6 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 3

OS ANIMAIS I

“E DE TUDO O QUE VIVE, DE TODA A CARNE, DOIS DE CADA ESPÉCIE, FARÁS ENTRAR NA ARCA, PARA OS CONSERVAR VIVOS CONTIGO; MACHO E FÊMEA SERÃO.” GÊNESE 6:19  

“TAMBÉM DAS AVES DOS CÉUS SETE E SETE, MACHO E FÊMEA, PARA CONSERVAR EM VIDA SUA ESPÉCIE SOBRE A FACE DE TODA A TERRA.” GÊNESE 7:3

“7E O PRIMEIRO ANIMAL ERA SEMELHANTE A UM LEÃO, E O SEGUNDO ANIMAL SEMELHANTE A UM BEZERRO, E TINHA O TERCEIRO ANIMAL O ROSTO COMO DE HOMEM, E O QUARTO ANIMAL ERA SEMELHANTE A UMA ÁGUIA VOANDO.” APOCALIPSE 4:7

A arca abriga animais dos mais diversos tipos e portes. Não alguns, mas todos.

Os animais lembram a experiência das criaturas ao nível das reencarnações, visando a formação de uma humanidade regenerada. Expressam o nosso terreno de realizações, definem concretude. Aquilo que tem vida, que está para além das ideias, que está praticamente sedimentado em nosso campo de realizações.

As feras falam exatamente desse grau de ferocidade pessoal, não é mesmo? Ao estudarmos Noé, na feitura da arca, observamos que as feras ficaram no andar de baixo, e bem selada a entrada, por sinal, para evitar que elas subissem as escadas e tivessem acesso ao segundo e terceiro compartimentos. Então, onde é que ficam os animais, os nossos instintos do passado? No andar de baixo. Os animais primitivos são os nossos instintos e percepções, os sentimentos mais grosseiros que arregimentamos ao longo das existências anteriores, que devem ficar no primeiro andar. Pela lógica não podemos imaginar animais do porte de um leão, por exemplo, ocupando o mesmo compartimento de um coelho, logo eles são agrupados mediante uma classificação. 

A arca abriga nossas instintividades no andar de baixo do campo mental, na área do subconsciente.

E mais uma coisa, essas feras, esses animais íntimos, não serão eliminados nunca, tanto que entraram para a arca. Esses valores presentes em nossa intimidade permanecerão. É o bicho que nunca morre e o fogo que nunca se apaga.

Não podemos pegar o leão e matá-lo, ou matar o bezerro ou a águia ou outro animal. Esses animais não podem ser eliminados porque fazem parte da nossa estrutura.

O animal dá a ideia de movimento, de ação, de vitalidade, vamos dizer que tem presença vitalista. Não é alguma coisa fria, cristalizada, pelo contrário, é algo em movimento. E os animais não são colocados na arca apenas para um processo de abrigo. Esses elementos são colocados para uma dinâmica, para uma ação produtiva, animais são elementos imbuídos de um processo de crescimento. E note que na arca são colocados casais. Porquê? Porque casais mostra a dinâmica operacional, a dinâmica no seu encaminhamento normal, pois casal sugere produção, criatividade, operação, e sempre existe uma linha de fertilização nossa. A todo momento nós recorremos dos arquivos do nosso inconsciente ou subconsciente e na arca se não for colocado casais passamos a ter um subconsciente estático, e o subconsciente é dinâmico, com macho e fêmea.

O apocalipse fala em quatro animais marcantes: "E o primeiro animal era semelhante a um leão, e o segundo animal semelhante a um bezerro, e tinha o terceiro animal o rosto como de homem, e o quarto animal era semelhante a uma águia voando." (Apocalipse 4:7) Inicialmente, vamos deixar claro que esses animais não são no sentido literal. Não vamos ficar achando que é animal de verdade não, no seu sentido literal. Nada disso. Esses animais são na nossa estrutura de emoções, de padrões interiores, pois esse é o sentido essencial.

Na sua essencialidade, o leão, o bezerro, a águia, o rosto do homem, tudo isso representa padrões já incrustados em nosso psiquismo. Vamos notar que o texto refere-se às linhas embutidas em nossa intimidade, esses animais representam tônicas e reflexos vivos da nossa personalidade, a soma de expressões de natureza intrínseca e vibracional que trazemos no coração. Essas figuras simbolizam facetas várias da nossa personalidade, fazem referência aos valores de personalidades dos seres. Esses quatro animais com as suas ascendências peculiares, para se ter ideia, definem a tônica vigorante na intimidade.

Cada um de nós possui, em doses maiores ou menores, as características vibracionais desses animais, e isso é que é interessante ter-se em conta. Quer dizer que poderemos ter um animal com sua expressão tônica definindo o grau maior que vige em nosso íntimo, apresentando uma preponderância mais evidente de sua natureza. Nós estamos caminhando na estrada regenerativa, cada qual a seu modo, levando dentro de nós uma série maior ou menor de vaidade, de presunção, de inveja, de interesse pessoal, e esses animais podem estar dominando a nossa vida a tal ponto de não nos deixar crescer.

