20 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 7

O HOLOCAUSTO

“6E ACONTECEU QUE AO CABO DE QUARENTA DIAS, ABRIU NOÉ A JANELA DA ARCA QUE TINHA FEITO. 7E SOLTOU UM CORVO, QUE SAIU, INDO E VOLTANDO, ATÉ QUE AS ÁGUAS SE SECARAM SOBRE A TERRA. 8DEPOIS SOLTOU UMA POMBA, PARA VER SE AS ÁGUAS TINHAM MINGUADO DE SOBRE A FACE DA TERRA.” GÊNESE 8:6-8

“E EDIFICOU NOÉ UM ALTAR AO SENHOR; E TOMOU DE TODO O ANIMAL LIMPO E DE TODA A AVE LIMPA, E OFERECEU HOLOCAUSTO SOBRE O ALTAR.” GÊNESIS 8:20 

“E OS SEUS DISCÍPULOS LEMBRARAM-SE DO QUE ESTÁ ESCRITO: O ZELO DA TUA CASA ME DEVORARÁ.” JOÃO 2:17

“1PORQUE TENDO A LEI A SOMBRA DOS BENS FUTUROS, E NÃO A IMAGEM EXATA DAS COISAS, NUNCA, PELOS MESMOS SACRIFÍCIOS QUE CONTINUAMENTE SE OFERECEM CADA ANO, PODE APERFEIÇOAR OS QUE A ELES SE CHEGAM. 2DOUTRA MANEIRA, TERIAM DEIXADO DE SE OFERECER, PORQUE, PURIFICADOS UMA VEZ OS MINISTRANTES, NUNCA MAIS TERIAM CONSCIÊNCIA DE PECADO. 3NESSES SACRIFÍCIOS, PORÉM, CADA ANO SE FAZ COMEMORAÇÃO DOS PECADOS. 4PORQUE É IMPOSSÍVEL QUE O SANGUE DOS TOUROS E DOS BODES TIRE OS PECADOS. 5POR ISSO, ENTRANDO NO MUNDO, DIZ: SACRIFÍCIO E OFERTA NÃO ME QUISESTE, MAS CORPO ME PREPARASTE; 6HOLOCAUSTOS E OBLAÇÕES PELO PECADO NÃO TE AGRADARAM. 7ENTÃO DISSE: EIS AQUI VENHO PARA FAZER, Ó DEUS, A TUA VONTADE.” HEBREUS 10:1-7

O evangelho tem ensinado que voltamos à carne para regenerar e reaprender, e não superaremos os entraves da própria libertação providenciando ajuste inadequado com nossos inconsequentes desejos.

Não é adotando crendices e condescendendo com preconceitos, rituais e cerimônias, cuja essência se desfaz com o leve sopro do raciocínio, que lograremos a nossa salvação. Semelhantes ingenuidades já não se acomodam ao cérebro dos homens de nossos dias. Em muitas ocasiões nós enquadramos a atividade espiritual em restritas atitudes sistematizadas e não saímos disto.

É chegado o instante de não cultivarmos ilusões mais. É tempo de sacudirmos esses andrajos do passado, de abandonarmos as faixas da infância e buscarmos conhecer a realidade evolutiva. São inúteis, nos círculos de nossa fé, os petitórios de protecionismo e de vantagens inferiores. É imperioso nos renovarmos em espírito, largando a acomodação e o conformismo que se nos arraiga no íntimo, alentados pelo adubo do hábito, em repetidas experiências no plano material.

Somente pela obra de auto-educação, efetuada com perseverança e decidida vontade de nos espiritualizarmos, sem esmorecimentos, que conseguiremos nos aperfeiçoar de modo real.

"Por isso, entrando no mundo, diz: sacrifício e oferta não me quiseste, mas corpo me preparaste; holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis aqui venho para fazer, ó Deus, a tua vontade." (Hebreus 10:5-7) O que significa "sacrifício e oferta não me quiseste, mas corpo me preparaste"? Apenas define que a criatura, pela prática de certas atitudes exteriores, não evoluiu, ela não cresceu, não andou muito para a frente. Ficou praticamente estacionada.

