31 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 10

SENTIDO AMPLIADO II

“E EDIFICOU NOÉ UM ALTAR AO SENHOR; E TOMOU DE TODO O ANIMAL LIMPO E DE TODA A AVE LIMPA, E OFERECEU HOLOCAUSTO SOBRE O ALTAR.” GÊNESIS 8:20

Não existe condição de nos projetarmos no plano renovador de modo isolado, de modo sozinho ou particular. No fundo, isso não passa de uma ilusão que acaba gerando perda de tempo e frustração sem tamanho.

Estamos passando por uma fase toda peculiar e a caminhada envolve outros elementos. Vamos ter em conta que é preciso que aquilo que representa uma questão fechada, de interesse pessoal ou imediatista, que esse padrão possa se abrir, não vale mais uma proposta de natureza egoística, puramente pessoal.

Não é preciso ir longe, quando começamos a galgar alguns degraus e começamos a encontrar uma linha de saneamento da dificuldade que nos envolve, começa a gritar o coração, não mais com vista única ao nosso reconforto pessoal. Nós alcançamos uma diretriz interior que se fundamenta numa proposta que surge dentro de nós de sermos úteis, de oferecermos algo à vida.

O evangelho está sendo trabalhado para nos ensinar que acabou aquele período de viver para si.

Não há como encontrar sustentação de felicidade naquela má regra egocentrista que trazemos ainda. Os padrões de felicidade, nas bases que a mensagem evangélica propõe, difere de algum modo daquela técnica que nós temos avocado até então, de ter os padrões pessoais evidenciados. Isso é algo ultrapassado que não coaduna mais. É preciso abrir o leque se quisermos ser feliz. Não tem como evoluir mais dentro de um contexto fechado. Quem quiser estar bem hoje tem que viver para o completo, para o grupo, para o geral no campo universalista.

O método envolve uma capacidade de ajudar, cooperar, auxiliar, refletindo o pensamento divino e, ao mesmo tempo, de saber alterar padrões. O processo é abrir.

Estamos começando a entender que a felicidade não é lutar por nós apenas, é lutar pela nossa possibilidade de integração ao contexto, isto é que é muito valioso. Quando se fala atualmente no amor universal não quer dizer que perdemos aquele direito de amar uns aos outros até no campo pessoal e particular. Nada disso. Mas aprendemos que esse amor no campo pessoal das relações afetivas diretas só vai encontrar uma ressonância gostosa de amplas sedimentações na medida que em que ele se abre no interesse dos outros no campo geral.

Preste bastante atenção: o trabalho terá pouco êxito, ou o êxito será nulo, se nós não envolvermos o processo em uma abrangência. Sempre que trabalhamos só para nós mesmos vamos tendo essa grande decepção, começamos a sentir que podemos estar bem, mas não absolutamente felizes naquela concepção de harmonia e paz. Toda conquista, por mais elevada que seja, tem que ter uma linha abrangente, universalista, que atenda outros corações.

Você pode ser um construtor e erguer o maior edifício do mundo, mas se ele apresentar uma estrutura que objetive tão somente a proposta egoística, ele vai derruir a curto prazo. Você pode estudar à vontade, pode ser dessa ou daquela religião, pode ser adepto de qualquer filosofia espiritualista, mas daqui para a frente se você não engrenar a sua conduta num plano de universalização, em função do interesse coletivo, do interesse de muitos, você pode ser santo, mas vai ser um santo de barro, vai ser um santo na imagem ou numa hibernação totalmente periférica de fora para dentro. O que, aliás, tem muita gente assim, não tem? Cumpre direitinho o seu papel, não falha no culto religioso, não atrasa no serviço, assina o ponto na hora certa, cuida da família, põe os filhos na escola. Vai vivendo naquela rotina que, aos poucos, vai cansando um percentual cada vez maior de pessoas.

Aquele que lenta e gradativamente está descobrindo o amor na sua essencialidade, ele nota que se fechar esse amor num plano egocêntrico ele estará trabalhando para a sua dissociação com as pessoas, situações, coisas, fatos, tudo.

Se nós não trabalharmos os componentes que marcam a nossa pretensa hegemonia para além do campo restrito dos interesses pessoais não seremos capazes de vibrar com a coletividade, com o grupo, com o desconhecido. Não seremos capazes de sentir entusiasmo nem de vibrar de jeito nenhum. Ninguém hoje é capaz de estar feliz por si próprio. Viver excede o limite da justiça e a harmonia íntima está diretamente ligada à capacidade de doação.

A arca pousar no chão com segurança após o dilúvio é uma bênção, não é? E o êxito dessa oportunidade recebida, que é a abertura dessa arca em terra firme novamente, só vai ocorrer se realmente for endereçado para um processo de interesse geral em nome do amor. Como vimos, as águas do dilúvio não projetam a arca para cima? A subida não corresponde ao direcionamento para os valores superiores da personalidade? Ao edificarmos o holocausto sobre o altar, e não debaixo dele, estaremos dando um sentido não religioso à nossa ação, mas um sentido globalizado, ampliado, em que todos possam usufruir disso.

28 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 9

SENTIDO AMPLIADO I

“E EDIFICOU NOÉ UM ALTAR AO SENHOR; E TOMOU DE TODO O ANIMAL LIMPO E DE TODA A AVE LIMPA, E OFERECEU HOLOCAUSTO SOBRE O ALTAR.” GÊNESIS 8:20

O primeiro mandamento é muito claro e define para nós: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmo."

Esse "a si mesmo" indica que somos acentuadamente amantes de nós mesmos, e vai ser difícil vencer isso, porque é algo que trazemos da retaguarda, dos primeiros lances de crescimento da individualidade. Quando a gente recebe alguma coisa que nos sustenta e nos felicita amplamente, por exemplo, a gente fala graças a Deus. Fazemos assim desde lá de trás. Mas se analisarmos é graças a Deus, mas tudo é meu. Percebeu? A gente se fecha em um regime egocêntrico.

Nós passamos por um processo de angariar na hiper valorização do nosso eu. Para se ter ideia, tem muitas pessoas que só operam tirando vantagens, vivem só para si.

O  mundo está cheio de pessoas nos núcleos espirituais, nas igrejas, que estão, como se pode dizer, eticamente integradas na sociedade. Ou seja, apresentam toda aquela polidez moral, vivem bem entrosadas no contexto, são verdadeiros conhecedores e estão por dentro de todos os assuntos. Se movimentam bem e se dão bem com todos, pagam suas contas em dia, não brigam com ninguém, não tem prontuário na polícia, não tem nome no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). O mundo está cheio de gente assim. É óbvio que elas tem os seus valores e estão recebendo segundo as suas obras, estão de certa forma sendo premiadas. Mas em determinado momento emergem dentro delas uma ineficiência, um certo vazio, porque trabalham só pra si mesmas.

E toda as vezes que trabalhamos para nós mesmos, somente visando o nosso reconforto pessoal, vamos tendo essa grande decepção. Vamos começando a entender lentamente pelas experiências que nós podemos estar bem, mas não estarmos absolutamente felizes naquela acepção profunda de paz interior e de harmonia.

Sem contar outra coisa, que se nós não tivermos o cuidado de abrir o contexto vai ficar difícil porque sempre vai ter alguma coisa para nos aborrecer. Vamos pensar nisso. Eu não sei se você entendeu, mas sempre vai surgir algo para nos aborrecer, para nos chatear, nos entristecer, quando pensamos só em nós mesmos.

Não podemos cultivar essa situação num plano cerceador da evolução consciente, que é hoje o que nós estamos tentando implementar. O personalismo tem sido um componente que trava o nosso processo evolucional.

A felicidade dimensionada apenas nos planos normais da vida, se você reparar bem, ela tem uma expressão muito rápida, muito fictícia, muito transitória, ela acaba desaparecendo por si mesma. E a vida tem um sentido universal, abrangente.

Quando fechamos circuito em cima de um elemento da nossa experiência a gente, às vezes, fica naquele sentimento de perda de tempo ou de frustração. Então, nós temos que ir na marcha visando um sentido ampliado. Sem dúvida não podemos evoluir de modo isolado, não podemos evoluir de modo personalístico.

