16 de abr de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 6

A CONCUPISCÊNCIA E O PECADO

“14MAS CADA UM É TENTADO, QUANDO ATRAÍDO E ENGODADO PELA SUA PRÓPRIA CONCUPISCÊNCIA. 15DEPOIS, HAVENDO A CONCUPISCÊNCIA CONCEBIDO, DÁ À LUZ O PECADO; E O PECADO, SENDO CONSUMADO, GERA A MORTE.” TIAGO 1:14-15

O objetivo de cada um de nós na dinâmica ascensional é a elaboração do filho do homem, e como é que ele se instaura? Geralmente, ele se inicia por um processo de assimilação da emanação superior mediante a utilização da vontade consciente.

Quer dizer, vamos subir aos valores sublimados da nossa personalidade e receber de lá valores que dimanam do plano superior. O fazemos pela leitura, pelo estudo, pela participação em boas palestras, pela conversa edificante, e por aí afora. A partir daí surge um interesse, interesse este que se for crescendo acaba num namoro no campo idealístico. Ou seja, entusiasmamos pelo evangelho e nos interessamos cada vez mais pelo conhecimento que chega: "Nossa, é isso mesmo, o evangelho é lindo demais. Quer saber, eu estou com Jesus e não abro! Quero aprender cada vez mais." O namoro idealístico vai ficando cada vez mais sério e, a seguir, nós firmamos um noivado.

Então, perceba que na maioria dos casos nós começamos de maneira acertada a derrubada do homem velho pelo homem novo. Dá-se o casamento e desse casamento surge uma fecundação, formando-se o embrião que vai precisar ser cultivado e alimentado para dar corpo a uma nova faixa de personalidade. Embrião esse originado pelos valores emanados de cima, fecundados no terreno do nosso sentimento e que vai ter que ser alimentado pela linha operacional.

Em tentação, encontramos no psiquismo padrões incrustados que ainda insinuam em participar da engrenagem, e esses padrões são os componentes que nós temos que trabalhar e vencer, ao nível da desativação, para que outros melhores se expressem. O assunto é complexo e desafiador e essa vitória não é fácil. Basta notar que na aplicação dos valores novos assimilados a nível intelectivo não raro se dá a presença do automatismo. O que significa isso?

Que começamos os primeiros passos de forma acertada, com cautela, mas surge após os primeiros lances uma distorção operacional, e notamos que certos reflexos antigos imperam e dominam a nossa vida até hoje. Por isso, se analisarmos bem basta um pensamento de amor para que nos elevemos ao céu, como também na jornada do mundo basta, às vezes, uma palavra fútil ou uma consideração menos digna para que a alma do homem seja conduzida ao estacionamento e desespero das trevas, por relaxamento e imprevidência de si própria.

O apóstolo Tiago é claro: "Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte." (Tiago 1:14-15)

Por concupiscência nós vamos entender o desejo intenso pelos bens ou gozos materiais. 

É a nossa adesão plena aos aspectos da vida de retaguarda. Para ficar fácil de assimilar é como se fosse "com cumplicidade da consciência". Repare que cada indivíduo traz em seu psiquismo uma gama de fatores positivos e negativos, razão pela qual cada um é tentado, e agora estamos falando de tentação a nível exterior, pela tentação que alimenta em si próprio. A tentação em si é algo de manifestação íntima, e o que se dá tantas vezes é que ativado esse mecanismo, da criatura consigo mesma, e o fato dela estar cheia de facetas negativas, é a razão pela qual pode lhe chegar uma entidade negativa e inferior que vai encontrar ressonância e vai se relacionar com ela facilmente. A queda da individualidade na tentação propicia conectividade dela com espíritos exteriores e aí forma-se, em tantas ocasiões, uma aldeia ampla de influenciações e complicações. Ao vencer a insinuação da tentação íntima a criatura dá um passo a frente a nível de conquista, mas se ela fracassa e cai nessa queda na tentação surge o ponto em que a tentação exterior se processa.