A maior lição de Jesus, no seu evangelho de claridades imorredouras, é que ao invés de ficarmos formulando votos e sacrifícios convencionais, promessas e ações mecânicas, como se buscássemos escapar dos deveres que nos competem, devemos nos concentrar como obrigação primária a nossa entrega, humilde, aos sábios imperativos da providência, submetendo-nos à vontade justa e misericordiosa de Deus para sermos aprimorados em suas mãos.

E o texto diz ainda: "Mas corpo me preparaste". Que corpo é esse? Não é o corpo físico, é o corpo de esclarecimento, o corpo de informações, de ideias, processo de elaboração de uma nova mentalidade, de uma nova estrutura intrínseca.

Ao dizer isso a criatura está dando uma declaração nítida de que ela está ciente da sua necessidade de crescimento, que está inteirada da sistemática em que está inserida. Será que deu para ficar claro? O que estamos fazendo, estudando o evangelho, é exatamente nos preparando para avançar, para ir à frente. Trazemos débitos do passado sim, afinal quem não tem pecado pode lançar a pedra, todavia vamos liquidar dívida, mas com um reinvestimento na atividade nossa.

O que acontecia lá atrás para que se tivesse a felicidade de viver bem e estar bem com Deus? Você se lembra? Matava-se o bezerro ou qualquer outro animal. Não é isso? Era mais fácil matar o animal. E se bobear, está sendo feito assim até hoje.

"Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados. Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados. Por isso, entrando no mundo, diz: sacrifício e oferta não me quiseste, mas corpo me preparaste; holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram. Então disse: eis aqui venho para fazer, ó Deus, a tua vontade." (Hebreus 10:3-7) O que define que na medida em que a gente vai avançando no conhecimento a gente vai começando a ter condições de amar a vida, de amar o semelhante, de amar a natureza, enfim, na medida em que saímos daquela linha mística, de uma referência fechada, uma reverência fechada ao criador, entramos na capacidade de honrar a Deus por meio da proposta reeducacional íntima, e passamos a ascender para novos estágios.

"E os seus discípulos lembraram do que está escrito: o zelo da tua casa me devorará." (João 2:17) A expressão "o zelo da tua casa me devorará" aponta que no momento em que vamos fazendo um investimento de tudo o que representa ação consciente nossa, nós devoramos a nós próprios nesse holocausto, nos sacrificamos por amor ao criador e passamos a ser os usufrutuários de todas as benesses e recursos positivos que dimanam disso.

Fazer a vontade de Deus é vivenciar a orientação da lei vivida pelo Cristo. Aí, sim, nós conseguimos substituir o boi, a ovelha, o pombo, pela realidade do sangue pessoal. Percebeu? Essa ideia de sangue não é aquele que tem que ser derramado com um punhalzinho ou uma faca, não. O sangue é a reencarnação consciente nossa de que estamos aqui embaixo para resolver o nosso problema.

A legítima doação é aquela em que vamos, dia a dia, na nossa experiência no mundo, doando o nosso sangue à grandeza da vontade de Deus e do Cristo. O sacrifício autêntico é o que implementamos em cada momento da vida em homenagem a Jesus. O maior testemunho do sacrifício a Deus e a Jesus é a vida do dia a dia, doando-nos para Deus.

"E edificou Noé um altar ao Senhor; e tomou de todo o animal limpo e de toda a ave limpa, e ofereceu holocausto sobre o altar." (Gênesis 8:20) Quando Noé saiu da arca e soltou os animais, é num espaço que representa a própria faixa íntima nossa, num espaço mais alongado. É quando começamos a deixar que eles não fiquem tão comprimidos, porque eles estão em atividades nas várias frentes em que nós vamos operar.

Tem momentos que nós temos que usar a serpente, ou outro animal, na solução de determinados problemas, no trato com determinadas situações, fatos, pessoas ou coisas. Nós temos que usar. Não no sentido de ferir alguém, mas no sentido de colocarmos esses componentes como sendo os instrumentos da nossa eficiência no trabalho. Não contra os outros, mas numa administração correta dos padrões que dispomos.