Note que quanto mais nos recolhemos a nós próprios mais apertado fica o cerco. Não sou eu que está falando isso não, isso é da lei. Podemos ser uma criatura bem relacionada, com muitas pessoas do nosso lado, mas no fundo trazemos aquela marca que nos peculiariza, a marca do individualismo, da alienação, do tudo é meu. Quanto mais nós investimos nesse personalismo, que é um culto à própria individualidade, ao próprio eu, numa manifestação tranquila do egoísmo, nós notamos que estaremos alienados do contexto, nada obstante possamos apresentar um número muito grande de cidadãos em nossa volta.

À medida que tentamos crescer e identificamos determinado problema que nos visita, o que fazemos? Vamos atrás das soluções. Entramos na avaliação plena das causas, buscamos administrar os efeitos e o que geralmente acontece? Começamos a entender que a vida nos convoca para ângulos novos. Nós estamos matriculados numa escola regenerativa que visa o bem estar de todos. 

Estamos identificados agora num mundo melhor. E chega um momento em que começamos a sentir no íntimo que a própria vida está exigindo de nós uma cooperação. E o evangelho, mensagem viva e essência do amor, se manifesta em nosso coração, naquela acepção de paz e felicidade legítima, quando nos capacitamos à abnegação e compreensão na eleição de uma nova postura.

24 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 8

O ALTAR

“E EDIFICOU NOÉ UM ALTAR AO SENHOR; E TOMOU DE TODO O ANIMAL LIMPO E DE TODA A AVE LIMPA, E OFERECEU HOLOCAUSTO SOBRE O ALTAR.” GÊNESIS 8:20

A primeira providência de Noé após sua saída da arca foi edificar um altar ao Senhor. Foi isso que ele fez.

Nos dias atuais isso não significa que você deva criar uma capelinha na sua casa ou algum cantinho específico para fazer prece, embora possa acontecer a critério de cada qual, mas sem muita razão de ser na atualidade. Altar é mesa consagrada aos sacrifícios religiosos, tem sentido de adoração, veneração. Esse altar é aquela edificação que nós vamos operando gradativamente à proporção que o conhecimento nos visita e o aplicamos e ela se instaura quando assumimos em nosso plano consciencial a responsabilidade de operar em conformidade aos valores que temos.

Para podermos nos firmar em nova posição nós praticamente somos colocados onde? Debaixo do altar. Perfeito? Nesse posicionamento nos inclinamos consideravelmente para o piso espiritual. Debaixo do altar ficamos repousados, ficamos cheios de amparo e da certeza de que não estamos desamparados. É uma confiança enorme em Deus, eu sei que ele me ajuda. Qualquer necessidade e ele está pronto. Passo a ter uma fé inabalável no santo tal. Não acontece assim?

O elemento se sente confortado dentro da faixa de segurança para além dos padrões puramente físicos. Ele cultiva um processo a nível mental e psíquico que representa sua segurança, nutre alto grau de confiança.  Isso é interessante de se ter em conta. E pontos místicos que se abrem dentro de nós, a princípio pela informação, nos colocam sob a tutela daqueles que já avançaram, daqueles que nos protegem, que nos orientam, e achamos, então, que estamos agasalhados de modo definitivo segundo aquela conceituação que as religiões costumeiramente nos apresenta.

O agasalhamento que cultivamos no coração pelas informações teóricas, nas informações filosóficas, quando nós as recebemos com  abertura de coração e bons propósitos, essa soma de informações praticamente nos posiciona num estado de harmonia interior, aumenta nosso grau de confiabilidade, aumenta a nossa esperança e é como se nós tivéssemos partido de uma situação de desajuste, de desconforto e encontramos de início um agasalho. Nessa hora nós observamos que as informações se somam e criam aquele ponto que, para todos os efeitos, é uma perfeita couraça de sustentação. Nós encontramos o nosso refúgio. É como se ficássemos bonitinhos debaixo do altar, o altar nos protege.

E você acha que está salvo debaixo do altar. Mas posso ser sincero? Debaixo do altar você não está nada. O que você pode é vibrar com quem está orando diante desse altar. Agora está faltando é sair debaixo do altar e pular na arena operacional.

Muitas criaturas permanecessem debaixo do altar, mas se Deus fosse apenas um criador para receber as orações das criaturas o universo estaria praticamente coagulado. No momento em que ascendemos a nova posição entramos no plano de intermediação entre a necessidade de baixo e a inspiração de cima. E nessa posição se forma um altar nosso compatível com o grau de conhecimento que o nosso campo mental já conseguiu atingir. E nesse piso idealístico, de propostas, funciona a engrenagem de um outro altar. Deu para perceber? Porque em cima tem um outro altar que objetivamos e, assim, de forma sucessiva.

O tempo vai passando e a metabolização dos valores que assimilamos, mediante os padrões que se movimentam dentro do nosso plano mental, vai criando em nós a proposta de operar, de realizar. Aí sabe o que nós descobrimos? Que o nosso lugar não é propriamente debaixo do altar, que é preciso operar sob a tutela daquele que é reverenciado no próprio altar, que é o criador.

Percebeu? Nós somos convocados a somar com aqueles que administram os passos da humanidade.

Por isso, nós que estamos debaixo do altar precisamos nos engajar e adotar a postura de laborar junto com o que está sobre o altar. Como extensores, como ampliadores e servidores do pensamento do que está em cima do altar, que é o criador.

Afinal de contas, nós estamos aqui, estudando o evangelho, e nos candidatando a quê? Estamos nos candidatando a cumprir no plano prático da vida o pensamento divino. Porque didaticamente o criador não faz, quem faz somos nós. Se ele fizer até tira a nossa condição de trabalhar. Então, quem vai fazer? São aqueles que estão debaixo do altar e que vão precisar sair para fora e cooperar.

Noé ofereceu holocausto sobre o altar. Nós estamos entendendo que não basta apenas conhecer a nível intelectivo ou cultivar algo no seu sentido mental. Não basta mais. Esse oferecer holocausto sobre o altar é alguma coisa que nós temos que aprender a fazer, porque até o momento nós temos agido misticamente.

Nós já possuímos a alegria de estar assimilando valores e isso já temos a alegria de dizer que fazemos, no entanto, uma gama imensa de caracteres por nós assimilados ainda não são corporificados pela linha prática. Não é isso? A linha informativa nos proporciona acesso e nos abre uma perspectiva nova. Porém, quando começarmos a nos despertar para isso nós passaremos a pisar em um terreno mais seguro. No momento em que nós sairmos da arca com esse grau de percepção que o Noé já apresentava lá atrás, e sugere para nós, iremos notar que é como se nós entrássemos nos primeiros movimentos da regeneração. Essa regeneração surge por nossa atuação sob uma mentalidade diferente. A saída da arca passa, então, a configurar num estado novo de harmonia.

E assim nós vamos observar que passamos daquela condição expressa e definitiva de auxiliados, de criaturas sob proteção, para a de companheiros que vão entendendo que a segurança efetiva não está debaixo do altar. Ela de forma alguma é obtida simplesmente pelo refúgio obtido com os valores de informação, e precisamos buscá-la dentro de nós pelo processo de aplicação da teoria.

A segurança efetiva está em nos movimentarmos ao lado daquele que é cultuado no altar, que no caso é a própria força maior do universo em Deus. Portanto, fica o recado: temos que sair do altar para podermos nos firmar em uma nova posição, laborando com o que está sobre o altar. Precisamos buscar cumprir, no plano prático da vida, a sintonia e a afinidade com o pensamento divino.

