27 de mai de 2014

Cap 43 - Os Vestidos e os Panos (2ª edição) - Parte 4

NÃO CONTAMINE O VESTIDO

“4MAS TAMBÉM TENS EM SARDES ALGUMAS PESSOAS QUE NÃO CONTAMINARAM SUAS VESTES, E COMIGO ANDARÃO DE BRANCO; PORQUANTO SÃO DIGNAS DISSO. 5O QUE VENCER SERÁ VESTIDO DE VESTES BRANCAS, E DE MANEIRA NENHUMA RISCAREI O SEU NOME DO LIVRO DA VIDA; E CONFESSAREI O SEU NOME DIANTE DE MEU PAI E DIANTE DOS SEUS ANJOS.” APOCALIPSE 3:4-5

Se somos tocados em nossas vestes pelos padrões superiores que fazem a linha de toque e adentram o campo essencial de nossa vida, recebemos também toques de natureza negativa que podem encontrar linhas de germinação dentro de nós.

E para evitar esse contágio os que os discípulos de João Batista faziam? Você se lembra? Faziam jejum, não andavam com pecadores, não comiam com os pecadores, não andavam com as meretrizes, não passavam nem próximo delas.

E porque estamos falando daquele tempo lá de trás? Porque tem muito religioso tradicional nos dias de hoje assim. Não passa na frente de bar para não beber. Por sinal, até abomina a bebida. Não fala palavrão, anda todo assim, bonitinho, em termos de segurança. Não passa nem perto de uma pessoa que pretensamente é perigosa de irradiar bactérias específicas que possa contaminá-lo. É, não estamos exagerando não, tem muitos religiosos trabalhando na linha da defensiva. Buscam livrar-se do inferno e reservarem para si o céu. São seguidos pelo medo do inferno. Sem contar na enormidade de fanáticos que querem levar o amor, mas com uma espada empunhada na mão.

A questão exige um entendimento abrangente. Quanto maior a preocupação da criatura no campo da segurança nesse sentido, mais a individualidade reconhece, ou deve reconhecer, que ela é susceptível de vir a se contaminar. É fato, não estamos inventando teoria. Enquanto ficamos muito amarrados aos impactos e dificuldades é sinal que nos mantemos em uma posição de acentuada inabilitação, ainda não estamos preparados para certos planos de ação.

E se nós formos crescendo com esse pensamento? Já pensou como seria? Já imaginou se todos os estudantes formados nas escolas de medicina do planeta resolvessem se isolar de qualquer perigo de contágio? Aliás, nós temos até conhecimento de certas expressões de desequilíbrio mental com base nisso, em que o elemento tem que viver dentro de uma redoma por medo de se contaminar.

Ora, vamos encarar a coisa com maturidade. Nós estamos no mundo, então, temos que saber conviver com tudo. Temos que viver no meio de uma sociedade que tem de tudo, temos que saber lutar e saber viver com as mais variadas condições junto da grande população que nos cerca. Uma coisa que temos aprendido é que o laboratório que vai nos dar acesso efetivo a um estado melhor vai depender exatamente dessa nossa interação com os outros, com as coisas, com os fatos, com as situações, com o mundo em si. Agora, a questão essencial é o que a gente vai fazer diante da presença desses elementos.

O processo não deve mais ser o do religioso tradicional que quer salvar a sua própria pele, que declara em alta voz que está com Jesus e que não vai para o inferno de jeito nenhum. Isso é coisa antiga. Para nós já ficou pra trás faz tempo, embora ainda seja algo presente para milhões de pessoas. Com o Cristo não trabalhamos na defensiva, pelo contrário, vamos para a ofensiva. Repare que se João Batista jejuava, Jesus, além de não jejuar, alimentava-se com pecadores e problemáticos de toda ordem. Não é verdade? Sendo assim, conosco, que aderimos ao evangelho na sua essencialidade, não pode ser diferente.

Temos que conviver e relacionar com um mundo que tem de tudo. Ao evitarmos os complicados estamos dando uma demonstração de que nos situamos em um processo de purificação, de educação. Vamos utilizar o conhecimento que tem nos visitado. Mais hoje, mais amanhã, nós temos que entrar na luta para cooperar. E no campo operacional do bem é mister entrarmos na percepção do complicado, compreendermos o agente emissor de ondas mentais desordenadas, porque na hora em que conseguimos penetrar a sua necessidade intrínseca vamos notar que se nós somos filhos de Deus ele também o é. Só que ele foi contaminado, ele permitiu-se contaminar. E a conclusão é que sem amar fica muito difícil evitar o contágio, ficamos suscetíveis.

O maior amigo da humanidade passou e continua passando no meio dos contaminados. Sem dúvida, o primeiro lance do crescimento é o da não contaminação, e define o primeiro batismo. É aquele em que a criatura ingere o ensinamento de Jesus para não se contaminar. Pode-se dizer que é aquele no qual ela investe na vacina do Cristo. O segundo batismo corresponde a ir ao encontro das necessidades alheias, sabendo tê-las como oportunidade de trabalho. Mas ir sem se contaminar e também sem violentar que quer que seja.

Isso é importante. Então, a questão não é guardar a veste para não sujar, é o contrário. Muitos de nós conseguimos passar da primeira fase de forma tranquila. Não nos permitimos contaminar, ou se isso ocorre nós conseguimos nos limpar. Nós criamos uma assepsia adequada. Agora, muitos de nós falhamos exatamente quando vamos para a segunda etapa, quando saímos ao encontro daqueles contaminados. E porque não dizer que muitos de nós que estamos aqui, quando não nós mesmos, somos os emersos desse segundo lance?

É comum considerar que muita contaminação se dá em razão do meio de relação. É um fato que nós sempre somos influenciados pelo meio em que nos movimentamos, todavia, quem escolhe o meio em que estamos somos nós mesmos.

Vale não esquecer que o meio continuadamente é um reflexo, também, das nossas necessidades interiores. Por outro lado, a criatura pode perfeitamente viver em um ambiente delinquente, por exemplo, e não vir a contaminar-se. Às vezes, até pode se contaminar, só que há uma resistência de dentro para fora que neutraliza todo esse contágio. E a forma mais adequada de não se contaminar os vestidos é pela vigilância, é saber não se envolver negativamente e não se deixar levar pelas sujidades encontradas no caminho. O discernimento é necessário, tem momentos também que é preciso evitar, em nome do próprio crescimento, determinados envolvimentos, saber se esquivar.

