24 de abr de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 7

A MORTE

“14MAS CADA UM É TENTADO, QUANDO ATRAÍDO E ENGODADO PELA SUA PRÓPRIA CONCUPISCÊNCIA. 15DEPOIS, HAVENDO A CONCUPISCÊNCIA CONCEBIDO, DÁ À LUZ O PECADO; E O PECADO, SENDO CONSUMADO, GERA A MORTE.” TIAGO 1:14-15

“19PORQUE NÃO FAÇO O BEM QUE QUERO, MAS O MAL QUE NÃO QUERO ESSE FAÇO. 20ORA, SE EU FAÇO O QUE NÃO QUERO, JÁ O NÃO FAÇO EU, MAS O PECADO QUE HABITA EM MIM.” ROMANOS 7:19-20

A vivenciação dos padrões antigos, que era, até então, algo normal dentro do plano consciencial, passa a ser pecado e o pecado vai ocasionar a morte.

Porque a aplicabilidade desses padrões no passado da individualidade foi ótimo. De certa forma eles foram até bons e necessários, dentro do mecanismo natural de vida dela. Mas esse mecanismo de vida de ontem já passa a ser morte hoje, porque já não atende mais. Vamos dar um exemplo simples para clarear? Imagine uma pessoa nervosa, extremamente nervosa, e que se irrita com a maior facilidade. Basta a mínima contrariedade sentida e ela logo parte para agressão verbal. Em determinado estágio da vida ela sente a necessidade de melhorar. Estuda a respeito da paciência, lê bons livros e, consciencialmente, passa a situar-se em uma vibração mais elevada. Ela passa a estar com o seu campo íntimo, psíquico, vibrando em faixa mais avançada.

O seu procedimento de agressividade diante de uma situação nova que surge, e que para ela antes era uma expressão normal de vida, passa a ser morte. É morte, porque além dela não estar fazendo aquilo que deve, aquilo que o aprendizado novo indica, opera, ainda, com reflexos que não justificam mais se manterem. Essa morte nos alcança quando, além de não fazermos o que devemos, insistimos em operar com determinados padrões que no presente não atendem.

É morte como perda da autoridade sobre si mesma. Então, o que era nosso hábito, com a nova linha vibracional já não é mais. E sofremos com a sua manifestação. Isso é algo da maior beleza, é a nossa história de evolução consciente.

É nesse sentido que eu estou falando. Note que antigamente, quando a gente queria explodir, a gente soltava os cachorros e até falava: "Sabe de uma coisa, eu deveria soltar não é apenas dois cachorros, não. Eu deveria soltar é quatro". Agora, no decorrer do tempo, acontece o quê com a gente? Se a gente solta os cachorros é comum a gente perder a paz. Quando a gente perde a serenidade, o que acontece? A gente fica entristecido, fica numa fossa tremenda, não é mesmo? É a pura verdade. Esse tipo de atitude pode ter sido excelente ontem, mas hoje não é mais. Porque no momento em que uma verdade nova chega nós temos que ser fieis a ela para podermos incorporar o componente desejado no campo prático, e que ela seja capaz de gerar vida, e não morte.

O apóstolo Paulo já dizia que se queremos fazer o bem é porque estamos no mal, que por falta de não fazer o bem o mal está em nós. É um sinal que se queremos fazer o bem não estamos efetivamente no bem, estamos fazendo bobagem.

Agora, a questão na atualidade da nossa vida prática é que nós não estamos sendo agredidos intimamente tanto pelos erros que temos cometido, porque esses já não são tanto mais. Não é verdade? O interessante por agora é que a maioria que está aqui não pretende, em sã consciência, lesar alguém, machucar alguém, ferir quem quer que seja. Isto não faz parte da nossa vida mais, é coisa do passado, arquivo morto, já deixamos para trás. Nossa instabilidade agora reside na capacidade operacional do valor que possuímos, o erro agora está emergindo não é pela prática do mal, e sim pela indiferença em realizar o bem. O que tem machucado a gente hoje não é o mal que a gente faz, mas o bem que deixamos de fazer. É a indiferença em realizar o bem.

Tem muita gente machucada por aí porque não está fazendo o bem. Hoje estamos muito mais preocupados com aquilo que a gente deixa de fazer do que com aquilo que a gente efetivamente tem feito. Vamos analisar que não sofremos tanto mais por aquilo que fazemos de errado, mas pela parcela de bem que deixamos de fazer. Isso é um fato que tem nos marcado de forma considerável.