20 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 7

O HOLOCAUSTO

“6E ACONTECEU QUE AO CABO DE QUARENTA DIAS, ABRIU NOÉ A JANELA DA ARCA QUE TINHA FEITO. 7E SOLTOU UM CORVO, QUE SAIU, INDO E VOLTANDO, ATÉ QUE AS ÁGUAS SE SECARAM SOBRE A TERRA. 8DEPOIS SOLTOU UMA POMBA, PARA VER SE AS ÁGUAS TINHAM MINGUADO DE SOBRE A FACE DA TERRA.” GÊNESE 8:6-8

“E EDIFICOU NOÉ UM ALTAR AO SENHOR; E TOMOU DE TODO O ANIMAL LIMPO E DE TODA A AVE LIMPA, E OFERECEU HOLOCAUSTO SOBRE O ALTAR.” GÊNESIS 8:20 

“E OS SEUS DISCÍPULOS LEMBRARAM-SE DO QUE ESTÁ ESCRITO: O ZELO DA TUA CASA ME DEVORARÁ.” JOÃO 2:17

“1PORQUE TENDO A LEI A SOMBRA DOS BENS FUTUROS, E NÃO A IMAGEM EXATA DAS COISAS, NUNCA, PELOS MESMOS SACRIFÍCIOS QUE CONTINUAMENTE SE OFERECEM CADA ANO, PODE APERFEIÇOAR OS QUE A ELES SE CHEGAM. 2DOUTRA MANEIRA, TERIAM DEIXADO DE SE OFERECER, PORQUE, PURIFICADOS UMA VEZ OS MINISTRANTES, NUNCA MAIS TERIAM CONSCIÊNCIA DE PECADO. 3NESSES SACRIFÍCIOS, PORÉM, CADA ANO SE FAZ COMEMORAÇÃO DOS PECADOS. 4PORQUE É IMPOSSÍVEL QUE O SANGUE DOS TOUROS E DOS BODES TIRE OS PECADOS. 5POR ISSO, ENTRANDO NO MUNDO, DIZ: SACRIFÍCIO E OFERTA NÃO ME QUISESTE, MAS CORPO ME PREPARASTE; 6HOLOCAUSTOS E OBLAÇÕES PELO PECADO NÃO TE AGRADARAM. 7ENTÃO DISSE: EIS AQUI VENHO PARA FAZER, Ó DEUS, A TUA VONTADE.” HEBREUS 10:1-7

O evangelho tem ensinado que voltamos à carne para regenerar e reaprender, e não superaremos os entraves da própria libertação providenciando ajuste inadequado com nossos inconsequentes desejos.

Não é adotando crendices e condescendendo com preconceitos, rituais e cerimônias, cuja essência se desfaz com o leve sopro do raciocínio, que lograremos a nossa salvação. Semelhantes ingenuidades já não se acomodam ao cérebro dos homens de nossos dias. Em muitas ocasiões nós enquadramos a atividade espiritual em restritas atitudes sistematizadas e não saímos disto.

É chegado o instante de não cultivarmos ilusões mais. É tempo de sacudirmos esses andrajos do passado, de abandonarmos as faixas da infância e buscarmos conhecer a realidade evolutiva. São inúteis, nos círculos de nossa fé, os petitórios de protecionismo e de vantagens inferiores. É imperioso nos renovarmos em espírito, largando a acomodação e o conformismo que se nos arraiga no íntimo, alentados pelo adubo do hábito, em repetidas experiências no plano material.

Somente pela obra de auto-educação, efetuada com perseverança e decidida vontade de nos espiritualizarmos, sem esmorecimentos, que conseguiremos nos aperfeiçoar de modo real.

"Por isso, entrando no mundo, diz: sacrifício e oferta não me quiseste, mas corpo me preparaste; holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis aqui venho para fazer, ó Deus, a tua vontade." (Hebreus 10:5-7) O que significa "sacrifício e oferta não me quiseste, mas corpo me preparaste"? Apenas define que a criatura, pela prática de certas atitudes exteriores, não evoluiu, ela não cresceu, não andou muito para a frente. Ficou praticamente estacionada.

A maior lição de Jesus, no seu evangelho de claridades imorredouras, é que ao invés de ficarmos formulando votos e sacrifícios convencionais, promessas e ações mecânicas, como se buscássemos escapar dos deveres que nos competem, devemos nos concentrar como obrigação primária a nossa entrega, humilde, aos sábios imperativos da providência, submetendo-nos à vontade justa e misericordiosa de Deus para sermos aprimorados em suas mãos.

E o texto diz ainda: "Mas corpo me preparaste". Que corpo é esse? Não é o corpo físico, é o corpo de esclarecimento, o corpo de informações, de ideias, processo de elaboração de uma nova mentalidade, de uma nova estrutura intrínseca.

Ao dizer isso a criatura está dando uma declaração nítida de que ela está ciente da sua necessidade de crescimento, que está inteirada da sistemática em que está inserida. Será que deu para ficar claro? O que estamos fazendo, estudando o evangelho, é exatamente nos preparando para avançar, para ir à frente. Trazemos débitos do passado sim, afinal quem não tem pecado pode lançar a pedra, todavia vamos liquidar dívida, mas com um reinvestimento na atividade nossa.

O que acontecia lá atrás para que se tivesse a felicidade de viver bem e estar bem com Deus? Você se lembra? Matava-se o bezerro ou qualquer outro animal. Não é isso? Era mais fácil matar o animal. E se bobear, está sendo feito assim até hoje.

"Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados. Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados. Por isso, entrando no mundo, diz: sacrifício e oferta não me quiseste, mas corpo me preparaste; holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. Então disse: eis aqui venho para fazer, ó Deus, a tua vontade." (Hebreus 10:3-7) O que define que na medida em que a gente vai avançando no conhecimento a gente vai começando a ter condições de amar a vida, de amar o semelhante, de amar a natureza, enfim, na medida em que saímos daquela linha mística, de uma referência fechada, uma reverência fechada ao criador, entramos na capacidade de honrar a Deus por meio da proposta reeducacional íntima, e passamos a ascender para novos estágios.

"E os seus discípulos lembraram do que está escrito: o zelo da tua casa me devorará." (João 2:17) A expressão "o zelo da tua casa me devorará" aponta que no momento em que vamos fazendo um investimento de tudo o que representa ação consciente nossa, nós devoramos a nós próprios nesse holocausto, nos sacrificamos por amor ao criador e passamos a ser os usufrutuários de todas as benesses e recursos positivos que dimanam disso.

Fazer a vontade de Deus é vivenciar a orientação da lei vivida pelo Cristo. Aí, sim, nós conseguimos substituir o boi, a ovelha, o pombo, pela realidade do sangue pessoal. Percebeu? Essa ideia de sangue não é aquele que tem que ser derramado com um punhalzinho ou uma faca, não. O sangue é a reencarnação consciente nossa de que estamos aqui embaixo para resolver o nosso problema.

A legítima doação é aquela em que vamos, dia a dia, na nossa experiência no mundo, doando o nosso sangue à grandeza da vontade de Deus e do Cristo. O sacrifício autêntico é o que implementamos em cada momento da vida em homenagem a Jesus. O maior testemunho do sacrifício a Deus e a Jesus é a vida do dia a dia, doando-nos para Deus.

"E edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo o animal limpo e de toda a ave limpa, e ofereceu holocausto sobre o altar." (Gênesis 8:20) Quando Noé saiu da arca e soltou os animais, é num espaço que representa a própria faixa íntima nossa, num espaço mais alongado. É quando começamos a deixar que eles não fiquem tão comprimidos, porque eles estão em atividades nas várias frentes em que nós vamos operar.

Tem momentos que nós temos que usar a serpente, ou outro animal, na solução de determinados problemas, no trato com determinadas situações, fatos, pessoas ou coisas. Nós temos que usar. Não no sentido de ferir alguém, mas no sentido de colocarmos esses componentes como sendo os instrumentos da nossa eficiência no trabalho. Não contra os outros, mas numa administração correta dos padrões que dispomos.

E para oferecer sacrifício ele tomou de todo animal limpo e de toda ave limpa, mostrando que esse altar recebe, dentro do plano dos holocaustos, animal limpo e ave limpa como sendo dois pontos importantes na caminhada, sem mencionar qual animal e qual ave eram, pois eles sugerem ângulos e particularidades inerentes a cada individualidade.

Então, esse animal oferecido é, nada mais nada menos, que a oferta máxima no plano de concretude do ser. É representação daquilo que expressa o nosso terreno de realizações, expressa concretude, aquilo que realmente tem vida. Define aquele campo de organização e de laboração, mas com um sentido de vida intrínseco. Ficou claro? É aquilo que está para além da área das ideias, é aquilo de tangível que agrupamos junto de nós, que já está praticamente sedimentado em nosso campo de realizações. Esse animal constitui a minha oferta na esfera do trabalho, a minha capacidade realizadora a cada instante. E à medida que essa ave limpa e animal limpo começarem a refletir aspectos cada vez mais coerentes com a nossa conquista pessoal, a gente começa a passar para outra fase.

