29 de abr de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 8

VIGIAI E ORAI I

“42VIGIAI, POIS, PORQUE NÃO SABEIS A QUE HORA HÁ DE VIR O VOSSO SENHOR. 43MAS CONSIDERAI ISTO: SE O PAI DE FAMÍLIA SOUBESSE A QUE VIGÍLIA DA NOITE HAVIA DE VIR O LADRÃO, VIGIARIA E NÃO DEIXARIA MINAR A SUA CASA.” MATEUS 24:42-43

“VIGIAI E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO; NA VERDADE, O ESPÍRITO ESTÁ PRONTO, MAS A CARNE É FRACA.” MATEUS 26:41

O mestre Jesus faz uma referência específica a dois dos três andares da nossa arca ou, se quiser, da nossa estrutura mental: o de baixo (subconsciente) e o de cima (superconsciente).

Temos aí a presença dos imperativos "vigiai e orai". Isso mesmo, vigiar fechando a porta de baixo para cima (subconsciente) e orar abrindo a porta de cima para baixo (superconsciente).

Ambos são fatores imprescindíveis para não sucumbirmos às tentações. Mas, atenção, antes de orai é vigiai. A vigilância precisa vir em primeiro lugar, o vigiar tem que vir primeiro. Porque se eu não vigiar bem não adianta orar. Nenhum de nós é capaz de captar valores novos pela oração se não adotar antes um processo eficiente de vigilância. Vamos orar constantemente pedindo recursos do alto, mas antes de orar, vigiar. O evangelho coloca a vigilância antes da oração para não complicar. No plano horizontal de ação nós temos que vigiar.

O que não podemos é deixar de vigiar. A purificação na Terra ainda é como o lírio alvo nascendo do lodo das amarguras e das paixões e as realizações espirituais do presente são pequeninas réstias de claridade sobre as pirâmides de sombra do nosso passado. Por isso, é imprescindível muita cautela com as sementeiras do bem para que a ventania do mal não as arrase. 

É sempre bom lembrar que todas as forças imponderáveis da experiência humana como que se conjugam contra aquele que deseja avançar no roteiro positivo, e não existe luz que se acenda que não sofra a agressão das trevas. Mais vale chorar sob as dores da resistência do que sorrir sob os narcóticos da queda e o cuidado é um fator de segurança a resguardar alguém do tombo, passível de precipitação na dor e desilusão. Como o evangelho propõe, o encaminhamento pressupõe a toda hora: vigilância, vigilância e vigilância, ou vigiai, vigiai e vigiai.

E quando o Cristo de Deus define para nós em várias ocasiões o imperativo vigiai, acrescido do orai, ele está nos indicando que na busca do crescimento estamos sempre às voltas com o processo insinuante que busca impedir esse crescimento. De forma que a vigilância é um elemento de segurança para a caminhada.

Para não sucumbirmos diante dessa insinuação nós temos que ser vigilantes. E enquanto a oração se processa no piso superior, no andar de cima, o vigiai é aqui embaixo. A expressão é vigília e se descuidarmos observaremos, diante das situações menos felizes, que não vai ser difícil detectar quando fomos visitados pela indiferença e desatenção. Vamos guardar: vigiar é manter-se de sobreaviso, prevenir-se, precaver-se, manter-se atento, pôr-se em prevenção, e ela tem dois objetivos.

O primeiro objetivo dessa vigilância é exatamente evitarmos as emersões do nosso passado delituoso e comprometedor. Como assim? Note que, como os animais da arca íntima estão no andar de baixo, significa evitar que os leões subam para os andares superiores. Percebeu? Nós passamos a manter a porta do subconsciente sob controle. É nesse ponto onde está vigilância, para que saia e possa emergir somente o que é útil, somente o que é importante. É o resguardo e a precaução no sentido de evitar que essa soma de caracteres vivenciados na retaguarda, que esses padrões antigos possam emergir num período em que não há mais razão de estarem presentes. Será que deu uma ideia?

Temos que utilizar estratégias positivas no campo da vigilância para impedir a manifestação de determinados valores menos felizes. Diz respeito à necessidade de segurarmos as pontas, isto é, de sabermos manter uma permanência sólida quanto à invasão dos padrões negativos, porque na emersão desses valores já incrustados existe uma força viva e se deixar eles tomam conta da nossa vida. Se der campo a essa soma vivenciada na retaguarda emergem padrões num período que não tem mais razão de estarem presentes.

É preciso ficar atento relativamente àqueles momentos em que começamos a nos expressar. Leve o assunto a sério e pense nisso com carinho. Quando se acende uma luz tem-se por objetivo desativar a treva, não é? No entanto, a treva, por outro lado, também tende a abafar a luz. Em outras palavras, esses elementos que tem dominado a nossa vida durante muito tempo não se conformam de jeito nenhum com as nossas mudanças. Basta o fator de operarmos, ou melhor, de queremos operar o bem para que a tentação já se posicione a ameaçar nosso êxito. Rondando continuamente os nossos passos ela nos indica que o teste está à porta. É por isso que crescer e evoluir não é fácil.

Os componentes capazes de nos lançar na tentação normalmente ficam adormecidos e suscetíveis de emergirem diante de situações ou acontecimentos que, acima de tudo, apresentam características de aferição das nossas conquistas.

O segundo objetivo em sermos vigilantes é mantermos a segurança íntima quando o impacto vier. Porquê? Porque não estamos quites com a lei no que tange os nossos débitos com a harmonia universal. Não somos criaturas puras, sem máculas e sem pecados, é necessário ter atenção para não sermos laçados pela nossa própria concupiscência. É preciso serenidade diante de provas e dificuldades que a vida nos oferece. Vigiar é permanecer acordado, atento, é tomar cuidado, precaver-se. É a capacidade de estarmos atentos diante das experiências da vida. É um chamado imperioso para cada um de nós.

