26 de jun de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 1

O DILÚVIO

“PORQUE EIS QUE EU TRAGO UM DILÚVIO DE ÁGUAS SOBRE A TERRA, PARA DESFAZER TODA A CARNE EM QUE HÁ ESPÍRITO DE VIDA DEBAIXO DOS CÉUS; TUDO O QUE HÁ NA TERRA EXPIARÁ.” GÊNESE 6:17  

“PORQUE, PASSADOS AINDA SETE DIAS, FAREI CHOVER SOBRA A TERRA QUARENTA DIAS E QUARENTA NOITES; E DESFAREI DE SOBRE A FACE DA TERRA TODA A SUBSTÂNCIA QUE FIZ.” GÊNESE 7:4

Até certo tempo atrás ouvia-se nos noticiários televisivos sobre determinadas equipes de cientistas empenhadas em localizar restos da arca, inclusive com indagações acerca da localização de seus possíveis fragmentos. E a ciência vez por outra discute com a religião como coube tanto animal dentro dela e ela não afundou.

Ora, não estamos aqui para analisar o aspecto literal da questão, a arca de Noé para nós não possui uma época determinada. É de conhecimento generalizado que vivemos momentos de muitas dores e aflição, onde todas as áreas estão visitadas por múltiplas dificuldades. De certa forma, todos nós vivemos períodos de verdadeiro dilúvio ao longo de nossa existência, não é mesmo?

Será que alguém tem alguma dúvida disso? O que observamos é que pode não haver uma gota d'água sequer, mas a chuva está caindo na vida de cada um de nós.

Para se ter ideia, nessa época em que vivemos é muito difícil encontrarmos um lar que se encontre alicerçado sob a mais absoluta harmonia, e mesmo que esse exista se o analisarmos de forma mais atenciosa encontraremos em sua intimidade pelo menos alguém mergulhado em algum tipo de sofrimento.

O dilúvio expressa uma caída de águas torrenciais. E a água vai subindo, inúmeros côvados acima dos picos mais elevados. E o interessante disso é que o dilúvio não faz o papel de destruidor da humanidade como se pensa, mas de limpeza, como se suas águas tivessem exatamente essa função. E observamos que atrás disso vigora uma chamada à atenção e à responsabilidade, um chamado amplo ao redirecionamento do próprio destino em novas bases.

Então, esses acontecimentos menos felizes que chegam não visam propriamente destruir por capricho divino, esses acontecimentos mais retumbantes fazem aquele papel de saneamento e de instauração de um novo grau consciencial na individualidade. É assim que nós temos aprendido.

A mensagem que nos interessa fala da necessidade de solidificarmos e equilibramos a nossa arca interior. Veja o seguinte, o dilúvio nada mais é que um período de transição, certo? É um momento de transição, nossa luta do dia a dia onde está caindo água para todo lado. E nós sabemos com tranquilidade que as dificuldades que nos chegam são decorrentes das sementes lançadas lá atrás.

Agora, dentro da arca, uma vez protegidos, nossa intimidade psíquica, com seus três andares (subconsciente, supraconsciente e superconsciente), essas águas fazem o quê? Elas visam a projetar o indivíduo para a cima, porque a arca sobe com a subida do nível das águas. Deu uma ideia? As dores, a inquietude e a frustração fazem exatamente isso, visam despertar a consciência de forma a projetá-la e lançá-la para novas bases, para os valores superiores da vida mental. E a existência digna implica em uma mentalidade diferenciada, razão pela qual precisamos saber manter as linhas de segurança operacionais.

"Porque eis que eu trago um dilúvio de águas sobre a terra, para desfazer toda a carne em que há espírito de vida debaixo dos céus; tudo o que há na terra expiará." (Gênese 6:17) "Porque, passados ainda sete dias, farei chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites; e desfarei de sobre a face da terra toda a substância que fiz." (Gênese 7:4) Nesses dois versículos mencionados o que vai nos interessar por agora é o verbo desfazer. Vamos reparar que o desfazer tem o sentido de refazer, ou seja, tornar a fazer, uma vez que só se desfaz fazendo novamente em novo parâmetro, ou melhor, refazendo. Percebeu?

Só se pode desfazer o que já foi feito. Nessa hora está sendo levada a efeito a proposta de destruir ou desfazer os elementos corporificados no planeta. E como há um processo constante atuando sempre, o desfazer significa refazer e refazer significa o ato de fazer à frente. O desfazer tem esse sentido de desagregar.