O apocalipse aponta que aqueles que não contaminaram as suas vestes "comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso. O que vencer será vestido de vestes brancas". (Apocalipse 3:4-5) E a gente nota que para ser vestido de vestes brancas tem que vencer. E porque ainda será vestido? É que a vestimenta vai ser resposta natural da misericórdia divina ao modo de vida implementado.

Percebeu? Pense comigo, o vestido é resultante da irradiação intrínseca da pessoa, certo? No entanto, esse vestido, por mais claro que ele possa ser, sempre está em constante reformulação. E quando projetamos a nossa busca com base no conhecimento, em cima do valor informativo, nós nos envolvemos inicialmente em vestes que não contém uma tessitura, que não apresentam uma estrutura definida, e que pode vir a romper-se a qualquer momento.

É algo pra se ter em conta, porque o vestido, com legitimidade, ele é decorrente do que se irradia, do que se faz, e não daquilo que se recebe. Em outras palavras, será vestido de vestes brancas aquele que vencer na grande luta entre o plano informativo e o plano operacional. Deu uma ideia agora? Vestes brancas é uma referência à aquisição da irradiação com um novo tecido, fundamentado na harmonia, no conhecimento e, acima de tudo, na prática. E para isso não pode ser negligenciada em tempo algum a questão da vigilância.

"Andarão comigo". Não há dúvida que isso define a manifestação operacional, afinal, ninguém anda parado. Andar é movimentar, é dinamizar. Quem está com Jesus não pode estacionar, não pode se acomodar. O verbo é claro nesse sentido: "andarão comigo". Quer dizer, movimentação, Jesus com Deus operando, e nós com o Cristo realizando. Assim, aquele religioso que estiver pensando num lugar acomodatício no céu precisa ler mais, precisa entender mais e buscar rever os seus conceitos. Alterar a sua concepção, porque andar significa movimentar-se. E bonito é que enquanto a criatura estiver nesse movimento ela vai estar acompanhada dessa veste branca. Ela vai sendo guindada a possibilidades maiores na medida em que vai operando. E nos degraus seguintes ela já se apresenta com uma expressão mais clarificada. E mais ainda, percebe que o próprio degrau que vai sendo alcançado, pela subida, é que vai garantindo essa brancura ao nível de uma expressão irradiada de dentro para fora, e não de um processo extrínseco de fora para dentro.

22 de mai de 2014

Cap 43 - Os Vestidos e os Panos (2ª edição) - Parte 3

O VESTIDO BRANCO

“11E O REI, ENTRANDO PARA VER OS CONVIDADOS, VIU ALI UM HOMEM QUE NÃO ESTAVA TRAJADO COM VESTE DE NÚPCIAS. 12E DISSE-LHE: AMIGO, COMO ENTRASTE AQUI, NÃO TENDO VESTE NUPCIAL? E ELE EMUDECEU.” MATEUS 22:11-12

“E A SUA CABEÇA E CABELOS ERAM BRANCOS COMO LÃ BRANCA, COMO A NEVE, E OS SEUS OLHOS COMO CHAMA DE FOGO; APOCALISPSE 1:14

“E, ENSINANDO-OS, DIZIA-LHES: GUARDAI-VOS DOS ESCRIBAS, QUE GOSTAM DE ANDAR COM VESTES BRANCAS COMPRIDAS, E DAS SAUDAÇÕES NAS PRAÇAS,” MARCOS 12:38

“E FOI-LHE DADO QUE SE VESTISSE DE LINHO FINO, PURO E RESPLANDECENTE; PORQUE O LINHO FINO SÃO AS JUSTIÇAS DOS SANTOS.” APOCALIPSE 19:8

“E ESTAVA VESTIDO DE UMA VESTE SALPICADA DE SANGUE; E O NOME PELO QUAL SE CHAMA É A PALAVRA DE DEUS.” APOCALIPSE 19:13

“13E UM DOS ANCIÃOS ME FALOU, DIZENDO: ESTES QUE ESTÃO VESTIDOS DE VESTES BRANCAS, QUEM SÃO, E DE ONDE VIERAM? 14E EU DISSE-LHE: SENHOR, TU SABES. E ELE DISSE-ME: ESTES SÃO OS QUE VIERAM DA GRANDE TRIBULAÇÃO, E LAVARAM AS SUAS VESTES E AS BRANQUEARAM NO SANGUE DO CORDEIRO.” APOCALIPSE 7:13-14

Era comum, ao tempo de Jesus, as pessoas não entrarem no templo de roupa suja. Era costume daquela época. Observamos a passagem do festim das bodas, acerca da túnica nupcial, e notamos que era um ritual, era um dever exterior, havia relação entre ir ao encontro do Senhor e o traje adequado, vestia-se uma roupa limpinha para entrar no templo. Era preciso vestir-se de forma adequada.

Essa vestimenta limpinha, branca, fala da necessidade de se manter o padrão de pureza. Exatamente isso, fala da pureza, da condição de retidão, da inocência, do preparo e do nível de santidade para se colocar em relação com o Senhor.

É imperioso sairmos da morte moral para entrarmos na vida plena onde iremos nos vestir como os anjos, onde iremos nos vestir de branco, com túnicas resplandecentes. O branco transmite uma linha clarificada, coesa, de harmonia, e essa pureza é a expressão máxima que podemos conseguir no plano em que vivemos.

A cor branca é uma cor toda especial, ela representa para além de uma cor simples. Apresenta síntese das demais cores, constitui-se no denominador das várias cores, é uma somatória. No capítulo dezoito do evangelho de Mateus, quando Jesus se transfigura, diz o texto que as suas vestes brancas eram como a luz. Então, vamos lá, a cor branca é uma cor que sintetiza, e tanto é que na medida em que ela é lançada sob o prisma ela se decompõe nas várias modalidades das cores, nas suas especificidades, em pelo menos sete cores que definem a composição do arco-íris. Isso é importante de se ter em conta.

Normalmente as expressões brancas expressam a soma de inúmeros valores, o vestido branco define a cor capaz de sintetizar as várias nuances das vibrações que cada um de nós vai usar no decorrer da sua própria vida. Espero que esteja dando para entender. A cor tem que ser, em sentido intrínseco, branca. Porque se eu escolho uma cor específica, por exemplo, eu posso estar baseado só no intelecto, ou estar apenas centrado no sentimento, ou só na família, ou só voltado para os estudos. O branco é soma de uma enormidade de valores, afinal precisamos trabalhar sob os mais variados campos ao longo da jornada terrena.