Vigiar quer dizer manter-se acordado e em cada assunto da vida você tentar enxergar.

Então, para crescer não se pode ficar analisando as coisas em um regime de sonambulismo e, tampouco, sob condições nebulosas. Clareie o sistema e observe.

Isto é que é vigilância. E estando atento consegue-se perceber aqueles pontos que são frágeis, bem como aqueles que são fortes. Resultado: é preciso clarear o sistema e observar.

A gente sabe que precisa vigiar, todavia, nem todos sabem que vigiar não representa a colocação de grades. Essa vigilância se faz por meio da ocupação da mente de forma positiva. É lançar valores capazes de propiciar a tranquilidade e o equilíbrio por meio de uma ação prudente em bases edificantes de natureza positiva, como a prece, o estudo, o trabalho e a compreensão.

E o mais interessante é que na medida em que a gente opera com os padrões edificantes o nosso grau de segurança passa a ser mais intensivo do que as normas que a gente trás para cercear a manifestação menos feliz da nossa personalidade. Na medida em que a gente vai se encaixando no trabalho consecutivo do bem a gente vai alcançando, de maneira natural e intrínseca, o grau de defesa.

24 de abr de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 7

A MORTE

“14MAS CADA UM É TENTADO, QUANDO ATRAÍDO E ENGODADO PELA SUA PRÓPRIA CONCUPISCÊNCIA. 15DEPOIS, HAVENDO A CONCUPISCÊNCIA CONCEBIDO, DÁ À LUZ O PECADO; E O PECADO, SENDO CONSUMADO, GERA A MORTE.” TIAGO 1:14-15

“19PORQUE NÃO FAÇO O BEM QUE QUERO, MAS O MAL QUE NÃO QUERO ESSE FAÇO. 20ORA, SE EU FAÇO O QUE NÃO QUERO, JÁ O NÃO FAÇO EU, MAS O PECADO QUE HABITA EM MIM.” ROMANOS 7:19-20

A vivenciação dos padrões antigos, que era, até então, algo normal dentro do plano consciencial, passa a ser pecado e o pecado vai ocasionar a morte.

Porque a aplicabilidade desses padrões no passado da individualidade foi ótimo. De certa forma eles foram até bons e necessários, dentro do mecanismo natural de vida dela. Mas esse mecanismo de vida de ontem já passa a ser morte hoje, porque já não atende mais. Vamos dar um exemplo simples para clarear? Imagine uma pessoa nervosa, extremamente nervosa, e que se irrita com a maior facilidade. Basta a mínima contrariedade sentida e ela logo parte para agressão verbal. Em determinado estágio da vida ela sente a necessidade de melhorar. Estuda a respeito da paciência, lê bons livros e, consciencialmente, passa a situar-se em uma vibração mais elevada. Ela passa a estar com o seu campo íntimo, psíquico, vibrando em faixa mais avançada.

O seu procedimento de agressividade diante de uma situação nova que surge, e que para ela antes era uma expressão normal de vida, passa a ser morte. É morte, porque além dela não estar fazendo aquilo que deve, aquilo que o aprendizado novo indica, opera, ainda, com reflexos que não justificam mais se manterem. Essa morte nos alcança quando, além de não fazermos o que devemos, insistimos em operar com determinados padrões que no presente não atendem.

É morte como perda da autoridade sobre si mesma. Então, o que era nosso hábito, com a nova linha vibracional já não é mais. E sofremos com a sua manifestação. Isso é algo da maior beleza, é a nossa história de evolução consciente.

É nesse sentido que eu estou falando. Note que antigamente, quando a gente queria explodir, a gente soltava os cachorros e até falava: "Sabe de uma coisa, eu deveria soltar não é apenas dois cachorros, não. Eu deveria soltar é quatro". Agora, no decorrer do tempo, acontece o quê com a gente? Se a gente solta os cachorros é comum a gente perder a paz. Quando a gente perde a serenidade, o que acontece? A gente fica entristecido, fica numa fossa tremenda, não é mesmo? É a pura verdade. Esse tipo de atitude pode ter sido excelente ontem, mas hoje não é mais. Porque no momento em que uma verdade nova chega nós temos que ser fieis a ela para podermos incorporar o componente desejado no campo prático, e que ela seja capaz de gerar vida, e não morte.

O apóstolo Paulo já dizia que se queremos fazer o bem é porque estamos no mal, que por falta de não fazer o bem o mal está em nós. É um sinal que se queremos fazer o bem não estamos efetivamente no bem, estamos fazendo bobagem.

Agora, a questão na atualidade da nossa vida prática é que nós não estamos sendo agredidos intimamente tanto pelos erros que temos cometido, porque esses já não são tanto mais. Não é verdade? O interessante por agora é que a maioria que está aqui não pretende, em sã consciência, lesar alguém, machucar alguém, ferir quem quer que seja. Isto não faz parte da nossa vida mais, é coisa do passado, arquivo morto, já deixamos para trás. Nossa instabilidade agora reside na capacidade operacional do valor que possuímos, o erro agora está emergindo não é pela prática do mal, e sim pela indiferença em realizar o bem. O que tem machucado a gente hoje não é o mal que a gente faz, mas o bem que deixamos de fazer. É a indiferença em realizar o bem.

Tem muita gente machucada por aí porque não está fazendo o bem. Hoje estamos muito mais preocupados com aquilo que a gente deixa de fazer do que com aquilo que a gente efetivamente tem feito. Vamos analisar que não sofremos tanto mais por aquilo que fazemos de errado, mas pela parcela de bem que deixamos de fazer. Isso é um fato que tem nos marcado de forma considerável.