É por isso que vigoram duas leis concomitantes e integrantes na estrutura de todo universo: a lei de destruição e a lei de conservação. Isto é, temos que fazer de tudo para conservar o que temos, mas sabendo que a evolução sempre pressupõe uma destruição anterior. A própria ressurreição é decorrente da morte.

E voltando ao desfazer vamos notar que entre a promessa e o cumprimento vigora uma expectativa, e tantas vezes os fatos se desenvolvem de tal forma que não é preciso a derrubada. Como aconteceu na cidade de Nínive, que ia ser assolada e Jonas fez a pregação pedindo ao povo que segurasse as pontas, que iria vir chumbo grosso e acabar com toda a cidade. O que aconteceu? A população resolveu tomar uma posição ativa, fez penitência e a cidade não foi destruída.

Dá para reparar que o fato de muitas pessoas buscarem os padrões espirituais, buscarem conhecimentos substanciais para o auxílio na caminhada reflete exatamente isso, a busca de meios eficazes que nos permitam administrar de forma satisfatória os dilúvios a que todos nós estamos sujeitos na caminhada. 

Precisamos refazer a jornada e nos esforçar cada vez mais para desenvolver o equilíbrio necessário a fim de não sermos levados pelas torrentes dos acontecimentos que defrontamos, onde muitos não resistem, se entregam e, às vezes, não suportando o peso das adversidades se atiram nos abismos do suicídio.

20 de jun de 2014

Cap 43 - Os Vestidos e os Panos - Parte 9 (Final)

DAR O PANO, NÃO A CAMISA

“E DEU À LUZ A SEU FILHO PRIMOGÊNITO, E ENVOLVEU-O EM PANOS, E DEITOU-O NUMA MANJEDOURA, PORQUE NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES NA ESTALAGEM.” LUCAS 2:7

É comum nós elegermos uma forma de ser, uma maneira de ver o mundo, os fatos, as pessoas e querer que todo mundo se ajuste a essa nossa ótica.

É algo bem desagradável, mas acontece. Vez por outra fazemos de tudo para curvar e subjugar os outros em nome de uma ótica que eles não tem ainda.

Esse é um grande problema e aí o negócio se fecha, porque a gente usa vara, usa chibata, usa uma série de estratégias buscando converter as pessoas na marra. 

E, às vezes, o que é pior, converter para depois ter que desconverter no futuro. Isso mesmo, porque para início de conversa quem quer converter na imposição não está em uma posição de verdadeiro equilíbrio. Será que deu para entender? Nós tentamos converter com a nossa ótica distorcida e limitada e depois, lá na frente, verificamos que muita coisa ficou complicada. Então, deixamos aqui um recado para cada um de nós: quando alguém passar ou cruzar pelo nosso caminho não é para ele ser fabricado um elemento ao nosso jeito, não. Nós temos que aprender isso, pois existe muita gente que quer fabricar o outro ao seu jeito. A posição de cada qual sempre vai depender de cada qual.

É atrás dessa busca de querer que as pessoas nos entendam e adotem as posições que nós adotamos, que tantas vezes nos tornamos pessoas antipáticas.

Sem contar que ninguém gosta daquele que se acha dono da verdade, independente de qual seja o assunto. Até mesmo no aspecto ajudar, que é a proposta que estamos elegendo, a questão não é sair pregando pro mundo, mas ajudar na órbita em que estamos posicionados. Precisamos cultivar uma dose de compreensão acerca das pessoas e respeitar as opiniões e escolhas delas, por mais diversas que sejam das nossas. Muitas vezes ficamos num plano de insistência tal no que reporta a uma filosofia ou conceito, querendo que os outros adotem o que adotamos, fruto da nossa emoção exacerbada, que acontece até da gente acionar uma raiva grande do outro com relação a nossa pessoa. 

Passamos a nos tornar uma pessoa chata, desagradável, cansativa, ao insistir para que o outro nos entenda, aceite e viva segundo aquilo que achamos que é o melhor, aquilo que aprendemos e consideramos para nós que é o melhor. Com isso, várias pessoas que poderiam somar no nosso círculo de relação ficam com raiva da gente, raiva essa que pode não ser objetivamente demonstrada, mas exteriorizada de uma forma camuflada, ressentida. Assim, tantos relacionamentos que poderiam seguir um curso satisfatório se complicam.

Quando o assunto é espiritualidade não tem como sufocar o indivíduo, querer injetar nele certo conhecimento de maneira irreverente, forçada. Todas as vezes que isso acontece normalmente dá-se uma complicação. Vamos analisar que quem está aprendendo e se interessando pelo estudo do evangelho somos nós, seja por necessidade ou por ideal interior. Agora, no que reporta aos outros, o que necessitam é ter estímulo com base no nosso exemplo, e nossa palavra amiga como ponto de incentivo para a proposta de modificação e redirecionamento.

