28 de jul de 2014

Cap 44 - A Arca e o Holocausto - Parte 9

SENTIDO AMPLIADO I

“E EDIFICOU NOÉ UM ALTAR AO SENHOR; E TOMOU DE TODO O ANIMAL LIMPO E DE TODA A AVE LIMPA, E OFERECEU HOLOCAUSTO SOBRE O ALTAR.” GÊNESIS 8:20

O primeiro mandamento é muito claro e define para nós: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração e ao próximo como a si mesmo."

Esse "a si mesmo" indica que somos acentuadamente amantes de nós mesmos, e vai ser difícil vencer isso, porque é algo que trazemos da retaguarda, dos primeiros lances de crescimento da individualidade. Quando a gente recebe alguma coisa que nos sustenta e nos felicita amplamente, por exemplo, a gente fala graças a Deus. Fazemos assim desde lá de trás. Mas se analisarmos é graças a Deus, mas tudo é meu. Percebeu? A gente se fecha em um regime egocêntrico.

Nós passamos por um processo de angariar na hiper valorização do nosso eu. Para se ter ideia, tem muitas pessoas que só operam tirando vantagens, vivem só para si.

O  mundo está cheio de pessoas nos núcleos espirituais, nas igrejas, que estão, como se pode dizer, eticamente integradas na sociedade. Ou seja, apresentam toda aquela polidez moral, vivem bem entrosadas no contexto, são verdadeiros conhecedores e estão por dentro de todos os assuntos. Se movimentam bem e se dão bem com todos, pagam suas contas em dia, não brigam com ninguém, não tem prontuário na polícia, não tem nome no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito). O mundo está cheio de gente assim. É óbvio que elas tem os seus valores e estão recebendo segundo as suas obras, estão de certa forma sendo premiadas. Mas em determinado momento emergem dentro delas uma ineficiência, um certo vazio, porque trabalham só pra si mesmas.

E toda as vezes que trabalhamos para nós mesmos, somente visando o nosso reconforto pessoal, vamos tendo essa grande decepção. Vamos começando a entender lentamente pelas experiências que nós podemos estar bem, mas não estarmos absolutamente felizes naquela acepção profunda de paz interior e de harmonia.

Sem contar outra coisa, que se nós não tivermos o cuidado de abrir o contexto vai ficar difícil porque sempre vai ter alguma coisa para nos aborrecer. Vamos pensar nisso. Eu não sei se você entendeu, mas sempre vai surgir algo para nos aborrecer, para nos chatear, nos entristecer, quando pensamos só em nós mesmos.

Não podemos cultivar essa situação num plano cerceador da evolução consciente, que é hoje o que nós estamos tentando implementar. O personalismo tem sido um componente que trava o nosso processo evolucional.

A felicidade dimensionada apenas nos planos normais da vida, se você reparar bem, ela tem uma expressão muito rápida, muito fictícia, muito transitória, ela acaba desaparecendo por si mesma. E a vida tem um sentido universal, abrangente.

Quando fechamos circuito em cima de um elemento da nossa experiência a gente, às vezes, fica naquele sentimento de perda de tempo ou de frustração. Então, nós temos que ir na marcha visando um sentido ampliado. Sem dúvida não podemos evoluir de modo isolado, não podemos evoluir de modo personalístico.

Note que quanto mais nos recolhemos a nós próprios mais apertado fica o cerco. Não sou eu que está falando isso não, isso é da lei. Podemos ser uma criatura bem relacionada, com muitas pessoas do nosso lado, mas no fundo trazemos aquela marca que nos peculiariza, a marca do individualismo, da alienação, do tudo é meu. Quanto mais nós investimos nesse personalismo, que é um culto à própria individualidade, ao próprio eu, numa manifestação tranquila do egoísmo, nós notamos que estaremos alienados do contexto, nada obstante possamos apresentar um número muito grande de cidadãos em nossa volta.

À medida que tentamos crescer e identificamos determinado problema que nos visita, o que fazemos? Vamos atrás das soluções. Entramos na avaliação plena das causas, buscamos administrar os efeitos e o que geralmente acontece? Começamos a entender que a vida nos convoca para ângulos novos. Nós estamos matriculados numa escola regenerativa que visa o bem estar de todos. 

Estamos identificados agora num mundo melhor. E chega um momento em que começamos a sentir no íntimo que a própria vida está exigindo de nós uma cooperação. E o evangelho, mensagem viva e essência do amor, se manifesta em nosso coração, naquela acepção de paz e felicidade legítima, quando nos capacitamos à abnegação e compreensão na eleição de uma nova postura.

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