E muitas vezes, mais do que parece, o problema atual é o bem que deixamos de fazer. Quanto mais conhecimento a gente tem, e mais falha a gente comete, maior a dor que a gente sente. Cada vez que falhamos dá aquela dor íntima.

Antes sofríamos por ter errado, hoje sofremos por não termos ajudado. Quantas pessoas não conversam com as outras e desabafam: "Ah, eu sinto que estou precisando fazer alguma coisa. O que é que eu posso fazer?" Sentem que o que as está machucando é a falta operacional no bem. Começamos a sentir um incômodo e chegamos a sofrer quando percebemos que não demos o atendimento devido àquela pessoa que nos procurou. Que nos solicitou determinado auxílio ou cooperação e nós não demos a devida atenção que a nossa consciência indicava. Depois a gente fica sentido: "Será que eu não poderia ter feito alguma coisa para fulano?" Quando acontece qualquer coisa: "Eu poderia ter feito, meu Deus. Não me custava nada fazer aquilo." Em muito, não lamentamos o fato de ter machucado, nós lamentamos é de não ter ajudado.

E realmente começamos a sofrer por isso. Passa a se delinear no plano consciencial uma percepção mais ampliada do bem e do mal. Já não reconhecemos o mal pela objetiva agressão ao bem, mas identificamos o mal instaurado unicamente pela ausência do bem consciente que deixamos de fazer.

O que nós temos que fazer, sem nenhuma ideia de fanatismo, é um trabalho de levantamento de nossos potenciais. Para se ter ideia do que estamos falando, veja este versículo: "Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor." (Apocalipse 2:4) Em algumas versões nós vamos encontrar "a tua primeira caridade". É a mesma coisa. O que está sendo referenciado é o amor aplicado.

O interessante para nós é que ele não fala: tenho contra ti que você pisou na bola em tal lugar, ou que você cometeu um deslize e tal. Não. Nada disso. Você percebeu bem? Tenho contra ti que você faltou com a caridade. Ou seja, você deixou de operar com aquilo que, perante a sua consciência, já é uma condição que não pode mais deixar de ser feita. Grande parte dos nossos desequilíbrios do presente são decorrentes dessa falta de equidade entre o que a nossa mente endossa e o que o automatismo, o que a nossa estrutura psíquica, em termos de nosso mundo de profundidade, exige e opera, até de modo irreverente.

Vamos pensar nisso. Tem gente em desequilíbrio que continua fazendo o que sempre fez, só que agora já não dá mais. Toda vez que ela faz dá-se um choque vibracional. Porque antes ela estava em uma ótica e hoje ela já tem uma percepção bem mais ampliada, seus olhos já vêem com mais profundidade. 

Tem gente que sofre porque machucou o outro e tem gente que sofre porque deixou de fazer o bem ao outro. Não acontece isso? "Podia ter feito alguma coisa, meu Deus do céu. Porque não fiz?" E porque esse tipo de pensamento se dá? Porque já existe uma incorporação do plano operacional do bem dentro do psiquismo.

No fundo, nós já alcançamos certa percepção e sentimos que temos que oferecer alguma coisa à vida. Isso que estamos abordando é algo que provavelmente não interessa à grande massa religiosa. Por enquanto, não interessa mesmo. Não interessa àqueles, talvez, que estão matriculados em uma escola religiosa que trabalha com base no cerceamento da instintividade. Mas interessa a nós, que estamos matriculados numa escola que visa direcionar padrões para uma firmeza da individualidade na ética espiritual do Cristo.

O que podemos deixar é um lembrete: se o pecado gera a morte, fazer o bem no que estiver ao nosso alcance proporciona maior percentual de vida. Se a tentação nasce de nós, a flama da educação e do aprimoramento vem de Deus, conduzindo-nos continuadamente para a esfera superior. Estamos agora sendo chamados a um trabalho operacional no bem.

Aquele que abre a capacidade perceptiva aprende. E mais, tenta por em prática.

E o gostoso disso é que na hora que a gente é feliz na prática a gente sente um bem estar extraordinário. Não é mesmo? Chega em casa até eufórico, fala com a esposa, com a mãe, com o marido ou com quem quer que seja: "Nossa, você não sabe da maior. Hoje um cara se irritou comigo de graça. Eu estava certo e mesmo assim ele me agrediu verbalmente. Olhei bem para ele e respirei. Fiquei na minha e não entrei na sintonia dele. Pra ser sincero, fiquei até com pena dele. Ele saiu igual uma onça. Eu estou aqui muito sossegado, tranquilo. Ele? Eu não tenho certeza. Eu mantive a minha paz. Ele, eu não sei."

16 de abr de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 6

A CONCUPISCÊNCIA E O PECADO

“14MAS CADA UM É TENTADO, QUANDO ATRAÍDO E ENGODADO PELA SUA PRÓPRIA CONCUPISCÊNCIA. 15DEPOIS, HAVENDO A CONCUPISCÊNCIA CONCEBIDO, DÁ À LUZ O PECADO; E O PECADO, SENDO CONSUMADO, GERA A MORTE.” TIAGO 1:14-15

O objetivo de cada um de nós na dinâmica ascensional é a elaboração do filho do homem, e como é que ele se instaura? Geralmente, ele se inicia por um processo de assimilação da emanação superior mediante a utilização da vontade consciente.

Quer dizer, vamos subir aos valores sublimados da nossa personalidade e receber de lá valores que dimanam do plano superior. O fazemos pela leitura, pelo estudo, pela participação em boas palestras, pela conversa edificante, e por aí afora. A partir daí surge um interesse, interesse este que se for crescendo acaba num namoro no campo idealístico. Ou seja, entusiasmamos pelo evangelho e nos interessamos cada vez mais pelo conhecimento que chega: "Nossa, é isso mesmo, o evangelho é lindo demais. Quer saber, eu estou com Jesus e não abro! Quero aprender cada vez mais." O namoro idealístico vai ficando cada vez mais sério e, a seguir, nós firmamos um noivado.