Não tem outra, para que a evolução aconteça de forma consciente é preciso um vínculo nosso com os planos superiores. Sem essa faixa de vinculação nós não conseguimos caminhar e ascender. E note que para aprimorar alguma coisa na arca, o que Noé usou? Ele usou aves. Está lembrado? Ele usou aves por quê?

Porque é a ave que faz a sindicância, que descobre os celeiros e terrenos, é a ave que faz aquele papel de busca. A ave é um instrumento de projeção de acordo com a altura alcançada. É um elemento que nos dá a ideia de avanço, possibilita a projeção, que é o que estamos trabalhando aqui. As aves, pelo que nós temos depreendido dos ângulos morais da mensagem do evangelho, define aquela tônica que já está presente nas pessoas que trabalham com uma proposta de captação dos padrões superiores. A escritura diz algo mais a nós: "E a pomba voltou a ele à tarde; e eis, arrancada, uma folha de oliveira no seu bico; e conheceu Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra." (Gênesis 8:11) É fácil analisar que a ave, no caso, a pomba, trouxe uma folha de oliveira.

A gente sabe o papel da oliveira com o campo básico da iluminação. Ela trouxe o componente da iluminação, trouxe luz de cima para o caminho que tem que ser palmilhado embaixo. Ok? A luz vem de cima para trilharmos os passos, que é embaixo.

As aves consideradas limpas são instrumentos que estamos usando daqui para frente.

Elas fazem o papel de busca e apreensão dos caracteres que vão ser depositados via superconsciente no campo da aprendizagem. Está dando para acompanhar? Porque estamos saindo da linha da evolução do réptil para cima, tentando apreender conhecimentos de cima nos planos do superconsciente. Esse plano de busca é o que nós estamos fazendo aqui. Eu não posso sair daqui, do piso de onde estou, mas com as possibilidades da mente eu atinjo outras fontes.

Deu agora? Estamos usando as aves de nossa criatividade e realizando vôos mentais, fazendo a mente funcionar a parte superior. Estamos tentando arregimentar conhecimentos de cima, pois a nossa evolução está em cima, não está embaixo. São essas aves limpas que alçam vôo para pegar de cima, elas representam as melhores aspirações que nós temos, definem esses vôos do pensamento no campo idealístico do ser.

O problema é que quase sempre, ao invés de acionarmos as aves na busca do mais elevado, do mais alto, para o alcance de melhores posições, preferimos ficar acomodados aos nossos padrões e conceitos. Nós ficamos acomodados aos valores triviais, e diante do dinamismo da vida ficamos naquela vibração íntima que vai se tornando cada vez mais densa e escravizadora do nosso "eu".

Precisamos de fato nos elevar. Temos que laborar em termos de um aproveitamento espiritual clareado, adequado, e não mais puramente humano. Se eu me prendo aqui, no limite de todas as minhas conquistas, meu vôo é muito relativo, é um vôo em cima das minhas expressões pessoais, dos meus conceitos. Qual o resultado? Eu não me elevo, não ascendo, fico aprisionado, parado no tempo.

16 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 6

RITUAL E IDOLATRIA

“PORQUE TENDO A LEI A SOMBRA DOS BENS FUTUROS, E NÃO A IMAGEM EXATA DAS COISAS, NUNCA, PELOS MESMOS SACRIFÍCIOS QUE CONTINUAMENTE SE OFERECEM CADA ANO, PODE APERFEIÇOAR OS QUE A ELES SE CHEGAM.” HEBREUS 10:1

“MAS TENHO CONTRA TI QUE TOLERAS JEZABEL, MULHER QUE SE DIZ PROFETISA, ENSINAR E ENGANAR OS MEUS SERVOS, PARA QUE SE PROSTITUAM E COMAM DOS SACRIFÍCIOS DA IDOLATRIA.” APOCALIPSE 2:20

Em todos os tempos do cristianismo a crendice e o extremismo espiritual tem sido instrumentalidade utilizada por aqueles que vem tutelando a caminhada espiritual da humanidade.

O cristianismo tem feito coisas inacreditáveis. Se, de um lado, direciona revelações significativas, do outro leva a um endurecimento interior e a práticas periféricas sem nenhum fundamento no campo espiritual. As próprias religiões, em razão das carências humanas e da falta de uma orientação segura, ainda trabalham criando um estado de esperança, um estado de expectativa, em que cada um será beneficiado gratuitamente pela misericórdia superior, exclusivamente no seu sentido exterior.

Tudo o que oferecemos no campo das religiões, como promessas, votos, acender vela, choros histéricos, fazer sacrifício de ir a pé até não sei onde, tudo isso constitui um atestado do que nós usamos. Infelizmente ainda tem muita gente trocando de religião, como se a religião nova garantisse a salvação eterna.

A grande massa se coloca de joelhos em terra, com as mãos postas, esperando o grande milagre do plano superior em Deus para que a felicidade reine.

Muitos acreditam resolver todos os problemas por uma atitude suplicante, porém, a genuflexão não soluciona questões fundamentais do espírito, como a mera adoração à divindade não define a máxima edificação. O evangelho jamais prometeu a paz da vida superior aos que calejassem os joelhos nas penitências incompreensíveis, mas exaltou a posição sublime dos que disseminassem o amor em nome de Deus.

"Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria." (Apocalipse 2:20) A ingestão da carne dos sacrifícios aos ídolos, trazendo a questão para a nossa atualidade, é aquele estado de alma em que nós vivemos como verdadeiros caroneiros na caminhada evolutiva. Vamos clarear mais?

Em tantas situações nós deixamos de dar o nosso testemunho pessoal para vivermos à sombra de elementos que se sobressaíram e deram o exemplo. E sabe porque fazemos assim? Porque é mais fácil, buscamos nos eximir da responsabilidade. Nós pegamos carona em cima da ação de outros. Vamos dar exemplos? Quanta gente diz assim: "Eu estou muito bem porque sou devoto do santo tal" ou "Estou com Chico Xavier e pronto". Isso não acontece demais? "Não acontece nada comigo porque eu estou protegido pelo santo tal. Tenho um guia que me protege." "Há muito tempo que tenho o Bezerra de Menezes. O Bezerra, na hora difícil, está comigo. Então, eu não abro mão disto." "Emmanuel é formidável. Eu frequento este grupo porque o Emmanuel é formidável." E por aí vai. Isso é comer da idolatria, é comer das carnes devidas aos ídolos. Sim, porque nós temos os nossos ídolos. E daí erguemos nossa fé na base da fé do semelhante.

Na maioria das situações a ideia do ídolo é fazer um deus de barro e se curvar a ele. Tem muita gente vivendo atrás dos outros e muitos que não fazem nada sem estarem estribados no pensamento do outro. Não estamos exagerando não, muitos ainda vivem em função do percurso que outros fazem. Quem come da carne sacrificada aos ídolos de fato vive atrás dos outros. Nós insistimos em nos alimentar do contexto vibracional que evidencia os verdadeiros líderes porque no fundo não queremos nada com a dureza. Só que tem um detalhe, enquanto estivermos trabalhando no regime de cobertura de alguém nós podemos estar muito bem intencionados, mas talvez pouco avisados porque cada um prestará contas de si mesmo a Deus. O plano de regeneração onde estamos entrando não se estrutura com base em espíritos que estejam tentando ficar na sombra de alguém. Infelizmente, essa ideia de que somos seguidores desse ou daquele, que nos achamos debaixo da sua cobertura, é coisa do passado, já não cabe nos tempos de claridade espiritual atuais. 

E voltamos a repetir, isto é comer das carnes sacrificadas aos ídolos. E quase sempre os elementos que assim fazem são elementos que trabalham em profundas linhas informativas. Isto é, são pessoas acentuadamente informadas, conhecem tudo, dão notícias de tudo. Já trazem em si um pudor instaurado.

Não são capazes de agredir, de ferir, de fazer isso ou aquilo errado, não falam palavrão, e mais um tanto de outras coisas, no entanto vivem na sombra de outros. Muitos desses acham que estão bem ajustados, e na verdade não estão.

Isso acontece demais. Quantas criaturas partiram do nosso plano físico deixando aqui missas pagas, novenas instauradas?! Ajudaram a construir capelas, auxiliaram de algum modo na construção da igreja tal, no entanto, passaram para o lado de lá envoltos em verdadeira decepção. Percebeu o que estamos dizendo? Esses se alimentaram de quê? Das carnes sacrificadas aos ídolos.

