29 de abr de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 8

VIGIAI E ORAI I

“42VIGIAI, POIS, PORQUE NÃO SABEIS A QUE HORA HÁ DE VIR O VOSSO SENHOR. 43MAS CONSIDERAI ISTO: SE O PAI DE FAMÍLIA SOUBESSE A QUE VIGÍLIA DA NOITE HAVIA DE VIR O LADRÃO, VIGIARIA E NÃO DEIXARIA MINAR A SUA CASA.” MATEUS 24:42-43

“VIGIAI E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO; NA VERDADE, O ESPÍRITO ESTÁ PRONTO, MAS A CARNE É FRACA.” MATEUS 26:41

O mestre Jesus faz uma referência específica a dois dos três andares da nossa arca ou, se quiser, da nossa estrutura mental: o de baixo (subconsciente) e o de cima (superconsciente).

Temos aí a presença dos imperativos "vigiai e orai". Isso mesmo, vigiar fechando a porta de baixo para cima (subconsciente) e orar abrindo a porta de cima para baixo (superconsciente).

Ambos são fatores imprescindíveis para não sucumbirmos às tentações. Mas, atenção, antes de orai é vigiai. A vigilância precisa vir em primeiro lugar, o vigiar tem que vir primeiro. Porque se eu não vigiar bem não adianta orar. Nenhum de nós é capaz de captar valores novos pela oração se não adotar antes um processo eficiente de vigilância. Vamos orar constantemente pedindo recursos do alto, mas antes de orar, vigiar. O evangelho coloca a vigilância antes da oração para não complicar. No plano horizontal de ação nós temos que vigiar.

O que não podemos é deixar de vigiar. A purificação na Terra ainda é como o lírio alvo nascendo do lodo das amarguras e das paixões e as realizações espirituais do presente são pequeninas réstias de claridade sobre as pirâmides de sombra do nosso passado. Por isso, é imprescindível muita cautela com as sementeiras do bem para que a ventania do mal não as arrase. 

É sempre bom lembrar que todas as forças imponderáveis da experiência humana como que se conjugam contra aquele que deseja avançar no roteiro positivo, e não existe luz que se acenda que não sofra a agressão das trevas. Mais vale chorar sob as dores da resistência do que sorrir sob os narcóticos da queda e o cuidado é um fator de segurança a resguardar alguém do tombo, passível de precipitação na dor e desilusão. Como o evangelho propõe, o encaminhamento pressupõe a toda hora: vigilância, vigilância e vigilância, ou vigiai, vigiai e vigiai.

E quando o Cristo de Deus define para nós em várias ocasiões o imperativo vigiai, acrescido do orai, ele está nos indicando que na busca do crescimento estamos sempre às voltas com o processo insinuante que busca impedir esse crescimento. De forma que a vigilância é um elemento de segurança para a caminhada.

Para não sucumbirmos diante dessa insinuação nós temos que ser vigilantes. E enquanto a oração se processa no piso superior, no andar de cima, o vigiai é aqui embaixo. A expressão é vigília e se descuidarmos observaremos, diante das situações menos felizes, que não vai ser difícil detectar quando fomos visitados pela indiferença e desatenção. Vamos guardar: vigiar é manter-se de sobreaviso, prevenir-se, precaver-se, manter-se atento, pôr-se em prevenção, e ela tem dois objetivos.

O primeiro objetivo dessa vigilância é exatamente evitarmos as emersões do nosso passado delituoso e comprometedor. Como assim? Note que, como os animais da arca íntima estão no andar de baixo, significa evitar que os leões subam para os andares superiores. Percebeu? Nós passamos a manter a porta do subconsciente sob controle. É nesse ponto onde está vigilância, para que saia e possa emergir somente o que é útil, somente o que é importante. É o resguardo e a precaução no sentido de evitar que essa soma de caracteres vivenciados na retaguarda, que esses padrões antigos possam emergir num período em que não há mais razão de estarem presentes. Será que deu uma ideia?

Temos que utilizar estratégias positivas no campo da vigilância para impedir a manifestação de determinados valores menos felizes. Diz respeito à necessidade de segurarmos as pontas, isto é, de sabermos manter uma permanência sólida quanto à invasão dos padrões negativos, porque na emersão desses valores já incrustados existe uma força viva e se deixar eles tomam conta da nossa vida. Se der campo a essa soma vivenciada na retaguarda emergem padrões num período que não tem mais razão de estarem presentes.

É preciso ficar atento relativamente àqueles momentos em que começamos a nos expressar. Leve o assunto a sério e pense nisso com carinho. Quando se acende uma luz tem-se por objetivo desativar a treva, não é? No entanto, a treva, por outro lado, também tende a abafar a luz. Em outras palavras, esses elementos que tem dominado a nossa vida durante muito tempo não se conformam de jeito nenhum com as nossas mudanças. Basta o fator de operarmos, ou melhor, de queremos operar o bem para que a tentação já se posicione a ameaçar nosso êxito. Rondando continuamente os nossos passos ela nos indica que o teste está à porta. É por isso que crescer e evoluir não é fácil.

Os componentes capazes de nos lançar na tentação normalmente ficam adormecidos e suscetíveis de emergirem diante de situações ou acontecimentos que, acima de tudo, apresentam características de aferição das nossas conquistas.

O segundo objetivo em sermos vigilantes é mantermos a segurança íntima quando o impacto vier. Porquê? Porque não estamos quites com a lei no que tange os nossos débitos com a harmonia universal. Não somos criaturas puras, sem máculas e sem pecados, é necessário ter atenção para não sermos laçados pela nossa própria concupiscência. É preciso serenidade diante de provas e dificuldades que a vida nos oferece. Vigiar é permanecer acordado, atento, é tomar cuidado, precaver-se. É a capacidade de estarmos atentos diante das experiências da vida. É um chamado imperioso para cada um de nós.

Vigiar quer dizer manter-se acordado e em cada assunto da vida você tentar enxergar.

Então, para crescer não se pode ficar analisando as coisas em um regime de sonambulismo e, tampouco, sob condições nebulosas. Clareie o sistema e observe.

Isto é que é vigilância. E estando atento consegue-se perceber aqueles pontos que são frágeis, bem como aqueles que são fortes. Resultado: é preciso clarear o sistema e observar.

A gente sabe que precisa vigiar, todavia, nem todos sabem que vigiar não representa a colocação de grades. Essa vigilância se faz por meio da ocupação da mente de forma positiva. É lançar valores capazes de propiciar a tranquilidade e o equilíbrio por meio de uma ação prudente em bases edificantes de natureza positiva, como a prece, o estudo, o trabalho e a compreensão.

E o mais interessante é que na medida em que a gente opera com os padrões edificantes o nosso grau de segurança passa a ser mais intensivo do que as normas que a gente trás para cercear a manifestação menos feliz da nossa personalidade. Na medida em que a gente vai se encaixando no trabalho consecutivo do bem a gente vai alcançando, de maneira natural e intrínseca, o grau de defesa.

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