31 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 10

SENTIDO AMPLIADO II

“E EDIFICOU NOÉ UM ALTAR AO SENHOR; E TOMOU DE TODO O ANIMAL LIMPO E DE TODA A AVE LIMPA, E OFERECEU HOLOCAUSTO SOBRE O ALTAR.” GÊNESIS 8:20

Não existe condição de nos projetarmos no plano renovador de modo isolado, de modo sozinho ou particular. No fundo, isso não passa de uma ilusão que acaba gerando perda de tempo e frustração sem tamanho.

Estamos passando por uma fase toda peculiar e a caminhada envolve outros elementos. Vamos ter em conta que é preciso que aquilo que representa uma questão fechada, de interesse pessoal ou imediatista, que esse padrão possa se abrir, não vale mais uma proposta de natureza egoística, puramente pessoal.

Não é preciso ir longe, quando começamos a galgar alguns degraus e começamos a encontrar uma linha de saneamento da dificuldade que nos envolve, começa a gritar o coração, não mais com vista única ao nosso reconforto pessoal. Nós alcançamos uma diretriz interior que se fundamenta numa proposta que surge dentro de nós de sermos úteis, de oferecermos algo à vida.

O evangelho está sendo trabalhado para nos ensinar que acabou aquele período de viver para si.

Não há como encontrar sustentação de felicidade naquela má regra egocentrista que trazemos ainda. Os padrões de felicidade, nas bases que a mensagem evangélica propõe, difere de algum modo daquela técnica que nós temos avocado até então, de ter os padrões pessoais evidenciados. Isso é algo ultrapassado que não coaduna mais. É preciso abrir o leque se quisermos ser feliz. Não tem como evoluir mais dentro de um contexto fechado. Quem quiser estar bem hoje tem que viver para o completo, para o grupo, para o geral no campo universalista.

O método envolve uma capacidade de ajudar, cooperar, auxiliar, refletindo o pensamento divino e, ao mesmo tempo, de saber alterar padrões. O processo é abrir.

Estamos começando a entender que a felicidade não é lutar por nós apenas, é lutar pela nossa possibilidade de integração ao contexto, isto é que é muito valioso. Quando se fala atualmente no amor universal não quer dizer que perdemos aquele direito de amar uns aos outros até no campo pessoal e particular. Nada disso. Mas aprendemos que esse amor no campo pessoal das relações afetivas diretas só vai encontrar uma ressonância gostosa de amplas sedimentações na medida que em que ele se abre no interesse dos outros no campo geral.

Preste bastante atenção: o trabalho terá pouco êxito, ou o êxito será nulo, se nós não envolvermos o processo em uma abrangência. Sempre que trabalhamos só para nós mesmos vamos tendo essa grande decepção, começamos a sentir que podemos estar bem, mas não absolutamente felizes naquela concepção de harmonia e paz. Toda conquista, por mais elevada que seja, tem que ter uma linha abrangente, universalista, que atenda outros corações.

Você pode ser um construtor e erguer o maior edifício do mundo, mas se ele apresentar uma estrutura que objetive tão somente a proposta egoística, ele vai derruir a curto prazo. Você pode estudar à vontade, pode ser dessa ou daquela religião, pode ser adepto de qualquer filosofia espiritualista, mas daqui para a frente se você não engrenar a sua conduta num plano de universalização, em função do interesse coletivo, do interesse de muitos, você pode ser santo, mas vai ser um santo de barro, vai ser um santo na imagem ou numa hibernação totalmente periférica de fora para dentro. O que, aliás, tem muita gente assim, não tem? Cumpre direitinho o seu papel, não falha no culto religioso, não atrasa no serviço, assina o ponto na hora certa, cuida da família, põe os filhos na escola. Vai vivendo naquela rotina que, aos poucos, vai cansando um percentual cada vez maior de pessoas.

Aquele que lenta e gradativamente está descobrindo o amor na sua essencialidade, ele nota que se fechar esse amor num plano egocêntrico ele estará trabalhando para a sua dissociação com as pessoas, situações, coisas, fatos, tudo.

Se nós não trabalharmos os componentes que marcam a nossa pretensa hegemonia para além do campo restrito dos interesses pessoais não seremos capazes de vibrar com a coletividade, com o grupo, com o desconhecido. Não seremos capazes de sentir entusiasmo nem de vibrar de jeito nenhum. Ninguém hoje é capaz de estar feliz por si próprio. Viver excede o limite da justiça e a harmonia íntima está diretamente ligada à capacidade de doação.

A arca pousar no chão com segurança após o dilúvio é uma bênção, não é? E o êxito dessa oportunidade recebida, que é a abertura dessa arca em terra firme novamente, só vai ocorrer se realmente for endereçado para um processo de interesse geral em nome do amor. Como vimos, as águas do dilúvio não projetam a arca para cima? A subida não corresponde ao direcionamento para os valores superiores da personalidade? Ao edificarmos o holocausto sobre o altar, e não debaixo dele, estaremos dando um sentido não religioso à nossa ação, mas um sentido globalizado, ampliado, em que todos possam usufruir disso.

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