Deu para entender? Daqui para frente não vai ter como nós continuarmos a entregar a resolução dos nossos problemas a terceiros. Isso é algo superado. É arquivo morto, coisa ultrapassada. Os terceiros, ou aqueles que caminham conosco, podem nos auxiliar, nos apontar a linha de referência, afinal isso faz parte da engrenagem, mas nós temos que fazer a nossa parte na linha aplicativa e sair da sombra de.

Agora, calma lá. Vamos abrir um parêntese aqui. Qualquer que seja a proposta por nós laborada, ou aceita ou avocada, quem vai dizer que pode dispensar a ajuda de um Bezerra de Menezes, de um guia espiritual ou de um determinado santo?

Nenhum de nós em sã consciência pode dispensar isto. Vamos ter em conta este ponto. Por mais que avancemos não vamos abrir mão da felicidade de ter esses elementos como verdadeiros tutores da nossa vida. Sempre falamos que se tirarmos o amparo espiritual que nós temos tido aqui é perigoso nós ficarmos caídos pelo caminho. E possivelmente ficaremos. Em momento algum eu disse para abrirmos mão desse auxílio, o que nós não podemos é fundamentar nossa vida em cima dessa base. Então, nós temos que trabalhar no processo de eleição íntima porque é na eleição íntima que dimana a base da evolução.

13 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 5

A SOMBRA DOS BENS FUTUROS

“PORQUE TENDO A LEI A SOMBRA DOS BENS FUTUROS, E NÃO A IMAGEM EXATA DAS COISAS, NUNCA, PELOS MESMOS SACRIFÍCIOS QUE CONTINUAMENTE SE OFERECEM CADA ANO, PODE APERFEIÇOAR OS QUE A ELES SE CHEGAM.” HEBREUS 10:1

Há uma tendência que trazemos de trás, bem lá da retaguarda mesmo, de considerar os acontecimentos mais difíceis, aqueles acontecimentos mais retumbantes que nos acontecem, como sendo um elemento punitivo.

O sofrimento nosso, visto da ótica de baixo para cima, representa um carma violento que nós queremos ficar livre dele de qualquer maneira. Não estamos de todo errados, óbvio que não. A lei se manifesta em nossas vidas muitas vezes com expressões de dor quando estamos distanciados dela. É que toda postura de afastamento da lei gera uma resposta de dor, e segundo o apóstolo Paulo é imperioso que a lei se cumpra. Assim, para nós a lei chega para respaldar, nos cobrar o que temos de débito, onde ninguém semeia senão o que plantou na esteira do destino e ninguém sofre sem merecer, que todo efeito é consequência de uma causa e esse efeito vai despertar o grau da consciência.

Agora, o interessante disto é que as próprias reações da lei não tem um sentido puramente de dizer basta para a criatura que a infringiu, ou de mostrar a ela a sua pequenez. Não existe uma reação negativa das leis que nos regem. Elas não tem um sentido negativo, ainda que machuquem, ainda que sofra a criatura.

Porque essa lei, que para nossa percepção está cobrando o que devemos, visto de cá para lá, de lá para cá na sua essencialidade ela contém a sombra dos bens futuros, ou seja, ela não está aqui para fazer a gente apenas pagar não, está aqui para abrir um caminho novo para a gente, afinal de contas atrás do cumprimento da lei de causa e efeito vigora uma lei maior, a lei do progresso. De lá para cá prepondera um instrumento de reformulação de vida, de mudança de destino. É uma forma da gente refundir e reformular conceitos. As reações da lei, no âmbito da dificuldade, trazem instrumentalidade didática em si própria para que a gente descubra a sistemática e se ajuste a um caminho novo. Em outras palavras, essas reações trazem um selo íntimo chamado amor, chamado exame da própria caminhada, recomposição e melhoria.

Assim, a lei contém a sombra dos bens futuros. O que significa isso? Significa que ela não vem apenas para cobrar, ela vem nos mostrar a sombra dos bens futuros, a virtude que nós ainda precisamos desenvolver para usufruir de um amanhã melhor. Então, entre o que eu estou passando hoje, entre o meu resgate, a minha dificuldade presente, e o meu objetivo no futuro, o que eu desejo em termos de amanhã, existe uma sombra íntima que me remete, que me direciona, que me mostra o que eu preciso trabalhar. Deu para acompanhar?

Nós temos sombras em nossas vidas que representam tônicas, que apresentam carga magnética específica. Nós temos sombras cuja tônica, por exemplo, pode ser um desregramento da sexualidade. Nós podemos ter um grupo cuja sombra que marca a personalidade dos seus integrantes seja o orgulho ou o fascínio pelo poder. Outra sombra, que se for devidamente dimensionada, vai ter como ênfase o apego às questões terrenas ou a paixão pelo dinheiro, entre outras. A sombra, essa sombra interna, sem dúvida tem um sentido negativo, no entanto no plano da dualidade ela vai ser o ponto geratriz da luz.

Em tempo algum e em lugar nenhum, pelo que temos aprendido e recolhido da espiritualidade, não é possível alguém levar uma vida sem a ocorrência de nenhuma dificuldade, pois a dificuldade está ainda vinculada a área em que nos direcionamos para o novo destino. Nós temos as nossas marcas que nos atrapalham, temos as trevas fechadas que trazemos conosco lá do passado, que se se acham apresentando uma espécie de penumbra, uma espécie de sombra que nós temos de ter o trabalho de clarear. Para se ter ideia, todas as vezes que eu brigo com alguém, que eu discuto com alguém, por exemplo, ou que eu machuco alguém, eu estou sendo desafiado a analisar onde é que está a falha da minha vida. Onde é que está a sombra em mim que precisa ser dissipada.

É uma sombra de caráter negativo, não é? Mas ela também pode, por sua vez, possibilitar um refrigério e um alívio. Não pode? A sombra não propicia a oportunidade para um descanso, pausa para um instante de repouso, para um instante de avaliação? Então, vamos aproveitar esse momento e oportunidade quando da identificação da sombra para nos reavaliarmos, redirecionarmos a rota e retomarmos a caminhada com mais segurança e propósitos alterados, lembrando que todo conflito começa a ser vencido na sala de estratégias.

Como se erradica a sombra, de forma definitiva, senão instaurando a luz? A sombra vai surgir em função do clareamento percebido. A visualização da luz é que permite a sua identificação. Se não houver fatores novos para clarear determinados ângulos da nossa personalidade nós não enxergamos a sombra. Porque ficamos embutidos na sombra achando que ela é uma luz, e não é. Não é o que acontece? Para quem está mergulhado na viciação a vida dele está um negrume total, mas para ele nós estamos aqui perdendo tempo. Estudar o evangelho para ele não está com nada. Ele acha que quem está vivendo prá valer é ele, quem está curtindo a vida adoidado é ele. Quer dizer, são óticas que a pessoa pode criar.

E não basta ficar com teimosia, fechado em um círculo vicioso de comportamento, fazendo sempre as mesmas coisas, do mesmo jeito. Se você ficar nessa mesma rotina, entra ano, sai ano, você não cresce. Se eu ficar nesse círculo vicioso, de ano em ano, não vou crescer. Se toda vez que a sombra se apresentar, eu não me atinar para o entendimento dela, se eu não entender a finalidade dela, a sua mensagem, o que ela está me mostrando de forma velada, eu simplesmente não vou crescer. Preciso estar aberto a novas ideias, a novos conceitos e, especialmente, a novas ações. Apresentar algo novo à vida. Em razão disso, cada vez que eu me apresentar ao meu templo interno eu vou ter que ter um algo a mais a mostrar. Se eu continuar fazendo as mesmas coisas que fazia ontem continuarei obtendo da vida os mesmos resultados amanhã. Se essa sombra se apresentar e nós não nos atentarmos para o seu entendimento, para a sua importância e significado, não iremos crescer.

Por enquanto, essa sombra que trazemos, e que de certa forma alimentamos, é em sua maioria decorrente do nosso passado, porque somos devedores da lei de maneira muito ostensiva. Só que temos que posicionar nosso coração de tal maneira que ele não viva sobre uma constante ameaça. E o melhor de tudo é que no momento em que começamos a operar no bem, e estamos treinando para isso, passamos a observar que a nossa adesão às atividades que representam a manifestação do bem legítimo, independente das nossas amarras do passado, nós vamos começando a enxergar as circunstâncias como sendo algo importante na nossa vida, como um desafio para a manifestação do amor, não mais como uma manifestação negativa que chega para agredir a nossa sensibilidade.