Se vida é um processo de eleição pessoal, e sempre falamos isso, cada qual elege os tipos de experiência em que se propõe estagiar, de modo que nessa ou naquela fase da evolução discórdia e tranquilidade, ação e preguiça, erro e corrigenda, débito e resgate são frutos naturais da nossa própria escolha. E quem de nós pode afirmar, com absoluta certeza, que a nossa ótica e a nossa maneira de ser seja a melhor para o outro? Jesus disse "conhecereis a verdade e a verdade vos libertará", todavia ele não designou lugar, não traçou condições, não especificou roteiros nem definiu tempo. Prometeu apenas o conhecimento à verdade e para o acesso à verdade nós sabemos muito bem que cada um tem o seu dia. Cada qual vai ter o seu momento, a emancipação íntima surgirá para a consciência à medida que a consciência se dispuser a buscá-la.

Às vezes, a terapia que estipulamos ao outro não corresponde às suas necessidades.

Se nós estamos ingerindo conhecimentos não temos que ficar enquadrando as pessoas, os que estão à nossa volta, na mesma gama que nos visita o entendimento hoje. Não vamos intentar constranger o próximo a ler a cartilha da realidade pelos nossos olhos, nem interpretar as lições do cotidiano com a cabeça que nos pertence. Isso acontece demais. O certo é orientar o próximo, envolvendo-o com panos para que ele próprio possa organizar a sua cobertura. Mas não, geralmente nós queremos é envolver a nossa blusa nele. Percebeu o sentido?

Em tantas situações nós não queremos dar o pano, e sim a nossa camisa, a nossa camisa bonitinha dentro daquele padrão certinho, número 3 ou número 5. Dar a nossa camisa é dar a nossa medida fechada, pronta. Queremos dar a nossa própria concepção, pois nos consideramos no direito de achar que o que é conveniente para nós é também conveniente para os outros. Queremos vestir a nossa roupa no semelhante que não cabe nele de jeito nenhum, porque cada individualidade apresenta uma estatura diferenciada no plano evolucional.

Nossos legítimos expoentes da orientação não nos vestem conceitos de maneira drástica, afinal quem ama sabe que não pode torpedear a mecânica de vida de ninguém. É preciso entender que ao nascer Jesus foi envolvido por pano, e isso é algo da maior importância. Vamos auxiliar dando o pano, não a camisa. Ficou claro? Vamos dar ao próximo o pano, não a nossa medida fechada.

Temos que ter essa noção. Na medida em que conseguimos auxiliar alguém nesse processo de envolver com carinho nós estamos, por nossa vez, criando a nossa veste irradiante de dentro para fora. Envolver em panos não é vestir a minha blusa ou minha camisa no que chega. O que acontece quando envolvemos algo em pano? O pano passa a obter a forma do objeto que envolve.

A gente envolve o que chega em panos porque o próprio corpo dele dá a forma. Entregamos o pano e ele reveste, o corpo do que envolvemos dá forma ao conteúdo, ao conhecimento.

11 de jun de 2014

Cap 43 - Os Vestidos e os Panos (2ª edição) - Parte 8

NÃO DESPREZE O PEQUENINO

“E QUALQUER QUE RECEBER EM MEU NOME UM MENINO, TAL COMO ESTE, A MIM ME RECEBE.” MATEUS 18:5  

“E, RESPONDENDO O REI, LHES DIRÁ: EM VERDADE VOS DIGO QUE QUANDO O FIZESTES A UM DESTES MEUS PEQUENINOS IRMÃOS, A MIM O FIZESTES.” MATEUS 25:40

“VEDE, NÃO DESPREZEIS ALGUM DESTES PEQUENINOS, PORQUE EU VOS DIGO QUE OS SEUS ANJOS NOS CÉUS SEMPRE VÊEM A FACE DE MEU PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS.” MATEUS 18:10  

Nós não crescemos sozinhos. Isso tem que ser levado em conta. Sozinho a gente não vai a lugar nenhum. Pode em alguns momentos até achar que vai, mas não vai!

Mais cedo ou mais tarde a própria realidade da vida acaba por provar que não vai. E essa mesma realidade constantemente demonstra, de forma irrefutável, que uma série de fatos e situações, que às vezes nós tínhamos como concepção de sucesso e conquista, pela nossa ótica distorcida e acanhada, não passaram de mera ilusão. Então, vamos guardar conoso o seguinte: Deus nos espera nos outros. Mas também não quer dizer que temos que sair por aí afora procurando os outros não, os outros invariavelmente chegam à nossa porta toda hora.