Então, perceba que na maioria dos casos nós começamos de maneira acertada a derrubada do homem velho pelo homem novo. Dá-se o casamento e desse casamento surge uma fecundação, formando-se o embrião que vai precisar ser cultivado e alimentado para dar corpo a uma nova faixa de personalidade. Embrião esse originado pelos valores emanados de cima, fecundados no terreno do nosso sentimento e que vai ter que ser alimentado pela linha operacional.

Em tentação, encontramos no psiquismo padrões incrustados que ainda insinuam em participar da engrenagem, e esses padrões são os componentes que nós temos que trabalhar e vencer, ao nível da desativação, para que outros melhores se expressem. O assunto é complexo e desafiador e essa vitória não é fácil. Basta notar que na aplicação dos valores novos assimilados a nível intelectivo não raro se dá a presença do automatismo. O que significa isso?

Que começamos os primeiros passos de forma acertada, com cautela, mas surge após os primeiros lances uma distorção operacional, e notamos que certos reflexos antigos imperam e dominam a nossa vida até hoje. Por isso, se analisarmos bem basta um pensamento de amor para que nos elevemos ao céu, como também na jornada do mundo basta, às vezes, uma palavra fútil ou uma consideração menos digna para que a alma do homem seja conduzida ao estacionamento e desespero das trevas, por relaxamento e imprevidência de si própria.

O apóstolo Tiago é claro: "Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte." (Tiago 1:14-15)

Por concupiscência nós vamos entender o desejo intenso pelos bens ou gozos materiais. 

É a nossa adesão plena aos aspectos da vida de retaguarda. Para ficar fácil de assimilar é como se fosse "com cumplicidade da consciência". Repare que cada indivíduo traz em seu psiquismo uma gama de fatores positivos e negativos, razão pela qual cada um é tentado, e agora estamos falando de tentação a nível exterior, pela tentação que alimenta em si próprio. A tentação em si é algo de manifestação íntima, e o que se dá tantas vezes é que ativado esse mecanismo, da criatura consigo mesma, e o fato dela estar cheia de facetas negativas, é a razão pela qual pode lhe chegar uma entidade negativa e inferior que vai encontrar ressonância e vai se relacionar com ela facilmente. A queda da individualidade na tentação propicia conectividade dela com espíritos exteriores e aí forma-se, em tantas ocasiões, uma aldeia ampla de influenciações e complicações. Ao vencer a insinuação da tentação íntima a criatura dá um passo a frente a nível de conquista, mas se ela fracassa e cai nessa queda na tentação surge o ponto em que a tentação exterior se processa.

A questão é que enquanto ficamos apenas sensibilizados em mudar o ângulo de percepção, no que se refere ao campo da visualização informativa, enquanto ficamos restritos à preparação, não encontramos dificuldade, não é muito difícil. Às vezes a gente até demora a entender, mas entende depois com o tempo.

O problema é que em muitas situações gostamos do novo que visualizamos, no entanto, vibramos com o outro lado ainda. Sabemos o que precisamos fazer, temos a exata noção do que precisamos mudar, mas gostamos muito daquilo a que estamos ajustados. Percebeu o que estamos querendo dizer? Se rejeitamos o padrão recolhido, o novo que chegou, é sinal de que nós estamos de algum modo apaixonados, nós estamos de alguma forma vinculados vibracionalmente com as faixas anteriores. Significa que apesar de consciencialmente depreendermos que essas faixas precisam ser superadas e os seus reflexos desativados, nós ainda sentimos um certo magnetismo que aglutina, que prende a gente, uma atração que prende em face dos nossos desejos que ainda são alimentados e realimentados em cima daquela mesma proposta.

Sem dúvida, a razão cria dualidade que define nossa capacidade de discernir, uma vez que recebemos os fluxos que dimanam da estrutura íntima do criador e, também, o influxo de baixo da nossa personalidade milenar. E esse material que constitui a base da tentação íntima, e que é preciso exercício no sentido de desativar, pela incorporação de novos e melhores padrões, esse material que para nós já está sendo instrumento possível de ser desativado, ele ainda é o pão de cada instante de uma grande massa de criaturas à nossa volta.

O pecado é a ação realizada em sentido contrário à lei. Tanto que pecador é aquele que conhece a lei, todavia age em sentido inverso ao que ela preceitua. Ficou claro?

E o mal aparece na vida de alguém quando aquilo que ele fazia como bem, como algo normal, passa a ficar superado, ou então é alguma que não foi devidamente clareada ou sublimada, e a partir do momento que uma luz toca vira sucata.

Nós não estamos aqui para falar do pecado, que é assunto para outra ocasião, mas repare que dar à luz o pecado significa a permanência da ação em cima de um plano aplicativo estruturado com base no padrão velho. Repare o seguinte: se a tentação é fator positivo e essencial na vida, a caída na tentação é decorrente de uma fragilidade a que não soubemos ou não tivemos a vontade suficientemente forte para vencer. Percebeu? Porque em determinada circunstância, ao invés do indivíduo tentar reformular o destino por uma ação diferente que a razão já endossa e o sentimento recolhe, ele acaba por ficar à mercê do impacto da vida e aplica usando o padrão antigo.  E, assim, continua somando conteúdo, mas vivendo complicação antiga, porque aprende e não age conforme o aprendizado novo. Ele continua usando o padrão velho de comportamento quando a consciência já endossou um novo modo de agir, e o padrão velho usado quando a vibração já é mais elevada passa a ser pecado.

Os padrões inferiores são a emersão do produto arquivado no departamento da memória e o pecado surge porque a criatura tinha conhecimento adquirido, o teste veio para aferir e ela caiu no plano de reciclagem da mentalidade anterior.

