multiplicidade de componentes que em nome da misericórdia nos facilitam. Sem esquecer que por mais intempestiva e agressiva seja a prova a que estamos sendo submetidos a gente tem o auxílio e o amparo de Jesus Cristo.

Não vamos ficar temerosos. Vamos manter a calma e pedir forças a Deus, porque quanto mais investimos no campo do fortalecimento e da confiança mais rapidamente e naturalmente nós saímos da dificuldade. À frente de qualquer dificuldade não te lastimes e desfaleças. Ainda que a prova lhe pareça invencível ou a dor insuportável não se retire da posição de lidador em que a providência divina lhe colocou. Precisamos aprender a trabalhar nas adversidades, afinal, o homem sumamente endividado precisa aceitar restrições no seu conforto para sanar os seus débitos com as suas próprias economias.

Acende a luz do serviço e espera por Deus. Mantenha-se firme em seu setor de serviço, educando o pensamento na aceitação da vontade divina. Saibamos sofrer na hora dolorosa. Acima de todas as felicidades transitórias do mundo é preciso ser fiel ao evangelho. Ainda que lágrimas dolorosas te lavem a alma e te rasguem o coração, rende graças a Deus. Não te percas em lances festivos sobre pretensas conquistas no mundo, que a morte confundirá mais cedo ou mais tarde.

Centraliza-te no turbilhão da luta que santifica e aperfeiçoa. Saibamos agradecer os recursos com que o criador nos aprimora para a beleza da luz e a glória da vida. E mais uma coisa: diante do nevoeiro não condene as trevas e não converta o amor em inferno para si próprio. Encare os obstáculos de ânimo firme e estampe o otimismo para que não venha a fugir dos seus compromissos.

Jamais acredite aliviar o peso com a ilusão de fuga impensada e nunca passe pela sua cabeça procurar a porta falsa da deserção. Em determinados momentos de pressão use o bom senso, não peça ao plano maior que retire as dificuldades, peça forças para administrá-las e delas se livrar de maneira definitiva.

Todos nós temos débitos ou créditos representados por nossas ações desenvolvidas no passado. O que define que por nossas atitudes avançamos na evolução como também criamos dívidas para com a lei maior. Isto é fato e ninguém avança sem pagar o que deve. E mais, o evangelho nos ensina que o pagamento é "ceitil por ceitil".

Agora, o interessante é que as emersões, ou melhor dizendo, as ressonâncias desses acontecimentos costumam surgir ao nosso terreno de ação dentro de uma linha inteligente da espiritualidade. Imagine que a vida é um cobrador extremamente justo e benevolente. O que significa isto? Que muitas vezes a dívida para com a vida é cobrada quando apresentamos condições de saná-la. Será que deu para entender? Nós contraímos uma dívida a qualquer momento, não é mesmo? Porém, a vida espera o momento em que estamos em condições de pagar para nos cobrar.

Sendo assim, o sacrifício que fazemos é uma forma de louvar, de declarar e assinar o atestado de que nós devemos. É por esta razão que as pessoas mais esclarecidas, mais evoluídas espiritualmente, não reclamam. Repare que aquele que está pagando um débito de modo resignado, seguro, ele está vivendo um sacrifício de redenção porque sai de sua intimidade, de sua alma, a essência do sacrifício dele, diante do cumprimento dos acontecimentos previstos pelo criador ou pelas suas leis, ele atesa por suas ações que ele está sabendo o que está pagando. Ficou claro? Quando a criatura toma a cruz que lhe é devida ela assume a responsabilidade consciente e de forma madura. Por outro lado, quanto mais nós reclamamos do pagamento mais estamos atestando que estamos inconformados com os erros que nós mesmos perpetramos.

Voltamos a repetir: ainda temos, como que por norma, reagir, ao passo que normalmente as pessoas mais esclarecidas, mais concisas no plano da confiança e da certeza da misericórdia divina, reclamam cada vez menos. A sabedoria superior aconselha a não apavorarmos e mantermos os corações abertos para podermos recolher a vontade de Deus.

O tempo passa, constante e inalterável. E as pessoas reclamam das dificuldades. Reclamam das pequenas dores, das médias e das grandes. A maioria segue o seu caminho reclamando. Sofre reclamando. E o sofrimento nós sempre podemos reduzi-lo na medida em que passamos a investir nos seus antídotos. Não duvide, a boa fixação nos objetivos que estabelecemos tem praticamente a capacidade de amenizar, quando não neutralizar, esse nosso sofrimento.

Passando a ocupar o pensamento com os valores autênticos da vida nós aprendemos a sorrir debaixo das dificuldades, quaisquer que sejam elas, construindo gradativamente em nós mesmos o templo vivo da luz para a comunhão constante com o nosso mestre e amigo maior: Jesus.

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