Queiramos admitir, ou não, diante da grandeza de Deus somos os seus instrumentos, somos a sua mão. Quem tem que operar em nome do criador somos nós mesmos, os espíritos encarnados e desencarnados. Acontece que no plano filosófico e teórico o Cristo é a eleição íntima nossa de mudar de vida, não é isso? Todavia, no plano de praticidade, no campo operacional, ele não está dentro de nós, está na pessoa do que chega perto de nós, está no nosso próximo.

De forma que o necessitado é Jesus personificado à nossa frente. Esse que é envolvido em panos é o que chega e nós temos que envolvê-lo nas melhores de nossas vibrações. O que chega é o indutor do chamamento, a proposta da segunda vinda do Cristo vem na figura do necessitado, ela corresponde ao ressurgimento dele em espírito e vida, vem dentro de nós atendendo o semelhante.

Cada chamamento que recebemos para atender alguém em necessidade, cada chamado do outro, seja pessoalmente, por telefone, interfone ou qualquer outro meio, cada acontecimento que requer nosso auxílio sugere um tipo específico de carência por parte daqueles com quem vamos ter que lidar a curto, médio ou longo prazo na extensão da tarefa que nos compete e da qual não poderemos nos esquivar indefinidamente. Embora de forma ligeira, cada fato assim representa um reflexo muito próximo daquilo que a gente vai ter que lidar no futuro na nossa ação prática, e hoje essas situações estão chegando ao nosso quadro de atuação como acontecimentos emergentes para a nossa aprendizagem. Esses valores todos são lições vivas de forma a possibilitar a abertura do coração para a responsabilidade diante da tarefa que nos compete.

A oportunidade real surge quando a gente menos espera. O momento culminante de um dia nosso pode ter sido, por exemplo, quando o telefone tocou em certo horário e a gente atendeu nervoso, achando ruim: "Puxa, logo agora que eu estou saindo essa porcaria de telefone toca!" Entendeu o que eu quero dizer?

Não podemos esquecer de uma coisa, as oportunidades não vem na hora em que a gente está ocioso. "Ah! Marco Antônio disse que eu tenho que atender o pequenino, que ele chega bem à nossa porta. Já coloquei a cadeira aqui no portão. Estou aqui sentado aguardando. Onde é que está o pequenino?" Não adianta. Não é assim que se dá. Aí você pode ficar e ficar que o pequenino não aparece.

E tem outra, é no tumulto que esse pequenino aparece e que as oportunidades surgem.

Mas para nós que continuamos frágeis, cheios de sistematização, cheios de regras, cheios de complicação e de coisinhas, acabamos por perder tantas chances que chegam disfarçadas e não nos atentamos a elas. Acontece de demorar mesmo para a gente entender o mecanismo da vida. Mas o que fica de interessante nessa mensagem é a atenção que devemos ter, o grau de maleabilidade no campo perceptivo que precisamos manter, uma sensibilidade mais ampla.

E não desmereça e nem destrate quem quer que seja. Também jamais prescinda da compreensão ante os que se desviam do caminho reto. A estrada percorrida pelo homem experiente constantemente está cheia de crianças dessa natureza.

Deus cerca os passos do sábio com expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e que essa mesma luz seja glorificada. E nesse intercâmbio praticamente divino o ignorante aprende e o sábio cresce. Sem contar que a criatura que hoje se reergue com a tua fração de amor pode ser o que te vai solucionar as necessidades amanhã. A gente o tempo todo é aferido sabe em quê? É aferido na paciência, na determinação, na decisão que temos que tomar, na resposta que damos, entre tantas outras situações. Temos que temperar em muitas ocasiões ao nível da justiça para exercitarmos ao nível do amor.

Em tantas ocasiões o pedinte é o necessitado que vai acionar em nós a força da caridade.

A gente acha ruim, rejeita o chamado, mas ele é o elemento encaminhado à nossa sensibilização. Muitas vezes queremos afastar o complicado do nosso caminho, e quando em contato com ele queremos confrontá-lo, mas é comum ele estar sendo colocado em contato conosco para ativar em nós certas posturas positivas.

Jesus orienta a gente a não desprezar o pequenino. Sabe porquê? Porque ele é a oportunidade do nosso crescimento, é a chance da nossa redenção. É importante não desprezarmos esse pequenino porque do contrário a chance veio e nós não soubemos aproveitá-la. E, às vezes, ela nem volta nessa encarnação mais.

Pense nisso com carinho. Quando desprezamos o pequenino, que diante de nós representa uma criatura que poderia receber para crescer, e nós tínhamos os componentes para lhe oferecer, aí perdeu-se a oportunidade da experiência, do testemunho e da prova.