Imagine que alguém tem determinada atitude que é negativa no plano moral, mas absolutamente normal dentro do sistema de vida que elegeu e vive. Só que com novo aprendizado e novo padrão vibracional em que ele passa a situar-se, esses valores que foram incorporados no psiquismo como sendo fatores positivos, com o decorrer do tempo e a mudança íntima passam a ser caracteres superados. Ou seja, transformam-se e deixam de ter um caráter positivo, passando para uma dimensão negativa. E a concupiscência prevalecendo vai acabar por gerar o pecado, porque aí continua a se operar em cima do padrão velho, quando o padrão novo já clareou o entendimento. E o pecado consumado não gera outra coisa senão a morte, nosso próximo assunto.

10 de abr de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 5

A REAÇÃO É DE DENTRO

“MAS CADA UM É TENTADO, QUANDO ATRAÍDO E ENGODADO PELA SUA PRÓPRIA CONCUPISCÊNCIA.” TIAGO 1:14

Quando se fala em tentação todo mundo logo pensa em espírito. É quase que automático. Para o religioso, então, tentação é coisa do demônio, é o demônio que chega e tenta. Agora, sob a luz do entendimento essa ideia errônea tem que deixar de existir. É preciso desativar essa ideia mística e distorcida que trazemos de tempos longínquos de que a tentação é fruto dessa figura abominável.

Assim, que espírito que nada! Tentação são os nossos próprios reflexos que emergem, é a emersão da nossa estrutura milenar. As tentações de todos os matizes que nos acometem são os registros que emergem do poço dos nossos impulsos instintivos não dominados ainda. As mais terríveis tentações decorrem do fundo sombrio da individualidade, como o lodo mais intenso que, capaz de enegrecer o lago, procede do seu próprio meio. Quanto ao diabo, personificado nos espíritos negativos, esse se aproveita da concupiscência. É uma figura que traz vida em si face as circunstâncias que surgem, mas antes da insinuação negativa de caráter exterior vigora a reação do homem velho dentro de nós.

Guarde uma coisa com você: de fora para dentro não existe tentação. Tentação é o que emerge de dentro de nós mesmos. O que vem de fora não tenta, de fora para dentro o que temos é aferição e prova. O componente que nos chega, de cima para baixo, não tenta ninguém, ele desafia para novas conquistas. Ficou claro? Esse componente de cima, revelando algo desafia nosso potencial, logo, o que vem de cima não tenta, desafia-nos, o que é bem diferente.

O que vem de cima não é tentador. O que vem de baixo, sim, tenta. O que se expressa de baixo para cima tenta, quer tentar desativar o desafio e a orientação positiva, visa fazer abortar os componentes concebidos pela mente em novos progressos.

O problema no campo da tentação se encontra dento da gente em razão do nosso passado já vivido. E sabe porquê? Porque todos nós renascemos na Terra para as tarefas de reajuste trazendo as forças desequilibrantes do próprio pretérito, e essa junção de nossas almas com os poderes infernais se verifica em relação ao inferno que trazemos conosco. Daí, a gente começa a entender melhor a dinâmica desse mecanismo tentador que se processa à partir de dentro, dessa força trevosa inerente ao próprio psiquismo que busca evitar que a criatura ascenda.

O crescimento consciente se origina à partir do recebimento da emanação superior que, aliada ao nosso sentimento e capacidade de operar, cria um embrião que vai ter que ser fortificado para dar nascimento a uma nova faixa de personalidade.

Todavia, se de um lado surge esse embrião, que vai ter que ser alimentado pela capacidade aplicativa da repetição, de baixo dá-se uma reação ativada pela concupiscência que vai criar um corpo para entrar em luta com essa concepção inicial. Está dando para acompanhar o raciocínio? De cima chegam fatores impulsionadores do progresso e de baixo emergem padrões (emersão que se expressa quando não há vigilância) que vão tentar trabalhar no intuito de desativar o desafio positivo. Essa expressão vinda de baixo vai querer a todo custo liquidar com o embrião. Não aceita a mudança sem luta. Porque o nosso conjunto de caracteres elaborados em longo tempo, e que constituem a soma de nossos reflexos, é muito grande, e esse conjunto visa impedir a sua alteração por outros padrões capazes de propiciar felicidade pra nós. É como se gritassem dentro da gente que nessa estrutura íntima quem manda são eles.

Existe uma tendência ou expressão dupla dentro de nós. O anseio de crescermos define um ângulo que trabalha a nossa intimidade em condições de nos projetar para novas posições, mas dentro dessa mesma intimidade temos, também, forças que insistem no conservadorismo da nossa maneira de ser. Ou seja, uma força nos impulsiona para além e outra puxa para nos prender, e dentro desse sistema dinâmico e íntimo é que vamos nos definindo.

Assim caminham os seres humanos, sem exceção. A cada proposta nova dá-se uma soma de reações que emergem da própria expressão interior. Ao nível da tentação, vigoram valores incrustados no psiquismo que insistem em participar da engrenagem. Quanto mais se intensifica o sistema do crescimento e a nossa adesão aos planos da evolução consciente, em que vamos selecionando o piso a ser alcançado e vamos nos encaminhando para essa conquista, é natural que se somem as reações negativas. Vale ressaltar uma coisa: a nossa própria estrutura psíquica abre as comportas interiores em sua profundidade maior, a fim de tentar manter a hegemonia da vida milenar que temos levado até então. Em razão disso, não podemos nos iludir nesse particular, a cada proposta nova surge sempre uma soma ampla de reações. E esses padrões antigos, que ainda dominam parcela enorme da nossa existência, são os componentes que nós temos que vencer, que nós temos que nos esforçar ao nível da desativação para que outros melhores passem a vigorar.

