1 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 2

A ARCA

“14FAZE PARA TI UMA ARCA DA MADEIRA DE GOFER; FARÁS COMPARTIMENTOS NA ARCA E BETUMARÁS POR DENTRO E POR FORA COM BETUME. 15E DESTA MANEIRA A FARÁS: DE TREZENTOS CÔVADOS O COMPRIMENTO DA ARCA, E DE CINQUENTA CÔVADOS A SUA LARGURA, E DE TRINTA CÔVADOS A SUA ALTURA. 16FARÁS NA ARCA UMA JANELA, E DE UM CÔVADO A ACABARÁS EM CIMA; E A PORTA DA ARCA PORÁS AO SEU LADO; FAR-LHE-ÁS, BAIXO, SEGUNDO E TERCEIRO." GÊNESE 6:14-16

Deus avisou Noé acerca do dilúvio e sobre a sua temporalidade. Ordenou a criação da arca, disse como ela deveria ser construída, como deveria ser a sua estrutura por dentro e como se proteger.

No que se refere à sua estrutura interna, vigora na intimidade do nosso ser componentes que fazem parte das nossas conquistas. A arca é a representação da nossa parte intrínseca e toda essa montagem é íntima. Nos seus três andares nós temos o subsolo (subconsciente), o intermediário como sendo o plano da nossa ação consciente (supraconsciente) e o superior definindo a faixa das nossas projeções, das inspirações que buscamos nas esferas mais altas (superconsciente).

E a arca surge da necessidade de se enfrentar com segurança o dilúvio, onde Noé para vencê-lo a construiu.

Ela deveria constituir-se de uma madeira extremamente resistente. Criada de tal forma que fosse capaz de apresentar na integralidade uma estrutura absolutamente segura, a ponto de resistir aos impactos iniciais da primeiras águas, manter-se equilibrada suportando os quarenta dias e quarenta noites de dilúvio, e mesmo após o findar desse estar intacta durante o período em que as águas baixassem seu nível até que atingisse a terra firme. Assim tem que ser a nossa estrutura íntima diante dos acontecimentos mais contundentes que nos alcançam de maneira menos feliz. Pois quando bem alicerçados interiormente melhor assimilamos os impactos iniciais dos acontecimentos, melhor conseguimos suportar as adversidades decorrentes desses acontecimentos e podemos até mesmo transformar situações negativas em circunstâncias a nosso favor.

E sem querer entrar no campo da numerologia, é interessante as medidas da arca: 300 côvados de comprimento, 50 de largura e 30 de altura. O 3, como número básico da extensão, a mostrar uma projeção de encaminhamento. Embora aparentemente tenha sentido estático, intimamente ela tem o seu movimento.

Do 3 ao 300 mostra um encaminhamento rumo ao infinito, uma vez que nós sabemos a significância do número 3 no plano evolutivo desde, claro, que ela seja construída nessas bases. Na sua largura o 50, tendo como número básico o 5, já indica a própria estrutura do homem, os seus cinco sentidos no campo da abertura perceptiva. O 5, sem dúvida, é o número representativo do homem: duas pernas, dois braços e uma cabeça. Define, também, a estrutura do pentateuco.

No que reporta a altura, o 300 dá lugar ao 30. Mais uma vez a presença do 3. É como se na medida em que ela percorre o processo, e que a nossa linha operacional abrangesse os ângulos da evolução, porque a horizontalidade corresponde a essa linha aplicativa, nós passamos a ficar gradativamente inseridos aos planos verticais da subida. São registros para a observação, lembrando que um côvado tinha uma medida de aproximadamente 0,66 centímetros.

E todo o conteúdo presente na intimidade da arca, representado na figura dos animais, é material que não pode ser desativado. Especialmente no que se refere aos valores sedimentados no subconsciente, correspondem ao fogo eterno que nunca se apaga.