8 de jun de 2014

Cap 43 - Os Vestidos e os Panos (2ª edição) - Parte 7

ENVOLVENDO EM PANOS

“1NAQUELA MESMA HORA CHEGARAM OS DISCÍPULOS AO PÉ DE JESUS, DIZENDO: QUEM É O MAIOR NO REINO DOS CÉUS? 2E JESUS, CHAMANDO UM MENINO, O PÔS NO MEIO DELES, 3E DISSE: EM VERDADE VOS DIGO QUE, SE NÃO VOS CONVERTERDES E NÃO VOS FIZERDES COMO MENINOS, DE MODO ALGUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS. 4PORTANTO, AQUELE QUE SE TORNAR HUMILDE COMO ESTE MENINO, ESSE É O MAIOR NO REINO DOS CÉUS. 5E QUALQUER QUE RECEBER EM MEU NOME UM MENINO, TAL COMO ESTE, A MIM ME RECEBE.” MATEUS 18:1-5 

“E, RESPONDENDO O REI, LHES DIRÁ: EM VERDADE VOS DIGO QUE QUANDO O FIZESTES A UM DESTES MEUS PEQUENINOS IRMÃOS, A MIM O FIZESTES.” MATEUS 25:40

Em certa ocasião, quando indagado sobre quem é maior no reino dos céus, Jesus colocou um menino no meio. "Naquela mesma hora chegaram os discípulos ao pé de Jesus, dizendo: quem é o maior no reino dos céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles, e disse: em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus." (Mateus 18:1-3)

O relato está no evangelho de Mateus e para nós agora importa saber que se ele pôs um menino é porque menino tem grande representatividade evangélica, tem alta significância, tem sentido muito peculiar. E interessante é o fato de que ele não o colocou em qualquer lugar, colocou no meio, e colocar no meio é colocar no centro, porque meio é centro. Meio é equilíbrio, define posição de destaque, é um ponto de referência para todos os demais ângulos, logo o menino no meio tem um significado de destaque. E essa passagem em especial nos aponta a beleza de todo o sistema montado, ou seja, os discípulos aos pés de Jesus reconhecendo a sua autoridade maior e Jesus apresentando o menino que era o menor dentre eles. De forma que se a criatura olha para cima vê o amparo e se olha para baixo vê o necessitado de valores para crescer.

Jesus disse também: "qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe" (Mateus 18:5) e "quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" (Mateus 25:40). Então, para início de conversa vamos entender que se somos todos crianças no entendimento, menino aqui diz respeito à estrutura formativa ética e moral. Se menino, na essencialidade, tem relação estreita com a humildade, o menino ou pequenino aqui tem sentido um pouco diferente da humildade, ele representa aquele que é carente.

O menino "tal como este" é aquele que apresenta por uma ótica, por uma certa linha perceptiva, que ele é uma criatura destituída de tal ou qual situação.

Pode ser o ignorante sem instruções, o deprimido sequioso de esclarecimento e amparo ou o doente precisando de saúde. Percebeu o sentido? Ele é pequenino perante aquele que apresenta uma dose de valores mínimos indispensáveis que podem lhe atender. Isso precisa ser entendido, porque o pobre é aquele que se identifica carente, como a criança também o é. O pequenino é aquele que em determinado ângulo de sua experiência ele tem ânsia de crescer, é o que está predisposto a um processo de crescimento e está faltando quem possa ajudá-lo. Ele se encontra nas posições mais variadas que estejam vinculadas à nossa possibilidade de auxiliar e que nós temos responsabilidade de ajudá-lo.

A princípio, nossa percepção acerca da necessidade alheia é muito periférica, mantemos ainda uma ótica de acentuada expressão exterior. Para nós, carente é aquele que está precisando de roupa, precisando de comida, precisando disso, precisando daquilo. É óbvio que não temos que deixar essa percepção exterior se perder, porém, são variáveis os pontos de carência e necessidade do ser.

É o pequenino que quer alfabetizar-se, que quer ter conhecimento da realidade espiritual, é o pequenino que quer almoçar, que está com fome, precisando de uma palavra de reconforto, que está precisando de uma dose de esperança. Pra ser ter ideia, nem todos os desabrigados se classificam entre os que jornadeiam sem teto, e aqui e ali constantemente surpreendemos os que vagueiam deserdados de apoio e convivência, de modo que a escala de pequeninos vai ao infinito.

