9 de mai de 2014

Cap 42 - A Tentação (2ª edição) - Parte 11 (Final)

A FORÇA DA VONTADE

Para conquistar o objetivo delineado é preciso investir no mecanismo da vontade.

A vontade constitui o impacto determinante. Pode-se dizer que é o botão que determina a nossa marcha ou a nossa inércia, nosso movimento ou nossa estagnação. Temos que aprender a fazer uso da vontade, e vontade operante significa aquela que nós operamos com o nosso campo mental praticamente seguro, tranquilo. Por meio dela a gente investe numa ideia, investe num ideal, numa proposta.

O nosso campo mental trabalha ao nível racional, intelectivo e o sentimento aprova aquilo como sendo algo válido, como sendo algo bom. E a gente investe. Mas sabendo discernir. Porque tem hora em que a vontade deixa de ter uma característica positiva para refletir um processo movido apenas pela emoção. Aí também não tem nada a ver. A emoção isolada tem decidido muito coisa por nós de maneira nefasta e tem muita gente evoluindo apenas pela emoção. 

É muito lenta e difícil essa transição entre a animalidade grosseira e a espiritualidade superior e nós estamos, por enquanto, num laboratório que corresponde a uma das fases mais peculiares e sutis da evolução, que é exatamente essa passagem de mundo de expiação e provas para mundo de regeneração.

O processo em que estamos matriculados é um processo de alimentação da vontade, pois a vontade é que vai nos dando condições de ir selecionando o campo alimentício. Não podemos admitir um êxito na proposta de regeneração pessoal, na entrada em processo novo, sem a capacidade plena de utilização da vontade. A vontade é componente que tem que ser alimentado, pois às vezes ela vem, mas com um esboço tão tênue e ligeiro que se dilui no próprio mecanismo da vida e no calor das circunstâncias. E todas as vezes em que ficamos fracos na utilização da vontade nós costumamos ser apanhados pelos dispositivos das leis.

É bonito falar disso, e falando chega até parecer fácil mantê-la em alto nível. Só que geralmente a nossa vontade costuma ser bem menor que a nossa capacidade. Tem muita gente que tem boa vontade, mas é uma boa vontade sem garra, sem aplicação, inerte, não é aquela que opera de maneira com que faça o indivíduo vencer dificuldades e realizar objetivos. Em muitas situações a nossa mentalidade absorve conteúdo, mas a vontade é incapaz de operar, e não tem como progredir numa situação nova, no rumo de uma nova faixa de vida, sem a utilização adequada da vontade. Pare pra pensar um pouco e observe que a vontade fraca e deseducada tantas vezes é a causa dos fracassos, dos desapontamentos e das quedas. Não precisa ir longe, quantos de nós estamos recebendo orientações espirituais seguras, estamos aprendendo as expressões da verdade, recolhendo padrões informativos claros para uma caminhada feliz, no entanto, estamos sucumbindo por falta de força para aplicá-los!?

Muitos à nossa volta se encontram sem firmeza no que tange os propósitos e sempre existe entre os homens um oceano de palavras e algumas gotas de ação.

As criaturas indiferentes, incapazes de exercer a vontade na busca de seus ideais, costumam ser expectadoras da evolução. Elas ficam na defensiva, não vão atrás, não lideram o processo. E enquanto a nossa vontade é frágil falam alto os caracteres de fora, os atropelos da vida e os chamamentos amplos que a vida opera.

A gente costuma dizer na oração do pai nosso "seja feita a tua vontade", só que insistimos em dar preferência à nossa. No plano prático é comum a criatura ficar debaixo de outra tutela que comanda a sua intimidade ao nível de desejos, e ela acaba por dar campo não à boa vontade, mas à má vontade. E a má vontade é decorrente de outra vontade que supera a pretensa vontade que a gente quer alimentar. Em outras palavras, nós temos uma vontade para adquirir tal coisa, só que essa vontade não é suficiente e emerge uma outra a que nós damos campo de maneira bem mais ampliada dentro do terrenos dos desejos.

A gente sente essa coisa no cotidiano, a má vontade é alimentada e realimentada por uma vontade que ainda predomina na nossa intimidade. Nessa hora nós costumamos ficar bem intencionados, no entanto, permanecemos à mercê do campo sensório. Para resultar em algo positivo a vontade precisa estar acima do plano automático da estrutura condicionada nossa.

A vontade é o componente inarredável da proposta de crescimento. O processo em que estamos matriculados é o de alimentação da vontade. Veja bem, nós estamos aprendendo a realizar a caminhada evolutiva com base na vontade, trabalhando e agindo com discernimento, carinho e equilíbrio. Não podemos negligenciar que o grande segredo da trajetória é o fortalecimento do sistema de euforia, realização, crescimento e alegria em recolher e servir no devido tempo.

E não dá para eleger uma padronização a nível mental de modo adequado e seguro se não houver uma disposição clara e nítida de se investir naquilo que se busca.

Não existe êxito na proposta de regeneração pessoal, e também não se penetra em nova etapa, sem a capacidade plena de utilização da vontade. Não se progride em terreno de novas realizações sem a constante presença dela. É ela que tem que apresentar variáveis enormes desde o início da caminhada. Normalmente, as criaturas determinadas e com discernimento são aquelas que implementam a evolução. O componente vontade, no nosso terreno mental, tem que ter forças pelo menos iguais às forças que dominam o nosso automatismo.

Pode parecer difícil, todavia as grandes personalidades vivem em função do exercício operacional ao nível da vontade. A vontade, componente básico da vida mental, consegue auxiliar em muito todo o processo de ascensão. Então, não adianta, toda a nossa luta sem vontade já traz o fracasso, a frustração e a incapacidade decretados na sua base. Dentro do plano de projeção e de uma proposta de evolução consciente, selecionar componentes e tentar aplicá-los sem vontade simplesmente não dá. Não resolve, é papo furado. Pode acreditar, se a vontade não for acionada nós ficamos perdendo tempo e não saímos do lugar. E o homem velho continua dominando a nossa vida, como sempre fez.

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