9 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 4

OS ANIMAIS II

Em cima nós temos os elementos direcionadores. Os padrões vindos de cima determinam objetivos, elaboram estratégias. De certa forma, o que vem de cima determina a intensidade maior ou menor da marcha, define o que fazer com os padrões já conquistados. Na parte de baixo estão presentes os valores que nós temos que utilizar.

Então, é preciso ficar claro o seguinte: se o plano superior, de angelitude e mansuetude, é que nos propicia recolher a informação, para podermos pegar esse elemento assimilado a nível intelectivo e transformá-lo em componente integrante da nossa personalidade ele vai ter que ser entregue às feras. Deu para acompanhar? Nós trazemos na intimidade essas feras dentro de nós e não podemos destruí-las. Tanto não podemos que Noé colocou todas elas na arca para elas não se perderem, porque elas é que constituem os instrumentos detonadores da realização. Por isso, precisamos saber reconhecer até onde vai a nossa capacidade, saber traçar nossas limitações e lutar imensamente para a conquista de outros padrões.

Aquele que realmente quer operar de maneira equilibrada e positiva, ele tem que lidar com as feras, porque as feras são os instrumentos detonadores da realização.

O que vai nos projetar é a força que nós temos dentro de nós, arregimentada ao longo das incontáveis experiências. Assim, vamos notar que esses valores representam os componentes potenciais da nossa projeção. Esses animais nos dão a sustentação física, são pontos de segurança para nós, definem a nossa tônica psíquica interior. Os animais nos salvam também em várias situações. Já pensou nisso? É um ponto de segurança para nós. Preservam. São eles que nos dão a possibilidade de regeneração. É a fera interna que vai impulsionar o nosso crescimento. Ela preserva. Do contrário, entraríamos num mundo novo sem nenhuma experiência. E nós temos que levar a essência, o substrato dessa animalização conosco, como fator de cooperação ao crescimento. Esses animais, que representam nossa tônica psíquica interior, segundo as características de nossos reflexos, é que dão condições a que alcemos vôos mais altos, para que ocorra a libertação escravizante dos interesses puramente humanos.

Para que a gente consiga trabalhar numa faixa de equilíbrio, vai precisar de quê? De respaldo operacional que está embaixo, que é o que vai alimentar todo plano aplicativo do consciente. Está claro? Nós recolhemos a informação que vem de cima para transformarmos esses padrões em algo presente em nossa vida, e eles, então, vão ser jogados e entregues às feras. Porque a propulsão toda é das feras. De modo que emergem forças da expressão de baixo.

Como no foguete, a força está impulsionada embaixo, para que se consiga atravessar todas as barreiras. Para que a Terra realmente possa ter uma expressão regenerada é preciso que os padrões que vem de cima, a nível informativo, comecem a ser aplicados no nosso dia a dia. Logo, são essas forças que nos dão condições de operar, essas feras é que praticamente vão impulsionar a nossa determinação reeducacional. Tudo será conquistado pela energia inerente às feras que temos dentro de nós. A besta do apocalipse, que é tão falada, é a representação dessas feras que vão, naturalmente, nos projetar para o infinito, essas forças devidamente alteradas e colocadas no plano positivo de aplicação.

E tem um ponto importante que é preciso ter em conta: nós realizamos com as feras embaixo, mas damos o comando com a águia em cima. As feras são os componentes executores e de forma alguma podem tomar o comando da embarcação.

São elas que operam, mas executam com a presença de um componente superior. Se elas tomarem a direção da embarcação vira um colapso total e tudo vai a baixo. Elas é que vão executar, elas é que operam, só que executam com a presença de um administrador. Eu posso ter ótima intuição, uma percepção acentuadamente elevada, mas para colocá-la em prática eu vou ter que movimentar meus pés, usar a minha força bruta, todos os implementos operacionais que tenho dentro de mim. Imagine um funcionário na oficina de uma empresa fabricando uma peça. Ele a está fabricando cumprindo determinação do superintendente da empresa, do diretor, do presidente, em suma, da direção. É ele que tem que fazer esse trabalho sob a determinação superior, porque se o dirigente for lá para fabricar a peça é até capaz da empresa quebrar.

Desse exemplo basta imaginar a empresa como sendo a gente. Nós temos a parte orientadora, administrativa, e temos a parte intermediária, até chegar a executora.

Quando o homem foi criado, diz o livro de Gênesis: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra." (Gênesis 1:26) Sem dúvida, esses animais dentro de nós representam um ponto da maior transcendência. Nós temos que lutar como leões na implantação do sistema de redenção pessoal. Se não tivermos a força do leão, a determinação do leão, nós ficamos parados, tentando sem sucesso alcançar os patamares praticamente inatingíveis.

E qual é a ação essencial contida no versículo acima? É o exercício do domínio. 

Nossa libertação não se resume em apenas sair voando livre dos problemas, a nossa libertação implica em domínio sobre o réptil, sobre os peixes, sobre os animais que são os componentes psíquicos ou tendências inferiores que ainda dominam a nossa personalidade. Eles precisam ser domados, domesticados, trabalhados, porque já vimos lá atrás que não podem ser eliminados. Eles continuarão nos visitando sempre, muitas vezes de maneira sutil, e temos que dominá-los.

É porque o leão, se bobear, abocanha o bezerro. Nossa projeção é semelhante a um vulcão e temos que domar esses animais e colocá-los a nosso serviço no campo da redenção. Será que está dando para acompanhar? Ainda somos dominados por esses animais e se dermos campo a eles sucumbimos por inteiro.

A questão é simples, aquele que não domina é dominado, todo aquele que comete pecado é servo do pecado, porque perdeu a capacidade de administrar o próprio sentido da vida. E qual a válvula da estrutura psíquica nossa que representa esses animais e que tem exercido pleno domínio sobre nós? Os nossos desejos inferiores. Não é isso mesmo? Essas forças podem ser direcionadas de modo negativo quando empregamos sua estrutura para tripudiar caminhos. Sem contar que se a gente não tiver a menor ação de domínio das nossas instintividades, não conseguiremos cooperar efetivamente com ninguém.

Não há como avançarmos conscientemente sem nos auto descobrir. Enquanto não descobrirmos o leão dentro de nós, a águia dentro de nós, conduzidos mansamente e tranquilamente ao longo dos séculos, não ascendemos. Tem momentos que nós temos mesmo que utilizar esses recursos, esses potenciais. Basta analisarmos com calma e vamos constatar que toda nossa projeção acaba se movimentando dentro desses elementos. Na medida em que formos sedimentando caracteres novos, esses reflexos tônicos vão ficando como que desativados. Se a nossa evolução é como um vulcão, podemos daqui para a frente viver sem que haja erupção, embora de vez em quando elas possam vir, se bobearmos.

Na hora em que essa águia íntima se transformar a ponto de operar com simplicidade, por exemplo, começam a melhorar as coisas para nós. Vamos meditar que a forma de cooperar com os demais necessita de uma maneira menos embrutecida, de uma forma menos agressiva. No entanto, você não vai sair por aí dominando se não conhecer. É como se você quisesse ter amplo domínio sobre o território que você nem sabe se tem montanhas, rios, serras, vales...

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