Existem aqueles que se mostram ostensivamente aos nossos olhos, quer dizer, a própria realidade exterior da individualidade fala por si, e outros tantos que reconhecemos pela nossa intuição. E onde costuma estar cheio de pequeninos é dentro de casa. Costuma ter três, quatro, cinco ou seis, cada um do seu jeito. E quando a gente começa a procurar os pequeninos dentro de casa já é um grande sinal, porque ao procurá-los nós estamos tentando identificar dentro de nós mesmos o que temos para lhes oferecer, de modo que cresçam.

O fundamental é que não basta um diagnóstico apenas. Ou seja, à vista da misericórdia divina o carente é menino que nós temos que recebê-lo e o nosso envolvimento vibratório a ele representa esses panos. Ficou claro? Da mesma forma que Maria envolveu seu filho primogênito que chegou lá atrás em panos, ao deitá-lo na manjedoura, Ele continua chegando até nós nos dias de hoje. Continua chegando. E é preciso que tenhamos essa capacidade e interesse de envolvê-lo em panos para que ele possa crescer objetiva e subjetivamente na nossa própria concepção de vida. Esse ensinamento é de uma beleza sem tamanho. E é claro que nesse envolvimento estamos falando muito mais de sentimento, de vibrações positivas, do que de uma colocação puramente racional.

Não existem desculpas. Ninguém há que não possa auxiliar alguém estendendo o agasalho da simpatia pelos fios do coração. Todos nós, sem exceção, conseguimos descerrar as portas da alma e oferecer acolhimento moral. Em relação a isso não te digas inútil nem te afirme incapaz. Esse chamado vale não apenas em relação àquele elemento isolado que podemos estar lutando por ele, mas em todo campo de abrangência. Quer dizer, vamos estendê-lo ao animal, à planta, aos seres humanos, por mais complicados e mais difíceis que sejam.

Vale para todos os seres que  transitarem em nossa órbita, considerando-os sempre como componentes que podem receber carinho de nossa parte. Será que deu para ficar claro? Para que eles, por sua vez, mantenham a marcha de ascensão.

Pense no seguinte: o necessitado, o faminto é Jesus personificado à nossa frente.

Sem exagero algum, o sofredor, seja esse ou aquele, é invariavelmente a imagem viva de Jesus Cristo, constitui a única imagem real que dele existe na Terra, a única digna de culto e reverência dos verdadeiros cristãos, pois é a que envolve, sob os mais vários aspectos, o ideal de amor que o Cristo personifica.

Portanto, quantas vezes se nos deparar o humilde perseguido e sofrido à nossa frente defendamo-lo, pois é Jesus disfarçado. Quando virmos o órfão abandonado, sem pão, sem família, sem lar, sujo e faminto, amparemo-lo sem perda de tempo, esse órfão é Jesus que veladamente nos procura. Quando ao nosso lado se apresentar a velhice, frágil e desalentada, sem arrimo e sem esperança, cumpre acolhê-la, cercando-a dos devidos cuidados, pois é o mesmo Jesus que bate às nossas portas.

E como fazer para dar o devido atendimento? Só tem um jeito, eu tenho que me tornar humilde. Porque se eu não me tornar humilde eu não vou ter a mínima condição de poder envolvê-lo em panos. Sem humildade eu não vou conseguir identificar o menino nem me sensibilizar com a sua necessidade. Sem humildade eu não tenho como receber e envolver a criatura que pode ter trinta, quarenta, cinquenta, sessenta ou oitenta anos de idade. Porque nós ficamos muito bitolados achando que menino é criança e que tem só até sete anos de idade, e isso não pode aparecer no evangelho. Dessa forma, todo aquele que consegue fazer-se menino essa criatura já está no cultivo da humildade, já está na prática do apequenar-se. Queremos receber o Cristo? Queremos envolver em panos? Precisamos, primeiro, nos fazer humildes, humildes como aquele menino ("E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles, e disse: em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus." Mateus 18:2-3)

4 de jun de 2014

Cap 43 - Os Vestidos e os Panos (2ª edição) - Parte 6

OS PANOS

“E DEU À LUZ A SEU FILHO PRIMOGÊNITO, E ENVOLVEU-O EM PANOS, E DEITOU-O NUMA MANJEDOURA, PORQUE NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES NA ESTALAGEM.” LUCAS 2:7

À época da união entre José e Maria, pais de Jesus, o imperador César Augustus decretou que todos os habitantes do império romano fossem contados. Ele determinou a realização de um censo visando uma cobrança mais eficiente dos impostos. E os judeus, que sempre tiveram certa resistência contra qualquer tentativa de enumerar o povo, somada às próprias dificuldades internas deles com Herodes, o rei da Judéia, de certa forma adiaram a realização desse intento.

