4 de jun de 2014

Cap 43 - Os Vestidos e os Panos (2ª edição) - Parte 6

OS PANOS

“E DEU À LUZ A SEU FILHO PRIMOGÊNITO, E ENVOLVEU-O EM PANOS, E DEITOU-O NUMA MANJEDOURA, PORQUE NÃO HAVIA LUGAR PARA ELES NA ESTALAGEM.” LUCAS 2:7

À época da união entre José e Maria, pais de Jesus, o imperador César Augustus decretou que todos os habitantes do império romano fossem contados. Ele determinou a realização de um censo visando uma cobrança mais eficiente dos impostos. E os judeus, que sempre tiveram certa resistência contra qualquer tentativa de enumerar o povo, somada às próprias dificuldades internas deles com Herodes, o rei da Judéia, de certa forma adiaram a realização desse intento.

Assim, o censo, que foi realizado em todo o império romano, foi efetuado um ano mais tarde na Palestina. Não era necessário que Maria fosse a Belém satisfazer esse registro, José estava autorizado a fazê-lo por toda sua família, no entanto Maria resolveu acompanhá-lo. Primeiro, porque temia que deixada sozinha, a criança, que estava por nascer, nascesse enquanto José estava ausente e, segundo, porque Belém não sendo longe da cidade de Judá ela poderia visitar Isabel.

"E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem." (Lucas 2:7) Vida nós todos sabemos que é um processo de eleição pessoal, logo, cada individualidade tem a atmosfera que representa a soma imensa de suas emoções, de seus estímulos e interesses que norteiam a caminhada rumo à evolução.

A estrebaria vem definir onde se dá o nascimento da estrutura crística dentro de nós, que se dá à margem do contexto principal onde orbitam nossos valores prioritários. "Não havia lugar para eles na estalagem" porque dentro do sistema de vida que elegemos não existe espaço para o seu nascimento no plano central de nossas atenções. Tanto é assim que geralmente não buscamos inicialmente o Cristo por espontaneidade legítima, e sim para ficarmos livres de determinadas situações que nos infelicitam. Ele não nasce no centro de nossa vida mental, mas em um local distanciado, e mesmo assim tem que correr com ele pra lá e pra cá, pois querem atentar contra a vida do menino. Isso mesmo, os nossos valores de retaguarda querem a todo custo abortar esse nascimento. Pelo seu crescimento em nós é que permitimos que ele adentre nas províncias da nossa intimidade e realize as obras de uma vida voltada à redenção.

Ao nascer Jesus é colocado na manjedoura, que é um berço simples, afinal a simplicidade é o que caracteriza o símbolo da manjedoura e da estrebaria. Agora, mais do que símbolo da humildade a manjedoura indica capacidade de doação do ser. Já pensou nisso? Se estrebaria define onde esse nascimento se processa a manjedoura aponta a sua finalidade. Vem mostrar a que se destina a chegada do Cristo em nós, porque o evangelho só é importante para quem quer fazer. Ele é um código moral que se instaura na intimidade do ser predispondo-o a um trabalho em favor dos que se encontram em dificuldade maior. E manjedoura é um tabuleiro, consiste no lugar onde se põe alimento, onde se deposita a comida para os animais da estrebaria. E Ele é a videira e o pão da vida.

O evangelho nos diz que Jesus foi envolvido em panos ao nascer, que Maria envolveu o menino em panos. Ora, existe um ensinamento da maior grandeza aí. Um ensinamento e, ao mesmo tempo, um chamamento à nossa capacidade de doação.

Porque pano é um tecido, não é? E o tecido é resultante de quê? É resultante do entrelaçamento de fios, de forma que os fios são os componentes que vão originar, pelos seus entrelaçamentos, pela sua união, o tecido. E se estamos aqui falando em fios, na acepção espiritual, esses fios constituem a representação das nossas vibrações. Em suma, fios dizem respeito às nossas vibrações. Ao falarmos em panos podemos fazer a interpretação com as nossas vibrações.

E veja comigo o seguinte. Jesus ao chegar aqui no planeta foi envolvido em panos. Tudo bem, até aí? Agora, também temos que notar que no advento dele, isto é, no retorno dele hoje, na atualidade do mundo, ele está chegando como? Já pensou nisso? Ele está chegando na pessoa daqueles que nos procuram. Não apenas chegando nos ambientes circunscritos das religiões, mas chegando nos consultórios, nos gabinetes dos dirigentes, nas oficinas e escritórios de trabalho, nos terrenos mais amplos da coletividade, na intimidade dos lares, às vezes dentro de um ônibus, de um metrô. Percebeu? E nós estamos aqui estudando o evangelho para quê? Estamos ingerindo orientações na busca da formação do crescimento consciente, tentando incorporar aquela posição segura de receber alguém em nome do Cristo, porque veremos a seguir que Ele mesmo disse que quem recebe um pequenino a Ele recebe.

Então, daí nós vamos concluir que envolver em panos é envolver os corações que se aproximam de nós, sejam eles simpáticos ou menos simpáticos, agradáveis ou não. É envolvê-los sempre no tecido que representa a soma, que representa aqueles vários fios da nossa vibração amiga de entendimento e compreensão, porque é a partir desse entendimento e dessa compreensão que vamos conseguindo laborar as bases firmes e inarredáveis do amor que Ele nos trouxe. 

Significa, em outras palavras, que quando chegar alguém em nossa porta ou em nossa órbita de ação o recado é um só: envolvê-lo em panos, em nossas melhores vibrações possíveis, vibrações positivas de natureza acolhedora e protetora.

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