27 de mai de 2014

Cap 43 - Os Vestidos e os Panos (2ª edição) - Parte 4

NÃO CONTAMINE O VESTIDO

“4MAS TAMBÉM TENS EM SARDES ALGUMAS PESSOAS QUE NÃO CONTAMINARAM SUAS VESTES, E COMIGO ANDARÃO DE BRANCO; PORQUANTO SÃO DIGNAS DISSO. 5O QUE VENCER SERÁ VESTIDO DE VESTES BRANCAS, E DE MANEIRA NENHUMA RISCAREI O SEU NOME DO LIVRO DA VIDA; E CONFESSAREI O SEU NOME DIANTE DE MEU PAI E DIANTE DOS SEUS ANJOS.” APOCALIPSE 3:4-5

Se somos tocados em nossas vestes pelos padrões superiores que fazem a linha de toque e adentram o campo essencial de nossa vida, recebemos também toques de natureza negativa que podem encontrar linhas de germinação dentro de nós.

E para evitar esse contágio os que os discípulos de João Batista faziam? Você se lembra? Faziam jejum, não andavam com pecadores, não comiam com os pecadores, não andavam com as meretrizes, não passavam nem próximo delas.

E porque estamos falando daquele tempo lá de trás? Porque tem muito religioso tradicional nos dias de hoje assim. Não passa na frente de bar para não beber. Por sinal, até abomina a bebida. Não fala palavrão, anda todo assim, bonitinho, em termos de segurança. Não passa nem perto de uma pessoa que pretensamente é perigosa de irradiar bactérias específicas que possa contaminá-lo. É, não estamos exagerando não, tem muitos religiosos trabalhando na linha da defensiva. Buscam livrar-se do inferno e reservarem para si o céu. São seguidos pelo medo do inferno. Sem contar na enormidade de fanáticos que querem levar o amor, mas com uma espada empunhada na mão.

A questão exige um entendimento abrangente. Quanto maior a preocupação da criatura no campo da segurança nesse sentido, mais a individualidade reconhece, ou deve reconhecer, que ela é susceptível de vir a se contaminar. É fato, não estamos inventando teoria. Enquanto ficamos muito amarrados aos impactos e dificuldades é sinal que nos mantemos em uma posição de acentuada inabilitação, ainda não estamos preparados para certos planos de ação.

E se nós formos crescendo com esse pensamento? Já pensou como seria? Já imaginou se todos os estudantes formados nas escolas de medicina do planeta resolvessem se isolar de qualquer perigo de contágio? Aliás, nós temos até conhecimento de certas expressões de desequilíbrio mental com base nisso, em que o elemento tem que viver dentro de uma redoma por medo de se contaminar.

Ora, vamos encarar a coisa com maturidade. Nós estamos no mundo, então, temos que saber conviver com tudo. Temos que viver no meio de uma sociedade que tem de tudo, temos que saber lutar e saber viver com as mais variadas condições junto da grande população que nos cerca. Uma coisa que temos aprendido é que o laboratório que vai nos dar acesso efetivo a um estado melhor vai depender exatamente dessa nossa interação com os outros, com as coisas, com os fatos, com as situações, com o mundo em si. Agora, a questão essencial é o que a gente vai fazer diante da presença desses elementos.

O processo não deve mais ser o do religioso tradicional que quer salvar a sua própria pele, que declara em alta voz que está com Jesus e que não vai para o inferno de jeito nenhum. Isso é coisa antiga. Para nós já ficou pra trás faz tempo, embora ainda seja algo presente para milhões de pessoas. Com o Cristo não trabalhamos na defensiva, pelo contrário, vamos para a ofensiva. Repare que se João Batista jejuava, Jesus, além de não jejuar, alimentava-se com pecadores e problemáticos de toda ordem. Não é verdade? Sendo assim, conosco, que aderimos ao evangelho na sua essencialidade, não pode ser diferente.

Temos que conviver e relacionar com um mundo que tem de tudo. Ao evitarmos os complicados estamos dando uma demonstração de que nos situamos em um processo de purificação, de educação. Vamos utilizar o conhecimento que tem nos visitado. Mais hoje, mais amanhã, nós temos que entrar na luta para cooperar. E no campo operacional do bem é mister entrarmos na percepção do complicado, compreendermos o agente emissor de ondas mentais desordenadas, porque na hora em que conseguimos penetrar a sua necessidade intrínseca vamos notar que se nós somos filhos de Deus ele também o é. Só que ele foi contaminado, ele permitiu-se contaminar. E a conclusão é que sem amar fica muito difícil evitar o contágio, ficamos suscetíveis.