Assim, o censo, que foi realizado em todo o império romano, foi efetuado um ano mais tarde na Palestina. Não era necessário que Maria fosse a Belém satisfazer esse registro, José estava autorizado a fazê-lo por toda sua família, no entanto Maria resolveu acompanhá-lo. Primeiro, porque temia que deixada sozinha, a criança, que estava por nascer, nascesse enquanto José estava ausente e, segundo, porque Belém não sendo longe da cidade de Judá ela poderia visitar Isabel.

"E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem." (Lucas 2:7) Vida nós todos sabemos que é um processo de eleição pessoal, logo, cada individualidade tem a atmosfera que representa a soma imensa de suas emoções, de seus estímulos e interesses que norteiam a caminhada rumo à evolução.

A estrebaria vem definir onde se dá o nascimento da estrutura crística dentro de nós, que se dá à margem do contexto principal onde orbitam nossos valores prioritários. "Não havia lugar para eles na estalagem" porque dentro do sistema de vida que elegemos não existe espaço para o seu nascimento no plano central de nossas atenções. Tanto é assim que geralmente não buscamos inicialmente o Cristo por espontaneidade legítima, e sim para ficarmos livres de determinadas situações que nos infelicitam. Ele não nasce no centro de nossa vida mental, mas em um local distanciado, e mesmo assim tem que correr com ele pra lá e pra cá, pois querem atentar contra a vida do menino. Isso mesmo, os nossos valores de retaguarda querem a todo custo abortar esse nascimento. Pelo seu crescimento em nós é que permitimos que ele adentre nas províncias da nossa intimidade e realize as obras de uma vida voltada à redenção.

Ao nascer Jesus é colocado na manjedoura, que é um berço simples, afinal a simplicidade é o que caracteriza o símbolo da manjedoura e da estrebaria. Agora, mais do que símbolo da humildade a manjedoura indica capacidade de doação do ser. Já pensou nisso? Se estrebaria define onde esse nascimento se processa a manjedoura aponta a sua finalidade. Vem mostrar a que se destina a chegada do Cristo em nós, porque o evangelho só é importante para quem quer fazer. Ele é um código moral que se instaura na intimidade do ser predispondo-o a um trabalho em favor dos que se encontram em dificuldade maior. E manjedoura é um tabuleiro, consiste no lugar onde se põe alimento, onde se deposita a comida para os animais da estrebaria. E Ele é a videira e o pão da vida.

O evangelho nos diz que Jesus foi envolvido em panos ao nascer, que Maria envolveu o menino em panos. Ora, existe um ensinamento da maior grandeza aí. Um ensinamento e, ao mesmo tempo, um chamamento à nossa capacidade de doação.

Porque pano é um tecido, não é? E o tecido é resultante de quê? É resultante do entrelaçamento de fios, de forma que os fios são os componentes que vão originar, pelos seus entrelaçamentos, pela sua união, o tecido. E se estamos aqui falando em fios, na acepção espiritual, esses fios constituem a representação das nossas vibrações. Em suma, fios dizem respeito às nossas vibrações. Ao falarmos em panos podemos fazer a interpretação com as nossas vibrações.

E veja comigo o seguinte. Jesus ao chegar aqui no planeta foi envolvido em panos. Tudo bem, até aí? Agora, também temos que notar que no advento dele, isto é, no retorno dele hoje, na atualidade do mundo, ele está chegando como? Já pensou nisso? Ele está chegando na pessoa daqueles que nos procuram. Não apenas chegando nos ambientes circunscritos das religiões, mas chegando nos consultórios, nos gabinetes dos dirigentes, nas oficinas e escritórios de trabalho, nos terrenos mais amplos da coletividade, na intimidade dos lares, às vezes dentro de um ônibus, de um metrô. Percebeu? E nós estamos aqui estudando o evangelho para quê? Estamos ingerindo orientações na busca da formação do crescimento consciente, tentando incorporar aquela posição segura de receber alguém em nome do Cristo, porque veremos a seguir que Ele mesmo disse que quem recebe um pequenino a Ele recebe.

Então, daí nós vamos concluir que envolver em panos é envolver os corações que se aproximam de nós, sejam eles simpáticos ou menos simpáticos, agradáveis ou não. É envolvê-los sempre no tecido que representa a soma, que representa aqueles vários fios da nossa vibração amiga de entendimento e compreensão, porque é a partir desse entendimento e dessa compreensão que vamos conseguindo laborar as bases firmes e inarredáveis do amor que Ele nos trouxe. 