9 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 4

OS ANIMAIS II

Em cima nós temos os elementos direcionadores. Os padrões vindos de cima determinam objetivos, elaboram estratégias. De certa forma, o que vem de cima determina a intensidade maior ou menor da marcha, define o que fazer com os padrões já conquistados. Na parte de baixo estão presentes os valores que nós temos que utilizar.

Então, é preciso ficar claro o seguinte: se o plano superior, de angelitude e mansuetude, é que nos propicia recolher a informação, para podermos pegar esse elemento assimilado a nível intelectivo e transformá-lo em componente integrante da nossa personalidade ele vai ter que ser entregue às feras. Deu para acompanhar? Nós trazemos na intimidade essas feras dentro de nós e não podemos destruí-las. Tanto não podemos que Noé colocou todas elas na arca para elas não se perderem, porque elas é que constituem os instrumentos detonadores da realização. Por isso, precisamos saber reconhecer até onde vai a nossa capacidade, saber traçar nossas limitações e lutar imensamente para a conquista de outros padrões.

Aquele que realmente quer operar de maneira equilibrada e positiva, ele tem que lidar com as feras, porque as feras são os instrumentos detonadores da realização.

O que vai nos projetar é a força que nós temos dentro de nós, arregimentada ao longo das incontáveis experiências. Assim, vamos notar que esses valores representam os componentes potenciais da nossa projeção. Esses animais nos dão a sustentação física, são pontos de segurança para nós, definem a nossa tônica psíquica interior. Os animais nos salvam também em várias situações. Já pensou nisso? É um ponto de segurança para nós. Preservam. São eles que nos dão a possibilidade de regeneração. É a fera interna que vai impulsionar o nosso crescimento. Ela preserva. Do contrário, entraríamos num mundo novo sem nenhuma experiência. E nós temos que levar a essência, o substrato dessa animalização conosco, como fator de cooperação ao crescimento. Esses animais, que representam nossa tônica psíquica interior, segundo as características de nossos reflexos, é que dão condições a que alcemos vôos mais altos, para que ocorra a libertação escravizante dos interesses puramente humanos.

Para que a gente consiga trabalhar numa faixa de equilíbrio, vai precisar de quê? De respaldo operacional que está embaixo, que é o que vai alimentar todo plano aplicativo do consciente. Está claro? Nós recolhemos a informação que vem de cima para transformarmos esses padrões em algo presente em nossa vida, e eles, então, vão ser jogados e entregues às feras. Porque a propulsão toda é das feras. De modo que emergem forças da expressão de baixo.

Como no foguete, a força está impulsionada embaixo, para que se consiga atravessar todas as barreiras. Para que a Terra realmente possa ter uma expressão regenerada é preciso que os padrões que vem de cima, a nível informativo, comecem a ser aplicados no nosso dia a dia. Logo, são essas forças que nos dão condições de operar, essas feras é que praticamente vão impulsionar a nossa determinação reeducacional. Tudo será conquistado pela energia inerente às feras que temos dentro de nós. A besta do apocalipse, que é tão falada, é a representação dessas feras que vão, naturalmente, nos projetar para o infinito, essas forças devidamente alteradas e colocadas no plano positivo de aplicação.

E tem um ponto importante que é preciso ter em conta: nós realizamos com as feras embaixo, mas damos o comando com a águia em cima. As feras são os componentes executores e de forma alguma podem tomar o comando da embarcação.

São elas que operam, mas executam com a presença de um componente superior. Se elas tomarem a direção da embarcação vira um colapso total e tudo vai a baixo. Elas é que vão executar, elas é que operam, só que executam com a presença de um administrador. Eu posso ter ótima intuição, uma percepção acentuadamente elevada, mas para colocá-la em prática eu vou ter que movimentar meus pés, usar a minha força bruta, todos os implementos operacionais que tenho dentro de mim. Imagine um funcionário na oficina de uma empresa fabricando uma peça. Ele a está fabricando cumprindo determinação do superintendente da empresa, do diretor, do presidente, em suma, da direção. É ele que tem que fazer esse trabalho sob a determinação superior, porque se o dirigente for lá para fabricar a peça é até capaz da empresa quebrar.

Desse exemplo basta imaginar a empresa como sendo a gente. Nós temos a parte orientadora, administrativa, e temos a parte intermediária, até chegar a executora.

Quando o homem foi criado, diz o livro de Gênesis: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra." (Gênesis 1:26) Sem dúvida, esses animais dentro de nós representam um ponto da maior transcendência. Nós temos que lutar como leões na implantação do sistema de redenção pessoal. Se não tivermos a força do leão, a determinação do leão, nós ficamos parados, tentando sem sucesso alcançar os patamares praticamente inatingíveis.

E qual é a ação essencial contida no versículo acima? É o exercício do domínio. 

Nossa libertação não se resume em apenas sair voando livre dos problemas, a nossa libertação implica em domínio sobre o réptil, sobre os peixes, sobre os animais que são os componentes psíquicos ou tendências inferiores que ainda dominam a nossa personalidade. Eles precisam ser domados, domesticados, trabalhados, porque já vimos lá atrás que não podem ser eliminados. Eles continuarão nos visitando sempre, muitas vezes de maneira sutil, e temos que dominá-los.

É porque o leão, se bobear, abocanha o bezerro. Nossa projeção é semelhante a um vulcão e temos que domar esses animais e colocá-los a nosso serviço no campo da redenção. Será que está dando para acompanhar? Ainda somos dominados por esses animais e se dermos campo a eles sucumbimos por inteiro.

A questão é simples, aquele que não domina é dominado, todo aquele que comete pecado é servo do pecado, porque perdeu a capacidade de administrar o próprio sentido da vida. E qual a válvula da estrutura psíquica nossa que representa esses animais e que tem exercido pleno domínio sobre nós? Os nossos desejos inferiores. Não é isso mesmo? Essas forças podem ser direcionadas de modo negativo quando empregamos sua estrutura para tripudiar caminhos. Sem contar que se a gente não tiver a menor ação de domínio das nossas instintividades, não conseguiremos cooperar efetivamente com ninguém.

Não há como avançarmos conscientemente sem nos auto descobrir. Enquanto não descobrirmos o leão dentro de nós, a águia dentro de nós, conduzidos mansamente e tranquilamente ao longo dos séculos, não ascendemos. Tem momentos que nós temos mesmo que utilizar esses recursos, esses potenciais. Basta analisarmos com calma e vamos constatar que toda nossa projeção acaba se movimentando dentro desses elementos. Na medida em que formos sedimentando caracteres novos, esses reflexos tônicos vão ficando como que desativados. Se a nossa evolução é como um vulcão, podemos daqui para a frente viver sem que haja erupção, embora de vez em quando elas possam vir, se bobearmos.

Na hora em que essa águia íntima se transformar a ponto de operar com simplicidade, por exemplo, começam a melhorar as coisas para nós. Vamos meditar que a forma de cooperar com os demais necessita de uma maneira menos embrutecida, de uma forma menos agressiva. No entanto, você não vai sair por aí dominando se não conhecer. É como se você quisesse ter amplo domínio sobre o território que você nem sabe se tem montanhas, rios, serras, vales...

6 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 3

OS ANIMAIS I

“E DE TUDO O QUE VIVE, DE TODA A CARNE, DOIS DE CADA ESPÉCIE, FARÁS ENTRAR NA ARCA, PARA OS CONSERVAR VIVOS CONTIGO; MACHO E FÊMEA SERÃO.” GÊNESE 6:19  

“TAMBÉM DAS AVES DOS CÉUS SETE E SETE, MACHO E FÊMEA, PARA CONSERVAR EM VIDA SUA ESPÉCIE SOBRE A FACE DE TODA A TERRA.” GÊNESE 7:3

“7E O PRIMEIRO ANIMAL ERA SEMELHANTE A UM LEÃO, E O SEGUNDO ANIMAL SEMELHANTE A UM BEZERRO, E TINHA O TERCEIRO ANIMAL O ROSTO COMO DE HOMEM, E O QUARTO ANIMAL ERA SEMELHANTE A UMA ÁGUIA VOANDO.” APOCALIPSE 4:7

A arca abriga animais dos mais diversos tipos e portes. Não alguns, mas todos.

