1 de mar de 2014

Cap 41 - É Preciso Saber Sofrer - Parte 9

A COROA

“E VESTIRAM-NO DE PÚRPURA, E TECENDO UMA COROA DE ESPINHOS, LHE PUSERAM NA CABEÇA.” MARCOS 15:17

Os homens, em todos os tempos, tem aplaudido incansavelmente as tribunas douradas, as marchas retumbantes dos exércitos, os grandes ambiciosos que dominaram à força o espírito inquieto das multidões e aqueles que conseguiram amealhar recursos amoedados e acumular riquezas terrenas. E sempre foi assim.

Repare que no mundo as grandes festividades registram invariavelmente os triunfos da experiência física. Ao tempo de Jesus, por exemplo, quando se inaugurou a boa nova entre os homens, os romanos coroavam-se de rosas. Para os gregos a coroa era bem conhecida, uma vez que nos jogos o vencedor recebia uma trançada de louros.

Não obstante tudo o que passou, o filho de Deus afirmou categoricamente: "Eu venci o mundo". E alguém pode perguntar: "Espere aí, como ele venceu se o mundo o crucificou e até hoje, de uma forma ou outra, desconsidera sua mensagem? Que vitória é essa, afinal de contas?" Sim, fique tranquilo. Ele realmente venceu como jamais alguém soube vencer. E o seu triunfo não é passageiro como vitórias transitórias, uma vez alcançado consolida-se na eternidade, jamais oscila nas bases em que se assenta. Para início de conversa, pense no seguinte, o seu objetivo nunca foi o extermínio dos teus adversários.

Os homens naquela época só conheciam um substantivo: a força. Competia ao mestre ensinar algo novo, pela palavra e pelo exemplo fazer a humanidade descobrir o poder em sua essência, a força nobre e soberana que supera todas as manifestações de valor e fortaleza, a força da verdade e o poder do amor. E para conseguir o resultado só havia um meio, a renúncia progressiva de si mesmo, culminando no sacrifício.

Ele ensinou a necessidade do sacrifício próprio para que não triunfasse no planeta apenas uma espécie de vitória, tão passageira quanto as edificações do egoísmo ou do orgulho humanos. Veio para nos ensinar algo novo, como triunfam aqueles que tombam no mundo cumprindo um sagrado dever de amor.

Naturalmente que ele trazia consigo a coroa da vida, entretanto, não quis perder a oportunidade de revelar para nós que a coroa da terra ainda é outra, a de espinhos, de sofrimentos e trabalho incessante para os que desejam escalar a montanha da ressurreição. E deixando-nos sublime lição dava-nos a entender que os seus discípulos deveriam contar com distintivos de outra natureza.

O obstáculo sem dúvida é um instrumento que enriquece a mente. Só que para nós o obstáculo tem sido um verdadeiro dilema. E é evidente que nem por ser útil nós vamos ficar saindo atrás dos problemas. De forma alguma. Mas tem gente que vai atrás, por incrível que pareça. Tem gente que fica tão amarrada ao problema que fica vendo problema onde não tem. Não conhecemos gente assim? Quem vai atrás dos problemas costuma não sair deles.

Jesus não colocou a coroa de espinhos em si por vontade própria, não é? Colocaram nele. O que podemos depreender disto? Que você não pode colocar a coroa de espinhos por vontade própria, o que é algo muito diferente. E tem gente que gosta de colocar a coroa de espinhos em si. Fica sofrendo o dia inteiro e coloca-se constantemente em uma situação de vítima. Vem um sofrimento, vem outro, a criatura cria para si própria aquele ambiente de sofrimento. Sem contar que dentro da linha efetiva de realidade do sofrimento existe muita lágrima sendo derramada por aí que não passa de mera peça de teatro.

Pense comigo. Se no plano simbólico a morte de Jesus foi um cerceamento relativo que culminou no ressurgimento de um espírito absoluto e amplo, por analogia podemos concluir que as nossas dificuldades de certa forma indicam a morte, num sentido diferenciado e moral, a qual vai abrir terreno de eleição de uma nova estrutura de vida. A morte dele redundou numa revivescência. Diz o apocalipse que "foi morto e reviveu". Então, se ele foi morto e reviveu, ressurgindo ele aponta que ainda que nos mortificamos em espírito vamos alcançar com legitimidade a ressurreição, que é a entrada em uma posição melhor de vida.

Não vamos esquecer, a vitória do seguidor de Jesus é quase sempre no lado inverso dos triunfos mundanos. É o lado oculto.  Quer uma ideia? O conquistador de maior êxito de todos os tempos não se ausentou do mundo como quem triunfara. Todavia, essa glória é tão grande que o mundo não a proporciona, muito menos pode subtraí-la. É o testemunho da consciência própria.

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