O  branco é aquele parâmetro que se abre e que a gente pode ir ajustando de acordo com as circunstâncias, ajustando com o que realmente nós precisamos. Em outras palavras, é um parâmetro de abertura, pois é o somatório, e ao mesmo tempo permite a decomposição, pois vimos que a cor branca lançada sob o prisma se decompõe. E essa decomposição do branco é que possibilita atingir o educando na faixa que ele consegue perceber, porque não sendo branca ela seria isolada dentro de uma determinada faceta. Isso é algo bonito de se entender.

"E, ensinando-os, dizia-lhes: guardai-vos dos escribas, que gostam de andar com vestes brancas compridas." (Marcos 12:38) Os que gostam de andar com vestes brancas são aqueles que buscam apresentar exteriormente algo que não condiz com os seus valores íntimos. É tentar mostrar por meio de ações periféricas o que ele não é no plano essencial, é demonstrar apenas a aparência.

E tem aqueles, positivamente falando, que estão investidos de vestes brancas. Isso mesmo, não possuem-na efetivamente, mas estão investidos. O filho do homem apresenta um vestido branco comprido até os pés, o que indica autoridade plena em cima do que conquistou e efetivou, ao passo que muitos de nós nos encontramos investidos de roupas brancas, o que é diferente.

Estar investido de vestes brancas refere-se a uma autoridade concedida pelo plano superior para o serviço. Muitos médiuns, por exemplo, estão investidos de roupas brancas, para o trabalho. Isso é muito bonito. Muitas criaturas que estão começando a caminhada estão investidos dessas vestes, e com o decorrer do tempo essas vestes passam a ser substituídas pelas vestes irradiadas do próprio campo interior. O que era empréstimo passa a vir a ser conquista.

A vestimenta natural de uma sociedade não informada é elaborada de fora para dentro e a vestimenta da alma, como vimos, se manifesta de dentro para fora.

Usamos diversos materiais intrínsecos para a formação dos nossos vestidos e vamos notar, conforme o apocalipse define, que além da cor branca, que pode ser inerente a tipos diferenciados de tecidos, o linho tem um sentido muito especial. Ele define para nós, em condição singular, que esse linho puro são as justiças dos santos. O linho fino são as justiças dos santos e o que são essas justiças dos santos? Se são justiças dos santos elas representam amor e pureza.

São aquelas individualidades que estão sendo convocadas a realizarem testemunhos dinamizados a nível de amor, sacrifícios amplos onde até o corpo possa ser machucado e as aspirações rechaçadas, aqueles que vibram com os valores superiores, e embora possam ser incompreendidos nas manifestações profundas, embora sacrifícios tantas vezes extremos, mantém a consciência em paz. O que interessa é que devemos criar nossa vestimenta mediante a irradiação de elementos de natureza positiva e pura na base do linho, linho esse que tem que ser fino, tem que ser linho branco, como nós temos aprendido. 

"E um dos anciãos me falou, dizendo: estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes, e ele disse-me: estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do cordeiro." (Apocalipse 7:13-14) Os que vieram da grande tribulação e lavaram seus vestidos e os branquearam com o sangue do cordeiro mostra a luta vivida aqui no planeta durante toda a nossa encarnação.

A expressão usada "que estava com veste salpicada de sangue" sugere experiências vivenciadas na carne, no plano físico. Inclusive sabemos que os espíritos que nos trazem orientações espirituais seguras são aqueles que se imolaram.

Os holocaustos desses elementos apresentam uma expressão tinta de sangue pelos sacrifícios vividos, são os mártires que se imolaram no decorrer dos séculos para trazerem a mensagem nítida do evangelho. Está certo que nem todos foram devorados pelos leões nos circos romanos, no entanto apresentam a mancha do sacrifício, foram os que avançaram no terreno dos séculos. E esses elementos reencarnaram com mentalidade nova. Muitos dos que estão nos ajudando hoje são verdadeiros anjos do céu, criaturas ligadas a nós que se imolaram e se sacrificaram, às vezes, para tentar trabalhar o nosso coração numa nova direção.

O que estamos aprendendo na atualidade é que já não nos cabem apenas concepções filosóficas. Pelo contrário, temos que as expressões assimiladas de forma intelectiva são revelações que buscam direcionar o nosso espírito no grande destino da redenção. Estamos hoje sendo tocados em nossas vestes íntimas pelos padrões elevados que fazem a linha de toque e adentram o campo essencial de nossa vida para poderem se expressar ao nível de uma realidade nova.

Estamos lutando dia após dia para branquear os nossos vestidos. E branquear os vestidos quer dizer sacrificar-se, é a justiça dos santos, refere-se aos testemunhos diversos. Os que estão lavando as suas vestes são aquelas individualidades convocadas aos testemunhos em nome do amor. Assim, vamos entender que a veste branca simboliza a vestimenta a serviço do criador.

18 de mai de 2014

Cap 43 - Os Vestidos e os Panos (2ª edição) - Parte 2

A COMPRA E A NUDEZ

“12E VIREI-ME PARA VER QUEM FALAVA COMIGO. E, VIRANDO-ME, VI SETE CASTIÇAIS DE OURO; 13E NO MEIO DOS SETE CASTIÇAIS UM SEMELHANTE AO FILHO DO HOMEM, VESTIDO ATÉ AOS PÉS DE UMA ROUPA COMPRIDA, E CINGIDO PELOS PEITOS COM UM CINTO DE OURO.” APOCALIPSE 1:12-13

“18ACONSELHO-TE QUE DE MIM COMPRES OURO PROVADO NO FOGO, PARA QUE TE ENRIQUEÇAS; E ROUPAS BRANCAS PARA QUE TE VISTAS, E NÃO APAREÇA A VERGONHA DA TUA NUDEZ; E QUE UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO, PARA QUE VEJAS.” APOCALIPSE 3:18

“4PORQUE TAMBÉM NÓS, OS QUE ESTAMOS NESTE TABERNÁCULO, GEMEMOS CARREGADOS; NÃO PORQUE QUEREMOS SER DESPIDOS, MAS REVESTIDOS, PARA QUE O MORTAL SEJA ABSORVIDO PELA VIDA.” II CORÍNTIOS 5:4

O filho do homem se mantém vestido até os pés com vestido comprido, e nós? Com toda a certeza apresentamos, de algum modo, determinadas falhas em nossa vestimenta. Então, não tem outra, nós temos que comprar nossas vestes.

Porquê? Porque se os vestidos são elaborados pelas ações íntimas, de dentro para fora, no sentido espiritual ou espiritualmente falando não tem como a gente ganhar roupa. No entanto, precisamos ter em conta a distinção clara entre o que representa comprar um produto e o que significa apenas visualizar a propaganda dele.