O maior amigo da humanidade passou e continua passando no meio dos contaminados. Sem dúvida, o primeiro lance do crescimento é o da não contaminação, e define o primeiro batismo. É aquele em que a criatura ingere o ensinamento de Jesus para não se contaminar. Pode-se dizer que é aquele no qual ela investe na vacina do Cristo. O segundo batismo corresponde a ir ao encontro das necessidades alheias, sabendo tê-las como oportunidade de trabalho. Mas ir sem se contaminar e também sem violentar que quer que seja.

Isso é importante. Então, a questão não é guardar a veste para não sujar, é o contrário. Muitos de nós conseguimos passar da primeira fase de forma tranquila. Não nos permitimos contaminar, ou se isso ocorre nós conseguimos nos limpar. Nós criamos uma assepsia adequada. Agora, muitos de nós falhamos exatamente quando vamos para a segunda etapa, quando saímos ao encontro daqueles contaminados. E porque não dizer que muitos de nós que estamos aqui, quando não nós mesmos, somos os emersos desse segundo lance?

É comum considerar que muita contaminação se dá em razão do meio de relação. É um fato que nós sempre somos influenciados pelo meio em que nos movimentamos, todavia, quem escolhe o meio em que estamos somos nós mesmos.

Vale não esquecer que o meio continuadamente é um reflexo, também, das nossas necessidades interiores. Por outro lado, a criatura pode perfeitamente viver em um ambiente delinquente, por exemplo, e não vir a contaminar-se. Às vezes, até pode se contaminar, só que há uma resistência de dentro para fora que neutraliza todo esse contágio. E a forma mais adequada de não se contaminar os vestidos é pela vigilância, é saber não se envolver negativamente e não se deixar levar pelas sujidades encontradas no caminho. O discernimento é necessário, tem momentos também que é preciso evitar, em nome do próprio crescimento, determinados envolvimentos, saber se esquivar.

O apocalipse aponta que aqueles que não contaminaram as suas vestes "comigo andarão de branco; porquanto são dignas disso. O que vencer será vestido de vestes brancas". (Apocalipse 3:4-5) E a gente nota que para ser vestido de vestes brancas tem que vencer. E porque ainda será vestido? É que a vestimenta vai ser resposta natural da misericórdia divina ao modo de vida implementado.

Percebeu? Pense comigo, o vestido é resultante da irradiação intrínseca da pessoa, certo? No entanto, esse vestido, por mais claro que ele possa ser, sempre está em constante reformulação. E quando projetamos a nossa busca com base no conhecimento, em cima do valor informativo, nós nos envolvemos inicialmente em vestes que não contém uma tessitura, que não apresentam uma estrutura definida, e que pode vir a romper-se a qualquer momento.

É algo pra se ter em conta, porque o vestido, com legitimidade, ele é decorrente do que se irradia, do que se faz, e não daquilo que se recebe. Em outras palavras, será vestido de vestes brancas aquele que vencer na grande luta entre o plano informativo e o plano operacional. Deu uma ideia agora? Vestes brancas é uma referência à aquisição da irradiação com um novo tecido, fundamentado na harmonia, no conhecimento e, acima de tudo, na prática. E para isso não pode ser negligenciada em tempo algum a questão da vigilância.

"Andarão comigo". Não há dúvida que isso define a manifestação operacional, afinal, ninguém anda parado. Andar é movimentar, é dinamizar. Quem está com Jesus não pode estacionar, não pode se acomodar. O verbo é claro nesse sentido: "andarão comigo". Quer dizer, movimentação, Jesus com Deus operando, e nós com o Cristo realizando. Assim, aquele religioso que estiver pensando num lugar acomodatício no céu precisa ler mais, precisa entender mais e buscar rever os seus conceitos. Alterar a sua concepção, porque andar significa movimentar-se. E bonito é que enquanto a criatura estiver nesse movimento ela vai estar acompanhada dessa veste branca. Ela vai sendo guindada a possibilidades maiores na medida em que vai operando. E nos degraus seguintes ela já se apresenta com uma expressão mais clarificada. E mais ainda, percebe que o próprio degrau que vai sendo alcançado, pela subida, é que vai garantindo essa brancura ao nível de uma expressão irradiada de dentro para fora, e não de um processo extrínseco de fora para dentro.

Um comentário:

  1. As perguntas que irei fazer não tem nada a ver com o assunto do texto, mas gostaria de lhe pedir, por gentileza que respondesse.

    Se uma pessoa aceitar Jesus como seu Senhor e Salvador e depois frequentar a Igreja Mormon ou Católica ou mesmo o candomblé, por exemplo, ela perderá a salvação?

    O cantor Edson Cordeiro foi evangélico dos 06 aos 16 anos e saiu da igreja, pois o pastor queria ter relacionamentos íntimos com ele. Hoje, ele vive plenamente a sua homossexualidade. Ele perdeu sua salvação?

    Atenciosamente,

    Marcos

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