Significa, em outras palavras, que quando chegar alguém em nossa porta ou em nossa órbita de ação o recado é um só: envolvê-lo em panos, em nossas melhores vibrações possíveis, vibrações positivas de natureza acolhedora e protetora.

1 de jun de 2014

Cap 43 - Os Vestidos e os Panos (2ª edição) - Parte 5

A DIGNIDADE E A CONQUISTA

“MAS TAMBÉM TENS EM SARDES ALGUMAS PESSOAS QUE NÃO CONTAMINARAM SUAS VESTES, E COMIGO ANDARÃO DE BRANCO; PORQUANTO SÃO DIGNAS DISSO.” APOCALIPSE 3:4

"O que vencer será vestido de vestes brancas". O tempo do verbo é esse mesmo, será vestido, no futuro. E o agente que opera essa vestimenta parece ser o próprio Cristo.

É ele que vai nos vestir com um vestido branco, embora nós ainda não tenhamos a posse de um vestido dessa natureza. E o que garante a harmonia no degrau em que nos situamos é exatamente a ação crística que trazemos conosco e que nos confere atuar com ela até onde o nosso grau de conhecimento e de impedimento da vida permite. De forma que vamos ter tranquilidade e também saber nos posicionar nessa faixa específica em que nos é competente, dando continuadamente o nosso melhor.

E serão vestidas porque "são dignas disso". A sagrada escritura define que independente do vestido que tivermos ser um vestido verde, azul, amarelo ou cor de rosa, porque cada um tem o seu vestido específico e se encontra na sua faixa, se nós tivermos um plano de dignidade, essa dignidade é que vai conferir esse presente de ser vestido de branco pelo Cristo íntimo que vigora em cada um.

Somos vestidos à partir do momento que nos colocamos num padrão de dignidade.

São dignas porque não se permitiram contaminar. Revela que os indivíduos, embora passando ou mergulhando em verdadeiro lamaçal de dificuldades na jornada, não foram suscetíveis nesse contágio. Daí a gente consegue concluir que com a qualidade das ações existe a dignidade e essa dignidade é relativa ao plano em que estamos ou conquistamos. E em qualquer degrau da vida em que estivermos o importante é que consigamos manter esse nível de dignidade, porque essa dignidade é que nos faz feliz, é ela que nos recompensa. Por ela conseguimos vencer a luta entre o que sabemos e que o precisamos fazer.

A verdadeira dignidade não está baseada nas conceituações, não está nas projeções da mente no seu sentido teórico. Quando dizemos que uma pessoa é digna, ela não é digna por aquilo que falam dela, mas por aquilo que temos conhecimento que ela faz. Então, é necessário o conhecimento da experiência do outro para se fazer um diagnóstico correto se o indivíduo tem dignidade ou não tem.

Em outras palavras, alguém é digno em função daquilo que já foi constatado na sua linha experimental, e não somente por uma soma de conceitos teóricos. A expressão de vivência é que define essa dignidade, é digno com base na experiência vivenciada, experiência às vezes conquistada em longos anos de vida.

A dignidade, no campo das aspirações superiores, apresenta embasamento no campo prático do piso, por isso vamos encontrá-la consolidada no momento em que se expressa como algo realizado. Para recolher o melhor é necessário ter dignidade, e digno de receber é aquele que no plano aplicativo da vida ele está doando, ele está oferecendo algo da faixa em que se encontra para baixo. 

O que precisa ser entendido é que a individualidade recebe invariavelmente em função da sua dignidade e a dignidade não se embasa em cima dos bons propósitos. Os bons propósitos são consolidados na capacidade operacional de amor que já temos.

É por isso que a oração não pode em tempo algum estar dissociada do trabalho. Entre aquilo que se pede na oração e o que a individualidade quer receber existe o componente chamado dignidade. E é preciso estar com essa linha definida.

Existe uma dignidade que abre condições, ou não, para que a gente possa investir em determinada atividade, em determinada área, e também receber. E a dignidade, ao nível do crescimento real em sentido espiritual, depende das legítimas disposições interiores do ser. Ela não é só uma postura mental enfocando certa área para que a gente receba, ela é alguma coisa que se relaciona com o plano de nossas ações. Quando o evangelho de nosso Senhor propõe na prece do pai nosso que "seja feita a vossa vontade" está nos ensinando que a forma de garantir padrões de equilíbrio vai depender muito da linha de perfeita interação entre os padrões que já detemos ao nível de conhecimento e os planos operacionais que adotamos em cada instante da jornada.

É por essa interação que o equilíbrio se instaura. E não basta alcançar a dignidade, o que foi considerado digno precisa manter essa dignidade na faixa aplicativa de cada instante.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...