A questão é que enquanto ficamos apenas sensibilizados em mudar o ângulo de percepção, no que se refere ao campo da visualização informativa, enquanto ficamos restritos à preparação, não encontramos dificuldade, não é muito difícil. Às vezes a gente até demora a entender, mas entende depois com o tempo.

O problema é que em muitas situações gostamos do novo que visualizamos, no entanto, vibramos com o outro lado ainda. Sabemos o que precisamos fazer, temos a exata noção do que precisamos mudar, mas gostamos muito daquilo a que estamos ajustados. Percebeu o que estamos querendo dizer? Se rejeitamos o padrão recolhido, o novo que chegou, é sinal de que nós estamos de algum modo apaixonados, nós estamos de alguma forma vinculados vibracionalmente com as faixas anteriores. Significa que apesar de consciencialmente depreendermos que essas faixas precisam ser superadas e os seus reflexos desativados, nós ainda sentimos um certo magnetismo que aglutina, que prende a gente, uma atração que prende em face dos nossos desejos que ainda são alimentados e realimentados em cima daquela mesma proposta.

Sem dúvida, a razão cria dualidade que define nossa capacidade de discernir, uma vez que recebemos os fluxos que dimanam da estrutura íntima do criador e, também, o influxo de baixo da nossa personalidade milenar. E esse material que constitui a base da tentação íntima, e que é preciso exercício no sentido de desativar, pela incorporação de novos e melhores padrões, esse material que para nós já está sendo instrumento possível de ser desativado, ele ainda é o pão de cada instante de uma grande massa de criaturas à nossa volta.

O pecado é a ação realizada em sentido contrário à lei. Tanto que pecador é aquele que conhece a lei, todavia age em sentido inverso ao que ela preceitua. Ficou claro?

E o mal aparece na vida de alguém quando aquilo que ele fazia como bem, como algo normal, passa a ficar superado, ou então é alguma que não foi devidamente clareada ou sublimada, e a partir do momento que uma luz toca vira sucata.

Nós não estamos aqui para falar do pecado, que é assunto para outra ocasião, mas repare que dar à luz o pecado significa a permanência da ação em cima de um plano aplicativo estruturado com base no padrão velho. Repare o seguinte: se a tentação é fator positivo e essencial na vida, a caída na tentação é decorrente de uma fragilidade a que não soubemos ou não tivemos a vontade suficientemente forte para vencer. Percebeu? Porque em determinada circunstância, ao invés do indivíduo tentar reformular o destino por uma ação diferente que a razão já endossa e o sentimento recolhe, ele acaba por ficar à mercê do impacto da vida e aplica usando o padrão antigo.  E, assim, continua somando conteúdo, mas vivendo complicação antiga, porque aprende e não age conforme o aprendizado novo. Ele continua usando o padrão velho de comportamento quando a consciência já endossou um novo modo de agir, e o padrão velho usado quando a vibração já é mais elevada passa a ser pecado.

Os padrões inferiores são a emersão do produto arquivado no departamento da memória e o pecado surge porque a criatura tinha conhecimento adquirido, o teste veio para aferir e ela caiu no plano de reciclagem da mentalidade anterior.

Imagine que alguém tem determinada atitude que é negativa no plano moral, mas absolutamente normal dentro do sistema de vida que elegeu e vive. Só que com novo aprendizado e novo padrão vibracional em que ele passa a situar-se, esses valores que foram incorporados no psiquismo como sendo fatores positivos, com o decorrer do tempo e a mudança íntima passam a ser caracteres superados. Ou seja, transformam-se e deixam de ter um caráter positivo, passando para uma dimensão negativa. E a concupiscência prevalecendo vai acabar por gerar o pecado, porque aí continua a se operar em cima do padrão velho, quando o padrão novo já clareou o entendimento. E o pecado consumado não gera outra coisa senão a morte, nosso próximo assunto.

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