O leão consiste naquela proposta de força íntima e de determinação pessoal para a adesão, para a ligação a um processo novo evolucional. Vamos guardar uma coisa, as nossas modificações de vida, a nossa mudança de curso, no que respeita a evolução, está toda ela determinada na figura desse leão. Pelo menos é assim que nós temos aprendido. Repare no seguinte: o leão, por se tratar de um animal, no seu comportamento evolucional, quando vai percorrer atrás de uma presa ele é determinante. Vai, e vai atrás com a utilização de todos os potenciais. Quando ele coloca na cabeça um ponto a atingir ele não pensa. Quando está com fome ele vai em frente. Então, o leão vamos entendê-lo como sendo aquelas expressões da nossa personalidade que ainda são capazes de lutar para atender seus chamamentos, sejam de que natureza forem.

Só que a nossa fome não é a mesma fome que marca o instinto de um leão, por exemplo. Nossa fome tem caracteres bem diferentes, não é? Podemos ter a fome do egoísmo, a fome da vaidade, a fome do orgulho, do interesse pessoal, a fome dos padrões materialistas. E outra coisa é que quando o leão vai atrás da presa ele não vai motivado por um capricho, ele vai porque há um instinto gritando. Só que para nós o que era instinto lá atrás, nas faixas pretéritas das nossas condições somáticas e instintivas do dia a dia nosso, se transformou em anseios do próprio sentimento em desejos variados de profundidade.

E na medida em que deixamos abrir em nós determinados componentes na linha dos desejos, e que a vontade chega para energizar e nos projetar na conquista desse desejo, nós temos que lembrar da força do leão e da determinação dele. 

Porque no campo espiritual existe muita gente bem intencionada, de longa data, mas que não aplica a determinação e a energia para a realização do objetivo. Não movimenta o potencial íntimo para alcançar a meta e melhorar o destino. 

O lance desse leão é aquele lance íntimo da nossa definição pessoal, é aquela postura, vamos dizer, que às vezes até exige uma certa agressividade no que respeita aos valores novos. Porque as revelações que estão nos chegando na atualidade vão precisar de uma postura segura e definitiva, vão precisar de muita força e determinação para que possamos abraçar aquilo que elas estão nos trazendo.

Esse leão é a representação nítida do pensamento crístico, do pensamento positivo. Ele está lutando intensivamente para melhorar e expandir determinados padrões ao nível da moral e do amor. É a fera, não no seu sentido agressivo, na acepção negativa, mas sob outro aspecto, é o aproveitamento de todo o sistema nosso de crescimento real com base na ação, na prática, não apenas com base na linha de conceituação e de concepções. 

O bezerro nos passa a ideia de certa passividade e também de sacrifício. É o sacrifício íntimo, um ângulo de doação, um potencial doador, porque o boi e o bezerro expressam na intimidade exatamente essa linha voltada para o sacrifício.

O rosto de homem, por sua vez, é referência à personalidade humana com as suas nuances, dotada de razão e sentimento. Sugere direcionamento, estando a mente já desabrochada. Aponta que acima dos outros três elementos, o leão, o bezerro e a águia, vigora a proposta de crescimento consciente. Essa caracterização do rosto de homem simboliza aquelas criaturas que, embora dominadas pelas facetas desses leões, dessas águias e desses bezerros, apresentam uma ênfase praticamente delineada de vida com vistas ao progresso.

Por fim, nós também não podemos alcançar a elevação sem trabalharmos com a águia.

Não tem jeito. A águia voando expressa a capacidade de assimilação dos valores superiores, sugere alcance. Afinal, qual é a maneira de operar aqui embaixo uma faixa de equilíbrio? Indo lá para cima. Logo, nós precisamos da águia dentro de nós. Quando nós estamos estudando, nós estamos fazendo o quê? Tentando acionar a águia, positivamente falando, nos seus vôos, na sua acepção de projetar e crescer. Porque a águia tem um alcance mais amplo de percepção.

Dizem os entendidos que a sua capacidade de visão é de uma profundidade inimaginável.

Ela vive em planos do alto, em patamar acima, mantém-se nas alturas, mas objetivando um trabalho aqui embaixo, tem o seu trabalho todo voltado para baixo, o que não pode ser esquecido em tempo algum. Outro detalhe é que se a águia tem vôo exuberante, se chega a alturas impressionantes, ela permanece presa aos chamamentos inferiores, até mesmo ao nível da própria alimentação. Ela traz várias marcas da retaguarda. Apesar das potencialidades de subida, permanece presa à terra. Como se as necessidades mantenedoras da águia estivessem vinculadas ao plano físico. É como nós, que apesar do conhecimento ainda ficamos envoltos e limitados aos métodos de felicidade relativa.

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