E muitas vezes, mais do que parece, o problema atual é o bem que deixamos de fazer. Quanto mais conhecimento a gente tem, e mais falha a gente comete, maior a dor que a gente sente. Cada vez que falhamos dá aquela dor íntima.

Antes sofríamos por ter errado, hoje sofremos por não termos ajudado. Quantas pessoas não conversam com as outras e desabafam: "Ah, eu sinto que estou precisando fazer alguma coisa. O que é que eu posso fazer?" Sentem que o que as está machucando é a falta operacional no bem. Começamos a sentir um incômodo e chegamos a sofrer quando percebemos que não demos o atendimento devido àquela pessoa que nos procurou. Que nos solicitou determinado auxílio ou cooperação e nós não demos a devida atenção que a nossa consciência indicava. Depois a gente fica sentido: "Será que eu não poderia ter feito alguma coisa para fulano?" Quando acontece qualquer coisa: "Eu poderia ter feito, meu Deus. Não me custava nada fazer aquilo." Em muito, não lamentamos o fato de ter machucado, nós lamentamos é de não ter ajudado.

E realmente começamos a sofrer por isso. Passa a se delinear no plano consciencial uma percepção mais ampliada do bem e do mal. Já não reconhecemos o mal pela objetiva agressão ao bem, mas identificamos o mal instaurado unicamente pela ausência do bem consciente que deixamos de fazer.

O que nós temos que fazer, sem nenhuma ideia de fanatismo, é um trabalho de levantamento de nossos potenciais. Para se ter ideia do que estamos falando, veja este versículo: "Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor." (Apocalipse 2:4) Em algumas versões nós vamos encontrar "a tua primeira caridade". É a mesma coisa. O que está sendo referenciado é o amor aplicado.

O interessante para nós é que ele não fala: tenho contra ti que você pisou na bola em tal lugar, ou que você cometeu um deslize e tal. Não. Nada disso. Você percebeu bem? Tenho contra ti que você faltou com a caridade. Ou seja, você deixou de operar com aquilo que, perante a sua consciência, já é uma condição que não pode mais deixar de ser feita. Grande parte dos nossos desequilíbrios do presente são decorrentes dessa falta de equidade entre o que a nossa mente endossa e o que o automatismo, o que a nossa estrutura psíquica, em termos de nosso mundo de profundidade, exige e opera, até de modo irreverente.

Vamos pensar nisso. Tem gente em desequilíbrio que continua fazendo o que sempre fez, só que agora já não dá mais. Toda vez que ela faz dá-se um choque vibracional. Porque antes ela estava em uma ótica e hoje ela já tem uma percepção bem mais ampliada, seus olhos já vêem com mais profundidade. 

Tem gente que sofre porque machucou o outro e tem gente que sofre porque deixou de fazer o bem ao outro. Não acontece isso? "Podia ter feito alguma coisa, meu Deus do céu. Porque não fiz?" E porque esse tipo de pensamento se dá? Porque já existe uma incorporação do plano operacional do bem dentro do psiquismo.

No fundo, nós já alcançamos certa percepção e sentimos que temos que oferecer alguma coisa à vida. Isso que estamos abordando é algo que provavelmente não interessa à grande massa religiosa. Por enquanto, não interessa mesmo. Não interessa àqueles, talvez, que estão matriculados em uma escola religiosa que trabalha com base no cerceamento da instintividade. Mas interessa a nós, que estamos matriculados numa escola que visa direcionar padrões para uma firmeza da individualidade na ética espiritual do Cristo.

O que podemos deixar é um lembrete: se o pecado gera a morte, fazer o bem no que estiver ao nosso alcance proporciona maior percentual de vida. Se a tentação nasce de nós, a flama da educação e do aprimoramento vem de Deus, conduzindo-nos continuadamente para a esfera superior. Estamos agora sendo chamados a um trabalho operacional no bem.

Aquele que abre a capacidade perceptiva aprende. E mais, tenta por em prática.

E o gostoso disso é que na hora que a gente é feliz na prática a gente sente um bem estar extraordinário. Não é mesmo? Chega em casa até eufórico, fala com a esposa, com a mãe, com o marido ou com quem quer que seja: "Nossa, você não sabe da maior. Hoje um cara se irritou comigo de graça. Eu estava certo e mesmo assim ele me agrediu verbalmente. Olhei bem para ele e respirei. Fiquei na minha e não entrei na sintonia dele. Pra ser sincero, fiquei até com pena dele. Ele saiu igual uma onça. Eu estou aqui muito sossegado, tranquilo. Ele? Eu não tenho certeza. Eu mantive a minha paz. Ele, eu não sei."

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