Os animais lembram a experiência das criaturas ao nível das reencarnações, visando a formação de uma humanidade regenerada. Expressam o nosso terreno de realizações, definem concretude. Aquilo que tem vida, que está para além das ideias, que está praticamente sedimentado em nosso campo de realizações.

As feras falam exatamente desse grau de ferocidade pessoal, não é mesmo? Ao estudarmos Noé, na feitura da arca, observamos que as feras ficaram no andar de baixo, e bem selada a entrada, por sinal, para evitar que elas subissem as escadas e tivessem acesso ao segundo e terceiro compartimentos. Então, onde é que ficam os animais, os nossos instintos do passado? No andar de baixo. Os animais primitivos são os nossos instintos e percepções, os sentimentos mais grosseiros que arregimentamos ao longo das existências anteriores, que devem ficar no primeiro andar. Pela lógica não podemos imaginar animais do porte de um leão, por exemplo, ocupando o mesmo compartimento de um coelho, logo eles são agrupados mediante uma classificação. 

A arca abriga nossas instintividades no andar de baixo do campo mental, na área do subconsciente.

E mais uma coisa, essas feras, esses animais íntimos, não serão eliminados nunca, tanto que entraram para a arca. Esses valores presentes em nossa intimidade permanecerão. É o bicho que nunca morre e o fogo que nunca se apaga.

Não podemos pegar o leão e matá-lo, ou matar o bezerro ou a águia ou outro animal. Esses animais não podem ser eliminados porque fazem parte da nossa estrutura.

O animal dá a ideia de movimento, de ação, de vitalidade, vamos dizer que tem presença vitalista. Não é alguma coisa fria, cristalizada, pelo contrário, é algo em movimento. E os animais não são colocados na arca apenas para um processo de abrigo. Esses elementos são colocados para uma dinâmica, para uma ação produtiva, animais são elementos imbuídos de um processo de crescimento. E note que na arca são colocados casais. Porquê? Porque casais mostra a dinâmica operacional, a dinâmica no seu encaminhamento normal, pois casal sugere produção, criatividade, operação, e sempre existe uma linha de fertilização nossa. A todo momento nós recorremos dos arquivos do nosso inconsciente ou subconsciente e na arca se não for colocado casais passamos a ter um subconsciente estático, e o subconsciente é dinâmico, com macho e fêmea.

O apocalipse fala em quatro animais marcantes: "E o primeiro animal era semelhante a um leão, e o segundo animal semelhante a um bezerro, e tinha o terceiro animal o rosto como de homem, e o quarto animal era semelhante a uma águia voando." (Apocalipse 4:7) Inicialmente, vamos deixar claro que esses animais não são no sentido literal. Não vamos ficar achando que é animal de verdade não, no seu sentido literal. Nada disso. Esses animais são na nossa estrutura de emoções, de padrões interiores, pois esse é o sentido essencial.

Na sua essencialidade, o leão, o bezerro, a águia, o rosto do homem, tudo isso representa padrões já incrustados em nosso psiquismo. Vamos notar que o texto refere-se às linhas embutidas em nossa intimidade, esses animais representam tônicas e reflexos vivos da nossa personalidade, a soma de expressões de natureza intrínseca e vibracional que trazemos no coração. Essas figuras simbolizam facetas várias da nossa personalidade, fazem referência aos valores de personalidades dos seres. Esses quatro animais com as suas ascendências peculiares, para se ter ideia, definem a tônica vigorante na intimidade.

Cada um de nós possui, em doses maiores ou menores, as características vibracionais desses animais, e isso é que é interessante ter-se em conta. Quer dizer que poderemos ter um animal com sua expressão tônica definindo o grau maior que vige em nosso íntimo, apresentando uma preponderância mais evidente de sua natureza. Nós estamos caminhando na estrada regenerativa, cada qual a seu modo, levando dentro de nós uma série maior ou menor de vaidade, de presunção, de inveja, de interesse pessoal, e esses animais podem estar dominando a nossa vida a tal ponto de não nos deixar crescer.

O leão consiste naquela proposta de força íntima e de determinação pessoal para a adesão, para a ligação a um processo novo evolucional. Vamos guardar uma coisa, as nossas modificações de vida, a nossa mudança de curso, no que respeita a evolução, está toda ela determinada na figura desse leão. Pelo menos é assim que nós temos aprendido. Repare no seguinte: o leão, por se tratar de um animal, no seu comportamento evolucional, quando vai percorrer atrás de uma presa ele é determinante. Vai, e vai atrás com a utilização de todos os potenciais. Quando ele coloca na cabeça um ponto a atingir ele não pensa. Quando está com fome ele vai em frente. Então, o leão vamos entendê-lo como sendo aquelas expressões da nossa personalidade que ainda são capazes de lutar para atender seus chamamentos, sejam de que natureza forem.

Só que a nossa fome não é a mesma fome que marca o instinto de um leão, por exemplo. Nossa fome tem caracteres bem diferentes, não é? Podemos ter a fome do egoísmo, a fome da vaidade, a fome do orgulho, do interesse pessoal, a fome dos padrões materialistas. E outra coisa é que quando o leão vai atrás da presa ele não vai motivado por um capricho, ele vai porque há um instinto gritando. Só que para nós o que era instinto lá atrás, nas faixas pretéritas das nossas condições somáticas e instintivas do dia a dia nosso, se transformou em anseios do próprio sentimento em desejos variados de profundidade.

E na medida em que deixamos abrir em nós determinados componentes na linha dos desejos, e que a vontade chega para energizar e nos projetar na conquista desse desejo, nós temos que lembrar da força do leão e da determinação dele. 

Porque no campo espiritual existe muita gente bem intencionada, de longa data, mas que não aplica a determinação e a energia para a realização do objetivo. Não movimenta o potencial íntimo para alcançar a meta e melhorar o destino. 

O lance desse leão é aquele lance íntimo da nossa definição pessoal, é aquela postura, vamos dizer, que às vezes até exige uma certa agressividade no que respeita aos valores novos. Porque as revelações que estão nos chegando na atualidade vão precisar de uma postura segura e definitiva, vão precisar de muita força e determinação para que possamos abraçar aquilo que elas estão nos trazendo.

Esse leão é a representação nítida do pensamento crístico, do pensamento positivo. Ele está lutando intensivamente para melhorar e expandir determinados padrões ao nível da moral e do amor. É a fera, não no seu sentido agressivo, na acepção negativa, mas sob outro aspecto, é o aproveitamento de todo o sistema nosso de crescimento real com base na ação, na prática, não apenas com base na linha de conceituação e de concepções. 

O bezerro nos passa a ideia de certa passividade e também de sacrifício. É o sacrifício íntimo, um ângulo de doação, um potencial doador, porque o boi e o bezerro expressam na intimidade exatamente essa linha voltada para o sacrifício.

O rosto de homem, por sua vez, é referência à personalidade humana com as suas nuances, dotada de razão e sentimento. Sugere direcionamento, estando a mente já desabrochada. Aponta que acima dos outros três elementos, o leão, o bezerro e a águia, vigora a proposta de crescimento consciente. Essa caracterização do rosto de homem simboliza aquelas criaturas que, embora dominadas pelas facetas desses leões, dessas águias e desses bezerros, apresentam uma ênfase praticamente delineada de vida com vistas ao progresso.

Por fim, nós também não podemos alcançar a elevação sem trabalharmos com a águia.

Não tem jeito. A águia voando expressa a capacidade de assimilação dos valores superiores, sugere alcance. Afinal, qual é a maneira de operar aqui embaixo uma faixa de equilíbrio? Indo lá para cima. Logo, nós precisamos da águia dentro de nós. Quando nós estamos estudando, nós estamos fazendo o quê? Tentando acionar a águia, positivamente falando, nos seus vôos, na sua acepção de projetar e crescer. Porque a águia tem um alcance mais amplo de percepção.

Dizem os entendidos que a sua capacidade de visão é de uma profundidade inimaginável.

