18 de mai de 2014

Cap 43 - Os Vestidos e os Panos (2ª edição) - Parte 2

A COMPRA E A NUDEZ

“12E VIREI-ME PARA VER QUEM FALAVA COMIGO. E, VIRANDO-ME, VI SETE CASTIÇAIS DE OURO; 13E NO MEIO DOS SETE CASTIÇAIS UM SEMELHANTE AO FILHO DO HOMEM, VESTIDO ATÉ AOS PÉS DE UMA ROUPA COMPRIDA, E CINGIDO PELOS PEITOS COM UM CINTO DE OURO.” APOCALIPSE 1:12-13

“18ACONSELHO-TE QUE DE MIM COMPRES OURO PROVADO NO FOGO, PARA QUE TE ENRIQUEÇAS; E ROUPAS BRANCAS PARA QUE TE VISTAS, E NÃO APAREÇA A VERGONHA DA TUA NUDEZ; E QUE UNJAS OS TEUS OLHOS COM COLÍRIO, PARA QUE VEJAS.” APOCALIPSE 3:18

“4PORQUE TAMBÉM NÓS, OS QUE ESTAMOS NESTE TABERNÁCULO, GEMEMOS CARREGADOS; NÃO PORQUE QUEREMOS SER DESPIDOS, MAS REVESTIDOS, PARA QUE O MORTAL SEJA ABSORVIDO PELA VIDA.” II CORÍNTIOS 5:4

O filho do homem se mantém vestido até os pés com vestido comprido, e nós? Com toda a certeza apresentamos, de algum modo, determinadas falhas em nossa vestimenta. Então, não tem outra, nós temos que comprar nossas vestes.

Porquê? Porque se os vestidos são elaborados pelas ações íntimas, de dentro para fora, no sentido espiritual ou espiritualmente falando não tem como a gente ganhar roupa. No entanto, precisamos ter em conta a distinção clara entre o que representa comprar um produto e o que significa apenas visualizar a propaganda dele.

Ficou claro? Tem gente, por exemplo, que visualiza o comercial, se encanta de imediato com o produto, mas não sai desse entusiasmo preliminar. Não se esforça para adquirir. E comprar é algo diferente e está para além de apenas assistir o comercial. A compra exige sacrifício. Aí, de repente, alguém pode dizer: "Não, eu não faço esforço algum, porque eu compro quase tudo pela internet." Bom, deixando a brincadeirinha de lado eu acho que você entendeu o que nós estamos querendo dizer. A compra pressupõe um desprendimento de valores para a aquisição do componente que vai se incorporar de forma definitiva ao patrimônio da criatura. O apocalipse diz assim: "Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas para que te vistas." Outra coisa que não podemos negligenciar é saber avaliar o que estamos comprando e de quem estamos comprando, porque tem muita gente comprando apenas o ouro do mundo e não está se enriquecendo.

E tem que comprar por inteiro, não pode comprar faltando parte. Tem que comprar o que vai ser necessário no sentido integral: razão e sentimento. "Vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro" (Apocalipse 1:13) indica-nos, esses peitos, a área do coração, a simbologia do sentimento. Refere-se ao resguardo do sentimento como sendo o que há de mais nobre.

Então, pense comigo, não adianta a criatura estar envolvida num vestido moldado ou confeccionado puramente na base intelectiva, somente na base do conhecimento. O que estamos aprendendo com essa redação é exatamente a necessidade de uma profunda capacidade refletora do pensamento divino, do sentimento divino. É evidente que esse pensamento tem razão também, claro. Não está sem razão não, mas a razão se engrandece e adquire autoridade na medida em que o sentimento passa a estar em consonância com as irradiações superiores em Deus. Conseguiu captar? Sem esse cinto de ouro em torno do coração, definindo um sentimento clarificado, toda a nossa proposta de conhecimento, de boa vontade e de interesse em ajudar fica nulificada.

É cingir com um cinto de ouro e comprar ouro provado no fogo e roupas brancas. Já se perguntou porque ouro? O ouro é um metal nobre. Ele significa uma preciosidade, ou melhor, é aquilo que existe de mais valioso, de mais precioso. Tanto que em várias situações denomina-se ouro aquilo que tem muito valor.

Todas as vezes que queremos caracterizar algo como uma preciosidade nós costumamos defini-lo como sendo ouro. E em termos espirituais, que é o que nos interessa, pois evangelho é mensagem direcionada ao espírito em sua essencialidade, o que ele significa? Vamos pensar? Em termos espirituais, ouro é exatamente aquele componente que vai nos proporcionar segurança. Ok? Porque é exatamente essa a ideia que as pessoas tem em relação à sua aquisição.

O ouro simboliza a conquista de recursos que apresentam essa capacidade de proporcionar segurança ao seu possuidor. E a segurança efetiva nossa deve estar estruturada em quê? Em aspectos exteriores a nós que não é, porque tudo que nos é extrínseco é passível de modificações e destruição. Logo, se a nossa segurança deve estruturar-se na ação, ouro representa a concepção daquilo que temos de melhor e mais valioso em nossa faixa de doação. Ouro define a conquista de recursos capazes de nos proporcionar segurança. Espiritualmente falando, o ouro é aquele componente que vai nos dar segurança.