Ficou claro? Tem gente, por exemplo, que visualiza o comercial, se encanta de imediato com o produto, mas não sai desse entusiasmo preliminar. Não se esforça para adquirir. E comprar é algo diferente e está para além de apenas assistir o comercial. A compra exige sacrifício. Aí, de repente, alguém pode dizer: "Não, eu não faço esforço algum, porque eu compro quase tudo pela internet." Bom, deixando a brincadeirinha de lado eu acho que você entendeu o que nós estamos querendo dizer. A compra pressupõe um desprendimento de valores para a aquisição do componente que vai se incorporar de forma definitiva ao patrimônio da criatura. O apocalipse diz assim: "Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas para que te vistas." Outra coisa que não podemos negligenciar é saber avaliar o que estamos comprando e de quem estamos comprando, porque tem muita gente comprando apenas o ouro do mundo e não está se enriquecendo.

E tem que comprar por inteiro, não pode comprar faltando parte. Tem que comprar o que vai ser necessário no sentido integral: razão e sentimento. "Vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro" (Apocalipse 1:13) indica-nos, esses peitos, a área do coração, a simbologia do sentimento. Refere-se ao resguardo do sentimento como sendo o que há de mais nobre.

Então, pense comigo, não adianta a criatura estar envolvida num vestido moldado ou confeccionado puramente na base intelectiva, somente na base do conhecimento. O que estamos aprendendo com essa redação é exatamente a necessidade de uma profunda capacidade refletora do pensamento divino, do sentimento divino. É evidente que esse pensamento tem razão também, claro. Não está sem razão não, mas a razão se engrandece e adquire autoridade na medida em que o sentimento passa a estar em consonância com as irradiações superiores em Deus. Conseguiu captar? Sem esse cinto de ouro em torno do coração, definindo um sentimento clarificado, toda a nossa proposta de conhecimento, de boa vontade e de interesse em ajudar fica nulificada.

É cingir com um cinto de ouro e comprar ouro provado no fogo e roupas brancas. Já se perguntou porque ouro? O ouro é um metal nobre. Ele significa uma preciosidade, ou melhor, é aquilo que existe de mais valioso, de mais precioso. Tanto que em várias situações denomina-se ouro aquilo que tem muito valor.

Todas as vezes que queremos caracterizar algo como uma preciosidade nós costumamos defini-lo como sendo ouro. E em termos espirituais, que é o que nos interessa, pois evangelho é mensagem direcionada ao espírito em sua essencialidade, o que ele significa? Vamos pensar? Em termos espirituais, ouro é exatamente aquele componente que vai nos proporcionar segurança. Ok? Porque é exatamente essa a ideia que as pessoas tem em relação à sua aquisição.

O ouro simboliza a conquista de recursos que apresentam essa capacidade de proporcionar segurança ao seu possuidor. E a segurança efetiva nossa deve estar estruturada em quê? Em aspectos exteriores a nós que não é, porque tudo que nos é extrínseco é passível de modificações e destruição. Logo, se a nossa segurança deve estruturar-se na ação, ouro representa a concepção daquilo que temos de melhor e mais valioso em nossa faixa de doação. Ouro define a conquista de recursos capazes de nos proporcionar segurança. Espiritualmente falando, o ouro é aquele componente que vai nos dar segurança.

E o ouro provado no fogo é o trabalho na aplicação dos valores. Que vai exigir sacrifício, sem dúvida alguma, porque compra exige paciência e sacrifício. Ouro provado no fogo representa o substrato de aplicabilidade concreta, vem medir o grau do nosso investimento. A prova no fogo é a aferição, consiste em saber se estamos prontos para adquirir. 

A compra exige paciência e sacrifício e o ouro tem que ser provado no fogo, indicando o trabalho na aplicação dos valores. É por isso que é comprar ouro provado, porque somente a prova é capaz de projetar os ser nas linhas da evolução.

Não dá para adquirir ou conquistar sem passar pela prova, a prova é aquilo que atesta a veracidade ou autenticidade de alguma coisa, é a demonstração evidente.

O ouro provado no fogo denota o substrato de aplicabilidade concreta, mede o grau do investimento, é saber se estou apto a passar para a fase seguinte. Logo, é preciso calma, primeiro vem a hora da assimilação do conhecimento para depois surgir a necessidade de gastar esse investimento. É com calma que vamos nos desvinculando das faixas humanas para investir na aquisição dessa vestidura cujos tecidos são as vibrações que operam de dentro para fora.

É preciso comprar vestidos brancos para nos vestirmos e não aparecer a vergonha da nossa nudez.

"Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez". (Apocalipse 3:18) Comprar o quê mesmo? Ouro para enriquecer e roupas brancas para vestir e não aparecer a vergonha da nudez. Muito interessante isto.

"Para que te vistas" é para que se sinta vestido, efetivamente vestido, e não apareça a vergonha da nudez.  Está dando para acompanhar? O que é uma pessoa nua? O nu é aquele que se encontra privado de vestuário. É o mesmo que sem cobertura, exposto, sem nada, vazio, destituído. O vestido, no sentido espiritual, não é o que se irradia de dentro para fora? Não tem relação com as nossas ações? Então, a nudez aponta a individualidade que não conseguiu tecer pelas suas próprias conquistas pessoais a sua tessitura vibracional. 

Percebeu? A nudez é decorrente de um conhecimento não operacionalizado. Nudez porque está privado de algo que não formou o tecido. Agora, veja bem, e isso é muito importante, a nudez por si só não é problema. Quem é nu por natureza não tem vergonha. O problema é quando ela passa a irradiar vergonha.

Lembra do Adão? É, aquele da Eva. Ele se escondeu quando reconheceu a própria nudez, pois havia se alimentado da árvore do conhecimento. A questão de se estar nu no paraíso é a questão da gente que está buscando o desenvolvimento pessoal, mas falta o trabalho no campo coletivo, a gente se vê nu de valores aplicativos no campo prático da vida. Deu para perceber? Nudez porquê? Porque estamos notando que estão saindo automaticamente da nossa intimidade expressões maculadas, expressões ou nódoas da nossa personalidade. A nudez ocorre em razão da perda dos nossos vestidos e expressa toda a nossa sombra íntima. Então, a nudez por si não é problema e a humildade define a nudez. De certa forma a nudez não apresenta nenhum problema, quem é nu por natureza não tem vergonha, o problema é quando ela irradia vergonha.

