3 de abr de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 3

TRANSIÇÃO, CARÊNCIA E AFERIÇÃO

“4ENTÃO FOI CONDUZIDO JESUS PELO ESPÍRITO AO DESERTO, PARA SER TENTADO PELO DIABO. 2E, TENDO JEJUADO QUARENTA DIAS E QUARENTA NOITES, DEPOIS TEVE FOME;” MATEUS 4:1-2

“8EM TUDO SOMOS ATRIBULADOS, MAS NÃO ANGUSTIADOS; PERPLEXOS, MAS NÃO DESANIMADOS. 9PERSEGUIDOS, MAS NÃO DESAMPARADOS; ABATIDOS, MAS NÃO DESTRUÍDOS;” II CORÍNTIOS 4:8-9

Em todo processo de aprendizagem e projeção do ser no rumo de sua afirmação em bases novas, inicialmente dá-se o momento da assimilação de um conteúdo novo, e a seguir se instaura o mecanismo da tentação.

Isto precisa ficar claro, a tentação não surge a qualquer momento. Pelo contrário, ela tem o seu momento. Não surge quando estamos na fase preparatória, não surge quando nós estamos na inatividade. Tanto que ela se chama tentação. Para que comece a se expressar tem que estar havendo uma ação.

Na própria tentação de Jesus, por exemplo, o evangelho nos mostra que ela se desenvolve após quarenta dias aproximadamente, não é? Ou seja, surge na instauração de carências que, literalmente, o texto sugere, que é quando ele teve fome e sede. Ela veio no tempo em que ele ficou no deserto preparando-se para a missão, após o batismo. Então, normalmente a tentação se faz presente quando a carência se manifesta, quando a criatura vivencia determinada situação de cerceamento. Ela não pode surgir para quem está abastecido, não aparece para quem está identificado com um celeiro farto, de abastecimento.

É preciso ter em conta esse aspecto, a tentação está presente quando a criatura está cerceada.

Quase todos os fatos, prá não dizer praticamente todos, e estamos nos referindo ao sentido amplo, eles se desenvolvem positivamente diante de um certo grau de dificuldade, quando existe uma característica negativa de queda e nós superamos e vencemos o desafio. Você já observou isso? As insinuações íntimas de ordem desanimadora costumam vir quando nos encontramos destituídos, quando estávamos desativados em determinadas áreas da caminhada, em que realmente nós estávamos bem e de repente perdemos aquela segurança. Isto se dá nas mais variadas frentes em que a prova vem à tona.

A insinuação da tentação se manifesta sempre quando se instaura a carência. Não pode ficar dúvida nenhuma a esse respeito. Quase sempre o tombo não surge no momento em que nós estamos angariando valores, no momento em que estamos nos preparando e assimilando. Ela não surge enquanto estamos naquela fase de planejamento ou colocando as bagagens no porta-malas. Nesse momento nós estamos tranquilos, não tem chance nenhuma dela aparecer.

Ao propormos algo novo, quando idealizamos uma meta que nos é importante, costumamos visualizar uma escada, e até podemos subir alguns degraus nela, podemos até dar os primeiros passos sem maiores problemas ou complicações. Ocorre que após a aplicação dos primeiros lances operacionais nós recebemos uma reação interna que atua como se magnetizasse e hipnotizasse os interesses maiores, obliterando-os para que fiquemos na antiga escala, para que não ascendamos e permaneçamos na mesma posição. E quer saber de uma coisa? Não é fácil avançar e nunca foi fácil crescer. Quem quiser realizar algo em qualquer área da vida sem receber as pancadas aferidoras da tentação, não precisa nem começar a fazer. Cada reunião espiritual que a criatura frequenta, independente de qual religião seja, cada capítulo novo deste blog que estudamos juntos, definem uma proposta ampla de clarificação, e é evidente que a luz fica sujeita ao envolvimento das trevas. E importante é saber que a tentação não surge nos lances iniciais e preliminares,  ela se expressa é quando começamos a ganhar um terreno mais ampliado. É neste momento que começa a surgir um desbloqueio dos nossos registros mais profundos.

A tentação ocorre é no ponto da transição. E o que é transição? É uma etapa de mudança de um estado para outro. Quem está na transição está onde? Está em trânsito.

Imagine o seguinte. Você está dando uma reunião em sua casa para comemorar o aniversário de alguém, e liga para um amigo: "Como é, Auriolindo, você não vem para a festinha?" Ele diz: "Já estou indo, já saí de casa, eu agora estou no trânsito." Ou seja, quem está em trânsito já saiu de onde estava, já se desvinculou, mas não chegou ao destino. Está em percurso. É esse o momento da transição, e toda transição, sem exceção, é desconfortável.

A transição é o ponto em que se instaura a tentação.  Todas as vezes que a gente entra em processo de transição essa transição para quem quer mudar é deserto. Não tenha dúvida. Nós temos que ter a paciência de saber vivenciar o momento de transição, que é um momento acentuadamente desconfortável. A transição é mudança de um estado para outro, é o que está jogado na confusão. Por isso, é que existe tanta dificuldade em alguém mudar-se. Tem muita gente que quer mudar, mas quando olha para o outro lado e percebe que para crescer é preciso viver o momento da tentação, vê que é preciso entrar em um lugar em que não tem experiência, em muitos casos ela prefere ficar no ponto de segurança, prefere abrir mão da possibilidade de crescer e fica presa onde está.

Não se assuste com que eu vou dizer, nós costumamos ser tentados diante das tribulações.