Ela vive em planos do alto, em patamar acima, mantém-se nas alturas, mas objetivando um trabalho aqui embaixo, tem o seu trabalho todo voltado para baixo, o que não pode ser esquecido em tempo algum. Outro detalhe é que se a águia tem vôo exuberante, se chega a alturas impressionantes, ela permanece presa aos chamamentos inferiores, até mesmo ao nível da própria alimentação. Ela traz várias marcas da retaguarda. Apesar das potencialidades de subida, permanece presa à terra. Como se as necessidades mantenedoras da águia estivessem vinculadas ao plano físico. É como nós, que apesar do conhecimento ainda ficamos envoltos e limitados aos métodos de felicidade relativa.

1 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 2

A ARCA

“14FAZE PARA TI UMA ARCA DA MADEIRA DE GOFER; FARÁS COMPARTIMENTOS NA ARCA E BETUMARÁS POR DENTRO E POR FORA COM BETUME. 15E DESTA MANEIRA A FARÁS: DE TREZENTOS CÔVADOS O COMPRIMENTO DA ARCA, E DE CINQUENTA CÔVADOS A SUA LARGURA, E DE TRINTA CÔVADOS A SUA ALTURA. 16FARÁS NA ARCA UMA JANELA, E DE UM CÔVADO A ACABARÁS EM CIMA; E A PORTA DA ARCA PORÁS AO SEU LADO; FAR-LHE-ÁS, BAIXO, SEGUNDO E TERCEIRO." GÊNESE 6:14-16

Deus avisou Noé acerca do dilúvio e sobre a sua temporalidade. Ordenou a criação da arca, disse como ela deveria ser construída, como deveria ser a sua estrutura por dentro e como se proteger.

No que se refere à sua estrutura interna, vigora na intimidade do nosso ser componentes que fazem parte das nossas conquistas. A arca é a representação da nossa parte intrínseca e toda essa montagem é íntima. Nos seus três andares nós temos o subsolo (subconsciente), o intermediário como sendo o plano da nossa ação consciente (supraconsciente) e o superior definindo a faixa das nossas projeções, das inspirações que buscamos nas esferas mais altas (superconsciente).

E a arca surge da necessidade de se enfrentar com segurança o dilúvio, onde Noé para vencê-lo a construiu.

Ela deveria constituir-se de uma madeira extremamente resistente. Criada de tal forma que fosse capaz de apresentar na integralidade uma estrutura absolutamente segura, a ponto de resistir aos impactos iniciais da primeiras águas, manter-se equilibrada suportando os quarenta dias e quarenta noites de dilúvio, e mesmo após o findar desse estar intacta durante o período em que as águas baixassem seu nível até que atingisse a terra firme. Assim tem que ser a nossa estrutura íntima diante dos acontecimentos mais contundentes que nos alcançam de maneira menos feliz. Pois quando bem alicerçados interiormente melhor assimilamos os impactos iniciais dos acontecimentos, melhor conseguimos suportar as adversidades decorrentes desses acontecimentos e podemos até mesmo transformar situações negativas em circunstâncias a nosso favor.

E sem querer entrar no campo da numerologia, é interessante as medidas da arca: 300 côvados de comprimento, 50 de largura e 30 de altura. O 3, como número básico da extensão, a mostrar uma projeção de encaminhamento. Embora aparentemente tenha sentido estático, intimamente ela tem o seu movimento.

Do 3 ao 300 mostra um encaminhamento rumo ao infinito, uma vez que nós sabemos a significância do número 3 no plano evolutivo desde, claro, que ela seja construída nessas bases. Na sua largura o 50, tendo como número básico o 5, já indica a própria estrutura do homem, os seus cinco sentidos no campo da abertura perceptiva. O 5, sem dúvida, é o número representativo do homem: duas pernas, dois braços e uma cabeça. Define, também, a estrutura do pentateuco.

No que reporta a altura, o 300 dá lugar ao 30. Mais uma vez a presença do 3. É como se na medida em que ela percorre o processo, e que a nossa linha operacional abrangesse os ângulos da evolução, porque a horizontalidade corresponde a essa linha aplicativa, nós passamos a ficar gradativamente inseridos aos planos verticais da subida. São registros para a observação, lembrando que um côvado tinha uma medida de aproximadamente 0,66 centímetros.

E todo o conteúdo presente na intimidade da arca, representado na figura dos animais, é material que não pode ser desativado. Especialmente no que se refere aos valores sedimentados no subconsciente, correspondem ao fogo eterno que nunca se apaga.

Nós simplesmente não podemos nos desativar de todos os componentes que vamos arquivando ao longo da vida. Na arca vamos trabalhar componentes já conquistados e, concomitantemente, abrir, dentro do plano consciente, as linhas novas de relação entre esses valores arregimentados e o mundo exterior.

Se, de um lado, o cuidado com a arca, no sentido de manter as condições mínimas dela se direcionar com segurança, não apenas durante o impacto dos momentos difíceis como durante todo o período de transição, do outro a administração para dar condição a que os elementos nela arquivados, já incrustados na intimidade, dentro de uma organização segura, possam abrir meios para uma operação adequada juntamente aos padrões novos que serão assimilados por ocasião do lançamento das aves, porque veremos à frente que Noé lança aves para realizar o trabalho de busca. Elas é que fazem o papel de sindicância.

"Farás na arca uma janela, e de um côvado a acabarás em cima; e a porta da arca porás ao seu lado; far-lhe-ás, baixo, segundo e terceiro." (Gênese 6-16) A janela da arca situa-se no terceiro andar, isto é, no superconsciente. Não é colocada à toa. Como janela é meio de comunicação, põe a criatura situada na terra em relação com o infinito. Define a oportunidade de comunicação com aquilo que vem do alto. Por meio dela a criatura consegue visualizar pontos lá do alto.

E interessante é que na medida em que a gente vai entendendo o mecanismo da vida nós vamos notando que nos grandes desafios a nossa comunicação é por essa janela. Essa janela em cima apresenta aparentemente uma medida pequena, um côvado, todavia é o bastante para que haja um processo de reflexo. Por ela nos elevamos aos planos superiores e emitimos as nossas preces a Deus. E pela porta nós deixamos sair os elementos na horizontal, na vivência do conhecimento, numa demonstração prática da nossa relação com o campo ambiente.

É essa janela em cima que vai nos mostrar os valores necessários para a evolução, com vistas ao mundo regenerado. O mecanismo evolucional vem de cima, a evolução não se assenta em cima dos padrões já conquistados. O processo de ascensão, com a arca organizada, vai acontecer daqui para a frente dentro dessa sistemática. Basta lembrar o que Jesus disse a Pedro: "Bem aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus." (Mateus 16:17) Quanto mais a inteligência é filtrada pelo equilíbrio, bom senso e amor, mais ela entra na relação direta com as fontes superiores do universo. Na medida em que a mente consegue emitir ela abre padrões de receber mais, ela entra em um plano de integração. 

Quando nós descobrimos isto, os terrenos profundos dessas linhas que nos mantém aqui em relação com o infinito em Deus, aí sim, nós passamos a galgar os degraus da sabedoria. Porque a gente fala muita coisa e consegue coisa que não está no nosso concreto do dia a dia. Todos nós já passamos por essa situação e precisamos observar isso. Os grandes lances da nossa vida não emergiram de dentro, no seu sentido de experiência, não vieram da gente mesmo. Vieram de cima, surgiram de mais além, do plano onde dimana o progresso.

Repare para você ver. A humanidade já entende que existem inteligências fora do nosso alcance. E o que ela tem feito? As grandes potências mundiais tem erguido muitas antenas para todos os lados, não tem? Milhões e milhões de dólares. Estão fazendo o quê? Estão organizando e criando instrumentalidades sofisticadas para captar, porque sabem que lá de cima tem coisas que nós nem conseguimos captar ainda. Isso é o que ocorre conosco também no campo da aprendizagem. O evangelho, sob a luz do entendimento, nos propõe conjugar a ciência aos planos da realidade do espírito. É algo para a gente pensar.

Todo o processo de instrução nós entendemos como sendo a extensão da nossa janela e das nossas antenas captativas. É como se nessa busca nós alcançamos parâmetros cada vez mais elevados e estendemos as hastes dessas antenas, de forma a ficarem cada vez mais ampliadas, porque essa antena representa o equipamento e as predisposições interiores nossas em aprender. Estamos buscando arregimentar valores de cima pela abertura da mente.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...