Adão constatou que estava nu e escondeu-se pois havia se alimentado do árvore do conhecimento. Quer dizer, essa árvore do conhecimento às vezes nos leva a um processo de nudez. Veja bem, muitos companheiros no nosso planeta estão buscando o conhecimento e não vão se encontrar desnudos, todavia, aqueles que já tem conhecimento e que, ao invés de se alimentarem da árvore da vida estão se alimentando da árvore da ciência do bem e do mal, esses estão fazendo jogos de interesses e esses jogos de interesses acabam desnudando-os, retirando-os do plano natural de relação com a luz. Vamos abordar esse assunto com mais tranquilidade em capítulo específico. O conhecimento da verdade é que levanta o erro, que levanta as dificuldades do ser.

E se nós aprendemos e não operamos com o valor novo daqui a pouco somos desvestidos e aparece a nossa nudez com todos os padrões da nossa inferioridade.

Ou seja, o que era uma luz, em perfeita linha de ressonância e fulgor, acaba apagando-se e aparece a nudez que expressa toda a sombra da nossa personalidade, aparece a treva das nossas complicações pessoais. Será que deu uma ideia? Aquele que é nu por natureza, que se encontra desinformado, ele não tem vergonha, a vergonha é resultante da esparrela que entramos nela.

A gente está querendo outro vestido, comprar outro vestido, mas sem ser desvestido. A gente busca ser revestido. Uma transformação. E estamos buscando lutar intensamente num mundo transitório, de coisas visíveis, que são relativas, tentando angariar padrões outros com vista ao mecanismo da imortalidade.

13 de mai de 2014

Cap 43 - Os Vestidos e os Panos (2ª edição) - Parte 1

OS VESTIDOS

“12E VIREI-ME PARA VER QUEM FALAVA COMIGO. E, VIRANDO-ME, VI SETE CASTIÇAIS DE OURO; 13E NO MEIO DOS SETE CASTIÇAIS UM SEMELHANTE AO FILHO DO HOMEM, VESTIDO ATÉ AOS PÉS DE UMA ROUPA COMPRIDA, E CINGIDO PELOS PEITOS COM UM CINTO DE OURO.” APOCALIPSE 1:12-13 

“TENDO, POIS, OS SOLDADOS CRUCIFICADO A JESUS, TOMARAM AS SUAS VESTES, E FIZERAM QUATRO PARTES, PARA CADA SOLDADO UMA PARTE; E A TÚNICA TAMBÉM. A TÚNICA, PORÉM, TECIDA TODA DE ALTO A BAIXO, NÃO TINHA COSTURA.” JOÃO 19:23 

Em sentido literal vestido é envoltório periférico, é cobertura exterior, não é? Todavia, quando nos referimos ao aspecto espiritual a situação é outra. Espiritualmente falando vestido ou vestimenta da alma é campo irradiador. É o que se manifesta de nós.

Define emissão de dentro para fora, e não revestimento de fora para dentro. No fundo, ele é elaborado pelo que se irradia de nós. Nosso vestido, com legitimidade, é decorrente da nossa irradiação, é oriundo das nossas manifestações intrínsecas. Em tese, o vestido é resultante da irradiação íntima da criatura, é estruturado em decorrência do que é irradiado por ela. Esse é o vestido na acepção espiritual. Isso tem que ficar bem claro no entendimento, os vestidos são planos de comunicação, são elementos irradiadores. Essa veste essencial do ser é a aura dele. Isso é algo da maior importância.

Vestido representa o nosso eu e toda a nossa estrutura psicofísica, energética e nosso grau de sensibilização, maior ou menor. É por ele que recolhemos os elementos indutores, positivos ou negativos. Nosso vestido é como somos vistos, como nos fazemos perceber, como somos percebidos, afinal somos conhecidos pelo que irradiamos. A veste real do espírito é a dimanação, a veste por excelência dimana do espírito, é irradiação, nós somos conhecidos pelo que irradiamos.

Essa vestimenta fala do nosso corpo perispiritual que é, sem dúvida, um fator de identificação pessoal e inegável. Apresenta um peso específico e nos situa onde é a nossa realidade. Não adianta querer fantasiar, é dentro desse plano de realidade pessoal que nós vamos nos apresentar no plano de realidade da própria vida.

Em razão disso, o que vai mandar é o ponto que se exterioriza e se irradia de nós e a nossa segurança é pela vestimenta que nós traçamos, de dentro para fora.

Repare que nos primeiros movimentos do apocalipse, bem no comecinho, o evangelista João visualiza um mensageiro divino: "E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; e no meio dos sete castiçais um semelhante ao filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro." (Apocalipse 1:12-13) O filho do homem apresenta-se trajado até os pés com um vestido comprido. Vamos lá, vamos entender isso.

O adjetivo comprido significa o quê? Maior, de maior extensão. Logo, vestido comprido define uma exteriorização ampliada do que estava presente na intimidade do representante, porque já sabemos que espiritualmente falando os pés definem o campo mental da individualidade. Vestido até os pés de uma roupa comprida indica uma expressão uníssona. Não era composta de pedaços, mas um ponto completo, íntegro, sem falhas, sem alterações. Está dando para perceber? É amplo, não fica nada de fora. É a expressão da verdade, uma imagem da harmonia, alegoria da união integral e perfeita entre conhecimento e aplicabilidade. Indica a autoridade e grandiosidade do ser. Dos pés até o ponto mais elevado a serviço do criador. O texto nos propicia a mentalização e visualização do filho do homem na sua expressão mais ampliada.

Esse semelhante ao filho do homem apresenta uma veste cujo denominador comum é expressão estruturada nos padrões superiores em Deus, pois comprido é ampliado. É aquele elemento cuja linha evolutiva alcançada denota que trabalhou no campo experimental em várias frentes e gerou valores que apresentam sentido bem ampliado. É possível analisar que isto decorre de luta ampla na edificação de muitos séculos. A gente lê um texto desse e fica difícil admitir a ideia de que a vida começa no berço e termina no túmulo.

O evangelho conta que Jesus, por ocasião da hora suprema do calvário, vestia uma túnica tecida toda ela, de alto a baixo, sem costura ("Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e a túnica também. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura." Apocalipse 19:23) A túnica do príncipe da paz era inteira, não tinha costuras. A moral do crucificado não tem aspectos divergentes, não tem contradições, é uma moral pura, sã, completa e imaculada.