Não dá outra, a nossa tendência é conservadorista. Quando a gente se lança na busca da mudança, da alteração dos nossos recursos, nós entramos em choques.

Você pode estar muito bem intencionado, como eu estou, e todos aqui na conquista de determinados padrões estão, só que o homem velho, que está acostumado com o sistema pela automaticidade de vida, ele não cede muito fácil o terreno. Não cede fácil de forma alguma, ele quer permanecer ali. Os valores novos que chegam possuem uma característica de apontar e oferecer recursos construtivos, e não temos dúvida quanto a isso. Mas ao lado dessa visão nova, em fase de aprimoramento, vigora o nosso potencial vivido que não quer perder espaço na hegemonia de vida. Esse potencial insiste em permanecer, e é exatamente a essa reação desses valores antigos o que nós chamamos tentação.

Esses elementos tem dominado a nossa vida durante muito tempo e eles não se conformam com as nossas mudanças. Não se conformam mesmo. Repare que você começa a se movimentar. Se bobear: "Ah, quer saber. Vou largar tudo isso pra lá. Está muito chato esse trem." Perfeito? Então, perde. E aí o que acontece? Volta você de novo para o antigo ponto. O recado que podemos deixar é o seguinte: todas as vezes que a gente começa a visualizar um sentido novo de vida, que a gente começa a abrir determinada frente que vai nos ajudar a evoluir, que vai ajudar a nos desprendermos de onde estamos, vamos tomar cuidado. Muito cuidado mesmo. Porque está arriscado a gente largar tudo pra lá.

7 de abr de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 4

OS TRÊS ASPECTOS DA TENTAÇÃO

“3E, CHEGANDO-SE A ELE O TENTADOR, DISSE: SE TU ÉS O FILHO DE DEUS, MANDA QUE ESTAS PEDRAS SE TORNEM EM PÃES. 4ELE, PORÉM, RESPONDENDO, DISSE: ESTÁ ESCRITO: NEM SÓ DE PÃO VIVERÁ O HOMEM, MAS DE TODA A PALAVRA QUE SAI DA BOCA DE DEUS. 5ENTÃO O DIABO O TRANSPORTOU À CIDADE SANTA, E COLOCOU-O SOBRE O PINÁCULO DO TEMPLO, 6E DISSE-LHE: SE TU ÉS O FILHO DE DEUS, LANÇA-TE DE AQUI ABAIXO; PORQUE ESTÁ ESCRITO: QUE AOS SEUS ANJOS DARÁ ORDENS A TEU RESPEITO, E TOMAR-TE-ÃO NAS MÃOS, PARA QUE NUNCA TROPECES EM ALGUMA PEDRA. 7DISSE-LHE JESUS: TAMBÉM ESTÁ ESCRITO: NÃO TENTARÁS O SENHOR TEU DEUS. 8NOVAMENTE O TRANSPORTOU O DIABO A UM MONTE MUITO ALTO; E MOSTROU-LHE TODOS OS REINOS DO MUNDO, E A GLÓRIA DELES. 9E DISSE-LHE: TUDO ISTO TE DAREI SE, PROSTRADO, ME ADORARES." MATEUS 4:3-9

O fato de Jesus ter sido tentado não é algo para nos assustar, muito menos desanimar.

O que temos que saber é que a tentação dele foi circunstancial e nada tem de potencial. A nossa, sim, é potencial. Pense comigo no seguinte: Jesus foi tentado em razão das trevas interiores dele? Não. De forma alguma. Nós dissemos que a tentação dele foi circunstancial a indicar para nós que chega um determinado momento na etapa evolutiva em que a tentação praticamente passa a inexistir em razão da ausência de treva íntima. Percebeu? O Cristo divino é a luz máxima vigorante que conhecemos e ele está, vamos dizer, imune a determinadas propostas de natureza inferior. Tentá-lo é como se alguém quisesse lançar uma bola de tênis sob um muro de concreto de um metro de espessura.

Essa bola afetaria em algo a estrutura do muro? Claro que não. Triste seria, e talvez nem estivéssemos aqui estudando, seria se ele tivesse caído na tentação.

Os três aspectos ou expressões em que a tentação de Jesus se manifestou definem exatamente as três áreas básicas suscetíveis de propiciar nossa queda no mundo. Dizem respeito às propostas sobre as quais a tentação se desenvolve.

Basta avaliar com carinho e veremos que elas incidem em cima de certos ângulos que ainda constituem as nossas fragilidades. Opera na síntese do que nós cultivamos ainda em termos de necessidades, de interesses e de desejos, em razão da nossa retaguarda. Correspondem aos três pontos nevrálgicos, se é que podemos dizer assim, da nossa personalidade, em que a todo o momento nós somos testados nas circunstâncias mais diversas. Isso é algo que precisamos considerar e ter sempre em conta se realmente quisermos crescer.

O primeiro ponto da tentação surge daquela ideia de se transformar pães em pedras.

Ou seja, ela incide na questão da alimentação. Alimentação, e isso é muito importante, não apenas no sentido somático, físico, biológico, mas também no seu aspecto psíquico. Mais do que a seleção de componentes que objetivam a satisfação e o reconforto do estômago temos também a necessidade de alimentação na sua acepção mental, pois sabemos que o homem não vive apenas de pão material. É essencial para a harmonia no plano íntimo a filtragem e a firmeza com que nos abastecemos dos pensamentos.

Jesus ter sido levado ao pináculo do templo, lá ser mostrado para ele todos os poderes temporais e afirmado que aquilo tudo poderia ser dele, mostrar-lhe toda a hegemonia do mundo no seu campo temporal e perguntar se ele não queria ser dono de tudo, no campo horizontal dos acontecimentos, é outro aspecto que, sem dúvida, não podemos esquecer. O fascínio e o apego pelas coisas materiais é outro ponto que tem nos colocado em situações de embaraço.

