11 de jun de 2014

Cap 43 - Os Vestidos e os Panos (2ª edição) - Parte 8

NÃO DESPREZE O PEQUENINO

“E QUALQUER QUE RECEBER EM MEU NOME UM MENINO, TAL COMO ESTE, A MIM ME RECEBE.” MATEUS 18:5  

“E, RESPONDENDO O REI, LHES DIRÁ: EM VERDADE VOS DIGO QUE QUANDO O FIZESTES A UM DESTES MEUS PEQUENINOS IRMÃOS, A MIM O FIZESTES.” MATEUS 25:40

“VEDE, NÃO DESPREZEIS ALGUM DESTES PEQUENINOS, PORQUE EU VOS DIGO QUE OS SEUS ANJOS NOS CÉUS SEMPRE VÊEM A FACE DE MEU PAI QUE ESTÁ NOS CÉUS.” MATEUS 18:10  

Nós não crescemos sozinhos. Isso tem que ser levado em conta. Sozinho a gente não vai a lugar nenhum. Pode em alguns momentos até achar que vai, mas não vai!

Mais cedo ou mais tarde a própria realidade da vida acaba por provar que não vai. E essa mesma realidade constantemente demonstra, de forma irrefutável, que uma série de fatos e situações, que às vezes nós tínhamos como concepção de sucesso e conquista, pela nossa ótica distorcida e acanhada, não passaram de mera ilusão. Então, vamos guardar conoso o seguinte: Deus nos espera nos outros. Mas também não quer dizer que temos que sair por aí afora procurando os outros não, os outros invariavelmente chegam à nossa porta toda hora.

Queiramos admitir, ou não, diante da grandeza de Deus somos os seus instrumentos, somos a sua mão. Quem tem que operar em nome do criador somos nós mesmos, os espíritos encarnados e desencarnados. Acontece que no plano filosófico e teórico o Cristo é a eleição íntima nossa de mudar de vida, não é isso? Todavia, no plano de praticidade, no campo operacional, ele não está dentro de nós, está na pessoa do que chega perto de nós, está no nosso próximo.

De forma que o necessitado é Jesus personificado à nossa frente. Esse que é envolvido em panos é o que chega e nós temos que envolvê-lo nas melhores de nossas vibrações. O que chega é o indutor do chamamento, a proposta da segunda vinda do Cristo vem na figura do necessitado, ela corresponde ao ressurgimento dele em espírito e vida, vem dentro de nós atendendo o semelhante.

Cada chamamento que recebemos para atender alguém em necessidade, cada chamado do outro, seja pessoalmente, por telefone, interfone ou qualquer outro meio, cada acontecimento que requer nosso auxílio sugere um tipo específico de carência por parte daqueles com quem vamos ter que lidar a curto, médio ou longo prazo na extensão da tarefa que nos compete e da qual não poderemos nos esquivar indefinidamente. Embora de forma ligeira, cada fato assim representa um reflexo muito próximo daquilo que a gente vai ter que lidar no futuro na nossa ação prática, e hoje essas situações estão chegando ao nosso quadro de atuação como acontecimentos emergentes para a nossa aprendizagem. Esses valores todos são lições vivas de forma a possibilitar a abertura do coração para a responsabilidade diante da tarefa que nos compete.

A oportunidade real surge quando a gente menos espera. O momento culminante de um dia nosso pode ter sido, por exemplo, quando o telefone tocou em certo horário e a gente atendeu nervoso, achando ruim: "Puxa, logo agora que eu estou saindo essa porcaria de telefone toca!" Entendeu o que eu quero dizer?

Não podemos esquecer de uma coisa, as oportunidades não vem na hora em que a gente está ocioso. "Ah! Marco Antônio disse que eu tenho que atender o pequenino, que ele chega bem à nossa porta. Já coloquei a cadeira aqui no portão. Estou aqui sentado aguardando. Onde é que está o pequenino?" Não adianta. Não é assim que se dá. Aí você pode ficar e ficar que o pequenino não aparece.

E tem outra, é no tumulto que esse pequenino aparece e que as oportunidades surgem.

Mas para nós que continuamos frágeis, cheios de sistematização, cheios de regras, cheios de complicação e de coisinhas, acabamos por perder tantas chances que chegam disfarçadas e não nos atentamos a elas. Acontece de demorar mesmo para a gente entender o mecanismo da vida. Mas o que fica de interessante nessa mensagem é a atenção que devemos ter, o grau de maleabilidade no campo perceptivo que precisamos manter, uma sensibilidade mais ampla.

E não desmereça e nem destrate quem quer que seja. Também jamais prescinda da compreensão ante os que se desviam do caminho reto. A estrada percorrida pelo homem experiente constantemente está cheia de crianças dessa natureza.

Deus cerca os passos do sábio com expressões da ignorância, a fim de que a sombra receba luz e que essa mesma luz seja glorificada. E nesse intercâmbio praticamente divino o ignorante aprende e o sábio cresce. Sem contar que a criatura que hoje se reergue com a tua fração de amor pode ser o que te vai solucionar as necessidades amanhã. A gente o tempo todo é aferido sabe em quê? É aferido na paciência, na determinação, na decisão que temos que tomar, na resposta que damos, entre tantas outras situações. Temos que temperar em muitas ocasiões ao nível da justiça para exercitarmos ao nível do amor.

Em tantas ocasiões o pedinte é o necessitado que vai acionar em nós a força da caridade.

A gente acha ruim, rejeita o chamado, mas ele é o elemento encaminhado à nossa sensibilização. Muitas vezes queremos afastar o complicado do nosso caminho, e quando em contato com ele queremos confrontá-lo, mas é comum ele estar sendo colocado em contato conosco para ativar em nós certas posturas positivas.

Jesus orienta a gente a não desprezar o pequenino. Sabe porquê? Porque ele é a oportunidade do nosso crescimento, é a chance da nossa redenção. É importante não desprezarmos esse pequenino porque do contrário a chance veio e nós não soubemos aproveitá-la. E, às vezes, ela nem volta nessa encarnação mais.

Pense nisso com carinho. Quando desprezamos o pequenino, que diante de nós representa uma criatura que poderia receber para crescer, e nós tínhamos os componentes para lhe oferecer, aí perdeu-se a oportunidade da experiência, do testemunho e da prova.

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