O verbo encarnado não emitiu sons discordantes, não enunciou frases dúbias, não articulou palavras vazias, não produziu ecos confusos. Seus ensinamentos constituem um corpo doutrinário sem remendos, sem peças justapostas, sem costuras que possam forçar a adesão de retalhos ou de partes entre si destacadas. Não é composta de pedaços, mas representa um todo completo, perfeito, definido, inteiriço, harmônico, claro, conciso, congruente, positivo e firme. A união íntegra e perfeita, o emblema sólido da confraternização universal irmanando todos os homens, filhos do divino Pai, em uma única família.

E a misericórdia do criador é de uma beleza extraordinária. Não deixa que filho nenhum se perca de forma indefinida. Aqueles soldados que dividiram lá atrás aquelas partes tiveram também a oportunidade. Tenha certeza que trabalhando com aquelas linhas imantadas receberam parcelas vibracionais do próprio vestido intrínseco de Jesus. E nós sabemos que esses homens, quem sabe, estão cooperando conosco hoje. Porque um ponto interessante, pelo que temos aprendido, é que todos aqueles elementos envolvidos no martírio e no sofrimento de Jesus foram arrebanhados com muito carinho por ele, e estão hoje ajudando amplamente no crescimento evolutivo do próprio planeta Terra.

9 de mai de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 11 (Final)

A FORÇA DA VONTADE

Para conquistar o objetivo delineado é preciso investir no mecanismo da vontade.

A vontade constitui o impacto determinante. Pode-se dizer que é o botão que determina a nossa marcha ou a nossa inércia, nosso movimento ou nossa estagnação. Temos que aprender a fazer uso da vontade, e vontade operante significa aquela que nós operamos com o nosso campo mental praticamente seguro, tranquilo. Por meio dela a gente investe numa ideia, investe num ideal, numa proposta.

O nosso campo mental trabalha ao nível racional, intelectivo e o sentimento aprova aquilo como sendo algo válido, como sendo algo bom. E a gente investe. Mas sabendo discernir. Porque tem hora em que a vontade deixa de ter uma característica positiva para refletir um processo movido apenas pela emoção. Aí também não tem nada a ver. A emoção isolada tem decidido muito coisa por nós de maneira nefasta e tem muita gente evoluindo apenas pela emoção. 

É muito lenta e difícil essa transição entre a animalidade grosseira e a espiritualidade superior e nós estamos, por enquanto, num laboratório que corresponde a uma das fases mais peculiares e sutis da evolução, que é exatamente essa passagem de mundo de expiação e provas para mundo de regeneração.

O processo em que estamos matriculados é um processo de alimentação da vontade, pois a vontade é que vai nos dando condições de ir selecionando o campo alimentício. Não podemos admitir um êxito na proposta de regeneração pessoal, na entrada em processo novo, sem a capacidade plena de utilização da vontade. A vontade é componente que tem que ser alimentado, pois às vezes ela vem, mas com um esboço tão tênue e ligeiro que se dilui no próprio mecanismo da vida e no calor das circunstâncias. E todas as vezes em que ficamos fracos na utilização da vontade nós costumamos ser apanhados pelos dispositivos das leis.

É bonito falar disso, e falando chega até parecer fácil mantê-la em alto nível. Só que geralmente a nossa vontade costuma ser bem menor que a nossa capacidade. Tem muita gente que tem boa vontade, mas é uma boa vontade sem garra, sem aplicação, inerte, não é aquela que opera de maneira com que faça o indivíduo vencer dificuldades e realizar objetivos. Em muitas situações a nossa mentalidade absorve conteúdo, mas a vontade é incapaz de operar, e não tem como progredir numa situação nova, no rumo de uma nova faixa de vida, sem a utilização adequada da vontade. Pare pra pensar um pouco e observe que a vontade fraca e deseducada tantas vezes é a causa dos fracassos, dos desapontamentos e das quedas. Não precisa ir longe, quantos de nós estamos recebendo orientações espirituais seguras, estamos aprendendo as expressões da verdade, recolhendo padrões informativos claros para uma caminhada feliz, no entanto, estamos sucumbindo por falta de força para aplicá-los!?

Muitos à nossa volta se encontram sem firmeza no que tange os propósitos e sempre existe entre os homens um oceano de palavras e algumas gotas de ação.

As criaturas indiferentes, incapazes de exercer a vontade na busca de seus ideais, costumam ser expectadoras da evolução. Elas ficam na defensiva, não vão atrás, não lideram o processo. E enquanto a nossa vontade é frágil falam alto os caracteres de fora, os atropelos da vida e os chamamentos amplos que a vida opera.

A gente costuma dizer na oração do pai nosso "seja feita a tua vontade", só que insistimos em dar preferência à nossa. No plano prático é comum a criatura ficar debaixo de outra tutela que comanda a sua intimidade ao nível de desejos, e ela acaba por dar campo não à boa vontade, mas à má vontade. E a má vontade é decorrente de outra vontade que supera a pretensa vontade que a gente quer alimentar. Em outras palavras, nós temos uma vontade para adquirir tal coisa, só que essa vontade não é suficiente e emerge uma outra a que nós damos campo de maneira bem mais ampliada dentro do terrenos dos desejos.

A gente sente essa coisa no cotidiano, a má vontade é alimentada e realimentada por uma vontade que ainda predomina na nossa intimidade. Nessa hora nós costumamos ficar bem intencionados, no entanto, permanecemos à mercê do campo sensório. Para resultar em algo positivo a vontade precisa estar acima do plano automático da estrutura condicionada nossa.

A vontade é o componente inarredável da proposta de crescimento. O processo em que estamos matriculados é o de alimentação da vontade. Veja bem, nós estamos aprendendo a realizar a caminhada evolutiva com base na vontade, trabalhando e agindo com discernimento, carinho e equilíbrio. Não podemos negligenciar que o grande segredo da trajetória é o fortalecimento do sistema de euforia, realização, crescimento e alegria em recolher e servir no devido tempo.

E não dá para eleger uma padronização a nível mental de modo adequado e seguro se não houver uma disposição clara e nítida de se investir naquilo que se busca.

Não existe êxito na proposta de regeneração pessoal, e também não se penetra em nova etapa, sem a capacidade plena de utilização da vontade. Não se progride em terreno de novas realizações sem a constante presença dela. É ela que tem que apresentar variáveis enormes desde o início da caminhada. Normalmente, as criaturas determinadas e com discernimento são aquelas que implementam a evolução. O componente vontade, no nosso terreno mental, tem que ter forças pelo menos iguais às forças que dominam o nosso automatismo.

