13 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 5

A SOMBRA DOS BENS FUTUROS

“PORQUE TENDO A LEI A SOMBRA DOS BENS FUTUROS, E NÃO A IMAGEM EXATA DAS COISAS, NUNCA, PELOS MESMOS SACRIFÍCIOS QUE CONTINUAMENTE SE OFERECEM CADA ANO, PODE APERFEIÇOAR OS QUE A ELES SE CHEGAM.” HEBREUS 10:1

Há uma tendência que trazemos de trás, bem lá da retaguarda mesmo, de considerar os acontecimentos mais difíceis, aqueles acontecimentos mais retumbantes que nos acontecem, como sendo um elemento punitivo.

O sofrimento nosso, visto da ótica de baixo para cima, representa um carma violento que nós queremos ficar livre dele de qualquer maneira. Não estamos de todo errados, óbvio que não. A lei se manifesta em nossas vidas muitas vezes com expressões de dor quando estamos distanciados dela. É que toda postura de afastamento da lei gera uma resposta de dor, e segundo o apóstolo Paulo é imperioso que a lei se cumpra. Assim, para nós a lei chega para respaldar, nos cobrar o que temos de débito, onde ninguém semeia senão o que plantou na esteira do destino e ninguém sofre sem merecer, que todo efeito é consequência de uma causa e esse efeito vai despertar o grau da consciência.

Agora, o interessante disto é que as próprias reações da lei não tem um sentido puramente de dizer basta para a criatura que a infringiu, ou de mostrar a ela a sua pequenez. Não existe uma reação negativa das leis que nos regem. Elas não tem um sentido negativo, ainda que machuquem, ainda que sofra a criatura.

Porque essa lei, que para nossa percepção está cobrando o que devemos, visto de cá para lá, de lá para cá na sua essencialidade ela contém a sombra dos bens futuros, ou seja, ela não está aqui para fazer a gente apenas pagar não, está aqui para abrir um caminho novo para a gente, afinal de contas atrás do cumprimento da lei de causa e efeito vigora uma lei maior, a lei do progresso. De lá para cá prepondera um instrumento de reformulação de vida, de mudança de destino. É uma forma da gente refundir e reformular conceitos. As reações da lei, no âmbito da dificuldade, trazem instrumentalidade didática em si própria para que a gente descubra a sistemática e se ajuste a um caminho novo. Em outras palavras, essas reações trazem um selo íntimo chamado amor, chamado exame da própria caminhada, recomposição e melhoria.

Assim, a lei contém a sombra dos bens futuros. O que significa isso? Significa que ela não vem apenas para cobrar, ela vem nos mostrar a sombra dos bens futuros, a virtude que nós ainda precisamos desenvolver para usufruir de um amanhã melhor. Então, entre o que eu estou passando hoje, entre o meu resgate, a minha dificuldade presente, e o meu objetivo no futuro, o que eu desejo em termos de amanhã, existe uma sombra íntima que me remete, que me direciona, que me mostra o que eu preciso trabalhar. Deu para acompanhar?

Nós temos sombras em nossas vidas que representam tônicas, que apresentam carga magnética específica. Nós temos sombras cuja tônica, por exemplo, pode ser um desregramento da sexualidade. Nós podemos ter um grupo cuja sombra que marca a personalidade dos seus integrantes seja o orgulho ou o fascínio pelo poder. Outra sombra, que se for devidamente dimensionada, vai ter como ênfase o apego às questões terrenas ou a paixão pelo dinheiro, entre outras. A sombra, essa sombra interna, sem dúvida tem um sentido negativo, no entanto no plano da dualidade ela vai ser o ponto geratriz da luz.

Em tempo algum e em lugar nenhum, pelo que temos aprendido e recolhido da espiritualidade, não é possível alguém levar uma vida sem a ocorrência de nenhuma dificuldade, pois a dificuldade está ainda vinculada a área em que nos direcionamos para o novo destino. Nós temos as nossas marcas que nos atrapalham, temos as trevas fechadas que trazemos conosco lá do passado, que se se acham apresentando uma espécie de penumbra, uma espécie de sombra que nós temos de ter o trabalho de clarear. Para se ter ideia, todas as vezes que eu brigo com alguém, que eu discuto com alguém, por exemplo, ou que eu machuco alguém, eu estou sendo desafiado a analisar onde é que está a falha da minha vida. Onde é que está a sombra em mim que precisa ser dissipada.

É uma sombra de caráter negativo, não é? Mas ela também pode, por sua vez, possibilitar um refrigério e um alívio. Não pode? A sombra não propicia a oportunidade para um descanso, pausa para um instante de repouso, para um instante de avaliação? Então, vamos aproveitar esse momento e oportunidade quando da identificação da sombra para nos reavaliarmos, redirecionarmos a rota e retomarmos a caminhada com mais segurança e propósitos alterados, lembrando que todo conflito começa a ser vencido na sala de estratégias.

Como se erradica a sombra, de forma definitiva, senão instaurando a luz? A sombra vai surgir em função do clareamento percebido. A visualização da luz é que permite a sua identificação. Se não houver fatores novos para clarear determinados ângulos da nossa personalidade nós não enxergamos a sombra. Porque ficamos embutidos na sombra achando que ela é uma luz, e não é. Não é o que acontece? Para quem está mergulhado na viciação a vida dele está um negrume total, mas para ele nós estamos aqui perdendo tempo. Estudar o evangelho para ele não está com nada. Ele acha que quem está vivendo prá valer é ele, quem está curtindo a vida adoidado é ele. Quer dizer, são óticas que a pessoa pode criar.

E não basta ficar com teimosia, fechado em um círculo vicioso de comportamento, fazendo sempre as mesmas coisas, do mesmo jeito. Se você ficar nessa mesma rotina, entra ano, sai ano, você não cresce. Se eu ficar nesse círculo vicioso, de ano em ano, não vou crescer. Se toda vez que a sombra se apresentar, eu não me atinar para o entendimento dela, se eu não entender a finalidade dela, a sua mensagem, o que ela está me mostrando de forma velada, eu simplesmente não vou crescer. Preciso estar aberto a novas ideias, a novos conceitos e, especialmente, a novas ações. Apresentar algo novo à vida. Em razão disso, cada vez que eu me apresentar ao meu templo interno eu vou ter que ter um algo a mais a mostrar. Se eu continuar fazendo as mesmas coisas que fazia ontem continuarei obtendo da vida os mesmos resultados amanhã. Se essa sombra se apresentar e nós não nos atentarmos para o seu entendimento, para a sua importância e significado, não iremos crescer.

Por enquanto, essa sombra que trazemos, e que de certa forma alimentamos, é em sua maioria decorrente do nosso passado, porque somos devedores da lei de maneira muito ostensiva. Só que temos que posicionar nosso coração de tal maneira que ele não viva sobre uma constante ameaça. E o melhor de tudo é que no momento em que começamos a operar no bem, e estamos treinando para isso, passamos a observar que a nossa adesão às atividades que representam a manifestação do bem legítimo, independente das nossas amarras do passado, nós vamos começando a enxergar as circunstâncias como sendo algo importante na nossa vida, como um desafio para a manifestação do amor, não mais como uma manifestação negativa que chega para agredir a nossa sensibilidade.

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