E o ouro provado no fogo é o trabalho na aplicação dos valores. Que vai exigir sacrifício, sem dúvida alguma, porque compra exige paciência e sacrifício. Ouro provado no fogo representa o substrato de aplicabilidade concreta, vem medir o grau do nosso investimento. A prova no fogo é a aferição, consiste em saber se estamos prontos para adquirir. 

A compra exige paciência e sacrifício e o ouro tem que ser provado no fogo, indicando o trabalho na aplicação dos valores. É por isso que é comprar ouro provado, porque somente a prova é capaz de projetar os ser nas linhas da evolução.

Não dá para adquirir ou conquistar sem passar pela prova, a prova é aquilo que atesta a veracidade ou autenticidade de alguma coisa, é a demonstração evidente.

O ouro provado no fogo denota o substrato de aplicabilidade concreta, mede o grau do investimento, é saber se estou apto a passar para a fase seguinte. Logo, é preciso calma, primeiro vem a hora da assimilação do conhecimento para depois surgir a necessidade de gastar esse investimento. É com calma que vamos nos desvinculando das faixas humanas para investir na aquisição dessa vestidura cujos tecidos são as vibrações que operam de dentro para fora.

É preciso comprar vestidos brancos para nos vestirmos e não aparecer a vergonha da nossa nudez.

"Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez". (Apocalipse 3:18) Comprar o quê mesmo? Ouro para enriquecer e roupas brancas para vestir e não aparecer a vergonha da nudez. Muito interessante isto.

"Para que te vistas" é para que se sinta vestido, efetivamente vestido, e não apareça a vergonha da nudez.  Está dando para acompanhar? O que é uma pessoa nua? O nu é aquele que se encontra privado de vestuário. É o mesmo que sem cobertura, exposto, sem nada, vazio, destituído. O vestido, no sentido espiritual, não é o que se irradia de dentro para fora? Não tem relação com as nossas ações? Então, a nudez aponta a individualidade que não conseguiu tecer pelas suas próprias conquistas pessoais a sua tessitura vibracional. 

Percebeu? A nudez é decorrente de um conhecimento não operacionalizado. Nudez porque está privado de algo que não formou o tecido. Agora, veja bem, e isso é muito importante, a nudez por si só não é problema. Quem é nu por natureza não tem vergonha. O problema é quando ela passa a irradiar vergonha.

Lembra do Adão? É, aquele da Eva. Ele se escondeu quando reconheceu a própria nudez, pois havia se alimentado da árvore do conhecimento. A questão de se estar nu no paraíso é a questão da gente que está buscando o desenvolvimento pessoal, mas falta o trabalho no campo coletivo, a gente se vê nu de valores aplicativos no campo prático da vida. Deu para perceber? Nudez porquê? Porque estamos notando que estão saindo automaticamente da nossa intimidade expressões maculadas, expressões ou nódoas da nossa personalidade. A nudez ocorre em razão da perda dos nossos vestidos e expressa toda a nossa sombra íntima. Então, a nudez por si não é problema e a humildade define a nudez. De certa forma a nudez não apresenta nenhum problema, quem é nu por natureza não tem vergonha, o problema é quando ela irradia vergonha.

Adão constatou que estava nu e escondeu-se pois havia se alimentado do árvore do conhecimento. Quer dizer, essa árvore do conhecimento às vezes nos leva a um processo de nudez. Veja bem, muitos companheiros no nosso planeta estão buscando o conhecimento e não vão se encontrar desnudos, todavia, aqueles que já tem conhecimento e que, ao invés de se alimentarem da árvore da vida estão se alimentando da árvore da ciência do bem e do mal, esses estão fazendo jogos de interesses e esses jogos de interesses acabam desnudando-os, retirando-os do plano natural de relação com a luz. Vamos abordar esse assunto com mais tranquilidade em capítulo específico. O conhecimento da verdade é que levanta o erro, que levanta as dificuldades do ser.

E se nós aprendemos e não operamos com o valor novo daqui a pouco somos desvestidos e aparece a nossa nudez com todos os padrões da nossa inferioridade.

Ou seja, o que era uma luz, em perfeita linha de ressonância e fulgor, acaba apagando-se e aparece a nudez que expressa toda a sombra da nossa personalidade, aparece a treva das nossas complicações pessoais. Será que deu uma ideia? Aquele que é nu por natureza, que se encontra desinformado, ele não tem vergonha, a vergonha é resultante da esparrela que entramos nela.

A gente está querendo outro vestido, comprar outro vestido, mas sem ser desvestido. A gente busca ser revestido. Uma transformação. E estamos buscando lutar intensamente num mundo transitório, de coisas visíveis, que são relativas, tentando angariar padrões outros com vista ao mecanismo da imortalidade.

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