Pode parecer difícil, todavia as grandes personalidades vivem em função do exercício operacional ao nível da vontade. A vontade, componente básico da vida mental, consegue auxiliar em muito todo o processo de ascensão. Então, não adianta, toda a nossa luta sem vontade já traz o fracasso, a frustração e a incapacidade decretados na sua base. Dentro do plano de projeção e de uma proposta de evolução consciente, selecionar componentes e tentar aplicá-los sem vontade simplesmente não dá. Não resolve, é papo furado. Pode acreditar, se a vontade não for acionada nós ficamos perdendo tempo e não saímos do lugar. E o homem velho continua dominando a nossa vida, como sempre fez.

6 de mai de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 10

O NÚMERO DA TENTAÇÃO

“PORQUE, PASSADOS AINDA SETE DIAS, FAREI CHOVER SOBRE A TERRA QUARENTA DIAS E QUARENTA NOITES; E DESFAREI DE SOBRE A FACE DA TERRA TODA A SUBSTÂNCIA QUE FIZ.” GÊNESE 7:4

“1ENTÃO FOI CONDUZIDO JESUS PELO ESPÍRITO SANTO AO DESERTO, PARA SER TENTADO PELO DIABO. 2E, TENDO JEJUADO QUARENTA DIAS E QUARENTA NOITES, DEPOIS TEVE FOME;” MATEUS 4:1-2

Os dois versículos acima não foram colocados neste tópico à toa. Note que um deles é citação do velho testamento e o outro do novo. Ambos apresentam relação muito estreita entre si, que pode passar despercebida à primeira vista.

Vamos lá, quanto tempo durou, segundo as escrituras, o dilúvio? Se a sua resposta foi 40 você acertou na mosca. Quarenta dias e quarenta noites. E a tentação de Jesus? Bom, a tentação foi efetuada após quarenta dias de fome. E o que o dilúvio e a tentação tem em comum? Especialmente o fato de que tanto o dilúvio, que é representação do sofrimento, quanto a tentação são fases de um processo, não constituem o processo de forma globalizada. Tanto que o dilúvio e a tentação são circunstâncias temporárias que objetivam a um fim positivo.

Os dois são etapas de transição e é fácil perceber que o quarenta é a fase que nos projeta na linha seguinte dos encaminhamentos. E podemos concluir mais ainda, que o número da transição ou, se preferirmos, o número da tentação, que é o que estamos estudando, sem entrarmos na questão da numerologia, é o quatro.

O sete é o número que define o mecanismo ascensional no planeta. Já abordamos isso e voltaremos a fazê-lo mais à frente. Por agora vamos nos ater ao fato de que vivemos num planeta em que vige a linha setenária, do sete. E o três, ou a linha trina, faz referência ao aspecto de ressurgimento, de ressurreição e santificação. Então, repare que o sete apresenta para nós uma linha trina de partida ou origem, e também uma linha trina de chegada ou consequência.

E o próprio quatro no meio: 1 2 3 4 5 6 7. Notou? O que isto nos interessa no aspecto prático da vida? Que quanto nós entramos na quarta etapa nós já entramos no terreno da transição, e o quarto estágio é aquele que, em tese, divide os três fundamentais e os três de complementação. Está conseguindo perceber o que estou dizendo? Acabamos de falar agora que o quatro define o número da tentação. E olhando logo acima, nos quadradinhos, percebe-se o quê? Que a tentação, que acontece no quatro, dá-se no meio do processo. Correto? À primeira vista, sim, mas observando com atenção está errado, completamente errado. O leitor mais atento pode pensar consigo mesmo: "Ô, Marco Antônio burro. Volta prá escola! Você disse que a tentação ocorre no meio do processo, e como pode se o processo tem sete etapas? Por acaso, metade de sete é quatro?" Pronto. Acertando esse raciocínio você entendeu toda a questão e conseguiu desvendar exatamente onde queremos chegar. É claro que a metade de 7 é 3,5, mas sabe qual é a moral da história? Se o número da tentação é o 4, e a metade de todo o processo é 3,5, isso revela com toda a tranquilidade que a tentação nos alcança quando nós já passamos da metade do percurso que temos que percorrer para chegarmos à meta delineada.

E quando passamos do 3,5 nós já estamos envolvidos no processo que vai nos levar, mais hoje mais amanhã, ao final. Isso é algo que precisa ficar muito claro. A tentação nos alcança no 4, no plano exato de decisão de equacionamento, e esse 4 já define para nós uma mentalidade nova vigorando, com amplas perspectivas de usufruirmos da nova etapa. Como não é três e meio e, sim, quatro, nós entendemos que a perspectiva é amplamente segura para a gente caminhar. O quatro é amplamente seguro, e sabe porquê?

Porque até o três e meio, ou a metade do percurso, pode haver um reverterio, a gente está suscetível de desistir, pode retroceder, pode voltar pra trás. Imagine só, você estabeleceu uma proposta nova na sua vida, fazer ginástica, praticar exercício físico. Definiu para você mesmo que a sua meta inicial é fazer cooper duas ou três vezes por semana. Definiu o tempo também, para cada atividade de corrida 30 minutos. Ótimo, preparou a roupa adequada, comprou um tênis novo apropriado, um aparelho de MP4 com músicas estimulantes, fone de ouvido confortável, relógio com cronômetro e pronto, lá vai você.

É claro que se uma colega de serviço me ouvisse dizendo isso ela diria: "Marco Antônio, você é doido? Não se deve correr sem frequencímetro." Mas tirando o detalhe de lado, porque o que importa é o exemplo, continuemos. Você corre no seu ritmo, claro, porque você nem é louco de começar correndo a todo vapor. Nem conseguiria cumprir o tempo estipulado. Você vai em frente, sem parar, ouvindo as músicas que te animam e no padrão sequenciado. Vai sem olhar no relógio. Vai embora. Continua. Ficou um pouco cansado, respira de forma mais ofegante, e daí a pouco você olha pro relógio. Puxa, já passou 18 minutos, de um total de 30. Isso foi só um exemplo, mas você entendeu a mensagem?

Até os 15 minutos você talvez pudesse até pensar em parar, desistir. Mas tendo passado 18, mais da metade, a gente só pensa em renovar o fôlego e dar conta do recado. O ensinamento é prático e vale para toda a situação em que você for alcançado pela tentação. Para toda a situação de grande dificuldade em que você pensar em desistir, largar o projeto, abandonar a meta, porque você está cansado demais, porque a carga está pesada, lembre-se que a metade do percurso já passou. Tenha a certeza que todo projeto, situação, consiste numa linha setenária e que a tentação surge no quatro, portanto a metade já ficou para trás. Que ao ser tentado no quatro você já viveu aquele momento mais difícil, já passou pelo aperto maior, portanto, daí para frente é só renovar o fôlego, encontrar novas forças em você e prosseguir.