A tribulação, que consiste na adversidade, aflição, contrariedade, amargura e tormento tem um sentido bastante positivo no contexto. Tanto a tentação como a tribulação, no papel que desempenham no direcionamento ascensional, são instrumentos de natureza positiva, não negativa. A tribulação é um componente positivo da evolução, é ela que define a capacidade experimental nossa.

A tribulação apresenta natureza aferidora das nossas propostas legítimas, tem por objetivo aferir o grau seletivo, medir a capacidade experimental. E temos que vencer essa prova da aferição, porque se estamos atribulados e optamos por uma postura acanhada, de entrega, visando puramente o reconforto momentâneo, quem sabe nós sucumbimos à insinuação inferior!? Agora, que fique claro que a tentação, tanto quanto a tribulação, não é Satanás. Ok? Pela tribulação nós podemos sucumbir à insinuação negativa e fazer com que Satanás, representado nos espíritos de ordem inferior, se expresse por uma atitude menos feliz nossa. Essa queda mental pode fazer emergi-lo e nos levar a uma identidade com ele.

O importante é não cairmos diante das tentações e das tribulações. A tribulação não pode nos levar ao desespero em hipótese alguma. Basta nos lembrarmos daqueles documentários de televisão que mostram um coelho escapando de um leão ou de outro predador qualquer. "Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos." (II Coríntios 4:8-9)

O que acontece se estamos sendo perseguidos, acuados por uma determinada situação, e não resolvemos nos virar? Com toda a certeza nós vamos acabar sendo abatidos nessa perseguição. Se pararmos a caminhada porque a tribulação chegou nós entramos no desespero e aí a situação se complica de verdade.

Vamos notar que a gente tem buscado ser feliz, cada qual à sua maneira, temos lutado para alcançar o patamar do reconforto e da segurança. E analisando nosso passado vamos perceber que muitas das grandes vitórias que tivemos, talvez as nossas melhores conquistas, elas ocorreram em cima de quê? Das tribulações. Como diz aquele ditado que "a necessidade faz o sapo pular", os nossos grandes êxitos emergem através delas. Nada de maldizer as dificuldades. Para além da percepção imediata da dor há o teste da capacidade operacional do ser, atrás de qualquer dificuldade vamos sempre encontrar uma linha indicativa a promover a redenção e libertação das criaturas a elas vinculadas.

Isto sempre acontecerá. Não existe progresso efetivo sem que haja um momento de tentação de nossa parte. Jesus, ao viver os quarenta dias, deixou para nós o recado de que temos que ter a estrutura capaz de vencer todas as insinuações. Sempre há uma aferição que vem trabalhar o momento da transição.

A projeção de qualquer criatura no plano educacional só é definida após o sistema natural aferidor da tentação. Todas as tarefas que laboramos no campo das ideias, e que objetivamos implementá-las no campo material, esses trabalhos normalmente são precedidos de uma aferição, de uma prova que representa exatamente esse período de tentação. É a prova que a gente passa. Não tem como se esquivar disso. Não estamos falando de uma prova semelhante a um vestibular, concurso público ou prova escrita qualquer. Não, não é nada disso, é a prova ante os acontecimentos da vida. Então, fiquemos atentos, pois vencendo essas insinuações nós passamos a ter abertos os caminhos naturais.

O ato de ser tentado expressa o patamar que alcançamos. A tentação visa saber se a criatura já está desvinculada no cerne daquele sistema de vida que ela adotava, objetiva aferir quanto a proposta que ela quer conquistar. Está dando para perceber? Porque não adianta o indivíduo sair pulando de degrau em degrau, dois de cada vez, mas ficar com a mente voltada lá atrás. A tentação constitui a aferição das legítimas disposições de crescimento. Isso é o que acontece.

Quando definimos alguma coisa que queremos fazer costumamos ser visitados por esse tipo de coisa para determinar, com segurança, se efetivamente é aquilo que a gente quer.

E não é para desanimar ninguém. A tentação é praticamente uma condição do dia a dia e uma continuidade na vida. De forma que ante as grandes propostas costumamos entrar em terreno que tem que ser administrado com paciência, calma e determinação. Ponha uma coisa na cabeça, enquanto não passamos de um parâmetro para o seguinte ainda vibra tudo o que está presente no patamar de origem. Ficou claro? O plano superior está jogando luzes maravilhosas para nós. Não dá para negar que está chegando claridade vinda de cima, está vindo luz, no entanto, ainda permanece um ponto que está nos fixando na retaguarda, e que nós temos que ter determinação para suplantá-lo.

O ponto sensível da nossa desestabilização é o calcanhar de Aquiles. Por isso, é preciso ficar de olho aberto. Se bobear, a gente dança. Trabalhando com os valores oriundos de cima a gente se sente melhor, sem dúvida, e vários lances precisam ser implementados nas diversas áreas. Não é mesmo? Cada passo que damos à frente é um passo de desvinculação dos campos da justiça e penetração no amor.

Porém, não vamos esquecer que se baixarmos a retaguarda a gente naufraga muito antes de chegar ao destino. Enquanto não conseguimos o acesso nós ficamos suscetível de uma submersão. Tem coisas que nós ainda não conquistamos e que não estão resolvidas. E mais, que estão gerando dificuldade e necessitam serem trabalhadas de forma eficaz. Enfim, temos que lutar para não cairmos no meio da viagem, porque com um pouquinho de observação vamos perceber que se bobearmos nós entramos na linha contrária de sintonia e afinidade operacional e ficamos no meio do caminho, e teremos de recomeçar depois.

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