8 de jun de 2014

Cap 43 - Os Vestidos e os Panos (2ª edição) - Parte 7

ENVOLVENDO EM PANOS

“1NAQUELA MESMA HORA CHEGARAM OS DISCÍPULOS AO PÉ DE JESUS, DIZENDO: QUEM É O MAIOR NO REINO DOS CÉUS? 2E JESUS, CHAMANDO UM MENINO, O PÔS NO MEIO DELES, 3E DISSE: EM VERDADE VOS DIGO QUE, SE NÃO VOS CONVERTERDES E NÃO VOS FIZERDES COMO MENINOS, DE MODO ALGUM ENTRAREIS NO REINO DOS CÉUS. 4PORTANTO, AQUELE QUE SE TORNAR HUMILDE COMO ESTE MENINO, ESSE É O MAIOR NO REINO DOS CÉUS. 5E QUALQUER QUE RECEBER EM MEU NOME UM MENINO, TAL COMO ESTE, A MIM ME RECEBE.” MATEUS 18:1-5 

“E, RESPONDENDO O REI, LHES DIRÁ: EM VERDADE VOS DIGO QUE QUANDO O FIZESTES A UM DESTES MEUS PEQUENINOS IRMÃOS, A MIM O FIZESTES.” MATEUS 25:40

Em certa ocasião, quando indagado sobre quem é maior no reino dos céus, Jesus colocou um menino no meio. "Naquela mesma hora chegaram os discípulos ao pé de Jesus, dizendo: quem é o maior no reino dos céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles, e disse: em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus." (Mateus 18:1-3)

O relato está no evangelho de Mateus e para nós agora importa saber que se ele pôs um menino é porque menino tem grande representatividade evangélica, tem alta significância, tem sentido muito peculiar. E interessante é o fato de que ele não o colocou em qualquer lugar, colocou no meio, e colocar no meio é colocar no centro, porque meio é centro. Meio é equilíbrio, define posição de destaque, é um ponto de referência para todos os demais ângulos, logo o menino no meio tem um significado de destaque. E essa passagem em especial nos aponta a beleza de todo o sistema montado, ou seja, os discípulos aos pés de Jesus reconhecendo a sua autoridade maior e Jesus apresentando o menino que era o menor dentre eles. De forma que se a criatura olha para cima vê o amparo e se olha para baixo vê o necessitado de valores para crescer.

Jesus disse também: "qualquer que receber em meu nome um menino, tal como este, a mim me recebe" (Mateus 18:5) e "quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes" (Mateus 25:40). Então, para início de conversa vamos entender que se somos todos crianças no entendimento, menino aqui diz respeito à estrutura formativa ética e moral. Se menino, na essencialidade, tem relação estreita com a humildade, o menino ou pequenino aqui tem sentido um pouco diferente da humildade, ele representa aquele que é carente.

O menino "tal como este" é aquele que apresenta por uma ótica, por uma certa linha perceptiva, que ele é uma criatura destituída de tal ou qual situação.

Pode ser o ignorante sem instruções, o deprimido sequioso de esclarecimento e amparo ou o doente precisando de saúde. Percebeu o sentido? Ele é pequenino perante aquele que apresenta uma dose de valores mínimos indispensáveis que podem lhe atender. Isso precisa ser entendido, porque o pobre é aquele que se identifica carente, como a criança também o é. O pequenino é aquele que em determinado ângulo de sua experiência ele tem ânsia de crescer, é o que está predisposto a um processo de crescimento e está faltando quem possa ajudá-lo. Ele se encontra nas posições mais variadas que estejam vinculadas à nossa possibilidade de auxiliar e que nós temos responsabilidade de ajudá-lo.

A princípio, nossa percepção acerca da necessidade alheia é muito periférica, mantemos ainda uma ótica de acentuada expressão exterior. Para nós, carente é aquele que está precisando de roupa, precisando de comida, precisando disso, precisando daquilo. É óbvio que não temos que deixar essa percepção exterior se perder, porém, são variáveis os pontos de carência e necessidade do ser.