E falar da autoridade que ele tinha de pular do pináculo do templo para que os anjos pudessem segurá-lo na caída define a utilização do exercício da autoridade.

Essa questão relacionada com o poder, como faceta da serpente viva dentro de nossos corações, mostra um elemento que tem jogado muita gente para baixo, não tem? É o terceiro ângulo que tem nos colocado em situações difíceis, e que diz respeito ao desafio nosso quanto à utilização dos poderes conquistados.

3 de abr de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 3

TRANSIÇÃO, CARÊNCIA E AFERIÇÃO

“4ENTÃO FOI CONDUZIDO JESUS PELO ESPÍRITO AO DESERTO, PARA SER TENTADO PELO DIABO. 2E, TENDO JEJUADO QUARENTA DIAS E QUARENTA NOITES, DEPOIS TEVE FOME;” MATEUS 4:1-2

“8EM TUDO SOMOS ATRIBULADOS, MAS NÃO ANGUSTIADOS; PERPLEXOS, MAS NÃO DESANIMADOS. 9PERSEGUIDOS, MAS NÃO DESAMPARADOS; ABATIDOS, MAS NÃO DESTRUÍDOS;” II CORÍNTIOS 4:8-9

Em todo processo de aprendizagem e projeção do ser no rumo de sua afirmação em bases novas, inicialmente dá-se o momento da assimilação de um conteúdo novo, e a seguir se instaura o mecanismo da tentação.

Isto precisa ficar claro, a tentação não surge a qualquer momento. Pelo contrário, ela tem o seu momento. Não surge quando estamos na fase preparatória, não surge quando nós estamos na inatividade. Tanto que ela se chama tentação. Para que comece a se expressar tem que estar havendo uma ação.

Na própria tentação de Jesus, por exemplo, o evangelho nos mostra que ela se desenvolve após quarenta dias aproximadamente, não é? Ou seja, surge na instauração de carências que, literalmente, o texto sugere, que é quando ele teve fome e sede. Ela veio no tempo em que ele ficou no deserto preparando-se para a missão, após o batismo. Então, normalmente a tentação se faz presente quando a carência se manifesta, quando a criatura vivencia determinada situação de cerceamento. Ela não pode surgir para quem está abastecido, não aparece para quem está identificado com um celeiro farto, de abastecimento.

É preciso ter em conta esse aspecto, a tentação está presente quando a criatura está cerceada.

Quase todos os fatos, prá não dizer praticamente todos, e estamos nos referindo ao sentido amplo, eles se desenvolvem positivamente diante de um certo grau de dificuldade, quando existe uma característica negativa de queda e nós superamos e vencemos o desafio. Você já observou isso? As insinuações íntimas de ordem desanimadora costumam vir quando nos encontramos destituídos, quando estávamos desativados em determinadas áreas da caminhada, em que realmente nós estávamos bem e de repente perdemos aquela segurança. Isto se dá nas mais variadas frentes em que a prova vem à tona.

A insinuação da tentação se manifesta sempre quando se instaura a carência. Não pode ficar dúvida nenhuma a esse respeito. Quase sempre o tombo não surge no momento em que nós estamos angariando valores, no momento em que estamos nos preparando e assimilando. Ela não surge enquanto estamos naquela fase de planejamento ou colocando as bagagens no porta-malas. Nesse momento nós estamos tranquilos, não tem chance nenhuma dela aparecer.

Ao propormos algo novo, quando idealizamos uma meta que nos é importante, costumamos visualizar uma escada, e até podemos subir alguns degraus nela, podemos até dar os primeiros passos sem maiores problemas ou complicações. Ocorre que após a aplicação dos primeiros lances operacionais nós recebemos uma reação interna que atua como se magnetizasse e hipnotizasse os interesses maiores, obliterando-os para que fiquemos na antiga escala, para que não ascendamos e permaneçamos na mesma posição. E quer saber de uma coisa? Não é fácil avançar e nunca foi fácil crescer. Quem quiser realizar algo em qualquer área da vida sem receber as pancadas aferidoras da tentação, não precisa nem começar a fazer. Cada reunião espiritual que a criatura frequenta, independente de qual religião seja, cada capítulo novo deste blog que estudamos juntos, definem uma proposta ampla de clarificação, e é evidente que a luz fica sujeita ao envolvimento das trevas. E importante é saber que a tentação não surge nos lances iniciais e preliminares,  ela se expressa é quando começamos a ganhar um terreno mais ampliado. É neste momento que começa a surgir um desbloqueio dos nossos registros mais profundos.

A tentação ocorre é no ponto da transição. E o que é transição? É uma etapa de mudança de um estado para outro. Quem está na transição está onde? Está em trânsito.

Imagine o seguinte. Você está dando uma reunião em sua casa para comemorar o aniversário de alguém, e liga para um amigo: "Como é, Auriolindo, você não vem para a festinha?" Ele diz: "Já estou indo, já saí de casa, eu agora estou no trânsito." Ou seja, quem está em trânsito já saiu de onde estava, já se desvinculou, mas não chegou ao destino. Está em percurso. É esse o momento da transição, e toda transição, sem exceção, é desconfortável.

A transição é o ponto em que se instaura a tentação.  Todas as vezes que a gente entra em processo de transição essa transição para quem quer mudar é deserto. Não tenha dúvida. Nós temos que ter a paciência de saber vivenciar o momento de transição, que é um momento acentuadamente desconfortável. A transição é mudança de um estado para outro, é o que está jogado na confusão. Por isso, é que existe tanta dificuldade em alguém mudar-se. Tem muita gente que quer mudar, mas quando olha para o outro lado e percebe que para crescer é preciso viver o momento da tentação, vê que é preciso entrar em um lugar em que não tem experiência, em muitos casos ela prefere ficar no ponto de segurança, prefere abrir mão da possibilidade de crescer e fica presa onde está.