Vamos ter em mente que sempre há uma aferição que vem trabalhar o momento da transição. Quanto mais nós queremos progredir mais nós precisamos exercitar a capacidade de operar e manter a segurança de modo a não sermos tragados pelas próprias faixas circunstanciais. O nosso objetivo é fazer um trabalho de levantamento de estratégias de vida, de escolha de uma proposta que tenha conteúdo e que consiga polarizar o nosso grau de interesse.

Valores esses que possam nos induzir a trabalhar o campo mental no plano de dedução e de seleção. E se formos abençoados no conhecimento da verdade, diante da insinuação do homem velho que chega para nos desafiar, diante desse desafio, façamos um sacrifício maior, testemunhemos de maneira mais firme contra essa influência que está dentro de nós, pois a concupiscência está no íntimo.

Nós vencemos a tentação e a tribulação é com determinação, com a adoção firme de atitudes positivas e resolutas. Lembre-se que no lançamento de uma espaçonave é que se empreende todas as forças, é no início o maior dispêndio de combustível para a decolagem do foguete. Na medida em que ele vai conquistando altura essa força vai se reduzindo em função da ausência de resistência, até chegar ao ponto em que a energia vai ser usada para alterar o rumo.

Conosco não é diferente, à medida em que a nossa estrutura mental homologa um conceito novo nós vamos notar que ao nível da vontade esse conceito tem que ter tanta força de aplicabilidade quanto a força automática que vigora em nosso inconsciente ou subconsciente, já concretizado todo ele com o somatório do substrato das nossas ações já vividas. Temos que atestar com toda a vontade para alcançar.

2 de mai de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 9

VIGIAI E ORAI II

“41VIGIAI E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO; NA VERDADE, O ESPÍRITO ESTÁ PRONTO, MAS A CARNE É FRACA.” MATEUS 26:41

“46E DISSE-LHES: POR QUE ESTAIS DORMINDO? LEVANTAI-VOS, E ORAI, PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO.” LUCAS 22:46

O processo do crescimento envolve o vigiai e orai. São dois pontos que não podemos descuidar.

E eles não significam passividade, estática e inércia. Não, de forma alguma. Não é por aí. Até muito pelo contrário, definem a dinâmica da nossa ascensão. Ao recomendar esses imperativos Jesus está dizendo, de forma clara para o discípulo, que é preciso se movimentar, que é preciso operar, que é imprescindível trabalhar, vigiando e orando simultaneamente. Como fatores atuantes da nossa vida ao nível seletivo, eles precisam ser aplicados de maneira conjugada.

Vigiando as emersões do nosso passado delituoso e comprometedor e orando de maneira objetiva para que se incorpore em nós novos padrões. Temos que agir com prudência diante das situações do presente e recolher com o coração o que emana de cima, do plano superior. Quem vigia desconfia e que ora confia. Confiar em Deus e desconfiar de nós mesmos. Não perder o objetivo e vigiar o chamamento inferior que ainda impera, para que a gente não cometa descalabros e nem torpedeie os caminhos dos outros pela ação nossa menos feliz.

Se embaixo fala o vigiai, na parte de cima fala o orai. Na parte de cima, no superconsciente, é que funciona toda a grandeza do orai. Orai é em cima, projetando-nos em identificação com os planos superiores na captação de novos padrões para o crescimento consciente.

Consegue perceber a beleza e o aspecto dinâmico? Temos que vigiar o que dimana de baixo da nossa tendência inferior e orar para que busquemos a iluminação e o esclarecimento. E quando se fala nisso é comum notar que grande número de pessoas não tem o hábito de orar. É isso aí, não tem mesmo.

Algumas não oram porque acham que não precisam. Tem também as que se consideram pecadoras demais para orar. Não deixa de ser uma pena, pois ambos os grupos estão mal informados e enganados. Em relação ao primeiro, basta lembrar que o próprio Jesus Cristo orava, e não era pouco. Em relação ao segundo, o que falta é um pouco de informação acerca da prece. No entanto, à proporção que crescemos percebemos que a oração deve constituir nosso recurso permanente de comunhão ininterrupta com a luz que provém de Deus.

Só para se ter ideia, e para início de conversa, sabe porque é preciso orar? A resposta é simples demais. Considerada a bagagem das imperfeições humanas, a redenção das criaturas nunca se efetuará sem a misericórdia do criador.

Sem contar que não podemos realizar algo, o que quer que seja, dissociados do amparo e da assistência superior em Deus. Portanto, é preciso um vínculo com os planos superiores como componente de evolução consciente. É indispensável conhecermos  o meio seguro de nos identificarmos com o criador e cultivar a prece para que ela se torne um elemento natural da vida, como a própria respiração. Nós nunca poderemos enumerar todos os benefícios da oração, cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder.

Se, de um lado, eu tenho que vigiar o que provém de baixo, para desativar determinados padrões e caminhar para novo patamar eu tenho que investir de imediato em outros valores. Então, na medida em que eu vou orando com determinação, essa oração não é uma oração no sentido de se formular unicamente uma prece na sua feição exterior. A oração tem o sentido de busca e, também, de aplicação desses componentes novos que vou perceber por meio dela.

Vamos clarear mais? Veja bem, uma vez que essa subida em vibrações pela oração te mostrou o caminho, te mostrou ângulos especiais na sua visualização interior, quem sabe, de repente, você passa a ter mais facilidade de galgar cada degrau dessa escada e conquistar, lenta e gradativamente, patamares outros na evolução, e, ao mesmo tempo, desconectar-se das faixas inferiores!? Deu uma ideia? A misericórdia nos arrebata quando nos elevamos e nós retornamos para o nosso piso de ação para realizarmos a conquista efetiva do que visualizamos lá. É por isso que dissemos que estamos todos imbuídos ou matriculados nesse mecanismo de oração, que tem a acepção de busca.

Por essa razão, todas as vezes, diante de uma solução, vamos ter cuidado com as insinuações pessoais e atentarmos para as intuições superiores. É preciso orar de maneira objetiva para que visualizemos e cheguem a nós novos padrões de crescimento, e tentarmos aplicar esse plano da prece ou oração que se revela para nós por meio de um estudo ou uma leitura. A oração nos leva a faixas acima e visualizamos, retornamos e buscamos investir para conquistar.

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