Nós simplesmente não podemos nos desativar de todos os componentes que vamos arquivando ao longo da vida. Na arca vamos trabalhar componentes já conquistados e, concomitantemente, abrir, dentro do plano consciente, as linhas novas de relação entre esses valores arregimentados e o mundo exterior.

Se, de um lado, o cuidado com a arca, no sentido de manter as condições mínimas dela se direcionar com segurança, não apenas durante o impacto dos momentos difíceis como durante todo o período de transição, do outro a administração para dar condição a que os elementos nela arquivados, já incrustados na intimidade, dentro de uma organização segura, possam abrir meios para uma operação adequada juntamente aos padrões novos que serão assimilados por ocasião do lançamento das aves, porque veremos à frente que Noé lança aves para realizar o trabalho de busca. Elas é que fazem o papel de sindicância.

"Farás na arca uma janela, e de um côvado a acabarás em cima; e a porta da arca porás ao seu lado; far-lhe-ás, baixo, segundo e terceiro." (Gênese 6-16) A janela da arca situa-se no terceiro andar, isto é, no superconsciente. Não é colocada à toa. Como janela é meio de comunicação, põe a criatura situada na terra em relação com o infinito. Define a oportunidade de comunicação com aquilo que vem do alto. Por meio dela a criatura consegue visualizar pontos lá do alto.

E interessante é que na medida em que a gente vai entendendo o mecanismo da vida nós vamos notando que nos grandes desafios a nossa comunicação é por essa janela. Essa janela em cima apresenta aparentemente uma medida pequena, um côvado, todavia é o bastante para que haja um processo de reflexo. Por ela nos elevamos aos planos superiores e emitimos as nossas preces a Deus. E pela porta nós deixamos sair os elementos na horizontal, na vivência do conhecimento, numa demonstração prática da nossa relação com o campo ambiente.

É essa janela em cima que vai nos mostrar os valores necessários para a evolução, com vistas ao mundo regenerado. O mecanismo evolucional vem de cima, a evolução não se assenta em cima dos padrões já conquistados. O processo de ascensão, com a arca organizada, vai acontecer daqui para a frente dentro dessa sistemática. Basta lembrar o que Jesus disse a Pedro: "Bem aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus." (Mateus 16:17) Quanto mais a inteligência é filtrada pelo equilíbrio, bom senso e amor, mais ela entra na relação direta com as fontes superiores do universo. Na medida em que a mente consegue emitir ela abre padrões de receber mais, ela entra em um plano de integração. 

Quando nós descobrimos isto, os terrenos profundos dessas linhas que nos mantém aqui em relação com o infinito em Deus, aí sim, nós passamos a galgar os degraus da sabedoria. Porque a gente fala muita coisa e consegue coisa que não está no nosso concreto do dia a dia. Todos nós já passamos por essa situação e precisamos observar isso. Os grandes lances da nossa vida não emergiram de dentro, no seu sentido de experiência, não vieram da gente mesmo. Vieram de cima, surgiram de mais além, do plano onde dimana o progresso.

Repare para você ver. A humanidade já entende que existem inteligências fora do nosso alcance. E o que ela tem feito? As grandes potências mundiais tem erguido muitas antenas para todos os lados, não tem? Milhões e milhões de dólares. Estão fazendo o quê? Estão organizando e criando instrumentalidades sofisticadas para captar, porque sabem que lá de cima tem coisas que nós nem conseguimos captar ainda. Isso é o que ocorre conosco também no campo da aprendizagem. O evangelho, sob a luz do entendimento, nos propõe conjugar a ciência aos planos da realidade do espírito. É algo para a gente pensar.

Todo o processo de instrução nós entendemos como sendo a extensão da nossa janela e das nossas antenas captativas. É como se nessa busca nós alcançamos parâmetros cada vez mais elevados e estendemos as hastes dessas antenas, de forma a ficarem cada vez mais ampliadas, porque essa antena representa o equipamento e as predisposições interiores nossas em aprender. Estamos buscando arregimentar valores de cima pela abertura da mente.

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