Não se assuste com que eu vou dizer, nós costumamos ser tentados diante das tribulações.

A tribulação, que consiste na adversidade, aflição, contrariedade, amargura e tormento tem um sentido bastante positivo no contexto. Tanto a tentação como a tribulação, no papel que desempenham no direcionamento ascensional, são instrumentos de natureza positiva, não negativa. A tribulação é um componente positivo da evolução, é ela que define a capacidade experimental nossa.

A tribulação apresenta natureza aferidora das nossas propostas legítimas, tem por objetivo aferir o grau seletivo, medir a capacidade experimental. E temos que vencer essa prova da aferição, porque se estamos atribulados e optamos por uma postura acanhada, de entrega, visando puramente o reconforto momentâneo, quem sabe nós sucumbimos à insinuação inferior!? Agora, que fique claro que a tentação, tanto quanto a tribulação, não é Satanás. Ok? Pela tribulação nós podemos sucumbir à insinuação negativa e fazer com que Satanás, representado nos espíritos de ordem inferior, se expresse por uma atitude menos feliz nossa. Essa queda mental pode fazer emergi-lo e nos levar a uma identidade com ele.

O importante é não cairmos diante das tentações e das tribulações. A tribulação não pode nos levar ao desespero em hipótese alguma. Basta nos lembrarmos daqueles documentários de televisão que mostram um coelho escapando de um leão ou de outro predador qualquer. "Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos." (II Coríntios 4:8-9)

O que acontece se estamos sendo perseguidos, acuados por uma determinada situação, e não resolvemos nos virar? Com toda a certeza nós vamos acabar sendo abatidos nessa perseguição. Se pararmos a caminhada porque a tribulação chegou nós entramos no desespero e aí a situação se complica de verdade.

Vamos notar que a gente tem buscado ser feliz, cada qual à sua maneira, temos lutado para alcançar o patamar do reconforto e da segurança. E analisando nosso passado vamos perceber que muitas das grandes vitórias que tivemos, talvez as nossas melhores conquistas, elas ocorreram em cima de quê? Das tribulações. Como diz aquele ditado que "a necessidade faz o sapo pular", os nossos grandes êxitos emergem através delas. Nada de maldizer as dificuldades. Para além da percepção imediata da dor há o teste da capacidade operacional do ser, atrás de qualquer dificuldade vamos sempre encontrar uma linha indicativa a promover a redenção e libertação das criaturas a elas vinculadas.

Isto sempre acontecerá. Não existe progresso efetivo sem que haja um momento de tentação de nossa parte. Jesus, ao viver os quarenta dias, deixou para nós o recado de que temos que ter a estrutura capaz de vencer todas as insinuações. Sempre há uma aferição que vem trabalhar o momento da transição.

A projeção de qualquer criatura no plano educacional só é definida após o sistema natural aferidor da tentação. Todas as tarefas que laboramos no campo das ideias, e que objetivamos implementá-las no campo material, esses trabalhos normalmente são precedidos de uma aferição, de uma prova que representa exatamente esse período de tentação. É a prova que a gente passa. Não tem como se esquivar disso. Não estamos falando de uma prova semelhante a um vestibular, concurso público ou prova escrita qualquer. Não, não é nada disso, é a prova ante os acontecimentos da vida. Então, fiquemos atentos, pois vencendo essas insinuações nós passamos a ter abertos os caminhos naturais.

O ato de ser tentado expressa o patamar que alcançamos. A tentação visa saber se a criatura já está desvinculada no cerne daquele sistema de vida que ela adotava, objetiva aferir quanto a proposta que ela quer conquistar. Está dando para perceber? Porque não adianta o indivíduo sair pulando de degrau em degrau, dois de cada vez, mas ficar com a mente voltada lá atrás. A tentação constitui a aferição das legítimas disposições de crescimento. Isso é o que acontece.

Quando definimos alguma coisa que queremos fazer costumamos ser visitados por esse tipo de coisa para determinar, com segurança, se efetivamente é aquilo que a gente quer.

E não é para desanimar ninguém. A tentação é praticamente uma condição do dia a dia e uma continuidade na vida. De forma que ante as grandes propostas costumamos entrar em terreno que tem que ser administrado com paciência, calma e determinação. Ponha uma coisa na cabeça, enquanto não passamos de um parâmetro para o seguinte ainda vibra tudo o que está presente no patamar de origem. Ficou claro? O plano superior está jogando luzes maravilhosas para nós. Não dá para negar que está chegando claridade vinda de cima, está vindo luz, no entanto, ainda permanece um ponto que está nos fixando na retaguarda, e que nós temos que ter determinação para suplantá-lo.

O ponto sensível da nossa desestabilização é o calcanhar de Aquiles. Por isso, é preciso ficar de olho aberto. Se bobear, a gente dança. Trabalhando com os valores oriundos de cima a gente se sente melhor, sem dúvida, e vários lances precisam ser implementados nas diversas áreas. Não é mesmo? Cada passo que damos à frente é um passo de desvinculação dos campos da justiça e penetração no amor.

Porém, não vamos esquecer que se baixarmos a retaguarda a gente naufraga muito antes de chegar ao destino. Enquanto não conseguimos o acesso nós ficamos suscetível de uma submersão. Tem coisas que nós ainda não conquistamos e que não estão resolvidas. E mais, que estão gerando dificuldade e necessitam serem trabalhadas de forma eficaz. Enfim, temos que lutar para não cairmos no meio da viagem, porque com um pouquinho de observação vamos perceber que se bobearmos nós entramos na linha contrária de sintonia e afinidade operacional e ficamos no meio do caminho, e teremos de recomeçar depois.

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