É o pequenino que quer alfabetizar-se, que quer ter conhecimento da realidade espiritual, é o pequenino que quer almoçar, que está com fome, precisando de uma palavra de reconforto, que está precisando de uma dose de esperança. Pra ser ter ideia, nem todos os desabrigados se classificam entre os que jornadeiam sem teto, e aqui e ali constantemente surpreendemos os que vagueiam deserdados de apoio e convivência, de modo que a escala de pequeninos vai ao infinito.

Existem aqueles que se mostram ostensivamente aos nossos olhos, quer dizer, a própria realidade exterior da individualidade fala por si, e outros tantos que reconhecemos pela nossa intuição. E onde costuma estar cheio de pequeninos é dentro de casa. Costuma ter três, quatro, cinco ou seis, cada um do seu jeito. E quando a gente começa a procurar os pequeninos dentro de casa já é um grande sinal, porque ao procurá-los nós estamos tentando identificar dentro de nós mesmos o que temos para lhes oferecer, de modo que cresçam.

O fundamental é que não basta um diagnóstico apenas. Ou seja, à vista da misericórdia divina o carente é menino que nós temos que recebê-lo e o nosso envolvimento vibratório a ele representa esses panos. Ficou claro? Da mesma forma que Maria envolveu seu filho primogênito que chegou lá atrás em panos, ao deitá-lo na manjedoura, Ele continua chegando até nós nos dias de hoje. Continua chegando. E é preciso que tenhamos essa capacidade e interesse de envolvê-lo em panos para que ele possa crescer objetiva e subjetivamente na nossa própria concepção de vida. Esse ensinamento é de uma beleza sem tamanho. E é claro que nesse envolvimento estamos falando muito mais de sentimento, de vibrações positivas, do que de uma colocação puramente racional.

Não existem desculpas. Ninguém há que não possa auxiliar alguém estendendo o agasalho da simpatia pelos fios do coração. Todos nós, sem exceção, conseguimos descerrar as portas da alma e oferecer acolhimento moral. Em relação a isso não te digas inútil nem te afirme incapaz. Esse chamado vale não apenas em relação àquele elemento isolado que podemos estar lutando por ele, mas em todo campo de abrangência. Quer dizer, vamos estendê-lo ao animal, à planta, aos seres humanos, por mais complicados e mais difíceis que sejam.

Vale para todos os seres que  transitarem em nossa órbita, considerando-os sempre como componentes que podem receber carinho de nossa parte. Será que deu para ficar claro? Para que eles, por sua vez, mantenham a marcha de ascensão.

Pense no seguinte: o necessitado, o faminto é Jesus personificado à nossa frente.

Sem exagero algum, o sofredor, seja esse ou aquele, é invariavelmente a imagem viva de Jesus Cristo, constitui a única imagem real que dele existe na Terra, a única digna de culto e reverência dos verdadeiros cristãos, pois é a que envolve, sob os mais vários aspectos, o ideal de amor que o Cristo personifica.

Portanto, quantas vezes se nos deparar o humilde perseguido e sofrido à nossa frente defendamo-lo, pois é Jesus disfarçado. Quando virmos o órfão abandonado, sem pão, sem família, sem lar, sujo e faminto, amparemo-lo sem perda de tempo, esse órfão é Jesus que veladamente nos procura. Quando ao nosso lado se apresentar a velhice, frágil e desalentada, sem arrimo e sem esperança, cumpre acolhê-la, cercando-a dos devidos cuidados, pois é o mesmo Jesus que bate às nossas portas.

E como fazer para dar o devido atendimento? Só tem um jeito, eu tenho que me tornar humilde. Porque se eu não me tornar humilde eu não vou ter a mínima condição de poder envolvê-lo em panos. Sem humildade eu não vou conseguir identificar o menino nem me sensibilizar com a sua necessidade. Sem humildade eu não tenho como receber e envolver a criatura que pode ter trinta, quarenta, cinquenta, sessenta ou oitenta anos de idade. Porque nós ficamos muito bitolados achando que menino é criança e que tem só até sete anos de idade, e isso não pode aparecer no evangelho. Dessa forma, todo aquele que consegue fazer-se menino essa criatura já está no cultivo da humildade, já está na prática do apequenar-se. Queremos receber o Cristo? Queremos envolver em panos? Precisamos, primeiro, nos fazer humildes, humildes como aquele menino ("E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles, e disse: em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus." Mateus 18:2-3)

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