E para oferecer sacrifício ele tomou de todo animal limpo e de toda ave limpa, mostrando que esse altar recebe, dentro do plano dos holocaustos, animal limpo e ave limpa como sendo dois pontos importantes na caminhada, sem mencionar qual animal e qual ave eram, pois eles sugerem ângulos e particularidades inerentes a cada individualidade.

Então, esse animal oferecido é, nada mais nada menos, que a oferta máxima no plano de concretude do ser. É representação daquilo que expressa o nosso terreno de realizações, expressa concretude, aquilo que realmente tem vida. Define aquele campo de organização e de laboração, mas com um sentido de vida intrínseco. Ficou claro? É aquilo que está para além da área das ideias, é aquilo de tangível que agrupamos junto de nós, que já está praticamente sedimentado em nosso campo de realizações. Esse animal constitui a minha oferta na esfera do trabalho, a minha capacidade realizadora a cada instante. E à medida que essa ave limpa e animal limpo começarem a refletir aspectos cada vez mais coerentes com a nossa conquista pessoal, a gente começa a passar para outra fase.

Não tem outra, para que a evolução aconteça de forma consciente é preciso um vínculo nosso com os planos superiores. Sem essa faixa de vinculação nós não conseguimos caminhar e ascender. E note que para aprimorar alguma coisa na arca, o que Noé usou? Ele usou aves. Está lembrado? Ele usou aves por quê?

Porque é a ave que faz a sindicância, que descobre os celeiros e terrenos, é a ave que faz aquele papel de busca. A ave é um instrumento de projeção de acordo com a altura alcançada. É um elemento que nos dá a ideia de avanço, possibilita a projeção, que é o que estamos trabalhando aqui. As aves, pelo que nós temos depreendido dos ângulos morais da mensagem do evangelho, define aquela tônica que já está presente nas pessoas que trabalham com uma proposta de captação dos padrões superiores. A escritura diz algo mais a nós: "E a pomba voltou a ele à tarde; e eis, arrancada, uma folha de oliveira no seu bico; e conheceu Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra." (Gênesis 8:11) É fácil analisar que a ave, no caso, a pomba, trouxe uma folha de oliveira.

A gente sabe o papel da oliveira com o campo básico da iluminação. Ela trouxe o componente da iluminação, trouxe luz de cima para o caminho que tem que ser palmilhado embaixo. Ok? A luz vem de cima para trilharmos os passos, que é embaixo.

As aves consideradas limpas são instrumentos que estamos usando daqui para frente.

Elas fazem o papel de busca e apreensão dos caracteres que vão ser depositados via superconsciente no campo da aprendizagem. Está dando para acompanhar? Porque estamos saindo da linha da evolução do réptil para cima, tentando apreender conhecimentos de cima nos planos do superconsciente. Esse plano de busca é o que nós estamos fazendo aqui. Eu não posso sair daqui, do piso de onde estou, mas com as possibilidades da mente eu atinjo outras fontes.

Deu agora? Estamos usando as aves de nossa criatividade e realizando vôos mentais, fazendo a mente funcionar a parte superior. Estamos tentando arregimentar conhecimentos de cima, pois a nossa evolução está em cima, não está embaixo. São essas aves limpas que alçam vôo para pegar de cima, elas representam as melhores aspirações que nós temos, definem esses vôos do pensamento no campo idealístico do ser.

O problema é que quase sempre, ao invés de acionarmos as aves na busca do mais elevado, do mais alto, para o alcance de melhores posições, preferimos ficar acomodados aos nossos padrões e conceitos. Nós ficamos acomodados aos valores triviais, e diante do dinamismo da vida ficamos naquela vibração íntima que vai se tornando cada vez mais densa e escravizadora do nosso "eu".

Precisamos de fato nos elevar. Temos que laborar em termos de um aproveitamento espiritual clareado, adequado, e não mais puramente humano. Se eu me prendo aqui, no limite de todas as minhas conquistas, meu vôo é muito relativo, é um vôo em cima das minhas expressões pessoais, dos meus conceitos. Qual o resultado? Eu não me elevo, não ascendo, fico aprisionado, parado no tempo.

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